Nightmare
7 Capítulo 7
Apresaram as coisas para voltarmos à estrada e ir em busca de algum hospital. A busca não durou muito tempo. Depois de pedirmos algumas informações, chegamos a um grande hospital da região.
Fui levada as pressas a um dos consultórios, antes que desmaiasse de tanta dor. Deram-me algo para beber dentro de um copinho, o gosto era horrível, provavelmente seria algum remédio.
Sentei na maca do consultório e o médico examinou meu braço. A dor era terrível. Prendi meus gritos antes que pudessem chegar a minha boca, evitando sua saída trágica. Alguns minutos se passaram e o médico deixou meu braço imobilizado junto ao meu corpo.
- Me diga uma coisa. Como você quebrou seu braço?
- Ela quebrou o braço? Caramba! – Joe mostrou-se surpreso.
Não sabia o que dizer ao médico, afinal nem eu tinha entendido como aquilo aconteceu. O modo como Joe tinha dito aquilo, o fez parecer culpado.
- Então... Como aconteceu isso! – Insistiu.
- O pneu do nosso carro furou e paramos para troca-lo... – Pausa para pensar. – E no acostamento... – Era péssima com mentiras.
- Veio um menino descontrolado em cima de uma bicicleta e a atropelou. Acabou que a Demi caiu em cima do próprio braço doutor! Esses moleques... – Continuou Joe, mentindo com naturalidade.
- Sim. E vocês são o que dela?
- Primos... De terceiro grau! – Mentiu mais uma vez.
- Esta bem. Vou engessar o braço e aproximadamente daqui umas três ou quatro semanas pode tirar!
O remédio começou a fazer efeito. A dor aos poucos foi sessando, enquanto meu braço estava sendo engessado. Joseph e Kevin me esperavam no corredor. Pareciam nervosos e impacientes. Joe andava de um lado ao outro falando no celular, Kevin o seguia impacientemente tentando ouvir a conversa no telefone celular.
- E o sangue em sua camiseta? – Perguntou-me enquanto arrumava o gesso.
- Bati meu rosto e meu nariz sangrou.
- Diga-me a verdade moça. Não foram eles que... Ér, fizeram isso? – Parecia completamente desconfiado.
- Não. Claro que não! Foram eles que me socorreram.
Senti que ainda não o convencera, mas não insistiu.
Assim que o meu gesso ficou pronto, fui até eles, que param imediatamente o que faziam. Ficamos encarando um ao outro, sem dizer se quer uma palavra, era uma situação um tanto estranha, como naqueles momentos em que tudo da errado e as pessoas ficam sem ter o que fazer.
- Quem quer ser o primeiro a assinar? – Tentei acabar com aquele clima chato.
Eles riram.
- O doutor desconfiou que vocês tivessem me machucado! – Dizia enquanto andávamos para fora do hospital.
- Sério? – Joe ria.
- É. Ele me perguntou da mancha de sangue na camiseta.
- Bem falado Demi. Você precisa de roupas limpas! – Keviu falou.
- Eu até diria que não precisava, por questão de educação. Mas eu preciso sim!
- Vamos! – Kevin colocou a mão sobre meu ombro.
Eram aproximadamente 03h30min da tarde, a fome já mostravas os sinais de sua volta. Fomos a um restaurante próximo do hospital. Joe e eu ficamos sentados em uma das mesas, enquanto Kevin foi fazer os pedidos.
Joseph escrevia algo em meu gesso.
- Joe!
- Fale. – Não tirou os olhos das palavras que escrevia.
- Quem é aquele homem?
Me encarou pensando nas palavras exatas a serem pronunciadas.
- Ele não é bem um homem.
- O que é então? – Tinha medo da resposta.
Ele parou de escrever e chegou mais perto do meu rosto.
- Um mensageiro da Morte! – Sussurrou.
- Mensageiro da Morte? Que Morte? – Ele estava me deixando mais confusa do que já estava.
- Os mensageiros da Morte buscam as pessoas quando elas estão morrendo e depois as levam até a Morte, que as leva até seu destino final. Ele também tem outros ofícios, mas esse é o principal.
- E isso existe?
- Pelas coisas que já passou ainda pergunta?
Ele fala tudo com tanta naturalidade, como se fosse normal. As coisas já pareciam ruins antes, mas de repente me vi diante de algo tão irracional, algo inexistente. Até agora.
- Por que isso esta atrás de mim?
- É isso que queremos saber, por isso vamos te levar ao Arizona!
Aquilo me deixava apavorada. Até quando aquilo me perseguiria? Não queria passar o resto da vida fugindo de alguém, que me acharia sem muito esforço, isso se eu não morresse antes mesmo de pensar em fugir.
- Demi! – Ele segurou em minha mão de modo confrtador. – Nós vamos te tirar dessa. Faremos o que estiver ao nosso alcance. – Sorriu para mim.
- Obrigada! – Sorri.
- Já fiz os pedidos. Daqui a estarão prontos. – Kevin chegou, sentando-se na cadeira reservada a ele.
Joe voltou sua atenção ao gesso.
Um garçom, lindo ao meu ponto de vista, trouxe nossa comida. O cheiro era tão tentador quanto à aparência, sem querer prolongar aquele momento visual, comecei a comer antes que a fome me matasse. Enquanto almoçava, li o que Joe escreveu em meu gesso recém-posto.
“Plans of what our futures hold
Foolish lies of growing old
It seems we're so invincible
But the truth is so cold”
Reconheci como trecho de alguma coisa, desconhecida por mim.
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