Notas iniciais
Olá leitores, todo mundo curtindo o carnaval e eu aqui escrevendo fanfic, triste, bem triste. Mas enfim, este é o primeiro capítulo da batalha final, ele como assim como o outro era originalmente um único cap, mas eu decidi dividi-lo por ter se estendido muito, estou tentado a postar o próximo hoje ou amanhã talvez depende de vocês, agora sem mais delongas. Boa Leitura!

Proximidades do Palácio da Noite, vários minutos antes.

— Então só temos de colocar isso nos suprimentos de néctar? – Justin perguntou enquanto analisava o conteúdo de um frasco de vidro com um liquido esbranquiçado.

— Exato, façam tudo com a maior discrição possível. – Helena confirmou.

— E o que exatamente isso faz? Não é veneno, é? – Aaron questionou temeroso.

— É claro que não, isso só vai coloca-los para dormir por um tempo, um bom tempo. – A garota respondeu prontamente.

— Tudo bem, nós faremos como pedido. Mas ainda resta uma última questão. – O filho de Hades falou fazendo ela levantar suas sobrancelhas. – Como faremos para sair dessa situação depois que tudo tiver acabado? Você disse que os outros imortais não sabem desse plano, inclusive o seu irmão, e que só essa tal de Megan sabe da nossa participação nesse plano. Não é preciso ser um gênio para ver o quão desvantajoso e arriscado isso é para nós, como saberemos se não seremos presos ou executados como inimigos?

— Se os dois idiotas não fizerem nenhuma besteira, tudo estará de acordo com o plano e então a nossa vitória será apenas uma questão de tempo. Quanto a sua escapatória, depois que tudo se acalmar eu conversarei com o meu irmão, mesmo achando que não será necessário, Megan tem tudo sob controle. – Helena garantiu.

— Mas isso ainda não responde a nossa pergunta, o que faremos enquanto você conversa por aí? – Justin insistiu.

— Deem um jeito de ficar nas ultimas linhas, o mais longe possível das tropas da noite, e quando perceberem que chegou a hora... – Ela pôs a mão no queixo como se fizesse um grande esforço para pensar, um gesto claramente debochado. – Vocês podem fingir de morto.

— Mas o que... – Os dois se indignaram, mas ela simplesmente girou nos calcanhares e completou.

— Não ousem morrer por qualquer motivo que seja, a única que matá-los sou eu.... –

A última conversa com Helena ressurgiu na mente dos dois garotos deitados no campo nevado, nenhum deles poderia ter imaginado que as coisas aconteceriam daquela maneira. Dentre todas as pessoas naquele campo, os dois semideuses com certeza eram as que tinham a maior chance de molhar as calças. As palavras da filha de Poseidon ecoavam em seus pensamentos e provocavam sensações divergentes, eles se amaldiçoavam por terem levado as brincadeiras dela ao pé da letra e terem escolhido se camuflar entre os outros semideuses adormecidos, agora eles estavam prestes a serem desintegrados no meio de uma batalha de imortais. E se aquela garota não tivesse sido empalada por uma lança naquele momento, eles com certeza fariam algo pior depois.

A sensação de impotência era terrível, seu orgulho havia sido esmagado a muito tempo e agora eles entendiam o significado da frase “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”. Parecia que eles conseguiam ouvir a risada dela ao longe se divertindo com a situação comicamente trágica dos dois. “Não ousem morrer”. Até parece que ela se preocupava com eles, mas de qualquer forma essa ordem seria quase impossível de se cumprir e os dois assistiriam de camarote a uma das maiores batalhas de todos os tempos, infelizmente, o preço do ingresso para tal espetáculo se mostraria caro demais.

Silêncio

Nem mesmo o vento ousava cruzar a cortina de ferro que havia se estabelecido após a declaração da deusa da sabedoria. Percy permanecia de cabeça baixa, seus cabelos caíram sob seus olhos por efeito da gravidade, os braços soltos sem vida ao seu lado, uma profunda tristeza tomou conta do seu amago.

Por que?

Por que tudo era sempre com ele? Por que todo tipo de mal sempre se abatia sobre ele? Por que as pessoas que ele amava sempre morriam? Sua família, sua felicidade, seus sonhos tudo fora dizimado pelos deuses, tudo o que ele estimava sempre se desfazia na frente dos seus olhos sem que ele ao menos tivesse a chance de tentar lutar contra isso, como um punhado de areia que inevitavelmente escorria por entre seus dedos. Seus amigos, seu padrasto, sua mãe, sua irmã...

Helena

Seu peito ardia com uma dor excruciante, seus olhos se encheram de mais lagrimas que caíram com a contração dos músculos do rosto, a face que antes trazia apenas tristeza e descrença se enchera de puro ódio. Seus punhos foram cerrados com tanta força que quase dilaceram a carne, e o resultado de tamanho descontrole emocional foi a explosão de sua aura, uma energia esverdeada começou a transbordar dos seus poros e a circunda-lo como chamas de um grande incêndio, e diante disto, a neve ao seu redor se dispersou e virou vapor, o chão se quebrou em meio a rachaduras no solo, ao passo em que fortes correntes de vento açoitaram as arvores e empurraram os que estavam mais próximos.

Percy ergueu sua cabeça e mirou Atena como uma fera almeja sua presa, como se todo o resto do mundo tivesse desaparecido e perdido a razão, tudo o que importava era que a assassina de sua irmã estava ao seu alcance.

A energia que antes o circulava como grandes labaredas descontroladas se condensou em uma cúpula de energia pura ocultando-o do resto do mundo. Os deuses observavam o imortal agora tensos sem saber qual decisão tomar: Atacar ou aguardar? Eles não sabiam, nem mesmo a líder sabia, Atena olhava a explosão de fúria de Percy com uma falsa expressão de calma, ela sabia que estaria em grande risco quando ele a atacasse e quando o fizesse ela precisaria lutar com todas as suas forças para sobreviver, pois como ela havia comprovado, a quantidade de poder liberada pelo Night Shadow superava a sua em muito.

Enquanto isso, os Night Shadows não esperaram nem mais um único segundo a batalha final havia começado e tudo seria provado naquele instante. Akame se voltou aos semideuses que observavam a tudo atônitos e lhes ordenou.

— Voltem para dentro agora e não saiam ou olhem para fora de jeito nenhum, tranquem tudo e protejam o Palácio. – Ela gritou para se fazer ouvir em meio a forte ventania que castigava a região. – Agora!

Os heróis não tardaram em acatar as ordens, em questão de segundos o portão dourado foi fechado, e todos adentraram na razoável segurança das fronteiras magicas da muralha.

Cientes do que seu líder pretendia os seis imortais tomaram posição ao lado da redoma de energia alguns passos atrás da mesma, fecharam os seus olhos e assumiram posições firmes e expressões concentradas como as de uma estátua. Não demorou muito e os Night Shadows estavam envoltos em meio a fabulosas cúpulas de energia multicolores semelhantes à de Percy. O campo gravitacional próximo a eles era esmagador, chegando a atrair galhos e pequenas pedras. Percebendo o perigo Atena finalmente decidiu se mover.

— Assumam suas formas divinas! – Gritou ela.

Os deuses olimpianos hesitaram por um instante ainda descrentes que a batalha chegara a tal ponto que seria necessário o uso de seus plenos poderes logo de início, porém, os deuses menores não se mostraram nem um pouco relutantes em entrar em modo divino. As sucessivas liberações de poder provocaram a formação de tempestades, ondas gigantes, furações, nevascas e quedas de raios por toda América do Norte. A natureza respondia a gigantesca concentração de poder divino que quase abalara a névoa e o tecido dimensional.

As colunas de luz divina diminuíram revelando os deuses em sua forma original, tão bela e esplendorosa que nenhuma mente mortal suportaria o seu simples vislumbre. Criaturas que pareciam terem sido concebidas pela luz brilhavam tão intensamente que transformaram o costumeiro dia cinzento do norte canadense em uma explosão caleidoscópica, seus membros assim como os seus corpos perfeitos e atléticos eram banhados em dourado, todos eram exatamente iguais salvo duas características, seus trajes de batalha e sua estatura. Enquanto os deuses olimpianos tinham mais seis metros de altura, os deuses menores tinham aproximadamente pouco mais da metade.

Na margem oposta do campo, a esfera de energia esmeralda finalmente regredia revelando a forma divina de Perseu. Seu corpo havia mudado radicalmente, mas não era algo que chegasse perto dos seus progenitores, era algo mais... intenso, natural, humano. Assim como os deuses ele brilhava e emitia uma energia esmeralda forte e feroz, mas sua aparência não causava temor, era algo diferente mais parecido com encanto, esplendor.

Ele havia crescido vários centímetros e assim como os deuses menores tinha aproximadamente três metros de altura, sua pele branca havia adquirido um tom curioso que se combinava com a cor de sua própria essência. Uma armadura feita de uma fusão de Ouro Imperial, Aço Estige, e Adamantium cobria o seu corpo. Seus cabelos haviam se tornado pretos como se tivessem sido tingidos por trevas, a medida em que seus olhos se abriram lentamente revelando um incrível verde florescente.

Vagarosamente ele abriu a palma de sua mão, sua espada se materializou revelando a arma que ele não usava desde sua última batalha contra Tártaro. Venatrix Tenebrarum foi posta em riste, e a energia que antes o cobria foi repassada a espada que começou a arder com o forte poder concentrado.

Vendo a sua completa transformação os deuses finalmente se colocaram em posição de ataque, alguns deuses menores tomaram a frente se interpondo entre a presa e o predador. Phobos e Deimos filhos imortais de Ares se dispuseram a correr em direção ao filho de Poseidon, os dois não eram muito conhecidos por sua inteligência e esse ato comprovou a sua fama.

Percy em sua velocidade sobre-humana flexionou os joelhos e com um único salto cobriu toda a distancia entre eles, o Night Shadow nem ao menos se deu ao trabalho de interceptar os ataques dos filhos de Ares e simplesmente os partiu ao meio com um único golpe horizontal, o imortal firmou os pés no chão e se lançou em uma corrida em linha reta, Hécate lançou uma forte magia que simplesmente foi rebatida com a lamina de Venatrix e se chocou em algum ponto aleatório abrindo uma perfuração no solo, e antes que alguém pudesse fazer algo mais ele finalmente alcançou seu objetivo.

Atena o esperava com sua lança e o escudo Aegis em mãos, e fez uso dele para aparar o primeiro golpe desferido, a força empregada no ato a empurrou vários passos para trás mesmo ela valendo-se do escudo lendário. Percy ainda continuou a aplicar sucessivos golpes até que teve de se desviar de um martelo flamejante que esmagaria sua cabeça, Hefesto tentou pará-lo, mas o imortal não o deu atenção e saltou por cima de sua cabeça. Mais alguns passos a frente ele se viu defronte a um antigo inimigo, Ares o esperava com um olhar psicótico e uma espada em mãos, os dois trocaram vários golpes que espalharam rajadas de luz, fogo, e energia por todo o entorno.

Mas ironicamente o destino decidiu resolver a peleja revivendo um momento marcante para ambos. O deus da guerra com um golpe incrivelmente veloz tentou decapitar Percy, mas neste instante ele rolou pela lateral e antes que o deus tivesse tempo de se defender ele decepou seu pé direito na altura do tornozelo fazendo-o soltar um grande berro de dor, enquanto seu icor jorrava abundantemente no chão. Ares caiu de joelhos praticamente indefeso, sua cabeça se desprendeu e caiu no chão antes mesmo que o deus percebesse seu fim, seu corpo despencou já sem vida pondo fim ao curto embate.

Ver Ares naquele estado era extremamente satisfatório, mas mesmo assim não era ele quem interessava ao filho de Poseidon, que rapidamente se pôs a correr novamente para seu alvo. No caminho, grossas vinhas tentaram se enrolar em seus pés, mas foram quase que instantaneamente incendiadas pela aura de Perseu que finalmente se viu livre de obstáculos.

Atena tentava recuar para ganhar terreno, mas ele não a daria essa chance, o Night Shadow concentrou ainda mais poder na ponta da espada e direcionou um golpe reto como se fizesse uso de um florete. Era uma jogada perigosa e ousada, mas a lógica não importava. A ponta da lâmina se aproximava da deusa em uma velocidade alarmante, tanto que ela não conseguira posicionar corretamente o escudo, o golpe a atravessaria com certeza não fosse a intervenção de seu aliado.

Um gigantesco bloco de gelo em forma de um cone pontiagudo com mais de quinze metros surgiu inesperadamente do chão e lançou o Night Shadow longe.

Poseidon usara um grandioso ataque para parar o seu filho, Percy caiu a vários metros de onde estavam os deuses e assim que seus pés tocaram o chão uma coluna de gelo de trinta metros o prendeu em uma câmara gelada.

Quione ofegava com as suas mãos rentes ao solo, ela usara todo o seu poder para criar a prisão de gelo como pedido por Atena, que ao ver o relativo sucesso do seu plano sentiu um certo alivio, aliado a uma porção de descrença.

A estratégia traçada por ela contava com alguns imprevistos como a morte da filha mortal de Poseidon e a consequente explosão de fúria do inimigo, mas o aprisionamento do antigo herói era justamente o que ela queria, rapidamente Hefesto entrou em ação e seus autômatos lançaram diversas correntes de ouro e bronze celestial, os encantamentos selariam até mesmo os imortais mais fortes, incluindo os três grandes.

— O que acha? – Poseidon se aproximou.

— Ainda não sei, teremos de esperar pra ver, mas enquanto ainda temos tempo... – A deusa se voltou novamente para o campo, mas para sua surpresa ela o encontrou vazio, nem mesmo os corpos das centenas de heróis estavam mais lá. – O que aconteceu? Para onde...

Notas finais
"Mas por que você não deixou o Percy mitar mais?" Eu sei que vocês estão pensando isso, mas vocês terão a resposta nos próximos caps. Deixe um comentário se gostou, até mais.