Night of the Hunter
16 1x16 - Damn, I love you
Notas iniciais

Não me deixe triste, não me faça chorar
Às vezes o amor não é o suficiente
Quando o caminho se torna difícil
Eu não sei por quê
Continue me fazendo rir
Vamos ficar loucos
O caminho é longo e nós continuaremos em frente
Tente se divertir nesse meio tempo
Venha e dê uma volta no lado selvagem
Deixe-me te beijar com força na chuva
Você gosta de garotas insanas
Escolha suas últimas palavras
Essa é a última vez
Porque você e eu
Nós nascemos para morrer
Lana del Rey
Manning, Colorado. 11 de julho de 2006.
O vento batia forte no cabelo de Alicia. John estava na caminhonete à frente. Ela o seguia de moto. Pararam em frente a um prédio do correios, onde ficavam localizadas as caixas postais. Ela desceu da moto e ficou observando. Seu coração se acelerou ao ver o Impala estacionando do outro lado da rua. Ela não estava pronta para ver Sam e Dean.
Mas ela os viu, descendo do Impala e entrando no prédio. John colocou a mão no ombro de Alicia e apertou. Ver Sam fazia seu coração bater ainda mais rápido e ela sentiu o ar ficar rarefeito, o chão sumir sob seus pés.
Os dois esperaram em silêncio eles voltarem para o carro. Atravessaram a rua correndo, antes que Dean desse a partida. E John deu uma batida na janela do carro. O coração de Alicia batia muito forte contra o peito.
Dean reagiu na defensiva, mas sorri ao ver o pai. E sua expressão fica chocada ao ver Alicia.
–Pai? Alicia?
–O que? Alicia está aqui? – falou Sam. John abriu a porta traseira e entrou, seguido por Alicia. – O que vocês estão fazendo aqui? Estão todos bem?
Sam não sabia se abraçava Alicia ou gritava com ela, por ter partido do jeito que partiu, por ter ignorado todas as mensagens dele. Ela até mesmo tinha desativado o GPS do celular. Eles precisavam mesmo ter uma conversa descente, essa era a verdade. Havia mal entendidos demais entre os nós. Se eles conseguissem sentar e conversar, talvez conseguissem chegar a algum lugar. Sam queria não sentir o que sentia por Alicia. No último mês, a única coisa que fazia era pensar nela e no beijo dela. Estava ficando louco, de sentir a falta dela, de querer estar com ela e de raiva por ela ter fugido de novo. Mas agora, Sam estava disposto a consertar o relacionamento deles. Sabia que o que sentia por ela era verdadeiro — Alicia o completava. Ele se sentia muito bem enquanto estava com ela. Ele também não aguentava mais esse chove não molha entre eles. Estava mais do que na hora de deixar tudo claro.
–Sim, estamos todos bem – falou John. Alicia não conseguia encontrar palavras – eu ouvi as noticias de Daniel*, e vim o mais rápido que pude. Antes, encontrei Alicia.
–O que você esteve fazendo, Allie? – perguntou Sam, tentando parecer o mais gentil possível. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que ela não estava bem. Sam estava decidido a consertar o relacionamento deles, e a última coisa que queria era na defensiva.
–Eu estive... Fugindo. – ela murmurou.
–Você veio para cá só por causa desse Daniel Elkins? – perguntou Dean, chocado.
–Ele era... Um bom homem. Me ensinou muito sobre caçar. Nós nos afastamos. Não o via há anos. – ele indicou com um gesto o envelope que Dean e Sam pegaram na caixa postal, e Dean entregou para ele – “Se você estiver lendo isso, é porque estou morto...” filho da puta, ele a teve o tempo todo.
–O que? – falaram os três.
–Quando vocês revistaram o lugar, encontraram uma Colt antiga?
–Tinha uma velha capa para esse tipo de arma, mas estava vazia. – lembrou Dean.
–Eles a têm, então – falou John, e finalmente percebendo que aquilo não estava fazendo sentido, acrescentou – vampiros. Aquilo que Elkins matava melhor.
–Vampiros? – falou Sam, franzindo as sobrancelhas – pensei que não existiam.
–Pensei que estavam extintos nos EUA. – falou Alicia.
–Eu também – falou John – mas parece que encontramos um ninho. Agora, vocês sabem como matar um vampiro?
–Eu sei. – falou Alicia – passei um tempo no leste europeu, e a proporção lá é de um vampiro a cada cinco habitantes. A maioria é besteira. Não são repelidos por cruzes, não são mortos pela luz do sol, ou por uma estaca num coração. E eles precisam de sangue para viver.
–Exatamente. Temos que achar esses vampiros...
–Espere, estamos indo com você? – interrompeu Sam.
–Se Elkins estava falando a verdade, nós temos que achar essa arma.
–A arma? Por quê?
–Porque é importante. Agora, temos que ficar atentos a possíveis ataques de vampiros.
–-
Alicia resolveu pegar um quarto separado dos Winchesters. Durante todo aquele mês, Sam mandou mensagens dizendo que queria conversar com ela. E a ideia de ter uma conversa com Sam deixava ela apavorada. Ela se sentou na cama e abraçou os joelhos. Não conseguia colocar seus pensamentos numa ordem coerente. Não queria falar quem ela era para Sam.
Ela não teve nem 10 minutos de paz quando bateram na porta; sabia que era Sam. Não conseguia se mexer para abrir, mas a porta não estava trancada. Ele bateu de novo, e em seguida, abriu a porta e entrou.
Alicia parecia assustada e indefesa. E Sam só queria fazer que ela se sentisse melhor, mas primeiro precisava entender. Ele se sentou de frente para ela, numa cadeira.
–Allie, eu estou aqui para conversar. Apenas conversar ok?
Ela fez que sim com a cabeça. Era um avanço.
–Porque eu acho que eu mereço uma explicação. Sempre que ficamos juntos, é você quem começa. E em seguida você vai embora e fica sem dar noticias.
–Isso aconteceu duas vezes. E foi por causa das circunstâncias, não por causa de você. – ela falou apressadamente. Não queria magoar Sam ainda mais. – Droga, Sam. Eu estou com medo.
Alicia ainda não tinha conseguido encontrar coragem para contar para Sam que ela tinha mentido.
–Do que você está fugindo? – ele perguntou. E mais sério acrescentou – por que seus olhos ficaram negros? Eu sei que você não está possuída.
–Eu não sei, droga! – ela não conseguia falar para Sam que era metade demônio. – tem tanta coisa estranha.
Ela suspirou fundo, e falou.
–Sam, meu pai ainda está vivo. E é dele quem eu estou fugindo. É dele quem eu sempre fugi.
Viu imediatamente a magoa surgir nos olhos dele. E ela nem tinha mencionado a parte demoníaca.
–Por que mentiu? — a voz dele estava cheia de raiva contida.
–Porque eu queria esquecer essa parte da minha história. Que droga, Sam. Meu pai ele é... Cruel. Você acha que eu gostaria de tê-lo como pai? Tem algo errado acontecendo comigo. Tem esse feitiço. Tem essa coisa dos olhos negros. Por que você acha que eu fui embora há tantos anos? Por causa disso.
–O que você quer dizer com seu pai é cruel? – perguntou Sam, cuidadosamente.
Era agora que ela devia dizer, não é mesmo? Contar tudo o que sabia. Mas Alicia não conseguia ir em frente. Não quando um demônio matou a mãe de Sam.
–Eu não sei! – ela falou – Eu sinto muito, Sam, eu realmente não quero falar sobre isso. Eu estou com muito medo.
Pelo menos, a última parte era verdade. Ela continuou a falar:
–Toda vez que esses fenômenos voltam, é porque ele me localizou. E dai eu preciso fugir e me esconder, por que por um tempo estarei protegida. Mas dessa vez, ele de fato me encontrou... Tanto que fui sequestrada. Então, que droga, Sam. Eu não fujo de você. Eu fujo porque eu temo por nossas vidas. Droga, Sammy, eu amo você.
Ela observou a surpresa estampar o rosto de Sam com alguma satisfação. O único desejo que ela tinha agora é que o mundo explodisse. Sua vida estava tão complicada e tão ferrada, que Alicia tinha perdido a vontade de tomar cuidado. Agora, ela queria literalmente chutar o balde. A expressão de Sam indicava que ele estava perdido. Ele abriu e fechou a boca várias vezes. Não era como se ele não soubesse disso, mas ele não estava esperando por isso. O que Alicia queria que ele fizesse?
Alguém bateu na porta.
–Alicia, Sam? Está na hora. – a voz de John anunciou. Alicia se levantou num pulo e saiu do quarto sem olhar para trás.
Enquanto eles corriam em direção ao estacionamento do motel, John dava as informações:
–Eu interceptei uma ligação para a polícia. Um casal ligou para 911, acharam um corpo na rua. Quando chegaram lá, todos tinham desaparecido. São vampiros.
Já amanhecia quando eles chegaram ao local. Enquanto John foi falar com os polícias, deixou Dean, Sam e Alicia esperando próximos ao Impala. Alicia estava encostada no carro, muito concentrada em encarar o nada. Dean e Sam observavam John trabalhar.
–Eu só não entendo porque ele não nos deixou ir falar com os polícias – falou Sam, no instante que John começou a voltar.
–Ah, por favor, não me diga que já está começando. – falou Dean, cansado.
–Começando o que? – perguntou Sam, mas Alicia deu uma risadinha. John e Sam não conseguiam ficar no mesmo ambiente por muito tempo sem começarem a brigar.
–O que você conseguiu? – perguntou John para o pai.
–São os vampiros. Estão indo para o oeste.
–Como tem certeza? – perguntou Sam.
–Sam... – começou Dean.
–Eu só quero ter certeza que estamos indo na direção certa.
–Estamos – interrompeu John – eu achei isso.
E atirou alguma coisa na mão de Alicia, que pegou rapidamente.
–É uma presa de vampiro – falou Dean, com uma expressão de nojo.
–São dentes de vampiro – falou Alicia, examinando atentamente o objeto em sua mão – depois do ataque, esses dentes são substituídos.
John olhou para Sam.
–Alguma pergunta a mais?
Sam olhou para o lado e permaneceu em silêncio.
–Vamos, estamos perdendo a luz do dia. – Alicia seguiu para o carro de John.
John olhou para Dean:
–É melhor você vender esse carro antes que encha de ferrugem. Eu não dei para você para você arruiná-lo.
–-
Sam estava dirigindo. Dean está lendo sobre vampiros em voz alta.
–As vítimas são levadas pelo bando, onde são mantidas sangrando por dias. Eu me pergunto se é isso que aconteceu com o casal que ligou para o 911.
–Deve ser isso que o papai está pensando – falou Sam zangado – claro que seria legal se ele apenas dissesse a nós o que ele pensa.
–Então está começando.
–O que?
–Sam, nós estivemos procurando pelo papai o ano todo. E agora estamos com ele há algumas horas, e o atrito já está começando.
–Hmm. Não. Eu estou feliz que ele está bem, ok? E eu estou feliz que estamos todos trabalhando juntos de novo.
–Certo...
–É apenas o jeito que ele trata a gente, como crianças. Ele rosna ordens para nós, Dean. Ele espera que nós obedecêssemos sem questionar. Ele nos mantém numa porcaria de “só o que vocês precisam saber”.
–Ele faz isso por uma razão.
–Que razão?
–Nosso trabalho! Não há tempo para discutir, não há margem para erro, ok? É só o jeito dele de lidar com a situação.
–Sim, mas talvez tenha funcionado quando nós éramos crianças, mas não mais. Não depois do que nós passamos, Dean. Você está me dizendo que você está de acordo com só apenas seguir as ordens dele, deixando ele dominar tudo?
Dean dá um longo olhar para Sam.
–Se for o necessário.
–E Alicia? – falou Sam, soando ainda mais irritado – Porque me parece muito que eles tem caçado juntos no último mês. Ela partiu com ele e voltou com ele.
–Ah, Sam, não comece com paranoia. É claro que não. Papai deixou claro que estava melhor sozinho. E a Allie? Não acredito que Deus saiba que tipo de loucura ela está envolvida. Mas quando tudo isso acabar, vou dar um jeito de mantê-la por perto. Nem que eu tenha que amarrá-la, ou suborná-la. Já chega dessa coisa de desaparecer.
–Então por que ela está no carro com ele agora?
Dean deu uma risadinha.
–Me diz você, Sammy. A última vez que vi vocês juntos, ela virou um copo de vodka em você. E hoje mais cedo, você foi até o quarto dela. Me diz uma coisa, como é que você consegue deixar tanto papai como Allie tão putos da vida com você?
–Eu não sei – respondeu Sam, cansado. Ele suspirou – ela me disse que o pai dela ainda está vivo. Ela está fugindo dele. Todos esses anos.
–Isso faz mais sentido do que a história que ela tinha contado antes. – falou Dean.
–Você não liga?
–Sam, qual é o sentido disso? É a Allie. Eu sei que você não pensa nela como uma irmã, mas ela, para todos os efeitos, é minha irmã mais nova. Ela é família. Eu nunca entendi as coisas que ela fazia mesmo, e eu só quero vê-la bem. Só posso esperar que ela comece a confiar em nós. Mas eu acredito que ir perseguida pelo próprio pai depois de ir a outro país para encontrá-lo é meio de enlouquecer qualquer um.
–Ela mentiu para nós, Dean.
–Eu sei. Mas isso importa agora? Ela está apavorada. Precisa da nossa ajuda. Vamos ajudá-la. Vamos estar ali por ela. Porque somos uma família, certo? Eu acredito que ela deve ter tido bons motivos para mentir.
O medo de Sam era que Alicia estivesse mentindo sobre outras coisas também.
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