Night of the Hunter
15 1x15 - Battle Born
Notas iniciais

Eles partiram seu coração?
E fizeram sua alma chorar?
Lembre- se do que eu te disse
Garoto, você foi nascido em batalha
The Killers
1 de dezembro de 1983. St. Louis, Missouri.
Jonh Winchester entrou no quarto de motel que tinha alugado. Ali estava, o primeiro destino na sua viagem por vingança. Tinha vindo a St. Louis justamente por ser uma cidade conhecida por conter uma grande quantidade de informação sobre o sobrenatural. Ou era isso que a vidente Missouri tinha dito.
O ódio e a raiva consumiam John, mais intensos que a tristeza e a solidão. Como podiam tirar sua esposa dele? Seu amor. A imagem dela morta no teto relampejou na frente dos seus olhos. Acontecia sempre.
O som de choro de Sammy o trouxe de volta a realidade. Um menino estava em seu colo; o outro, agarrado a sua mão. Ambos eram pequenos e só tinham a ele no mundo. O choro de Sammy se tornou mais intenso.
–Eu sei que você sente a falta dela, Sammy – ele sussurrou, balançando o bebê de um lado para o outro – eu também sinto. Ei, Dean? Você está com fome?
Para o desespero de John, Dean não respondeu. Ele não abriu mais a boca desde a morte de Mary. Missouri disse que era normal e os poucos ele voltaria a falar. Ele, John Winchester, era louco. Era louco de sair pelo mundo com duas crianças pequenas que ele mal sabia cuidar. Mas sentia que precisava achar o assassino de Mary a todo custo, aquela criatura que havia destruído a vida de uma família inteira só pela maldade. E para isso, ele precisava saber mais sobre o sobrenatural.
Uma batida na porta fez John dar um pulo. Ele soltou a mão de Dean, que se sentou em uma das camas, e com um barulhento Sam no colo, foi abrir a porta.
Era uma moça muito jovem, com longos cabelos cacheados negros e olhos muito verdes. O que mais chamava atenção era a grande barriga de uma gravidez avançada. Ela usava um vestido branco até os joelhos, e sorria.
John nunca soube dizer o porquê, mas no meio de todo medo, confusão e desespero que sentia, confiou naquela mulher à primeira vista.
–Meu nome é Rebekah. – ela disse, a voz melodiosa. – eu sou funcionaria daqui. E vi que você está sozinho com crianças pequenas. Se precisar de ajuda, pode me procurar.
–Minha esposa... – ele diz, a voz exausta – ela... Morreu há pouco mais de um mês. E Sammy... Ele não para de chorar. E Dean... Ele não fala. Eu sou John – ele acrescentou rapidamente o próprio nome.
Rebekah sorriu.
–-
Foi Rebekah quem fez Dean a voltar a falar com as pessoas. John nunca soube como. Ela também conseguiu parar de fazer Sam chorar tão desesperado. Ela ensinou a John a cuidar de crianças pequenas da forma devida – embora ele ajudasse Mary em casa, havia coisas que ele não sabia o que fazer.
Ele contou que Mary morreu num incêndio no quarto de Sam. Rebekah não fez mais perguntas, mas em alguns dias, John se viu contando a ela suas suspeitas e o real motivo para ele estar em St. Louis. Para sua surpresa, ela não o chamou de louco. Ela sabia que o Mal existia, e sabia como enfrenta-lo. E havia alguma coisa nela que fazia todas as pessoas se abrirem. Ele viu praticamente várias pessoas do motel sentadas com ela, conversando por horas. Rebekah inspirava confiança e segurança. Dean e Sammy a adoravam.
Ela não falava muito de si mesma, e John também não perguntava. Não queria imaginar que tipo de horror uma mulher tão jovem deveria ter passado para estar grávida, e mesmo assim, trabalhando num motel barato. Ela era a cozinheira. Mas algumas coisas ela dizia: era uma menina que estava esperando e devia se chamar Alicia.
Rebekah ajudou John a entender que muitas vezes o Mal mata sem motivo. Mas para John, havia algo tão ritualístico na morte de Mary que ele acreditava que havia um motivo. Por outro lado, Rebekah também estranhou a história. Normalmente essas criaturas não desapareciam tão facilmente assim... Faziam mais vitimas na região.
Rebekah não era uma caçadora.
Sempre que falava da filha, Rebekah mostrava grande preocupação. Parecia ter certeza que morreria no parto. John se perguntava se ela estaria doente, ou algo parecido. Mas não tinha coragem de fazer a pergunta a ela. Depois, passou a desconfiar que talvez algo sobrenatural também a perseguia – pois ela parecia estar sempre assustada e nunca saia do motel. Tentou tocar no assunto com ela, mas ela desconversava sempre.
Alicia era esperada para os primeiros dias de janeiro.
Logo depois do Natal, uma forte tempestade começou a cair sobre St. Louis. No dia 27/12, Rebekah desapareceu. Assim que entrou no quarto dela, John o encontrou revirado e com claros sinais de luta. Alguma coisa a tinha levado, ele podia sentir isso.
–-
Missouri atendeu a ligação desesperada de John, e veio o mais rápido possível encontra-lo e cuidar dos meninos. John recusava a perder outra pessoa. Ele iria à sua primeira caçada, e encontraria Rebekah.
John e Missouri não tinham a mínima ideia do que estavam caçando. Missouri nunca tinha sentido uma energia como aquela. Algo ruim e humano, normal e sobrenatural, tudo ao mesmo tempo. A tempestade ficava cada vez mais intensa conforme os dias passaram. No ano novo, John estava seguindo um rastro forte de sinais sobrenaturais. Havia mortes estranhas em toda a cidade, e outros acontecimentos inexplicáveis.
Nas igrejas de toda a cidade, os santos e imagens choravam sangue. Cruzes apareciam misteriosamente viradas de cabeça para baixo. Havia animais sendo mortos em todo o lugar.
Assim, John seguiu a trilha de sinais e o que Missouri sentia. Foi assim que ele chegou numa velha fazenda. Era 3 de janeiro de 1984. Todas as plantas do lugar pareciam ter secado. Havia umas 50 pessoas cercando o local, e John não conseguia nem imaginar que tipo de criatura eram aquelas.
Não tinha como ele entrar lá, mas desconfiava que Rebekah estivesse no celeiro. Ficou escondido por quase duas horas no mato, observando a estranha movimentação. Definitivamente, alguma coisa estava acontecendo e eles estavam à espera de alguém.
Então, a movimentação mudou. De repente, estavam todos correndo, entrando nos carros disponíveis e deixando o local mais rapidamente o possível. Uma forte luz branca quase cegou John, e quando ele abriu os olhos, o local estava deserto.
Era agora ou nunca. Saiu correndo em direção ao celeiro. Ao se aproximar, ouviu claramente o choro de um bebê.
Rebekah estava encostada numa parede, com um embrulho de cobertor cor-de-rosa mão. Havia uma poça de sangue manchando o chão ao redor dela.
Ele se ajoelhou ao lado dela. Não havia mais cor no rosto dela.
–John, eu preciso que você cuide dela. – ela disse, a voz um sussurro muito fraco – eu fiz o que pude para salvá-la.
Ela lhe entregou o embrulho. Dentro, um bebê recém nascido se remexia e chorava.
–John – ela disse, num sussurro mais urgente, levantando o braço e puxando a camisa dele – o nome dela é Alicia Kavanagh. Ela tem o direito de saber quem é... E lembre-se... Ela nasceu em batalha.
Então Rebekah Kavanagh morreu.
John saiu do celeiro, levando Alicia, cujo choro só aumentava de intensidade. Agora ele tinha mais uma filha.
Surpreso, percebeu que a tempestade que atormentava a cidade há dias estava passando, e o sol voltava a aparecer entre as nuvens.
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