Night of the Hunter
6 1x06 - This is The Story
Notas iniciais
Essa é a história da minha vida
(Essas são as mentiras que eu criei)
Essa é a história da minha vida
(Essas são as mentiras que eu criei)
30 Seconds to Mars
11 de novembro de 2005, próximo da meia noite.
Alicia sentia como se fosse morrer congelada. Ela estava de fato tremendo. Aquela fogueira não estava adiantando em nada. Em pensamento, ela xingava John Winchester. Era óbvio que era mais um caso, e que ele não estava ali. Dean e Sam estavam escrevendo símbolos Anasazis para afastar o wendigo. Não tinha se juntado a eles porque, se ela se afastasse da fogueira, provavelmente congelaria.
Encarava o fogo a sua frente sem piscar. As coisas andavam tão loucas que ela simplesmente não conseguia por os pensamentos em ordem. Voltar a conviver com Sam estava trazendo de volta um monte de coisas, e a cada segundo que passava, mais ela se arrependia de ter deixado ele. Ela sabia que tinha sido a melhor solução. Jamais poderiam deixar que os Winchesters descobrissem quem era o pai dela. Jamais poderia ficar com Sam sendo quem ela era. Por que agora estava tudo sobre controle, mas não havia garantia que as coisas viessem a tona novamente.
Como se seu pensamento tivesse conjurado ele, Sam se sentou ao lado dela. Ela inspirou fundo a presença dele.
–Eu não te disse obrigado. – ele sussurrou.
–Por quê? – Alicia quebrou o contato visual com o fogo, virando o corpo para encarar Sam. Iluminado apenas pela luz da fogueira, ele parecia ainda mais bonito, e um tanto o quanto misterioso.
–Por ter me tirado de lá. – ele aproximou o corpo do dela, passando o braço pela cintura dela. O coração de Alicia deu um pulo com a presença dele, e de repente, o frio que ela sentia estava sumindo, sendo substituído por todo o calor de Sam.
–Você veio por todos os motivos errados, Sam. — ela falou. – Vingança é...
Um barulho alto de folhas anunciou Dean parando em frente à eles. Sam soltou um pouco o abraço.
–Você vai nos dizer o que está passando nessa sua cabeça louca? – perguntou Dean, com uma postura defensiva.
–Dean...
–Não, você não está bem. Você é como uma bomba prestes a explodir. Você não é assim.
Os três ficaram em silêncio, um encarando o outro. Por fim, foi Sam quem falou primeiro.
–Papai não está aqui. Ele teria nos deixado um sinal, uma mensagem, qualquer coisa.
–Sim, você está provavelmente certo. Eu acho que papai jamais esteve em Lost Creek.
Alicia sentiu todo o corpo de Sam ficar tenso, e ele tirou o braço que estava em volta dela.
–Então vamos levar essas pessoas para a cidade e voltar para a estrada. Vamos achar papai. Quero dizer, por que ainda estamos aqui?
Dean pega o diário de John.
–Esse livro. Esse é o objeto de maior valor do papai. Tudo o que ele sabe sobre o mal está aqui. E ele deixou isso para nós. Eu acho que ele quer que continuemos de onde ele parou. Vocês sabem, salvando pessoas, caçando coisas, o negócio da família.
–Isso não faz sentido. Por que ele apenas não liga? Por que ele não diz onde ele está?
–Eu não sei. Mas pelo que eu entendo, papai está dando a nós um trabalho e eu irei fazer.
–Dean... Não. Eu tenho que achar papai. Eu tenho que achar o assassino de Jessica. É a única coisa que eu posso pensar.
–Sam – falou Alicia – nós vamos encontra-los. Mas você precisa se preparar. Essa busca pode demorar. Nem ao menos sabemos o que estamos procurando. John está há mais de 20 anos procurando pelo assassino de Mary. E toda essa raiva, você não pode deixar isso te consumir. Vai matar você. Você tem que ter paciência.
Sam fica em silêncio, sem realmente olhar para Dean ou Alicia.
–Como vocês fazem isso? Como papai faz isso?
–Bem, por pessoas como eles. – responde Alicia.
–Sim – continua Dean – nossa família é ferrada, talvez nós possamos ajudar outros. Tornar o mundo um pouco melhor. E vou te dizer o que mais ajuda. Matar o máximo de criaturas malignas filhas da puta que eu puder.
14 de novembro de 2005, algum motel na beira da estrada.
Alicia se trancou no banheiro. Dean estava ocupado demais vendo pornô na internet, e ela esperava que qualquer coisa que Sam estivesse fazendo também o ocupasse muito. Assim que ela acendeu a luz, ela pode ver. Estava voltando.
Seus olhos, normalmente verdes, começavam a ficar muito negros. Era o primeiro sinal. Foi assim que tinha começado há tantos anos. E tinha apenas um significado: seu pai sabia por onde ela andava. Como? Ela continuava em movimento... Então a ficha caiu: talvez ela não pudesse ser localizada, mas era possível localizar Dean e Sam. E ela estava com eles.
Ela caiu de joelhos, o forte enjoo que ela conhecia tão bem começando. Quantas vezes tinha passado por isso? Em poucos segundos ela estaria vomitando até a alma.
...
Quando abriu a porta, percebeu que não tinha adiantado em nada. O quarto de motel era realmente uma porcaria, era obvio que ouviram tudo que se passava dentro do banheiro. E Sam e Dean estavam colados a porta.
Depois de vomitar, os olhos dela voltavam a ser verdes.
Ela passou pelos dois sem dizer uma palavra e se jogou numa das camas.
–Você está bem? – perguntou Sam, preocupado.
–Estou. Acho que comi alguma coisa estragada. – depois que começa, mentir ficava cada vez mais fácil.
Dean a encarou, cruzando os braços. Parecia desconfiado.
–Você não tem aquela coisa que garotas têm, certo? Bulimia? É isso?
–Dean! – ela se sentou – pelo amor de Deus, eu não sou uma bulimica. Eu só comi alguma coisa que me deixou enjoada.
Dean não parecia muito convencido e examinava Alicia atentamente.
–Você não está grávida, está?
Agora ela suspirou.
–Não estou Dean. Isso é minha vida, não uma novela mexicana.
Os dois irmãos se entreolharam, e por fim sentaram na cama à frente a dela.
–Allie, nós precisamos conversar.
Ela encarou ambos, franzindo os olhos. E entendeu.
–Vocês dois tem conversado sobre mim, sem a minha presença.
–Allie – falou Dean calmamente – você esteve desaparecida por 6 anos. Você quer que nós pensamos que é apenas coincidência você voltar logo quando nosso pai some?
–Em parte é. – ela respondeu, irritada e na defensiva. O que eles estavam pensando, que ela era algum tipo de psicótica? — Um dos motivos pelo qual voltei é que as coisas sobrenaturais tem estado... Esquisitas. Aumentadas. Os monstros têm saído da toca. Mas você, Dean, sabe muito bem que tudo tem mudado.
–Eu sei – começou Dean, mas Sam interrompeu, claramente puto da vida.
–Por que foi embora, Allie? Por que voltar só agora? O que aconteceu?
Ela suspirou.
–Vocês estão certos. Eu devia ter contado. E vou responder a todas as perguntas que eu puder. Quase tudo que eu fiz foi por impulso. Aparecia à oportunidade no momento, eu pensava “por que não?” e eu ia. Eu tive um único plano na minha vida, que eu estive planejado desde os 12 anos. Que era encontrar meu pai.
–Por quê? – perguntou Sam.
–Porque minha mãe eu tinha certeza que havia morrido. Eu precisava descobrir quem era minha família. Quando eu decidi partir, era porque eu tinha juntado dinheiro o suficiente. Eu sempre gostei de drama, e tem coisa mais dramática do que ir embora no aniversário de 17 anos? Em poucos meses, você iria para a faculdade, Sam. E para onde eu iria? Já era hora de partir.
“Eu já sabia a algum tempo que meu pai era inglês. Foi para a Inglaterra onde eu fui. Londres é infestada de lobisomens, ou pelo menos estava naquele ano. Havia muito trabalho para um bom caçador, e eu logo me tornei conhecida. Mas meu sobrenome já era conhecido em certos meios, e logo como eu descobriria, não por motivos muito bons. Foi numa caçada a um lobisomem que deu errado que eu conheci Nate. Ele era um caçador recente, a família tinha sido morta por uma maldição. Nós começamos a caçar juntos, e foi junto dele que descobri sobre quem era meu pai”.
Ela fez uma pausa. Aquilo tudo ali era a verdade, mas quem era seu pai era a mentira. Alicia tinha feito uma escolha e jamais voltaria a falar quem era seu pai. Apenas Nate sabia, e esse segredo ele tinha levado para o tumulo.
–Um caçador enlouquecido. – falou Dean.
–E um pouco corrompido pelas forças do mal. Como eu disse, havia muitas pessoas e criaturas que queriam acertar as contas com ele. Ele estava morto, mas a filha dele poderia servir muito bem para qualquer coisa. Eu me tornei um alvo. Então quando Nate me disse que ia para o Egito descobrir mais sobre a maldição que matou a família dele. E me chamou para ir junto. E eu fui.
“Nate morreu lá – mas agora pensem bem, eu já tinha estado em dois países, e em cada um deles, eu descobria mais coisas sobrenaturais que eu poderia imaginar. Então eu pensei – por que não viajar o mundo todo? Nada me prendia.”
Sam se levantou da cama, e deu duas voltas no pequeno quarto, parecendo irritado demais com Alicia para encontrar palavras. Ela sabia que tinha contado aquela história de forma fria demais – ninguém ali sabia o quanto ela tinha chorado por deixar Sam, ou como o mundo dela caiu novamente quando Nate morreu e a deixou sozinha no Egito, num deserto esquecido por deuses e demônios. Anos depois, ela já tinha já colocado uma distância emocional segura de tudo. Ela podia muito bem falar dos seus problemas como se fosse uma terceira pessoa. A única coisa que ela não poderia falar sobre, pois cairia em pedaços, era sobre seu pai. Por isso mesmo evitava esse assunto.
–Eu sei que pareço uma vadia fria falando desse jeito, mas do que adiantaria eu ficar chorando em cima de um monte de coisas que já foram? – ela acrescentou, com a esperança que Sam não a odiasse mais ainda. Dean olhava para ela sem piscar.
–Nada que te prendia. – repetiu Sam, e parou na frente dela, puxando ela pelos braços de forma que eles ficassem frente a frente – pelo amor de Deus, Alicia, você tinha uma família que te amava. Qual é seu problema?
Ele apertava os pulsos dela com força, ela agora estava ajoelhada em cima da cama, encarando Sam. Talvez fosse agora que as lagrimas começassem a vir. Alicia não podia explicar o motivo, porque ela não queria dizer. Que ela se sentia suja demais para voltar para casa. Suja demais até mesmo para ter uma família.
Ela inspirou fundo. Havia ainda coisas que ela poderia dizer.
–Não pense que John disse apenas para você não voltar se fosse embora. Ele disse o mesmo para mim. E depois do que aconteceu entre nós, Sam, e eu ter ido embora, eu achei que você não ia querer me ver.
–Espere – falou Dean, e Sam finalmente soltou Alicia. – o que aconteceu entre vocês?
Dean observava atentamente os dois, tentando ler o rosto dos dois. Alicia pode sentir seu rosto ficando vermelho, e bem na sua frente, o rosto de Sam era um reflexo do dela.
–Ah, não me diga isso. – falou Dean, parecendo extremamente frustrado – por que você nunca me disse Sammy? Quanto tempo isso?
–Uma vez – falou Sam, com raiva contida – na noite antes dela ir embora.
Agora Dean estava puto com ela também.
–Alicia, eu juro por deus, que se você não fosse uma garota, eu bateria em você.
–Ok, já chega. Parem de dar significado a coisas que não significam nada. Vocês dois me conheciam. Vocês sabem muito bem que eu era rebelde, instável, impulsiva e egoísta.
–Isso é verdade. – falou Dean.
–Não, você não era...
–Sam, por favor, todo mundo sabia que eu era exatamente assim. Que eu vivia fazendo coisas totalmente loucas simplesmente pelo prazer da adrenalina. Em toda minha vida, esse foi meu comportamento. O único que se recusava a ver quem eu era de verdade era você. E nós já tivemos essa conversa. Olha, eu sei que eu não sou boa. Mas agora, de verdade, eu estou tentando ser outra coisa.
–Deixa ver se eu entendi, você partiu meu coração simplesmente por que era divertido para você?
–Que bosta, Sam, isso não tem e nunca teve nada a ver com você. Sempre foi sobre mim. – ela virou para Dean – e eu retiro o que eu disse, minha vida é uma novela mexicana. Me desculpe, ok?
Sam estava novamente dando voltas irritados pelo quarto minúsculo e caindo aos pedaços, enquanto Dean olhava de Sam para Alicia, parecendo ter perdido a capacidade de falar.
–Por que você voltou? – perguntou Dean, palavras desprovidas de qualquer emoção.
Alicia suspirou, e simplesmente tirou a camiseta.
–O que inferno você está fazendo agora? – perguntou Sam, se virando para ela bruscamente. Então se calou bruscamente. Em todo o abdômen dela, havia cicatrizes, que formavam um desenho, um símbolo desconhecido.
–Há alguns meses atrás, eu estava na Cidade do México. Caçando. E isso foi obra de demônios. Eu passei um mês em coma pela perda de sangue, e mais uma boa temporada no hospital. Quando eu sai de lá, eu voltei. Porque eu acordei, no meio do nada na Cidade do México, num hospital em péssimas condições, sem ninguém no mundo para se importar se eu estava viva de novo ou não. Eu tive muitos e muitos meses olhando o teto para repensar em toda a minha vida até agora.
Alicia cruzou os braços em frente dos seios. Então era isso. Lavando a roupa suja. Ninguém disse nada. O ar parecia tão pesado em volta dela, que ela mal conseguia respirar.
–Se vocês querem que eu vá embora, eu vou. – ela falou, se levantando.
–Não, não, não. – falou Dean – você fica onde está. isso é um monte de porcaria e eu não consigo pensar, eu preciso de um hambúrguer. Vamos comer, e vamos discutir isso lentamente. Vamos.
Sam olhou com os olhos arregalados para Dean.
–Eu estou falando sério. – ele disse. – já chega de brigas e de separar a família. Estamos juntos novamente, vamos achar o papai e esquecer toda essa bobagem para trás. Certo, Sammy?
Sam resmungou alguma coisa e foi até a porta.
–Vamos, Allie, vista alguma coisa. Vamos comer. Você ainda gosta daqueles milk-shakes cheio de marshmallow tão doces que enjoa, não?
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