Night of the Hunter
5 1x05 - Chaos

Estrelas caindo, brilhando
Enquanto eu tento não pensar no que eu estou deixando
E sem enganações agora
É hora de você me deixar saber
Me deixar saber
Quando as luzes se apagarem
E nós abrimos nossos olhos
Lá fora no silêncio
Eu terei ido... Eu terei ido...
Linkin Park
Alicia olhava fixamente o relógio a sua frente. Duas e trinta e três. Tinham se passado 4 minutos desde a última vez que ela tinha olhado. Duas e trinta e quatro.
O quarto da pousada estava à meia luz. Ela estava cercada de uma enorme papelada, livros da biblioteca local sobre demônios, seus próprios diários de caçada e o diário de John Winchester. Ela tinha ficado com a pesquisa. Dean, com o trabalho de campo.
A noite anterior tinha sido um pesadelo. Um caos, pesadelos tinham mais logicas que aqueles acontecimentos. Sam entrara em colapso, era só isso que poderia ser. Ele pirou e alguém precisava ser são para chamar a policia, os bombeiros, os paramédicos, a família de Jess. Essa tinha sido a pior parte da noite. Alicia não tinha certeza se eles já tinham chegado a Califórnia, vindos de Nova York ou não. Ela tinha resolvido todas as questões burocráticas, inventado histórias. Ali, seu nome era Alicia Winchester e ela era a irmã mais nova de Sam. Estava exausta.
Eram três da madrugada quando Alicia resolveu apagar Sam, porque não aguentava mais o sofrimento e o choro dele, e deu a ele algumas pílulas calmantes que sempre levava com ela. Ele tinha apagado e estava apagado desde então. A primeira dose de tarja preta era sempre a mais forte. Ela dormiu 14 horas na primeira vez que tomou, e eles eram o maior alivio que existiam, quando você não queria sentir mais nada e apenas dormir, sem sonhos, sem dor. Eles tinham pego um quarto naquele hotel, e depois de uma pequena discussão, ela e Dean decidiram que Dean faria a investigação, e ela ficou ali no quarto, fingindo que fazia pesquisa, mas na verdade vigiando Sam dormir. Quando, ao meio dia, a Faculdade de Direito ligou procurando por Sam Winchester, foi ela quem explicou a eles o que tinha acontecido.
Eles prometeram ligar de novo e remarcar, mas Alicia preferia não pensar no que seria a vida de Sam. Ela tentava, mas não conseguia pensar em nada mais doloroso do que perder para a morte alguém que amava, alguém que tinha feito ele feliz.
A maneira que Jess morreu, somado ao desaparecimento de John, mais os estranhos boatos que ela tinha ouvido, bem, isso a preocupava. Muito. Pela milésima vez, ela se lembrou do pai. Não importava o que fosse, ela tinha certeza que alguma culpa ele teria nessa suposta guerra. Obcecado pelo poder como era...
O telefone de Sam tocou novamente. Havia milhares de mensagens e telefonemas de amigos, provavelmente. Ela apertou em desligar, mas não foi rápida o suficiente. Sam ouviu e acordou.
–Alicia? – ele disse, a voz mole devido ao medicamento. Ela se levantou correndo, jogando o livro que estava em seu colo de qualquer jeito para o lado. Parou ao lado da cama. Sam se sentou. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. A expressão em seu rosto partia o coração de Alicia em um milhão de pedaços, e a dor dele doía tanto nela que ela achava que nunca se recuperaria. Mas ela faria qualquer coisa para impedir que Sam não sentisse mais aquilo. Sem palavras, Alicia se sentou ao lado dele e o abraçou. Em silêncio, ela só soube que ele estava chorando de novo, quando lágrimas quentes escorreram pelo ombro dela.
3 dias depois.
–Isso está ficando ridículo. – Dean dizia – já fazem 3 dias, e ele não sai da cama. Não come, não dorme. Porque eu acordei a noite passada e ele estava olhando para o teto. A última vez que ele saiu da cama foi para o enterro, e eu não sei qual foi a última vez que ele tomou um banho. Não dá para continuar assim, temos que fazer alguma coisa.
–Eu sei, droga. Eu estava esperando que ele melhorasse. Dean, você acha que... – Dean encarou Alicia furioso, os olhos verdes muito franzidos e a boca aberta com raiva. Ela sabia que ele não tinha raiva, tinha tanto medo do que estava acontecendo com Sam. E ela sabia que ele não ia gostar nadinha do que ela ia sugerir – bem, você acha que isso pode ser uma depressão?
Agora Dean estava mais irritado ainda, e não se ocupou em dar uma resposta a Alicia. Ele não sabia lidar com o desespero que sentia – a coisa tinha reaparecido, seu pai tinha desaparecido e agora Sam estava naquele estado.
–Vamos tirar ele dessa – declarou Dean, determinado, abrindo a porta do quarto. Estava escuro, como os dois tinham deixado quando saíram há quase uma hora. Ele entrou e simplesmente abriu as cortinas – bom dia, luz do dia.
Sam resmungou alguma coisa, e Alicia simplesmente resolveu entrar no plano do Dean. Não poderiam continuar deixando ele afundar nessa. A vida continuava e eles tinham um monstro para caçar. Embora que, em todos esses anos, ela nunca tinha encontrava uma criatura que matava como aquela. E por que estava tão ligada a família Winchester?
–Vamos lá, Sammy – ela puxou os cobertores dele – o que você acha de um bom banho?
Dean simplesmente o puxou para fora da cama, e mesmo resmugando, ele foi. Eles o empurraram no box e Alicia ligou o chuveiro.
–Alicia, mas que merda!
–Mas é justamente a merda que você está cheirando.
Dean deu risada e fechou o vidro.
–Vou buscar alguma coisa para ele comer. Você fique aqui e o vigie.
Dean saiu, batendo a porta do banheiro. Alicia afundou, sentada de costas para o boxe, e abraçou os próprios joelhos, encarando a parede branca quase a sua frente; ela ouviu o som de Sam socando a parede.
–Eu imagino que você não vai me deixar sair daqui. – ele falou, enquanto o som do soco ecoava pelo banheiro.
–Não. Eu não posso.
–E você não vai sair dai.
–Não se preocupe, estou de costas. E se se você se sentir muito incomodado, prometo fechar os olhos.
Sam deu um longo suspiro, e por um bom tempo só o barulho do chuveiro era ouvido.
–Sammy? – falou Alicia, e sem obter resposta, continuou – eu sei que tudo isso é a pior coisa que podia ter te acontecido. Eu não tenho a mínima ideia de quanto mal você deve estar se sentindo. Mas você não pode simplesmente largar tudo. Você tem que seguir em frente. Eu quero dizer, eu não a conhecia, mas eu acho que ela ia odiar que você abandonasse seus sonhos. Eu acho que ela gostaria de te ver feliz. Se não pode continuar por si mesmo, por favor, que continue por ela. Mas você tem que me prometer uma coisa.
–Apenas me arrume uma toalha, ok, Allie? – ela se levantou, pegou uma toalha na pia e jogou para Sam. Quando ele abriu a porta do boxe, enrolado na toalha, deu de cara com Alicia. Ela o olhava, séria, a testa ligeiramente franzida, os olhos verdes brilhavam numa intensidade que até assustou Sam.
–Sammy, você tem que me prometer. Você tem que me prometer que não vai seguir pelo mesmo caminho de vingança do seu pai. Você nunca quis isso, e nós dois sabemos que isso não leva a nada. Prometa para mim.
Sam olhou para ela, sem expressão. E imediatamente Alicia soube que seu pedido estava caindo no vazio. Sam faria justamente aquilo que ela mais temia que ele fizesse.
–Sammy é um gordinho nerd de 12 anos, Allie. Não me chame assim.
Sam não podia estar mais diferente de um gordinho nerd de 12 anos. Tinha enrolado a toalha na cintura, mas esta era pequena demais para 1,95m de altura, praticamente 30cm mais alto que Alicia. As gotas de água escorriam dos cabelos molhados pelo peitoral definido, e a única palavra que vinha a mente de Alicia para descrever a visão era perfeito.
Um silêncio estranho tomou conta do ambiente, mas nenhum dos dois desviou o olhar. Apenas continuaram se encarando. Havia algum tipo de sentimento estranho naquele banheiro, embora nenhum dos dois pudesse definir qual era.
Alicia deu um pulo quando ouviu a porta do quarto se abrir, e o momento se dissipou tão rápido quanto veio.
–Está tudo bem? – perguntou a voz de Dean, e ela sentiu cheiro forte de café.
Ela abriu a porta do banheiro, saindo com Sam atrás dela.
–Está sim. – ela respondeu. Sam continuou calado, e simplesmente foi até sua mala bagunçada e pegou algumas roupas, voltando para o banheiro.
Algum tempo depois.
Os três estavam sentados na pequena mesa do quarto, que estava coberta com restos de panquecas e café que Dean havia trazido, o notebook de Alicia, e mais um milhão de velhos livros e anotações, e o diário de John Winchester.
–Eu acho que a criatura é realmente um demônio. – falava Alicia, pela milésima vez. – eu sei que não é típico esse tipo de ação, ainda mais agregada à família, mas encontramos enxofre próximo ao apartamento e tantos outros sinais demoníacos que Dean é um idiota por estar negando.
–Eu não estou negando que é um demônio. Eu apenas acho que papai está cuidando de tudo, ou pelo menos estava. Eu acho que deveríamos ir à Blackwater Ridge e descobrir onde ele está.
–Nós não temos nem certeza que ele está lá. Ele pode estar apenas indicando outro caso – falou Sam. – eu acho que deveríamos caçar e matar esse demônio. Ele já fez mau suficiente à nossa família.
–Isso que é estranho. – falou Dean, também parecendo irritado. – alguém já viu algum caso de um demônio ligado à uma família? Isso não faz o menor sentido. Não é como se tivéssemos um baú maldito ou coisa do tipo. E tecnicamente, Jess não era família...
–Está ligado a mim, Dean – disse Sam, e seus olhos eram de partir o coração. Parecia consumido pela dor.
–Isso faz menos sentido ainda.
–Arghh! – gritou Alicia, encostando a testa na mesa. – isso é inútil e minha cabeça está estourando. Nós temos que fazer alguma coisa. Qual foi mesmo aquelas coordenadas que John deixou?
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