Night of the Hunter

14 1x14 - Kicked Out of Hell


Parece que nós nunca estivemos vivos?

Parece que isso tudo apenas começou?

30 Seconds to Mars

Ela acordou como se estivesse com uma dor de cabeça de um porre com vinho barato. Anestésicos, ela reconheceu imediatamente. O homem loiro que a havia capturado estava ajoelhado em frente a ela, com um copo na mão e várias garrafas ao redor dele. O que era aquilo?

Então, toda a nuvem confusa sumiu da mente dela, que começou a trabalhar rapidamente. As memórias voltaram. Seu coração estava disparado. Suas mãos, amarradas. Seus pés também, e ela estava descalça. Os olhos de Alicia vasculharam a escuridão – era um velho porão. Sua boca estava extremamente seca, mas havia um gosto estranho e azedo. Ela não conseguiu reconhecer que sabor era aquele.

–Quem inferno é você? – ela perguntou ao homem.

–Eu sinto muito termos nos conhecido dessa maneira – falou ele, com um forte sotaque inglês – mas você não viria de outra maneira. Só temos que esperar. Seu pai em breve virá encontrá-la. Ele está te procurando há muito tempo.

–Meu pai. – ela disse mais assustada – o que ele quer de mim?

–Ele te dará todos os detalhes.

Um barulho forte fez o homem olhar para trás.

–Deve ser ele – ele sorriu de forma maligna. Uma figura se projetou das sombras. Então, um tiro. Alicia gritou. A sombra caminhou até a luz do luar.

Era John Winchester.

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John desamarrou Alicia. Eles se abraçaram com força e longamente. Alicia começou a chorar.

–John... Eu sinto tanto por tudo.

–Não se preocupe, querida. Eu posso não ter entendido, mas hoje eu já sei. Você ainda é minha filha. Não posso imaginar o quanto assustada você devia estar. Você foi realmente, realmente corajosa. Vamos para o carro, Alicia. Precisamos conversar. – ele parou um momento, e sorriu – é bom ver você.

Ele tirou o casaco e colocou nos ombros dela.

–Como me achou? – ela perguntou, enquanto subiam as escadas. Estavam numa velha casa abandonada na periferia de Chicago.

–Eu vi que as vitimas tinham nascido em Lawrence. Achei que vocês poderiam ser atraídos por isso. Era uma clara armadilha. Resolvi verificar. Não é a primeira vez que vou ao mesmo local em que vocês estão para ver como estão as coisas. E assim, vi você sendo levada.

Ele apontou uma velha caminhonete, e ambos entraram, batendo a porta.

–O quanto você sabe sobre mim?

–O suficiente. – John respondeu – você precisa contar a verdade a Sam e Dean.

–Não!

–Me escute. Você é meio humana, meio demônio. O feitiço que está em você foi sua mãe quem lançou. Ele impede o seu lado demônio de aparecer. Seu pai está caçando para quebra-lo.

–Por quê?

–Você é uma arma num terceiro lado de uma guerra que está sendo planejada há milênios. É claro que esse terceiro lado foi uma coisa inesperada. Não preciso dizer, claro, que seu pai é o líder do terceiro lado.

– Como eu posso ser uma arma? — Alicia perguntou, confusa. A cabeça dela ainda doía muito e John estava soltando uma informação atrás da outra.

–Também tem coisas que eu não entendo. – John parecia muito mais velho e muito mais cansado que Alicia se lembrava. – como, por exemplo, o que um demônio precisa fazer para ser expulso do inferno.

–Meu pai. – Alicia disse. – o maior desejo dele era criar uma nova espécie. Através de magia negra e rituais, ele transformava humanos nessa nova espécie. Para servir a ele, como rei. – era um alivio finalmente poder contar aquela história monstruosa para alguém – foram seres humanos imortais e com alguns poderes, mas sempre mais fraco que eles. Os lideres do inferno não gostaram nem um pouco disso. Foi assim que ele conheceu minha mãe, e eu nasci.

–Foi um erro você ter voltado para cá, Alicia. A guerra está mais próxima que nunca. Seu pai e seus seguidores estão caçando você.

–Eu devo partir novamente? – ela perguntou. Uma dor imensa a atingiu. Não queria deixar Sam e Dean de forma alguma. – vocês são minha família. Eu não quero passar minha vida fugindo.

John riu, para a surpresa de Alicia.

–Eu diria que você é uma das melhores caçadoras que eu já conheci. Seja a caçadora, não a caça.

–Eu poderia fazer isso.

–E deve contar tudo a Dean e Sam.

Alicia pensou em Sam. Ele já parecia querer distância dela, sem saber o que ela era. E Dean odiava monstros no geral. E ela, Alicia, era um monstro. Ela nunca poderia contar a verdade. Talvez fosse melhor nunca mais voltar. Talvez ela devesse partir nessa caçada sozinha. John havia aceitado ela bem, mas ela não tinha certeza sobre os dois irmãos. Eles nunca entenderiam. E os dois iam ficar furiosos porque ela mentiu para eles. Mas talvez, ela pudesse fazer isso sozinha.

–Tem um lugar que devemos estar nessa noite. Posso ver em seus olhos que você tomou sua decisão, Alicia.

–Eu tomei. Eu iriei embora essa noite.

John sacudiu a cabeça; mas não se preocupou em argumentar. Alicia era extremamente teimosa, e bem, tudo o que ele tinha dito a ela, ela tinha entendido errado. E apesar de tudo, John também tinha que pensar na segurança de Dean e de Sam. Eles não estavam seguros com Alicia por perto.

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John e Alicia voltaram para o quarto de motel de Sam e Dean.

–Se eles demorarem demais, saberemos que tiveram problemas – ele olhou no relógio.

Enquanto esperavam, Alicia trocou de roupa e juntou suas coisas.

–O que você tem feito todo esse tempo, John?

–Vou explicar quando vocês todos estiverem aqui – ele fez uma pausa – sabe que eu a considero como filha, Alicia.

–Eu sei. E eu o considero meu pai.

Os dois aguardaram em silencio. Nunca foram de falar muito entre si.

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–Agora nós temos que tentar descobrir onde está Alicia – dizia Sam. Ela se surpreendeu com o tom de desespero na voz dele.

A porta se abriu com força.

–Ei – fez Dean, assustado com as duas sombras que viu – e acendeu a luz.

Eram John e Alicia.

–Olá, garotos. – ele falou. Alicia não disse nada. Não olhou para nenhum deles.

Dean e John se abraçaram longamente também. Depois, John e Sam se encararam. Não se abraçaram, no entanto.

–Oi, Sam.

–Oi, pai. – diz Sam, cuidadosamente.

–Pai, era uma armadilha. Eu sinto muito. – diz Dean.

–Eu pensei que fosse.

–Quando você chegou aqui?

–Tempo o suficiente para encontrar a Alicia. Vejo que vocês lideram bem com a situação. Não me surpreende essa armadilha. Ele já tentou me parar antes. Ele sabe que estou próximo. Não apenas de exorcizá-lo ou manda-lo direito para o inferno. De fato matá-lo.

–Como? – perguntou Dean.

–Eu estou trabalhando nisso.

–Deixe nós irmos com o senhor. Nós vamos ajudá-lo – disse Sam, apressadamente. Dean lançou um olhar de alerta para ele.

–Não, Sam. Não ainda. Apenas tente entender. Esse demônio é um filho da puta. Eu não quero vocês no fogo cruzado. Não quero vocês feridos. Ouça, Sammy, da última vez que estivemos juntos, nós tivemos uma briga infernal.

–Sim, senhor.

–É bom ver você novamente. Foi muito tempo.

–Tempo demais.

Os dois se abraçaram, chorando. Assim que interrompem o abraço, os quatro ficam se olhando com os olhos cheios de lagrimas. É Sam quem rompe o silencio, dando um passo em direção a Alicia.

–Allie, eu sinto muito. Meg era um demônio.

Alicia sacude a cabeça.

–Não há tempo para isso, Sam. Eu acho que é...

–Hora de irmos. – completou John – escutem, esse demônio, eles vão tentar usar vocês novamente para me ferir. Temos que ir embora dessa cidade o mais rápido possível. Duvido que essa Meg esteja realmente morta. E não podemos ir juntos.

–Por quê? Depois de tanto tempo tentando te encontrar, agora que estamos juntos novamente, vamos nos separar? – disse Sam.

–Porque é perigoso – explicou Dean – nós somos a fraqueza do papai. Ele está melhor sem nós por perto.

Sam sacudiu a cabeça, inconformado.

–E escutem, meninos. Alicia virá comigo.

–O que? – perguntou Sam, chocado.

–Depois também iremos nos separar. – acrescentou John rapidamente.

–Eu estou sendo caçada – declarou Alicia – e está na hora de eu caça-los.

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Um pouco mais de um mês depois. 10 de julho de 2006. Novo México.

Alicia estava sentada numa poltrona de bar, fumando um cigarro. Estava um calor infernal. Fazia um mês que ela vivia numa fuga constante. Tinha dito aos Winchesters que ela seria a caçadora, mas tinha voltado a ser caça, como sempre. Ela era um fracasso.

Tomou mais um gole do copo de whisky. Sua vida era sair correndo. Assim que ela começou a se movimentar, viajando sozinha numa moto que Bobby Singer arrumou para ela, os fenômenos tinham desaparecido. Rápida. Nunca mais de uma noite em uma cidade. Caçando porcaria nenhuma. Não fazendo nada, só fugindo.

Mas que merda de vida.

Aquilo era um castigo por ela ter ousado desejar outra coisa. Ousado ter desejado ter uma família novamente. Ela era um monstro. As lagrimas começaram a queimar seus olhos novamente.

Ela fez o ritual que fazia toda a noite. Pegou a cartela de comprimidos – ela não havia tomado nenhum, e o celular.

Sam mandava para ela uma mensagem toda a noite. A primeira tinha sido: “Eu já vi seus olhos ficarem negros, e eu não me importo”. E a última: “Sinto sua falta. Por favor, me conte o que está acontecendo. Já faz mais de um mês. Pelo menos me diga se está viva".

Ninguém podia ajudá-la. Talvez fosse melhor estar morta. Quatro comprimidos misturados ao álcool seriam suficientes para ela morrer, mas então por que nunca tinha coragem?

Nem dormir conseguia. Toda noite tinha pesadelos com o pai. Uma arma na guerra. Odiava a parte nela que era demônio. Odiava. Queria a toda força manter aquele feitiço de proteção funcionando e por isso precisava fugir.

Quando viu, estava chorando de verdade. O barman a encarava, mas ela se recusava a fazer contato visual com ele.

–Alicia, o que inferno você está fazendo?

Ela reconhecia muito bem a voz.

John Winchester. Novamente.

Ela se virou, mas continuou chorando.

–John. Oi.

–Eu disse para você ir à caça. Não para acabar nesse fim de mundo. – ele abraçou Alicia, que afundou a cabeça no ombro dele chorando como tivesse cinco anos e acordado no meio da noite num pesadelo.

–Eu sinto muito. Eu não consigo. Eu não consigo encontrá-los, e eu não quero sair procurando por eles. Porque quando sai, eles me acharam. E eu não quero ser achada, eu não quero que ele quebre o feitiço... – ela dizia uma palavra atrás da outra, confundindo silabas. Alicia tremia.

–Ok, ok – ele dava umas batidinhas nas costas dela – eu percebi que alguma coisa estava errada quando ouvi boatos que seu pai esteve muito irritado com seu desaparecimento. Imaginei que se você estivesse caçando ele, você não estaria desaparecida. Foi difícil te encontrar. Você é realmente boa em se esconder. Mas aprendeu comigo. Então, pude encontrá-la.

Havia algum orgulho na voz dele. Alicia levantou a cabeça e engoliu em seco. Quando foi mesmo que ela perdeu a coragem em caça-lo? Assim que ela se viu sozinha na estrada.

–Eu cometi um erro – ele disse – não foi uma boa ideia o que eu sugeri para você.

–Eu sei que você estava tentando manter Sam e Dean seguros – ela disse. – e eu sei que eu era uma ameaça a eles.

–Alicia, o que está dizendo? Você é tanto minha filha quanto eles.

–Mas eu também queria protege-los de mim. Eu sou um monstro, John! – ela falou, exasperada. – tem sangue de demônio em mim. De um demônio grande e maligno a ponto de ser expulso do inferno, e eu sou a cria dele. Sou uma aberração.

–Shiuu. – ele disse – não quero ver você pensando nisso. Não posso te ajudar com isso agora, Alicia. Preste atenção, eu quero que você ouça bem: você é nascida em batalha. Você é a responsável pelo seu destino, entendeu? Nunca esqueça disso. Suas escolhas é quem vão determinar aonde você vai chegar. Você tem total controle sobre isso. E agora, na minha caçada de uma vida, eu finalmente encontrei a arma que pode matar o demônio. Posso vingar Mary. Então, está pronta para encontrar Dean e Sam?

Notas finais
Capítulo baseado no 1x16 - Shadows. ESPECIAL DE NATAL Eu escrevi uma pequena histórinha especial de natal, Don't Shoot Me Santa. Está aqui: http://fanfiction.com.br/historia/452593/Dont_Shoot_Me_Santa/; se passa poucas semanas antes do 1x08 - Sam and Alicia, então é pouco tempo antes dela ir embora. Se vocês gostam da interação dos dois, vão gostar dessa história, porque são umas 15 páginas só deles, com um caso leve, várias piadas sobre cemitério e uma linda trilha sonora do The Killers. Se quer uma dica que vai fazer diferença na sua vida, veja os clipes do The Killers. Se não quer ver todos, veja pelo menos o Don't Shoot Me Santa, tem o link no inicio da 4ª parte.