Nightingale
22 Capítulo 22 - Collide
Notas iniciais
– Lissa! – praticamente esmurrei a porta do quarto. – Anda logo, eu estou atrasada!
– Ninguém vai poder começar sem você, então se acalme, meu Deus! – ela ainda estava só de lingerie, com a toalha enrolada no cabelo.
– Não. Mas então nós seremos desclassificados. Você sabe como funciona isso, você também estava lá ano passado, Liss.
– Tudo bem. Então me ajuda a encontrar algo pra vestir por que nada mais tá me servindo. Assim a gente vai poder ir logo pra essa bendita competição. – resmungou. Reviramos juntas o seu guarda-roupa e rapidamente vestiu um vestido longo com um decote em formato de coração. – Desde quando seus seios são tão enormes assim? – perguntei reparando.
– Desde que estou carregando outro ser dentro de mim. – resmungou visivelmente irritada. – Agora me ajuda a fazer o cabelo. – fiz uma trança enquanto Lissa fazia a maquiagem e em dez minutos estávamos todos prontos pra sair.
– Rose. – Lissa me chamou quando estava entrando no carro. Ela me estendeu uma fita azul clara. – Esta é a fita que eu usei na competição do ano passado. Pra dar sorte.
– Obrigada Liss. – peguei a fita e a abracei. – Opa! – exclamei quando senti algo me chutando. – Isso é...
– Aham. É o bebê.
– Uau. Lissa... Isso é... Uau.
– Ok. Agora se vire e me deixe colocar essa fita no cabelo. Não foi você que me apressou por que íamos nos atrasar?
– Verdade.
O ginásio estava lotado de familiares e amigos de diversas escolas diferentes. Aqui e ali podiam-se ver emblemas e cores diversas. A menina na recepção pegou meu nome e me mandou para os bastidores, onde as equipes estavam centradas.
– A competição começa daqui a meia hora, mas nós seremos os últimos a entrar no palco, então não se desesperem. – levei-os aos seus lugares e dei um rápido abraço em cada um deles. Os Dragomirs me desejaram boa sorte, enquanto que Luke me deu um abraço de urso e um ‘arrasa maninha’.
Logo a primeira equipe entrou e eu comecei a ficar nervosa. Participava de competições desde que era pequena e nós havíamos ganhado nos últimos três anos, mas esta era minha última competição e também minha chance de ganhar uma bolsa de estudos. Tudo tinha que sair perfeito. Sem pressão. Fechei os olhos e comecei a cantar mentalmente até que nos chamaram.
A primeira coisa que percebi quando pisei no palco foram Lissa e Luke gritando da plateia. Então começamos a apresentação e me perdi em meio às acrobacias e movimentos. Até que chegou ao final e eu tinha que estar no topo da pirâmide. Era de longe a parte mais perigosa, mas eu sempre conseguia, não tinha por que ficar nervosa. Pelo menos é o que eu estava dizendo a mim mesma. Respirei fundo e então... Pronto! Eu estava no topo e um minuto depois tínhamos acabado a apresentação em meio a gritos de viva e aplausos. Correndo os olhos pela multidão vi os Dragomirs sorrindo orgulhosos e, parado na porta com um sorriso capaz de iluminar toda Los Angeles, Dimitri. Meu coração acelerou e eu trinquei os dentes, minha vontade de socar aquele rosto lindo até tirar o sorriso dele.
Meia hora depois nós saiamos do ginásio carregando um enorme troféu, tínhamos ficado em primeiro novamente.
– Rose! – Lissa correu até mim com os braços abertos. Ela me abraçou sendo seguida pelo resto da equipe. Um último abraço em grupo. – Vocês todas foram demais.
– Mas a estrela foi a Rose. – disse Lindsey e todas as outras concordaram.
– Parem com isso meninas. Foi nosso trabalho em grupo que nos garantiu o primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo.
– De fato impressionante. – disse uma senhora se aproximando. Ela era alta e com porte atlético, tinha cabelos negros presos em um rabo de cavalo. – É a senhorita Hathaway? – perguntou a mim.
– Sim, sou eu.
– Meu nome é Danielle, eu sou técnica das Spirit Squad da UCLA. Podemos conversar a sós? – assim que nos afastamos ela foi direta ao ponto. – Seu irmão nos enviou uma montagem com vários vídeos seus ao longo dos anos e devo dizer, há anos uma animadora não me impressionava como você me impressionou. Você já se decidiu pra aonde vai no fim do ano? – perguntou-me.
– Recebi algumas propostas, mas admito, vocês estão no topo da minha lista. – ela me estendeu um cartão com seu nome escrito.
– Me ligue e nós podemos marcar um tour pela faculdade. Você poderá conhecer o resto das meninas, ver o ginásio onde nós treinamos e poderemos ver uma boa bolsa de estudos pra você. Talvez consigamos até 100%.
– Uau. Isso seria... Demais. Eu vou ligar sim, é claro. E muito obrigada, Senhora. – ela se afastou sem nem sequer dizer adeus e me voltei para o carro.
– O que aquela mulher queria com você Rose? – Lissa perguntou assim que entramos.
– Ela é a treinadora das Spirit Squad, me convidou pra conhecer o campus, demonstrou estar interessada em mim.
– Uau Rose. Eles são incríveis, um dos melhores na verdade. Estou com inveja. – ela disse dando um suspiro.
– Qual é Lissa! Não fui eu que recebi uma admissão adiantada na Brown. Nerd. – ainda me lembro dos gritos que me acordaram no dia que chegou a carta de admissão dela.
– Ainda sim. A UCLA é uma das melhores do país e você nem vai precisar deixar LA. Já eu vou estar do outro lado do país. Isso é, se eu for.
– Claro que vai Lissa. Nem que seus pais tenham que se mudar pra poder te ajudar, eles não vão deixar você simplesmente não ir pra faculdade.
– É, acho que não. Droga! Eu vou morrer de saudade se eu for pro outro lado do país e você ficar aqui. – ela disse me abraçando apertado.
Estava fazendo minha corrida matinal. Era sábado e o sol estava quente. 40 minutos de corrida e parecia que eu tinha dado um mergulho de tão suada. O dia literalmente implorava por uma praia. Parei em uma barraquinha e comprei uma garrafa d’agua.
– Tá um calor de matar né? – um rapaz parou ao meu lado. Ele também estava tão suado quanto eu e a roupa colada só mostravam seu corpo definido. O cabelo negro caído sobre os olhos só o deixava ainda mais irresistível.
– Tá sim. Pedindo por uma praia. – peguei minha garrafa e paguei ao senhor. O rapaz caminhou ao meu lado.
– Meu nome é Andrew. – estendeu a mão.
– Rose. – sua mão era macia e grande, minha mãe quase sumia no meio da dele.
– Eu estava observando você correr. Fez um bom tempo. É alguma atleta? – eu ri desconfortável.
– Na verdade sou. Animadora de torcida. – respondi constrangida.
– Eu já vi algumas competições na TV, vocês fazem umas acrobacias malucas.
– Obrigada. – e agora eu estava ficando mais sem graça ainda. – Você também não parece nada mal.
– Eu pratico um pouco de luta, mas nada tão sério assim. – havíamos chegado ao estacionamento e, apesar do parque estar cheio, o estacionamento estava vazio. – Você é muito linda. É uma pena.
– O que é uma pena? – então eu senti alguém atrás de mim, com um pano na minha boca. Os cantos da minha vista começaram a borrar até ficar tudo escurecer.
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