Night of the Hunter
9 1x09 - Echoes, Silence, Patience & Grace
Notas iniciais

Uma cruz pesada que você carrega
Um coração teimoso que permanece inalterado
Sem lar, sem vida, sem amor
Sem estranhos cantando seu nome para mim
Talvez as estações
As cores mudem no céu do vale
Deus, eu que selei meu destino
Correndo pelo inferno, o céu pode esperar
Foo Fighters
27 de março de 2006. Em algum motel.
–Sammy. Sammy. Sam. SAMUEL WINCHESTER. Acorda!
Sam abriu os olhos, assustado. Seus olhos focaram Alicia ajoelhada em sua cama.
–Você estava gritando e se debatendo. Fazia tempo que isso não acontecia. – declarou Alicia, parecendo muito preocupada. Sam fechou os olhos, tentando tirar a imagem de Alicia de shorts curtos e se lembrar do seu sonho.
–Eu tive esse sonho... Eu acho que era com a nossa antiga casa, em Lawrence. Foi muito real.
Alicia pareceu ficar mais preocupada ainda, encarando Sam na escuridão.
–É alguma coisa importante ou vocês só estão fazendo alguma sacanagem e eu posso voltar a dormir?
–Dean! — Sam saltou da cama. – nós precisamos ir. Eu tive esse sonho, com a nossa antiga casa. Tem uma mulher em perigo lá.
–O que? – perguntou Dean, se sentando na cama e parecendo ainda mais confuso. – você ficou louco, Sammy?
–Não, eu tive esse sonho. Sei que foi com a nossa antiga casa no Kansas. Tinha uma mulher gritando por ajuda na janela, Dean, pode ser a mesma coisa que matou Jess e a mamãe.
Alicia, agora sentada na cama de Sam, e Dean, se entreolharam, confusos.
–Vamos lá, eu sei que é real. Ela precisa da nossa ajuda. Nós temos que ir, e rápido.
–Sam, espera – falou Dean, com uma voz exageradamente calma – você tem noção que o que você está dizendo é maluquice?
–Vocês não entendem! Eu tive sonhos como esse por meses antes da Jess morrer. Eu sonhava com a morte dela, e eu poderia ter evitado. Eu não vou deixar acontecer de novo.
–Sam, só porque você teve esse sonhos... Bem, coincidências acontecem – falou Alicia, mas não parecia muito convencida.
–Não... Foi exatamente igual ao que aconteceu, o sangue, ela no teto, o fogo – ele falou, cabisbaixo, parecendo menos agitado. – por favor. Nós temos que conferir.
–Eu sei que nós temos – Dean caminhava em direção ao banheiro – mas olha, isso não vai ser fácil. Primeiro você vem com essa história de premonição, depois quer que eu volte a nossa antiga casa... Eu jurei que nunca voltaria lá.
Ele bateu a porta do banheiro. Alicia observou Sam andar de um lado para o outro do quarto, parecendo extremamente agitado, arrumando as coisas.
–É por isso que você se sentia tão culpado naquele caso da Bloody Mary? Por causa dos sonhos? – ela finalmente falou o que estava pensando.
–Não quero falar sobre isso.
Alicia ignorou o pedido.
–Porque mesmo que isso tenha sido uma premonição, Sam... Não quer dizer que seja culpa sua. Provavelmente você nunca poderia ter impedido...
–Já chega, Alicia. Eu disse que não quero falar sobre isso – ele disse bruscamente, e no instante seguinte, se arrependeu. Sam odiava falar sobre Jess, o tanto quanto odiava brigar com Alicia.
As pequenas discussões entre eles estavam cada vez mais frequentes. Pareciam brigar e se agredir mutualmente cada vez mais por bobagens. Alicia lançou um olhar magoado a ele pela grosseria, e se calou. Ela não disse mais uma palavra para Sam durante toda a viagem, o que deixou ele mais irritado e incomodado.
Sabia que parte do problema dele com Alicia é que ele não conseguia perdoá-la por ter o deixado. E no fundo, ele queria simplesmente ter raiva dela por isso, mas o que ele sentia por ela era muito mais confuso e complexo. Sam a odiava as vezes, mas ter Alicia de volta na vida dele... Era o paraíso. Ela era como se fosse uma parte dele que esteve faltando todos esses anos.
–-
Dean estacionou o Impala diante de uma casa branca, com 4 andares e um grande jardim com uma árvore. Os dois irmãos observaram a casa com uma grande tristeza – era ali que eles podiam ter crescido, ali que podiam ter tido uma vida diferente daquela. Nenhum dos dois tinha coragem de descer. Alicia então tomou a iniciativa, e foi na frente. Sam resolveu segui-la, mas Dean segurou seu braço.
–Você e Allie brigaram de novo. – foi uma afirmação, não uma pergunta. – percebi que está um clima estranho. Sammy, sabe do que você e ela precisam?
Sam suspirou, se sentindo extremamente cansado. Ele não tinha a mínima ideia do que fazer com Alicia.
–Não. Se eu soubesse, nós não estaríamos brigando dessa maneira.
–De sexo – falou Dean, e Sam se virou para encará-lo, e para sua surpresa, o irmão falava sério – de preferencia, um com o outro.
–Dean...
–Sam, isso é ridículo. Vocês dois agem como um casal, só que sem a melhor parte. Ou você acha que eu nunca notei que as vezes vocês dormem na mesma cama?
Sam cruzou os braços, desconfortável.
–Isso começou porque eu tinha pesadelos.
–Seria ótimo que toda vez que eu tivesse pesadelo acidentalmente aparecesse uma gostosa na minha cama. – falou Dean ironicamente.
–Você não entende. Eu e Allie, nós sempre tivemos essa conexão muito forte.
–Conexão muito forte? Eu chamo de tensão sexual. Até uma freira perceberia a tensão sexual entre vocês dois.
Allie bateu na janela do carro.
–Meninos? Vamos?
–-
Jenny era a nova moradora, e para a surpresa de Sam, era exatamente a mesma mulher de seu sonho. Ele tinha medo do que estava acontecendo com ele.
A moça tinha acabado de se mudar para começar uma nova vida. Ela tinha dois filhos pequenos – Sari e Richie. Sari falou que existia uma “coisa” em seu armário, uma criatura que estava em chamas.
Parados num posto de gasolina, os três discutiam como investigariam aquele caso. Sam estava nervoso e preocupado. Aquela era a casa que ele devia ter crescido, mas ele nunca tinha conhecido de fato. Perguntava-se seria a mesma coisa que matou Jess e sua mãe. Perguntava-se aquele seria o caso que encerraria aquela longa caçada de mais de 20 anos. E estava inquieto, muito inquieto, com o que Dean tinha dito sobre ele e Alicia.
Sam não podia deixar de olhar para ela e admirá-la, e no fundo, deseja-la também. Alicia era linda, sempre tinha sido bonita. Os anos fora tinham feito muito bem para ela – seus seios estavam maiores do que ele se lembrava, e cada músculo do corpo dela parecia ter sido definido. No inicio, quando ele acordava gritando e chorando, foi ela quem passou as noites do lado dele, as vezes acordada, porque Sam tinha horror demais aos pesadelos para voltar a dormir. Foi Alicia quem o manteve são durante a parte mais difícil. Ele sinceramente não sabia o que teria acontecido se não fosse por ela. E eventualmente ela dormia ao lado dele.
No inicio, ele não pensava muito nisso – estava abalado demais. Mas é claro que ficava excitado com a presença dela. Para ele, era impossível não desejar Alicia. Só que Sam não tinha intenção de se envolver com nenhuma mulher, e muito menos com Alicia. Primeiro, por respeito à Jess. Segundo, porque tinha medo demais que qualquer mulher que se envolvesse com ele, morresse. Terceiro, porque era Alicia, e aquilo era história antiga. Ele tinha sido apaixonado por ela por anos, e embora ela tenha deixado aquele bilhete dizendo que o amava... Sam não acreditava que um dia Alicia tenha se sentindo da mesma maneira que ele. Ela tinha mentido. Aquela noite foi algum tipo de brincadeira cruel da parte dela, e era por isso que Sam tinha tanta raiva dela.
–Terra chamado Sam! – a voz de Alicia trouxe Sam de sua viagem ao passado.
–O que? – ele perguntou.
–Cara – falou Dean – estamos discutindo o caso. O que vamos fazer. Allie sugeriu pensarmos como isso fosse um caso normal...
Alicia deu uma risinha com o emprego da palavra “normal”. É difícil dizer que algum caso deles poderia ser considerado normal...
–Nós tentaríamos descobrir que tipo de criatura estamos lidando – respondeu Sam – nós buscaríamos a história da casa...
–Mas nesse caso – continuou Alicia. Aparentemente, ela tinha decido ignorar a briga – nós já sabemos o que aconteceu. Dean, o que você lembra daquela noite?
–Não muita coisa... – ele parou, o olhar distante, perdido em lembranças. – eu lembro do fogo, e lembro de carregar Sammy pela porta da frente.
–Eu não sabia disso. – falou o irmão mais novo, surpreso.
–Não? – falou Dean – enfim, vocês lembram como papai contava a história. Mamãe estava no teto; e o que quer que seja que a colocou lá já tinha ido embora quando ele chegou...
–E ele tinha uma teoria sobre isso?
–Se ele tinha, guardou isso para ele. Deus sabe que perguntamos para ele vezes o suficiente...
–-
O trio decide se separar. Enquanto Dean e Sam, disfarçados de policiais, iam tentar entrevistar antigos moradores da cidade e pessoas que se lembravam da Tragédia dos Winchesters, Alicia foi fazer a pesquisa na biblioteca.
Sam e Dean descobriram que o pai deles procurou uma espécie de vidente durante todos aqueles anos. Então Sam ligou para Alicia. Ela encontrou com eles num restaurante.
–Então – ela se sentou. Dean comia um hambúrguer com bacon e Sam um sanduiche de frango com salada. Alicia se sentou na mesa e pegou o cardápio.
–Eu estou ficando seriamente enjoada dessas comidas de estrada. Eu juro que estou virando uma baleia. Como é que vocês dois não engordam?
Sam e Dean se entreolharam.
–Esquece. Eu não tenho a genética milagrosa dos Winchesters. – Dean olhou para ela com as sobrancelhas erguidas – vamos lá, Dean, é impossível para um ser humano normal viver de hambúrguer, bacon e batata frita e ter esse seu corpo...
–OK, Allie – Sam a cortou. Ele se sentiu incomodado com o comentário, mesmo sabendo que era bobagem. – você não está gorda. O que você descobriu?
–Sim, peguei o nome de todos os videntes da cidade. Estão prontos? – ela pegou um papel e falou, com um forte sotaque espanhol – El Divino. – ela riu, e continuou normalmente – O Misterioso Senhor Fortinsky. Missouri Moseley...
–Espere. – falou Dean – Missouri Moseley é uma vidente?
–Sim, eu acredito que sim.
Dean pega o diário de John, que estava na mesa ao lado dele.
–Está no diário do papai. Esse nome. – ele abre o diário na primeira página e lê – “Eu fui até Missouri e aprendi a verdade...” É a primeira sentença do diário. Eu sempre acreditei que fosse o estado.
–-
A casa de Missouri era uma casa branca e agradável, com um belo jardim. Não havia nada indicado que a mulher lá dentro fosse uma vidente. Mesmo desconfiados, os três andaram pelo jardim, e assim que chegaram à porta, esta se abriu.
Missouri era uma mulher negra e gorda, com os cabelos penteados para cima. Ela estava falando com um homem que parecia profundamente infeliz. Alicia se posicionou atrás dos irmãos Winchesters, escondida por eles. Havia alguma coisa em videntes que a faziam se sentir desconfortável. Se é que esta era verdadeira, claro.
–Tudo certo. Não se preocupe com isso. Sua esposa é louca por você. – o homem sorriu, quase aliviado, e Missouri fechou a porta. Depois, virando-se para os três, disse – pobre homem. A esposa dele está tendo um caso com o jardineiro.
–Por que você não contou a ele? – perguntou Dean.
–As pessoas não vêm aqui pela verdade. Elas vêm aqui por boas noticias.
Missouri vai andando em direção a outro cômodo. Depois de ficarem incertos quanto o que deviam fazer, os três seguiram ela. Era uma grande sala com vários sofás.
–Vocês garotos cresceram bonitos – falou Missouri, ela olha para Sam por um momento – querido, eu sinto muito sobre sua namorada.
Sam ficou extremamente surpreso. Mas a mulher ainda não tinha terminado.
–E seu pai, ele está desaparecido?
–Como você sabe tudo isso? – perguntou Sam.
–Bem, você estava pensando nisso agora.
–E onde ele está? – Dean ficou na defensiva. Ele também não gostava de qualquer coisa sobrenatural.
–Eu não sei.
–Como você não sabe? Você não é uma vidente?
–Você acha que eu sou uma mágica? Eu posso ler energias num ambiente e pensamentos, mas não posso conjurar um fato do ar. Sentem-se.
Dean e Sam se sentaram, e Alicia foi se juntar a eles, mas Missouri segurou o braço dela. A vidente a observava atentamente, os olhos dela numa intensidade que Alicia se sentiu queimando por dentro.
–Você – ela falou finalmente, a voz distante – Alicia Kavanagh. Tem alguma coisa sobre você. Eu não posso lê-la.
–Como assim? – perguntou Alicia, extremamente nervosa com o comportamento da mulher.
–Tem algo em você. – seu olhar se intensificou ainda mais, se é que isso fosse possível – algo poderoso. Um feitiço.
–Um feitiço? – falou Alicia, chocada demais. Nunca ninguém tinha dito isso a ela. – mas como? O que é? Quem o colocou?
–Perguntas para quais eu não tenho resposta. Mas você... É completamente protegida por isso. Ninguém pode ler sua mente, senti-la... Ou localizada.
Missouri continuou encarando Alicia, como se fizesse uma força muito grande para lê-la.
–Tem um homem. Ele está se esforçando muito para quebrar esse feitiço, mas o feitiço é mais poderoso que ele. É um feitiço muito antigo. Eu nunca... Vi algo como isso antes.
Sam e Dean assistiam a tudo hipnotizados. Alicia parecia terrivelmente assustada. E Missouri também parecia estar com medo.
–Eu sinto muito, querida. – ela disse – mas é o máximo que eu posso conseguir para você.
Missouri soltou o braço da Alicia, e ela se desiquilibrou. Sam se levantou rapidamente e segurou Alicia, guiando ela até o sofá mais próximo.
–Que porcaria é essa? – falou Dean, virando para Alicia. Sua voz estava cheia de irritação continua.
–Dean, eu juro... Por tudo que é sagrado... Que dessa vez eu realmente não faço a mínima ideia – falou Alicia.
–Deixe a menina em paz – falou Missouri – não está vendo que ela já está preocupada o suficiente? Isso não é culpa dela. Ela viveu a vida inteira sobre esse feitiço.
–Vamos focar aqui, por favor? – Alicia disse – se Missouri não pode fazer nada a respeito de mim... Talvez ela possa nos ajudar com John. Você pode?
–Talvez. A primeira vez que eu o encontrei... Ele veio para uma leitura, alguns dias após o incêndio. E eu contei para ele o que havia lá fora nas sombras.
–Você sabe o que matou nossa mãe? – perguntou Dean, a voz cheia de esperança.
–Um pouco. Eu fui até a casa. Seu pai esperava que eu pudesse sentir os ecos, as assinaturas dessa coisa. Eu não sei o que era, mas era maligno.
–E essa coisa, ainda poderia estar na casa? – Sam fez a pergunta.
–Sim, claro. Poderia estar causando os efeitos. Mas eu não entendo... Eu nunca mais entrei lá, mas me mantive atenta. Sem mortes repentinas, sem acidentes estranhos. Por que está atuando agora?
–Eu não sei – respondeu Sam, com um olhar triste e distante – mas com o desaparecimento de papai, a morte de Jessica... Parece que alguma coisa está começando.
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–Eu não vejo você fazer isso desde que era uma garotinha, Allie. – falou Dean com um sorriso. Ele observava a moça pelo retrovisor do Impala. Ela estava no banco de trás do Impala, sentada junto a Missouri, indo para a casa dos Winchesters enfrentar o que quer que estava lá. E Alicia estava roendo as unhas.
–Porque é um péssimo hábito. – ela falou, tirando a mão da boca, incomodada com si mesma. Ela se calou, perdida em seus próprios pensamentos. A ansiedade crescia cada vez mais dentro dela. Seu coração estava disparado e suas mãos, suadas. Ela sabia muito bem qual era o problema. Um homem está tentando quebra-lo. Seu pai. Disso ela tinha certeza. E agora, por causa de suas próprias mentiras, ela não poderia contar com a ajuda de Sam e de Dean. O fato do pai querer quebrar o feitiço, indicava que era uma coisa boa existir. Talvez fosse esse feitiço que a impedisse de se tornar um monstro. La hija del diablo, ela se lembrou da voz do padre mexicano, ecoando na sua cabeça. Mas quem teria lançado?
John? Era uma possibilidade. Ele sempre sabia mais do que demostrava. Outra possibilidade surgiu na sua cabeça, uma pessoa em quem ela evitava pensar. Rebekah Kavanagh. Sua mãe. Ela não sabia nada sobre a mãe. Nunca tinha procurado saber. Ela tinha morrido quando nasceu, e Alicia a considerou humana por isso. Era seu pai o mistério. A história de Rebekah sempre tinha sido contada e era muito clara. Seu pai era sua curiosidade, seu sonho, seu desejo de saber se ele ainda vivia... Mas agora sabendo sobre o feitiço, talvez Rebekah fosse uma bruxa. Faria todo o sentido.
–Allie? Chegamos. – Sam a chamou. Ela conhecia muito bem aquele tom de voz preocupado e delicado. E meio que odiava estar tão frágil.
Missouri conseguiu a confiança de Jenny, e foi assim que entraram na casa. Ela foi direto ao antigo quarto de Sam. Os dois irmãos foram dominados por uma emoção muito forte, assim como Alicia. Enquanto eles sofriam a dor da perda da mãe, Sam de uma maneira que nunca tinha sentido antes, Alicia se sentia estranha. Se Mary não morresse, ela jamais seria parte daquela família... E a força dessa ideia a atingiu ainda mais forte, bagunçando ainda mais seus pensamentos e sentimentos.
–Não é a mesma coisa que matou a mãe de vocês. – Missouri falou, depois de rodar todo o quarto – a energia é diferente.
Ela abriu o armário.
–Há mais de um espirito aqui.
–O que eles estão fazendo aqui? – perguntou Dean, zangando. Se sentia invadido. Sentia como se aquela ainda fosse sua casa, sua família, algo extremamente sagrado.
–Por causa do que aconteceu com Mary – foi Alicia quem respondeu. – Já vi isso antes. Quando uma tragédia acontece, quando o mal anda por um lugar... O ambiente fica contaminado. Atrai outras coisas. Possivelmente, é um poltergeist.
–A garota sabe do que fala – Missouri estava satisfeita. – mas não consigo descobrir quem é o segundo...
–Ninguém mais morrerá nessa casa – declarou Dean – o que faremos?
–-
Os quatro pediram que Jenny saísse com as crianças. Um por andar, Missouri forneceu as ervas e outros símbolos e substâncias para eles colocarem na parede. Não foi uma tarefa fácil, pois o poltergeist estava determinado a impedi-los. Ele tentou enforcar Sam com um fio de telefone, entre outras coisas do tipo.
Missouri garantiu que tinha acabado. Mesmo assim, Sam insistiu para que eles vigiassem a casa naquela noite. Alicia estava deitada no banco traseiro do Impala.
–Me diga de novo – ela falou, entediada – o que nós estamos fazendo aqui?
–Eu não sei. Eu só tenho um mau pressentimento – falou Sam, sério. Alicia deu um suspiro. Ele tinha mesmo que ser tão gracinha quando estava preocupado? – eu quero ter certeza que tudo está terminado.
Assim que pronunciou essas palavras, ele viu – Jenny pedindo socorro pela janela. As portas e janelas se trancaram, como no sonho em que se lembrava. Ele, Dean e Alicia partiram correndo. Tirar as crianças e Jenny da casa.
Dean e Alicia se encontraram do lado de foram. Jenny e Richie estão com eles, e a casa toda tremia.
–Onde está Sam? Por que está demorando tanto?
Nisso, Sari saiu correndo da casa, a pequena garotinha assustada. Mas Sam não reapareceu.
–Sari, onde está Sam?
–Alguma coisa o pegou – a menina chorava.
–Alicia, você fica aqui com as crianças... – e antes que a morena pudesse protestar, Dean saiu correndo e voltou para dentro...
Alicia se sentou na grama, olhando sem piscar a grande casa. O que estava acontecendo lá dentro? Ela podia ver a luz das chamas vindo do antigo quarto do Sam...
Dentro da casa, Dean finalmente encontrou Sam – e a figura em chamas, que se aproximava.
–Dean, não! – gritou Sam, quando Dean fez menção de atirar. – eu posso vê-la agora.
As chamas desaparecem, e Mary Winchester aparece.
–Mãe? – os olhos de Dean se enchem de lagrimas.
–Dean... Eu sinto muito – Mary também estava chorando, mas sorria.
–Pelo que? – perguntou Sam, mas Mary não diz nada, apenas olha tristemente para ele. – Você- ela diz ao outro espirito – sai da minha casa. E deixem meus filhos irem embora. As chamas voltam, mais intensas, e assim, ambos os espíritos desaparecem sem vestígios.
–Agora acabou. – Sam diz, tristemente. Lagrimas escorrem pelos seus olhos.
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Na manhã seguinte, Dean, Sam e Alicia estavam olhando as fotos antigas que Jenny deu a eles. Missouri se junta a eles.
–Agora não há espirito nenhum, tenho certeza. O espirito da sua mãe e a energia daquele poltergeist se cancelaram. Sua mãe se destruiu indo atrás dele. Para proteger vocês – a vidente sorri misteriosamente – Sam, uma última palavra com você, por favor.
Os três se entreolham curiosos, mas Sam seguiu Missouri até um local mais afastado.
–Essa raiva sua por Alicia – ela disse – Deixe me falar. Não alimente ela. Alicia precisa de você. Não faça nunca escolhas movidas por magoas. Não dá certo. Todas as vezes que você escolher com raiva, mais você prejudicara a todos. E ter raiva de Alicia... Eu posso ver. Um dia vocês vão estar casados.
–Isso é impossível – Sam respondeu, incomodado. – não nessa vida.
–Ah é? Pois eu acho que não, garoto. Pare de ser tão teimoso. E pare de ficar tão apegado ao passado. Abra os olhos. E vamos, antes que os dois fiquem desconfiados. Vá lá. Nunca esqueça do que eu disse. Não faça escolhas pela raiva. Isso é essencial para você, Sam...
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