Nightmare

9 Capítulo 9


Puxei Joe para dentro do banheiro, a fim de limpar todo aquele sangue. Molhei uma toalha e passei levemente em seu rosto. Ele me encarava, fiquei meio sem graça e desviei minha atenção de seu rosto.

- Hum, obrigada.

- Você é uma garota que gosta de agradecer! – Ele ria.

- E você é um garoto que gosta de brigar!

- Por que acha isso?

- Simples. Não tinha motivo para você ter atacado o homem daquele jeito.

- Você me parece um bom motivo para começar uma briga.

- Não exagere. – Falei com timidez.

- Não tenho motivos para exagerar.

Terminei de limpar seu rosto. Agora podia ver o quanto estava roxo e inchado. Peguei os curativos para colocar na mordida em seu braço, mas antes passei álcool. Ele resmungou algo, assim que passei o álcool sobre o machucado. Os músculos em seu braço eram bem definidos, reforçando sua beleza física.

- Todas ficam assim quando olham pra mim!

- Hã? Como? – Nem tinha prestado atenção no que ele falará.

- É essa sua cara de boba olhando para o meu braço.

- Que cara? E eu tenho que olhar para o teu braço para colocar o curativo.

Ele riu em um tom de zombaria. Realmente eu tinha que olhar para seu braço enquanto fazia o curativo, mas não reclamaria se aquilo demorasse, era uma boa visão.

- Prontinho. Terminei!

- Você é uma boa enfermeira! – Observava o curativo. – Obrigado.

- Por nada!

Eu iria tomar um banho para aliviar a tensão de todo o dia. Joe saiu do banheiro e deitou-se sobre uma das camas do quarto.

- Joe, você não se importa de me esperar?

- Como assim? – Pareceu confuso.

- Ficar acordado. Só espere eu sair do banheiro! Sabendo que você esta acordado, não vai parecer que estou sozinha!

- Ficarei acordado.

Apesar de saber que não estava sozinha, o silencio dava essa ideia, mas sabendo que Joe estará acordado ali do lado, o medo seria menor.

Entrei na ducha, com o gesso protegido por uma sacola plastica e liguei o chuveiro. A água estava perfeitamente quente, ideal para relaxar e esquecer os problemas. Minha mente às vezes se volta contra mim mesma, a fim de querer me assustar. Sozinha em um banheiro e tomando banho, me lembrava da típica cena de terror em que a pobre moça ingênua tomava banho tranquilamente, quando um ser estranho a surpreendia segurando uma faca, pronto para atacar. Como impulso olhei para trás, esperando que não tivesse nada além de um banheiro vazio. Para minha sorte estava sozinha.

Sai rapidamente do banheiro. Fiquei feliz em concluir que Joe me esperava acordado, como dissera que faria. Sentei-me na cama reservada para mim.

- Agora podemos dormir?

- Ér... Podemos. – Tinha sérias duvidas se eu queria mesmo dormir.

- Não me pareceu convincente. Posso te perguntar uma coisa?

- Pode.

- Nas ultimas noites você tenta ao máximo evitar dormir. Por quê?

- Não tenho um motivo... É só que... – Ele me interrompeu.

- Pode falar a verdade Demi.

Olhei em seus olhos e algo me dizia que nele eu podia confiar.

- Esta bem! – Ele se sentou ao meu lado, na cama onde eu estava. – Eu costumo ter pesadelos todas as noites e não são simples pesadelos, eles me assustam de verdade. E por causa disso prefiro passar a noite em claro, do que dormir.

- Hum, entendi. Então se você for passar a noite em claro, te farei companhia.

- Não precisa fazer isso.

- Eu não, mas você precisa de uma companhia!

Ele nos cobriu com o fino edredom sobre a cama. Eu gostava da forma que ele me tratava, independente do que eu falasse ou fizesse, Joe queria me fazer sentir bem. Mas só a presença dele já garantia o meu bem estar. Queria poder saber por quanto tempo isso duraria, por quanto tempo ainda estaríamos juntos. Ele se tornara importante para mim nesses últimos dias, não por ele ficar me salvando de todas as enrascadas que me metia, mas por fazer da sua presença a minha necessidade.

Me lembro da imagem do seu rosto fixar-se em minha mente, quando perdi controle sobre meus pensamentos.

Uma porta trancada impedia-me de prosseguir, então dei meia volta. O medo voltara ao perceber que mais uma vez estava naquele estreito e cumprido corredor. As grades ainda estavam lá, mas os gritos e as pessoas pareciam estar ausentes. Senti um cheiro forte e repugnante, coloquei a mão no rosto, ficando sobre meu nariz e a minha boca, em uma tentativa – fracassada — de me livrar daquele odor.

Dei alguns passos e pude ver a origem daquele cheiro insuportável. Aquelas pessoas que antes gritavam com todo o desespero possível, agora estavam amontoadas umas sobres às outras. Cobertas de sangue e moscas. Estavam mortas.

Aquela cena era horrível. Do outro lado surge aquela coisa, do que eu tento tanto fugir. O mensageiro da Morte. Ele sorriu para mim. Não retribui o gesto.

- Bom vê-la novamente. – Ainda sorria.

- Eu não diria o mesmo.

- Não deixei de perceber que não gostou muito do lugar. Achou mais agradável da primeira vez? – Não respondi.

Ele avançava em minha direção e eu recuava, tentando manter uma distancia significativa entre nós dois. Cheguei ao meu ponto inicial, a porta trancada que me impedia de prosseguir. Tentei abri-la mais uma vez, mas como da primeira vez não obteve resultado algum.

- Acalme-se Demetria. – Senti o toque gelado de sua mão sobre meu ombro. – Quero te mostrar algo.

Ele colocou mão na maçaneta e a girou, abrindo a porta – que antes estava trancada.

- Mas... – Deixei para lá.

- Entre!

Não entendi porque meu corpo obedecia a seu comando. Porque minha mente constantemente avisa-me que não deveria confiar nele sob nem uma circunstancia. Entrei com cautela. Estava parcialmente escura, uma pequena lâmpada pendurada ao teto, que fornecia pouca iluminação.

- No canto. – Indicou.

Olhei com certa curiosidade.

- Ai meu Deus!

Levei minhas mãos ao rosto tapando meus olhos e virei para o outro lado.

- Minha nossa! O que significa isso? – Falei com raiva, as lagrimas já corriam pelo meu rosto. – O que você quer? – O empurrei de volta ao corredor.

Minha raiva era tanta que nesse momento sobre punha o medo.

- O que você pretende com isso? – Ele começou a rir, me deixando confusa.

- Eu diria que você gosta muito daquele rapaz.

Ele me conhecia, sabia o que eu sentia. As lagrimas caiam expondo meu desespero e angustia. Cai de joelhos no chão, deixando minhas mãos no rosto.

- Por que você faz isso? – Minha voz soava tremula diante a situação.

- Pergunte ao seu pai.

- Meu pai? Como assim? – Ele sorriu.

- Até mais!

- O que?

Acordei com um pulo, como nas noites anteriores. Meus olhos estavam marejados e minha pele suava.

Notas finais
Hum, foi mals a demora, mas ta ai, depois continuo ;D