Night of the Hunter
12 1x12 - The Paradise Edition

Como os estúpidos Adão e Eva,
Eles acharam o amor numa árvore
Deus não achava que eles mereciam
Ele lhes ensinou o ódio, ensinou o orgulho
Deu-lhes uma folha, ensinou a se esconderem
Vamos deixar as histórias para lá
Você sabe que a origem é você
Desde o ar que eu respiro, até o amor que eu preciso
A única coisa que eu sei é que você é a origem do amor
MIKA
8 de junho de 2006. Chicago. Quarto de motel.
–Então, o que vocês acharam na casa dela? – perguntou Alicia assim que Sam e Dean entraram no quarto. Estavam vestidos como técnicos do sistema de alarme, investigando a morte da segunda vítima, Meredith. Alicia ficou encarregada de investigar a primeira vítima, Ben. E a conexão entre eles era bem óbvia – Ben frequentava a balada em que Meredith era garçonete. Era uma balada de luxo, chamada The Paradise Edition. Alicia conhecia muito bem aquele tipo de balada – homens precisavam pagar muito para entrar, mulheres bonitas entravam de graça. Ela era uma frequentadora assídua desse tipo de lugar enquanto esteve no exterior. A música e as bebidas eram as melhores. Ela amava dançar. Desde que tinha se juntado a Sam e Dean, ela nunca mais tinha ido dançar.
–Achamos pedaços dela em todo lugar, e as manchas de sangue formavam um símbolo estranho. – Sam mostrou um desenho. – você já viu isso?
–Com certeza é algo pagão e antigo. – ela se levantou – então, as duas vítimas estiveram no mesmo lugar. É uma balada de luxo, chamada The Paradise Edition. Teremos que ir lá investigar.
–Por que você está tão animada, Allie? – perguntou Dean. A moça estava quase dando pulinhos.
–Porque eu estou morrendo de vontade de sair para dançar a uns trocentos anos! E vai ser muito legal.
–Você disse que era de luxo, vamos ter dinheiro para pagar isso? – perguntou Sam.
–Não se preocupem! Eu coloco vocês dois lá dentro. Agora preciso me arrumar.
–Alicia, são seis da tarde. Esse folheto diz que só abre às 22 horas.
–Exatamente! Eu só tenho quatro horas.
–-
Alicia pegou outro quarto no motel, e se mudou para lá para se arrumar em paz, nas palavras dela. Sam e Dean continuaram à tarde normalmente. Como não encontraram mais nada do caso para investigar, resolveram descansar um pouco e se preparar para a investigação noturna. Mais tarde, tomaram banho e se trocaram, mas nenhum dos dois usava nada muito extravagante.
Eram quase 10 horas quando Alicia voltou ao quarto. Ambos ficaram boquiabertos quando ela entrou. Sam sentiu seu corpo ficar quente, e o rosto, vermelho. Alicia estava usando um mini, não, um micro, vestido de couro preto, tomara-que-caia, que não deixava praticamente nada do corpo dela para a imaginação. Seus cabelos estavam ondulados sensualmente, os olhos estavam com uma maquiagem preta e a boca num batom arroxeado. Ela usava sapatos de salto pretos. Ela parecia uma deusa grega, e o que Sam mais queria era tirar aquele vestido e jogá-la na cama.
–Nem pensar que você está saindo de casa assim – declarou Dean. – você é como minha irmãzinha e está parecendo uma prostituta; eu não quero nem pensar no que os caras vão pensar de você...
Sam parecia ter perdido a capacidade de encontrar palavras e juntá-las de forma coerente.
–Nem pensar que você vai me dizer o que vestir. Eu estou saindo, e vocês podem ir comigo ou ficar ai. Sam, você pode voltar a piscar. Talvez seja uma boa ideia fechar a boca também.
Ela bateu a porta.
–Sam, sua namorada está fora de controle – falou Dean. Sam foi dizer alguma coisa – é, eu sei que ela não é sua namorada, mas é porque você pensa demais com a cabeça de cima e pouco com a cabeça de baixo.
–-
Havia uma fila enorme na porta da The Paradise Edition. Alicia ignorou a fila, indo direto ao segurança. Assim que a avistou, ele abriu caminho para ela passar. Sam e Dean fizeram menção de segui-la, mas o segurança impediu.
–Apenas a senhorita. – ele falou, grosso. Os dois se entreolharam, perdidos. Poucos segundos depois, os celulares receberam uma mensagem de Alicia, que dizia apenas PORTA DOS FUNDOS.
Ela os aguardava com a porta de emergência aberta.
–Vamos lá.
A música pop eletrônica tocava alto, as luzes piscadas e milhares de homens e mulheres bem vestidos bebiam e dançavam. E provavelmente usavam drogas.
–Eu vou falar com as garçonetes – gritou Dean, indo em direção ao outro ambiente no qual ficava o bar. Tinha isolamento acústico do resto, e lá seria possível conversar.
–Eu vou ver se encontro alguém que conheceu Ben – disse Alicia, se perdendo na multidão.
Sam reparou os olhares de todos os homens do lugar para ela, e cruzou os braços, irritado. Alicia parecia estar determinada a deixar ele enlouquecido. Ela tinha passado o último mês sem provocações, sem gracinhas nem nada do tipo, e apesar dele sentir algo forte por ela, estavam evoluindo bem em deixar aquela relação o mais platônica possível. Ele devia estar esperando por uma dessas, mas que droga, o que ela pretendia com tudo aquilo?
Talvez ela só estivesse vestida daquela maneira para poderem entrar na balada.
O trio se comunicou por mensagens pelas próximas horas. Ninguém conhecia Ben. Meredith não tinha agido de forma estranha. Não havia sinal de nada sobrenatural no ambiente – o local era composto por um grande salão onde ocorria a festa, o bar onde havia mesas para conversar. No fundo do bar, havia ainda um hall com vários sofás, que Sam reparou, não era muito utilizado. Era protegido por paredes que escondiam o local da visão do bar, mesmo que fosse possível ver o bar de onde ele estava sentado, e estava silencioso e tranquilo ali. Foi lá que Sam resolveu ficar para o resto da noite, enquanto Dean passava o rodo nas mulheres e Alicia dançava loucamente na pista.
Era aproximadamente uma da manhã; ele odiava esses lugares lotados e barulhentos.
Ele não via Alicia há horas, até que ela pareceu andando apressadamente até ele. Sam se levantou. Ela parecia assustada. Assim que chegou até onde Sam estava, colou o corpo no dele, passou os braços em volta do pescoço dele e disse:
–Me beije.
–O que? Alicia, você está bêbada.
–Não, eu não bebi nada. Olhe discretamente atrás de mim. Está vendo aquele cara esquisito? – Sam o viu; era um homem baixo e loiro, todo vestido de roupas pretas e de aparência cara – ele está me seguindo há horas. Eu disse para ele que você era meu namorado.
Ela sussurrava apressadamente.
–Ok – ele tentava manter a mente clara, mas Alicia tão próxima a ele tornava difícil. Ele sentia a respiração dela em seu rosto, o corpo dela apertado ao dele. Ele não teria mais controle nenhum. Sua respiração estava ficando ofegante, e ele sentia que estava ficando excitado. Droga, ao inferno com tudo isso. Estava cansado de fazer a coisa certa.
Ele beijou Alicia com todo o desejo que estava acumulando há meses. Para a satisfação dele, ela o beijou na mesma intensidade. Suas mãos iniciaram a exploração do corpo dela. Ele a virou e a pressionou contra a parede.
Alicia se viu pressionada entre a parede e Sam; a pressão do corpo dele no dela indicava que ele estava muito excitado. Não tinha sido intencional o cara, e o pedido que Sam a beijasse. Bem, talvez ela tivesse usado aquilo como desculpa para fazer o que estava querendo há muito tempo. E agora ela sentia todo seu corpo tremer e esquentar, e ela estava derretendo nos braços do Sam. Ele começou a beijar o pescoço e o colo dela, fazendo que um gemido escapasse dos lábios dela. Alicia colocou as mãos por baixo da camiseta de Sam, arranhando as costas dele. Ele gemeu e se afastou dela, ofegante.
–Vamos... Embora daqui. – ele disse, respirando profundamente como se tentasse se controlar de alguma maneira.
–O banheiro – ela sussurrou. Sam arregalou os olhos. Aquilo parecia loucura – fazer sexo ali no banheiro, mas era tentador. Excitante.
–Você é louca – ele disse.
–É exatamente o que você gosta em mim – ele voltou a beijá-la, como se precisasse de um momento para decidir se iria se deixar levar pelo momento ou não.
–Vamos lá – ele disse, surpreso com a própria ousadia. Ele não era esse tipo de cara, mas Alicia era de fato meio louca – e ele realmente amava isso nela.
Alicia sorriu, e ela estava radiante – qualquer lugar para qual estava indo o relacionamento dela com Sam, estava indo para algum lugar melhor do que esteve nos últimos anos. Ela segurou a mão dele, ele entrelaçou os dedos nos delas. Estavam saindo do hall, enquanto uma mulher loira passou por ali.
–Sam? Sam! É você? Oh, Meu Deus! – ela pula e dá um abraço nele – o que você está fazendo aqui?
Sam estava surpreso; Alicia olhava a mulher com desprezo. Ela não podia acreditar. Mas que hora mais incomoda para Sam encontrar uma ex-namorada louca ou coisa do tipo. Alicia só esperava que ele dispensasse a vadia depressa.
–Estou na cidade, visitando amigos. – ela olha em volta; parecia ignorar Alicia de proposito. Esta passou o braço em torno de Sam de forma possessiva. Seus olhos se prenderam na loira, ameaçadora.
–Onde eles estão? – perguntou ela.
–Não estão aqui. É, hm, esta é Alicia. Alicia, esta é Meg. – nenhum das mulheres se cumprimentaram, apenas se olharam, desconfiadas. – você não estava indo para a Califórnia?
Alicia reparou que Dean percebeu a movimentação, interrompeu a conversa com a garçonete do momento e agora tentava chegar até eles, através do bar lotado.
–Eu vim, vi e venci – ela deu uma risada falsa – então estou vivendo aqui por um tempo.
–Você é de Chicago?
–Não, Andover, Massachuetts. Sam, qual é a probabilidade de nós nos encontramos de novo? É o destino...
Destino? Alicia definitivamente iria matá-la.
–É, eu sei, achei que nunca mais veria você de novo – Sam estava claramente desconfortável, enquanto Alicia fuzilava Meg com o olhar. Quem era aquela?
–Bem, eu fico feliz que você estava errado.
–Meg, esse é Dean, meu irmão. — falou Sam. Dean tinha se juntando a eles, olhando para Meg com curiosidade.
–Esse é Dean? Eu ouvi sobre você. Nada de tratar seu irmão como bagagem! Por que você não deixa ele fazer o que quer? Pare de arrastá-lo por ai.
–Meg, está tudo certo.
–Então, eu acho que preciso de uma bebida agora – declarou Alicia. – vamos, Sam?
–Só um minuto. – falou Meg – Sam, pegue meu telefone.
Ela tirou um papel e uma caneta da bolsa, e escreveu um número.
–Você sabe, eu nunca soube seu sobrenome – falou Sam.
–É Masters. Melhor você ligar, vamos sair enquanto você estiver na cidade.
Meg saiu.
–Ok, agora eu preciso de duas bebidas – falou Alicia – ou talvez dez.
Ela saiu batendo os saltos até o bar.
–O que foi isso? – perguntou Dean.
–Esquece – disse Sam, e saiu correndo atrás de Alicia, que devia estar furiosa.
–Então – ela disse – lembrou que eu existo?
–Allie, você precisa entender... Tem algo errado.
–Tem um milhão de coisas erradas.
–Não, é a terceira vez que eu encontro essa mulher. Eu acho que ela tem algo estranho.
–Talvez seja “o destino” – Alicia imitou a voz de Meg.
–Eu estou dizendo nosso tipo de estranho. E Allie, talvez seja melhor nós pensarmos no que estamos fazendo, nós estamos nos deixando levar pelo momento...
Nesse momento, Dean chegou. Alicia olhava para Sam como se fosse capaz de matá-lo.
–Quem era essa? E que história é essa de eu levar você por ai como bagagem?
–Eu só encontrei ela uma vez, eu... – nesse momento Alicia atirou o resto da bebida que estava no seu copo em cima de Sam, e saiu sem dizer mais nada.
–Jesus – falou Dean – o que foi que você fez para ela?
–-
Alicia estava tremendo de ódio. Ela acharia aquela Meg e a mataria, e depois mataria Sam. É melhor pensar no que estamos fazendo. Babaca. Filho da puta. Ela saiu cega, esbarrando pelas pessoas, procurando a saída.
De repente, sentiu uma dor aguda no braço. Virou para o lado, e deu de cara com o loiro que a estava perseguindo. Ela gritou, mas o som do grito foi abafado pela música. Tudo apagou a sua volta.
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