Night Shadow
7 O Começo - Parte 2
Notas iniciais
Empire State Building – Monte Olimpo
Pairando acima da cidade de Nova York, o Monte Olimpo reluzia sob a luz do sol da manhã. Palácios de mármore dominavam a maior parte da paisagem, cada um pertencente a uma divindade diferente, jardins com belos pomares e canteiros de flores estavam aqui e ali, ninfas e náiades cuidavam das plantas e saltitavam por entre as arvores. Grandes estatuas dos deuses decoravam as praças, anfiteatros e arenas. A gigantesca sala dos tronos com suas colunas maciças de mármore estava no ponto mais alto da montanha, e atrás dela, em um lugar pouco conhecido e de difícil acesso, onde havia um pequeno jardim com bancos de mármore, e uma fonte que jorrava agua cristalina, dois deuses conversavam em tom apreensivo.
— Há algo que vem me preocupando a algum tempo pai. – Disse a deusa da sabedoria. –
— E o que seria? Estamos em um período de paz agora, nossos inimigos foram derrotados e aprisionados, nada pode nos atingir. – Afirmou Zeus em um tom despreocupado. –
— Temo que o senhor esteja equivocado, não podemos esquecer que o Jackson está desaparecido a anos, e com ele uma informação vital, os heróis não podem descobrir a verdade por trás de toda esta história. Além disso, os desaparecimentos dos semideuses novatos, também me preocupam. Algo está acontecendo sem o nosso conhecimento, e tenho quase certeza de que o garoto está envolvido nisto. – Afirmou Atena em um tom convicto. –
— Você não pode ter considerado aquelas ameaças vazias não é Atena? Ele era só um semideus e a energia de Gaia não era algo tão grande para torna-lo uma ameaça, ele provavelmente está vivendo escondido como um rato, porque sabe que na primeira vez que der as caras, vamos executa-lo e exibir sua cabeça para servir de exemplo. Quanto ao problema dos Heróis, isso deve ser apenas um aborrecimento qualquer, eles mesmos devem resolver seus problemas. – Zeus disse sem se preocupar com os avisos da filha. –
— Você pode estar certo. – Respondeu Atena em um falso tom de aceitação. – Mas o ocorrido há dois anos atrás não foi um aborrecimento qualquer, aquela energia imortal foi algo que eu nunca tinha sentido antes, foi forte e antigo, quase como...
— Primordiais. – Completou Zeus envolto em pequenos raios azuis que o circulavam respondendo a sua raiva. – Eu já tinha dito para não tocar neste assunto Atena, os Primordiais que estão acordados não tem interesse no mundo mortal, e é impossível que outra coisa possa mostrar tanto... poder. – Sibilou Zeus, como se doesse reconhecer que existiam seres mais poderosos que ele no universo. –
— Sim e eu tinha ouvido muito bem, peço perdão por insistir, mas acho que apenas ignorar os problemas até que eles estejam no nosso colo, é algo insensato. – Disse ela dessa vez sem prever o impacto de suas palavras. –
— Está questionando minha liderança? Acha que poderia fazer melhor? – Bradou Zeus fazendo surgir uma redoma de nuvens negras acima de si –
— Nunca, perdoe-me pai – Atena tratou de desculpar-se pois apesar de ser racional como um bezerro, Zeus não era o rei dos deuses sem nenhum motivo. –
— P-Pai? – O momento de fúria do deus foi interrompido por um indivíduo receoso –
— Jason, o que faz aqui? Como encontrou este lugar? – Zeus perguntou mais contido. –
— Eu estava procurando-o, tentei na sala dos tronos, no seu palácio, e em outros lugares, até que senti sua energia vinda daqui, pensei que pudesse ser algum problema e vim ver se precisava de mim. – Respondeu o deus menor rapidamente, afinal nunca tinha visto seu pai furioso daquela maneira. –
— Tudo bem, mas há alguma coisa importante que queira me dizer? Se não, pode ir embora. – Ordenou o deus dos trovões. –
— Na verdade é algo muito importante. – Revelou Jason – Temo que tenhamos um traidor entre nós.
— Conte-nos o que sabe – Disse Atena agora atenta ao relato do deus menor –
— O filho de Hades, há algumas semanas ele vinha se comportando de forma diferente, um pouco suspeita eu diria. Por isso, decidi investiga-lo por conta própria para tirar as minhas dúvidas, e então comecei a segui-lo sem que ele percebesse. E hoje eu o flagrei tendo uma conversa no mínimo suspeita com uma mulher, e no final eles ainda se beijaram, creio que ele está conspirando contra nós. – Afirmou Jason –
— E quem era a mulher? – Perguntou Atena – Você ouviu o conteúdo da conversa?
— Bom, eu...- Hesitou ele –
— O que? – Zeus estreitou os olhos –
— Eu não pude chegar perto o suficiente para ouvir perfeitamente o que eles diziam, consegui ouvir apenas algumas partes, mas eu pude deduzir que tinha algo haver com a missão que nós enviamos hoje para o norte. – Explicou ele –
— Então, você espera o que? Ganhar uma medalha? – Questionou Atena com um ar cético –
— Eu apenas quis informa-los de uma possível ameaça Lady Atena. – Jason respondeu contrariado –
— Já chega, você fez bem em nos contar suas suspeitas, vá ao acampamento e nos traga Nico Di Angelo, se ele for mesmo um traidor nós descobriremos, e então ele enfrentará nosso julgamento. – Decretou o Rei dos deuses –
— Perdão pai, mas eu sugiro que não façamos nada por enquanto. – Aconselhou a deusa –
— Como? O que aconteceu com aquela conversa de ignorar os problemas? – Ironizou ele –
— Esta é uma situação diferente, devemos continuar observando ele para conseguir informações mais concretas. – Disse ela olhando para o deus menor. – Quanto à missão, está claro que ela tem uma importância muito maior do que a que estamos lhe dando, devemos enviar alguém para acompanhar os heróis á distancia, e obviamente, sem deixar que o Di Angelo saiba, assim descobriremos o que está acontecendo.
— Então, que assim seja, leve o Valdez, a Chase, e a Levesque com você e siga os semideuses à distância, só interfira se for extremamente necessário, e cuide para que o filho de Hades permaneça bem ocupado e não note as ausências. – Zeus convenceu-se das palavras da filha -
— Tudo bem pai, será como deseja. – Disse Jason se curvando levemente e desaparecendo em meio a raios azuis. –
— Creio que não temos mais assuntos a tratar. – Falou Atena já se afastando. –
— Atena. – Zeus a chamou antes que partisse – Você realmente acredita que estamos ameaçados? –
— Veremos, papai, veremos. – Respondeu ela ironicamente e desaparecendo em uma luz dourada. –
Florestas do Norte do Canada – Alguns dias depois.
Amanhecia no hemisfério norte ocidental do planeta, os primeiros raios de sol iluminavam o dia, e a luz refletia sobre a superfície branca gelada que cobria toda a região. Os pinheiros que dominavam a maior parte da vegetação, estavam cobertos pela neve que caíra na noite anterior. E logo abaixo de uma elevação no terreno, havia uma pequena caverna que servia de abrigo para ursos e outros animais, durante as tempestades. No entanto, naquele momento a caverna era ocupada por três semideuses que se preparavam para deixar o local, após a noite de descanso.
A missão deles até ali tinha sido relativamente fácil, pelo menos o que se pode considerar fácil para um semideus. Durante o caminho eles tinham se deparado com poucos monstros, e os que enfrentaram foram derrotados sem muita dificuldade. Aquilo teoricamente deveria ser motivo de alegria, provavelmente eles deveriam agradecer a Tique ou a Fortuna, pela grande sorte que tiveram. O problema era que sorte era uma coisa inexistente ou muito suspeita para os semideuses, e numa missão como aquela, isso era motivo de muita preocupação, algo estava errado, estava fácil demais, por isso eles se preparavam para o que quer que fosse acontecer dali em diante. Há poucas horas de caminhada do seu destino, os semideuses estavam nervosos, bom, pelo menos dois deles estavam, por que Helena que quase não trocara duas palavras com seus companheiros durante a viagem, estava animada, algo a dizia que o que ela encontraria no final daquela missão mudaria o rumo de sua vida a partir dali.
Enquanto aguardava os outros terminarem de guardar suas coisas e acabarem o quer que estivessem fazendo, Helena olhava para a direção que seguiriam a partir de agora, segundo o mapa dado pelo lobo gigante e falante (longa história), eles teriam de caminhar apenas mais alguns quilômetros para chegar ao local citado na profecia. E se os seus instintos estivessem certos era lá onde eles encontrariam as respostas para o desaparecimento dos semideuses, e também onde eles enfrentariam o seu maior desafio. Depois de ouvir que os dois inúteis filhos de Zeus e Hades (mais uma longa história), Justin e Aaron haviam terminado e que vinham na sua direção, ela decidiu não perder tempo e começar a andar adentrando na floresta. Enquanto caminhava pelo chão coberto de neve, seus pés afundavam levemente no gelo, fazendo-a ouvir seus próprios passos, aquele era o som mais audível naquele local, onde pouca vida sobrevivia ao frio intenso, a brisa gelada que corria por entre as arvores, passava pelas diversas camadas de tecido que a cobriam, e fazia ela se encolher-se sob suas roupas pesadas. A única parte do seu corpo que não era coberta era seu rosto, seus olhos verde-mar de um brilho intenso fascinavam qualquer um, seu belo rosto era daqueles que impressionavam até mesmo o mais crítico, sua pele branca e perfeita realçava ainda mais sua beleza, e seus cabelos cor de mel eram cobertos por uma touca que protegia sua cabeça. Na verdade, naquele momento ela parecia mais um boneco de neve do que uma guerreira devido as suas vestes, seu tamanho também era algo que seus inimigos estavam acostumados a debochar, mas não havia nenhum para confirmar a história, se é que me entende.
Passados poucas horas do início do percurso, o terreno começou a tornar-se íngreme, e os heróis sentiram que estavam se aproximando do seu destino. Ao longe eles puderam vislumbrar as torres gigantescas de um palácio erguido no alto da montanha, e internamente se perguntaram como algo daquele porte estaria ali sem o conhecimento de ninguém. A medida que se aproximavam eles puderam sentir crescer a sensação de que estavam sendo observados, e certamente estavam. Saindo de dentro da floresta eles encontraram um caminho aberto que os levavam em direção ao palácio. A grande muralha de gelo que cercava o lugar já era visível juntamente ao grande portão de ouro maciço. Era uma visão incrivelmente bela, tanto que eles permaneceram parados a alguns metros da entrada do lugar, parecendo hipnotizados pela beleza do palácio, até que foram despertos pela fala do homem encapuzado que os observava.
— Bem-vindos semideuses – Pronunciou-se o homem que os observava do alto de uma arvore atrás deles. –
— Quem é você? – Perguntou Aaron, virando-se em direção ao desconhecido –
— Nós somos os Night Shadows, Nascidos do Sangue da Escuridão, Abençoados pela Noite, Proclamadores da Nova Era, Protetores da Ordem e da Justiça, e Senhores deste Palácio. – Respondeu uma mulher também encapuzada que havia surgido em cima da muralha de gelo, deixando os heróis entre os desconhecidos. –
— Night Shadows? – Aaron repetiu -
— Imagino que tenham perguntas para nos fazer. – Disse o homem. –
— Vocês ainda não nos responderam, queremos saber seus nomes, e onde estão os semideuses desaparecidos. – Indagou Helena –
— Eu sou Thalia Grace, Filha de Zeus, ex-comandante das caçadoras de Artémis, e vice-líder dos Night Shadows. – Respondeu ela saltando de cima da muralha e retirando o capuz. –
— Uou, eu já ouvi falar dela, ela é irmã do senhor Jason, mas ela não estava morta? – Justin se perguntou em voz alta. –
— Sim, sou eu mesma, “irmãozinho”. – Disse ela com um sorriso meio irônico. –
— Então você é minha irmã? – Perguntou ele debilmente –
— Não temos tempo para os seus encontros familiares, idiota. – Helena o repreendeu –
— Cale-se sua covarde inútil. – O filho de Zeus respondeu com agressividade -
— Eu sou o líder deste grupo de imortais, e essa é a única informação que terão de mim no momento, quanto aos semideuses, eles estão conosco, e estão bem. – Falou o homem elevando o tom voz para interromper a troca de insultos, e também saltando do galho da arvore em que se encontrava. –
— Acha mesmo que somos idiotas o bastante para acreditar nisso? – Aaron, o filho de Hades perguntou ironicamente. –
— Eu acho que sim. – Saindo de dentro da floresta juntamente com outros quatro Heróis, Danny, o líder do esquadrão beta do exército dos Night Shadows anunciou sua presença aos semideuses do acampamento. -
Os semideuses que escolhiam o caminho da espada e que foram acolhidos pelos imortais, eram divididos em pequenos esquadrões, cada um com seu líder. Juntos eles formavam um pequeno exército de pouco mais de cem semideuses altamente treinados.
— Quem são vocês? – Justin perguntou pela terceira vez em menos de três minutos de conversa. –
— Somos as pessoas que estavam seguindo vocês desde que passaram pela fronteira, e o fato de não terem nem desconfiado disto, nos diz bastante sobre a sua inteligência. – Sidney falou ironicamente, uma garota de apenas dez anos, mas dotada de uma força e inteligência impensáveis mesmo para um semideus adulto. Ela era uma das mais fortes e promissoras integrantes do exército liderado por Akame. – E também somos os semideuses que vocês estão procurando.
— Então vocês sabiam que estávamos vindo. Por que nos seguiram? O pretendem com tudo isso afinal? – Helena questionou –
— Apenas queríamos garantir que chegassem até aqui em segurança. – O encapuzado falou –
— E quanto ao nosso objetivo, é bastante simples. – Thalia começou – Nós vamos destruir os Olimpianos e restabelecer a ordem e a justiça. E cabe a vocês, Semideuses, decidirem se vão ou não nos apoiar.
— O que? – Os filhos de Zeus e Hades falaram ao mesmo tempo. -
— Mas que absurdo, pretendem destruí-los? Vocês nunca vão conseguir, veja quantos tentaram, Titãs, Gigantes, e até mesmo uma Primordial, o que faz vocês pensarem que vão conseguir? Ordem e justiça? Que piada, isso não existe, eles podem não ser perfeitos, mas são melhores do que hipócritas como vocês. – Helena afirmou com raiva –
— Eu entendo como você se sente Helena, sei pelo o que você vem passando, mas saiba que a maioria das histórias contadas pelos Olimpianos são mentiras contadas para manter sua imagem e o apoio dos seus filhos. – Disse o Homem se aproximando –
— Você não sabe de nada, não tem como saber, e não adianta quantas mentiras nos contem, não vamos acreditar. – Ela respondeu sacando sua espada. –
— Sim, eu sei pois venho a observando, e também porque eu estava em todas as guerras que vocês apenas ouviram falar, e sei que podemos ganhar porque eles não tem mais uma coisa... – Falou ele abaixando o capuz – Eles não têm a mim.
— Você...- Balbuciou ela –
— Sou Percy Jackson, filho de Poseidon, e o homem que salvou os Olimpianos da destruição diversas vezes. Em incontáveis oportunidades eu arrisquei minha vida para manter no poder seres que me condenaram a morte, por medo e paranoia. Os Olimpianos não são mais dignos de nos governar, e assim como os Titãs perderam esse direito há milhões de anos atrás e foram destronados por seus próprios filhos, agora a história vai se repetir mais uma vez, e nós tomaremos o seu lugar e restauraremos a ordem. – Percy discursou gravemente –
— Não pode ser... – Justin desacreditou –
— Você... você é ele. Por que, por que está aqui? – Helena perguntou com a voz vacilante. –
A semelhança entre ela e Percy era indiscutível, o mesmo tom de cabelo, os mesmos traços faciais e os mesmos olhos. Olhos de quem já viu demais o lado escuro da vida.
— Helena, sei que isso não vai apagar nem mudar nada, mas eu sinto muito pelos tormentos que você já passou por minha culpa. E eu sei que agora você não quer ouvir nada disso, e que sente muita raiva, mas eu queria que você me deixasse cuidar de você. – O líder dos Night Shadows disse olhando com remorso para a irmã que olhava para o chão com um olhar perdido. -
— Bom, isso é realmente uma surpresa. – Uma voz veio de dentro da floresta, interrompendo-os. –
— Eu não diria o mesmo meu caro, sentimos seu cheiro de enxofre a quilômetros. Sejam bem-vindos meus “amigos”. – Thalia anunciou enquanto caminhava em direção a Percy, ficando ao lado do mesmo. O esquadrão beta havia os alertados da presença dos deuses, há alguns dias. –
— Thalia, então você está viva, que decepção irmãzinha, se juntando com um traidor como este. E você, pensei que nunca mais fosse vê-lo, Percy. – Jason retrucou aparecendo juntamente com seus companheiros em frente ao seu ex-amigo. -
— O que aconteceu com você Percy? E você Thalia, por que está aqui? – Annabeth perguntou olhando-os com pena –
— Guarde suas falsas preocupações para você mesma filha de Atena, e me digam o que exatamente vocês vieram fazer aqui? – Percy respondeu em tom gélido, completamente oposto ao que usava anteriormente. –
— Nós recebemos ordens de observar o andamento da missão destes semideuses, não sabíamos o motivo, mas agora eu posso entender. As histórias de que você era um traidor realmente são verdadeiras. – Leo acusou –
— Eu nunca pensei que fosse capaz disto Percy, e você Thalia mesmo sem a conhecer muito bem eu nunca esperaria isso de você. – Hazel lamentou –
— Serio? Porque quando vocês foram perguntados sobre a veracidade da história de que Percy era um traidor, vocês não precisaram ver com seus próprios olhos para acreditar, vocês o acusaram sem nem pensar duas vezes, estavam tão cegos pelo poder que haviam recebido que tudo o que importava era a maldita vidinha de deus menor que teriam pela eternidade. – Thalia cuspiu a verdade na cara deles –
— Bom, nada disto importa agora, o fato é de que ouvimos toda a conversa que tiveram e temos suas confissões, como ordenado pelos deuses devemos executar esta escoria agora, e você Thalia virá conosco para se explicar para o nosso pai. – Jason disse com tranquilidade. –
— É mesmo? Realmente acha que é capaz? – Percy respondeu com ironia –
— Percy, por favor não faça isto mais difícil do que já é, você está em menor número e em desvantagem, por favor não resista. – Annabeth tentou convence-lo –
— Talvez eu deva ensina-los uma pequena lição agora, e mostrar quem são os verdadeiros traidores por aqui, vocês não passam de imortais fracos, que só servem como peões, e como dito nos seus próprios nomes: menores. Vou fazer com que entendam quais são os seus lugares nesta guerra. – O líder dos Night Shadows disse retirando o sobretudo que usava sobre a sua capa. –
— Você nos subestima seu verme, somos deuses, e você o que é? Apenas um verme rastejando no chão e clamando por alguma atenção, eu mesmo vou mata-lo. – Jason disse em um tom cortante -
— Então... – Percy começou, mas foi interrompido. -
Ele desviou rapidamente de um golpe horizontal de espada direcionado a suas costelas, Helena o atacava com ferocidade e lagrimas nos olhos, ele apenas desviava evitando qualquer reação. Jason sorria ironicamente, e os outros olhavam confusos aquela cena. Thalia apenas se mantinha focada nos deuses menores, para evitar qualquer intromissão, ela sabia da complicada relação entre os irmãos. Aaron e Justin apesar de não se importarem muito com a companheira partiram para ajudá-la, porém Danny e seu pequeno grupo se interporão entre os irmãos e os semideuses.
— Vocês não devem se intrometer. – Danny ameaçou –
— Sua luta é conosco. – Sidney falou sacando seu par de adagas, e partindo para cima dos semideuses. –
— Por sua culpa, tudo, tudo foi sua culpa, eu te odeio, eu vou te matar. – Helena falava enquanto tentava golpeá-lo. –
— Pare. – Percy segurou a ponta da espada com a mão, fazendo um liquido azul claro semelhante ao visto nas estrelas, verter do pequeno corte aberto pela lamina de bronze celestial. – Eu sei que você me odeia e que quer me matar, você tem todo o direito de se sentir assim. Mas você tem de saber de todos os fatos, antes decidir o que vai fazer. -
Com a espada em sua mão e um simples movimento, ele desarmou ela, e a puxou pelo braço, trazendo-a para perto e tocando sua testa com a ponta dos dedos. Através dos seus poderes imortais, ele a fez ver suas próprias memorias dos últimos anos, desde quando ainda era o semideus mais sortudo do mundo, que havia levado sua incrível namorada para um maravilhoso encontro no Tártaro, até quando decidiu que mudaria o mundo, tudo em apenas um segundo. O efeito de receber tantas informações dentro de um curtíssimo intervalo de tempo, foi a tontura e a confusão. Helena não podia acreditar em tudo no que ele havia passado até ali, os seus problemas pareciam insignificantes perto daquilo, e mesmo assim, ele estava lá desafiando a tudo e a todos. No entanto, negar tudo em que acreditava de uma hora para outra não era fácil, era impossível, mesmo assim ela decidiu baixar a guarda por um momento, se permitindo chorar em seus braços.
— Ora, ora que momento emocionante. – Disse Jason enquanto batia palmas. – Vejo que ambos são iguais, eu ainda acreditava que ela seria útil em algum momento, mas acho que me enganei, teria sido melhor se aqueles monstros imprestáveis tivessem cumprido o seu papel. –
— O que? – Percy estreitou os olhos enquanto mantinha os braços protetoramente ao redor de Helena –
— Seu idiota, isso é um segredo, eles não podem saber. – Annabeth demonstrou algum sentimento pela primeira vez. –
— Do que vocês estão falando? – Leo perguntou, ele e Hazel tinham as mesmas faces confusas. -
— Foda-se, não importa mais, todos aqui vão morrer mesmo. E vocês vão ficar de bico calado de todo modo. É melhor eu me divirta vendo suas reações enquanto conhecem a verdade. – Jason desdenhou – Há algum tempo Percy, os deuses decidiram procura-lo com mais afinco, e usar de outras maneiras para encontra-lo. Você poderia ter aliados, pessoas que talvez o ajudasse a se esconder ou que conhecessem o seu paradeiro, e adivinhe quem nós procuramos primeiro... –
— Do que você está falando, seu desgraçado. – Percy começou a se irritar. –
— Ou certo, você não sabe, não é? – Ele continuava a provocar – Há exatamente doze anos quando nós fizemos nossa troca entre acampamentos, em que você desapareceu por oito meses. O senhor Poseidon decidiu fazer uma pequena visita a sua mãe. Ela estava um pouco... fragilizada pelo desaparecimento do filho e da morte “repentina” do marido, se é que me entende. E bem adivinhe o que foi gerado daquele encontro? Isso mesmo, mais uma criança proibida, e imagine a surpresa de Zeus em meio a toda aquela confusão de guerra contra Gaia, dupla personalidade, e tudo mais, ao saber que o seu irmão deu mais uma escapadinha, e com a mesma mortal, parece familiar não é mesmo Thalia? – Disse sorrindo para a irmã. -
— Devido a tudo aquilo, o assunto foi esquecido, mas um ano atrás, quando percebemos que sua mãe poderia saber onde você estava, a questão voltou à tona, e então decidimos matar dois coelhos, e enviamos alguns monstros para capturar as duas, infelizmente não contávamos com o fato de que a menina seria tão covarde ao ponto de abandonar a mãe, mas pelo menos tínhamos as duas em nossas mãos, tentamos de todas as formas fazer com que... como era mesmo o nome... Mally, Saddy? A não Sally, isso... Sally falasse algo que nos desse alguma pista sobre o seu paradeiro, mas infelizmente ela realmente não sabia. Soube que ela resistiu muito bem no início, não gritava, nem esperneava, nada de clemencia, nem ao menos um som, mas depois de um tempo tudo o que se ouvia eram seus gritos de dor e agonia, enquanto ela implorava para que a matassem, uma mulher corajosa eu tenho que admitir... Pena que não transferiu isso para a filha... Duas semanas dá para acreditar? Uma simples mortal aguentou duas semanas...
— Cale-se. – Thalia gritou quase avançando em direção ao irmão para quebrar seu pescoço. –
— Thalia. – Percy disse com a voz fria e cortante como gelo, mas em um tom baixo, muito pior do que um grito. – Afaste-se. –
— Seu desgraçado filho da puta, eu vou te matar. – Helena gritou tentando sair dos braços de Percy, mas sem sucesso, com um pequeno golpe na nuca ele a desmaiou e a colocou lentamente no chão. –
Sem dizer nenhuma palavra e com um semblante vazio, ele se encaminhou a passos lentos em direção aos deuses menores, que mexiam inquietos em razão de tudo o que foi dito.
— O que? Acha que vai me matar agora e ter sua pequena vingança ou será... – O filho imortal de Zeus começou a debochar, sem conhecer o risco. –
Percy permitiu que todo o sentimento guardado dentro de si se libertasse como as aguas de uma represa que se rompia. A explosão de poder foi tão intensa que todos os não imortais presentes desmaiaram na hora, e todos os outros, exceto Thalia que havia percebido o que iria acontecer e havia se afastado, ficaram aterrorizados tamanha a pressão que a energia liberada pela fúria do filho de Poseidon exercia sobre eles. O olhar presente nos olhos de Percy era direcionado a apenas uma pessoa que não conseguia mover um único musculo diante daquele olhar. Tudo aconteceu em menos de um segundo, num momento, Percy estava caminhando a alguns metros de Jason, e no outro ele estava com a mão dentro do seu peito puxando seu coração para fora, enquanto o erguia acima do chão pelo pescoço. Icor dourado jorrou em abundancia, quando Percy esmagou o coração em frente aos olhos do filho de Zeus. Os deuses menores ficaram em estado de choque ao presenciar aquela cena, mas não por muito tempo, depois de alguns segundos vendo o antigo companheiro sangrando até a morte, cada um deles se tele portou para o mais longe dali. O filho de Poseidon encarava os olhos já sem vida daquele cujas palavras o feriram mais do que qualquer outra lamina, o liquido que dava vida ao deus manchava todo o seu corpo, seu rosto coberto de icor ainda sustentava a mesma face desprovida de qualquer sentimento. Lentamente o corpo do deus se desfazia em pó dourado que se espalhava pelo ar levado pelo vento gélido da região, Percy permaneceu parado da mesma forma até que tudo que suas mãos seguravam era apenas um pequeno punhado de pó.
— Percy? – Thalia se aproximou lentamente do primo tentando obter alguma resposta. –
— Leve os semideuses de volta ao acampamento quando acordarem, diga-os para contar o que viram. E cuide de Helena, até que eu retorne. – Ele disse depois de um tempo. –
— Mas para onde você vai? – Perguntou ela com angustia. –
— Vou encontrar a justiça. – Logo após ele desapareceu em um grande raio de luz verde. -
Thalia suspirou e passou as mãos pela cabeça, ela não imaginava o tamanho da dor que Percy sentia naquele momento, e conhecendo-o como ela o conhecia, ela sabia que ele iria se martirizar para sempre pela morte da mãe. Olhando para Helena que estava juntamente com os outros semideuses desmaiados no chão coberto de neve, ela percebeu que dali em diante as coisas somente ficariam piores, principalmente para aquela pequena garota que mais do que qualquer um precisaria do irmão ao seu lado.
— Por favor volte logo... – Ela disse enquanto voltava seus olhos para o triste e mórbido céu acinzentado. —
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