Night Shadow

6 O Começo - Parte 1


Notas iniciais
VOLTEEEEEEEEIII... kkkkk depois de mais de dois meses sem postar, eu finalmente estou de volta com a continuidade da historia. Bem, durante este período eu tive bastante tempo para planejar esse capitulo e o futuro da historia, inicialmente eu queria postar um único capitulo de retorno, mas como ele ficou muito grande (mais de 9000), eu decidi dividi-lo em duas partes, e no próximo domingo a segunda parte será postada. Outra coisa que gostaria de avisa-los é de que eu mudei algumas coisas que provavelmente não vão agradar a todos, o casal por exemplo, mas a razão disto foi de que eu me lembrei do motivo pelo qual eu decidi escrever essa fic, eu queria algo diferente, que fugisse dos clichês, por isso espero que entendam, se é que ainda estão aqui, enfim... Boa Leitura!

No topo de uma grande montanha, localizada no centro de um vale formado por cadeias de montanhas e desfiladeiros. Uma leve nevasca caia dos céus, cobrindo toda a região com um imenso véu branco. Salgueiros, Pinheiros, e muitas outras arvores faziam parte da grande floresta que se estendia sobre o solo, pequenos animais corriam apressados em busca de algum alimento para saciar sua fome em meio ao inverno intenso. Rodeado pela floresta um belíssimo palácio se erguia no cume da montanha, muralhas feitas de gelo puro com mais três metros de espessura circundavam o local. Enquanto um grande portão duplo de ouro maciço entalhado com escrituras antigas oferecia passagem ao interior, o símbolo de um lobo uivando para uma lua minguante em prata minuciosamente gravado no centro do portão, levava arrepios a qualquer visitante indesejado. Dentro, grandes e belos jardins dominavam toda a área externa do palácio. Estatuas, fontes, e bancos de mármore decoravam os jardins que apesar do clima frio, era composto por diversos tipos de plantas e flores, que coloriam todo o local. Grandes lobos de uma pelagem extremamente alva, olhos azuis e ávidos descansavam debaixo das arvores e andavam calmamente pelos arredores, aqueles eram os animais símbolos da noite e guardavam o entorno do palácio. Um caminho de pedras simetricamente postas sobre o chão indicava a direção da entrada. O Palácio era uma construção com mais 300 metros de altura com sete torres dispostas em forma de um heptágono, áreas abertas ofereciam uma vista inigualável de toda a região e permeavam os arredores das torres e dos recintos, e em uma destas, uma figura chamava a atenção, enquanto observava a paisagem coberta pela neve.

O homem mantinha os olhos fixos num ponto aleatório do horizonte, enquanto uma brisa fria ondulava suas vestes que recobriam seus membros protegendo-os do frio intenso. Ele provavelmente já não saberia dizer quanto tempo se passara desde que havia permanecido ali de pé, perdido em meio aos seus pensamentos, e memorias que sempre insistiam em retornar para lhe atormentar. Suas mãos descansavam sobre o parapeito gelado de mármore a tanto tempo que já tinham deixado marcas sobre o mineral. O frio na verdade não o incomodava, aliás, muito pelo contrário, a sensação lhe enviava um sentimento de calma e de paz, algo que somente um lugar do mundo pode oferecer. O seu lar. Ainda que ele não pudesse dizer que aquele lugar sempre fora sua casa, era ali que estavam reunidas todas as pessoas que ele amava, e se isso não pudesse ser chamado de lar, então o que seria?

Ao longe uma águia voava em círculos sobre uma arvore, seus olhos afiados fixos na presa apenas aguardando o momento certo, e depois de um rasante, o pequeno esquilo que corria apressadamente pelo chão, de repente estava entre as garras do predador. A cena embora fosse algo corriqueiro na natureza, trouxera amargas lembranças ao homem. O sangue, o desespero, e a impotência, tudo o que se sente e se presencia quando a vida de uma pessoa querida é tirada em frente a seus olhos. Tudo retornou, e lhe recordou dos motivos, e das vidas sacrificadas para que ele estivesse ali hoje. No entanto, logo seus devaneios foram interrompidos pela mão que repousou sobre seu ombro.

— Não deveria estar aqui fora Percy, vamos nos reunir em breve, e não poderemos começar sem você. – Disse a mulher, ficando ao lado dele e observando o horizonte –

— Eu sei, apenas precisava de um tempo sozinho para pensar, sei que você me entende, afinal hoje fazem dois anos desde aquele dia, não é? – Percy respondeu calmamente sem desviar seu olhar, pois já havia percebido a presença dela. –

— Sim, por isso devemos iniciar nossos planos hoje. Afinal, ela se sacrificou por mim e por todos nós. E por isso, eu não posso desonra-la. Temos de vencer e restaurar a justiça a qualquer custo. – Afirmou Akame com um semblante duro, e apertando os dedos em volta do mármore que quase cedeu a tamanha pressão. –

— Sei que já ouviu isso milhares de vezes, mas sinto que você ainda se culpa pelo o que aconteceu lá. — Falou Percy agora olhando para ela, sem mencionar o nome do lugar que era um tipo de tabu entre eles. –

— Sim, eu me culpo e sempre vou me culpar, é algo que sempre terei de carregar, sua vontade, seu espirito, seus sonhos, eles sempre estarão comigo, e isso é algo que nós dois temos em comum no fim das contas. Porque apesar de esconder muito bem dos outros, eu vejo que você carrega a culpa de todos os que caíram sob o seu comando. – Disse ela olhando-o dentro dos olhos –

— Fraqueza, medo, hesitação, um líder nunca pode mostrar esses sentimentos, ele deve ser sempre forte e decidido, uma imagem ou um símbolo que todos devem olhar e se inspirar.— Disse ele com um olhar mortificado – Mas, não é como se esses sentimentos simplesmente desaparecessem, eles sempre estão lá, enterrados no fundo de nossos corações, e as vezes é preciso desenterra-los para sentir um pouco da dor. – Ele fez uma pausa e continuou -

— E nesses momentos, os rostos de todos eles aparecem em minha mente, e apesar de doer relembrar a forma de como todos eles se foram, de alguma forma isso fortifica ainda mais o meu desejo de mudar este mundo. – Finalizou ele apertando os punhos, e mirando o chão. –

Para Akame aquelas palavras recheadas de dor ditas por ele, eram como ouvir a voz do seu próprio coração, que finalmente exprimia suas dores, a tanto trancafiadas na parte mais profunda do seu ser. Percy talvez fosse o único que a entendesse completamente, a dor era algo que os unia de uma maneira muito forte, pois como ela ouvira um dia, a dor era algo que fazia as pessoas se entenderem verdadeiramente. E quando as lembranças da perda de sua amada irmã, retornavam a sua mente, somente a presença e o olhar de Percy a fornecia algum alento. Aqueles olhos verdes de uma profundidade sem igual, sempre a olhavam com um carinho que fazia seu peito se encher de algo completamente desconhecido para ela, algo que a amedrontava de certa forma, pois ela tinha receio mais uma vez tornar-se dependente de uma pessoa, e perde-la.

— Você não precisa ser sempre o líder, Percy. – Disse Akame levantando seu rosto delicadamente com a mão – Todos sabemos o quanto se esforça por todos nós, mas de vez em quando você precisa deixar de ser “Percy Jackson, Líder dos Night Shadows” e ser apenas o Percy.

Aquele momento foi primeira vez que ele pode observar tão de perto e tão atentamente o belo rosto de Akame, os traços delicados contrastavam com sua personalidade forte, seus lábios rosados por um momento pareceram convidativos, algo que o confundiu mais do que deveria. E antes que pudesse perceber, ele já tinha se perdido em meio a imensidão dos seus olhos carmesins que fizeram seu coração bater um pouco mais rápido, uma pequena centelha de um sentimento a muito perdido voltou a se acender em seu coração, algo que ele pensou que nunca mais iria sentir.

— Sabe que eu poderia dizer o mesmo, senhorita “General do exército da noite”. – Falou ele colocando sua mão sobre a dela e trocando um sorriso carinhoso, porém eles foram interrompidos por um pigarro. –

— Hum, eu não queria interromper o casal, mas todos já estão na sala de reuniões esperando. – Avisou Thomas tentando conter um sorriso e falhando miseravelmente. –

— Já estamos indo.— Disse Akame fulminando-o com um olhar. –

— Vamos. – Falou Percy já se encaminhando para o interior do palácio. –

Os três caminharam calmamente pelos belíssimos corredores do local em silencio, a arquitetura fora planejada cuidadosamente por Megan e Nix. Todos os cômodos eram altos e espaçosos com paredes de quartzo em um tom de marfim, colunas com diversos detalhes em prata lunar e rubi davam sustentação a construção. O piso de mármore tinha a cor de gelo, em homenagem ao local escolhido para ser a base dos Night Shadows, o Canada. Após alguns minutos eles chegaram ao fim do corredor, portas duplas de mogno com fechaduras de bronze celestial foram abertas quando eles adentraram a sala de reuniões, nela estavam reunidos todos os membros da organização, além de Nix e Stix, que agora passavam a maior parte do tempo no Palácio da Sombra da Noite. Aparentemente, em palavras próprias elas “estavam cansadas de ficar apenas sentadas em seus tronos por milênios no Tártaro”.

— Bem, parece que todos estão aqui, podemos iniciar a reunião agora? – Megan se pronunciou, após todos se sentarem em seus respectivos lugares. –

— Sim, a reunião de hoje é primordial para o início dos nossos planos, o inimigo já começou a movimentar suas peças, portanto hoje iremos discutir os nossos próximos passos. – Percy disse olhando para cada um da mesa. -

— Então, quais as informações que temos do Olimpo. – Christian questionou -

— Segundo o nosso contato, os Olimpianos já têm sérias suspeitas de nossa existência, mas nossas identidades ainda continuam em segredo, apenas suposições e desconfianças pairam em conversas paralelas. – Thalia respondeu –

— Isso é bom, porque provavelmente as desconfianças deles no máximo giram em torno de você, Percy e Calipso. O que nos dá uma certa vantagem. – Akame afirmou categoricamente –

— Você tem razão, o fato de ter declarado guerra contra eles colocou um alvo em minhas costas, Thalia desapareceu logo depois de ter saído das caçadoras, e Calipso simplesmente fugiu de sua prisão teoricamente inescapável. Porém, nossa vantagem é de que eles não sabem quem ou quantos nós somos ao todo. – Percy observou –

— Mas eles provavelmente também devem ter notado o desaparecimento dos semideuses novatos, o acampamento greco-romano recebeu o último semideus há 8 meses atrás, tanto os Deuses como as pessoas do acampamento devem notar que algo de errado está acontecendo em breve. – Calipso falou –

— Esta é exatamente a última informação que recebi, o Oraculo de Delfos emitiu uma nova profecia, e o acampamento já enviou uma missão até aqui para descobrir o porquê do desaparecimento desses semideuses. – Thalia revelou –

— Bem, este foi um risco que assumimos quando começamos a trazer os semideuses para cá. – Thomas apontou –

— Era algo necessário, e uma via de mão dupla. Os semideuses sempre estão largados a própria sorte, sendo obrigados a batalhar por suas vidas constantemente, além de serem usados como peões nas guerras entre imortais. Nós os acolhemos, oferecemos força, damos um lar para eles, e o principal de tudo, uma escolha a fazer, uma vida bem melhor do que a maioria tem. – Megan justificou –

— Megan está certa, devemos mostrar que nós somos os “mocinhos”. – Disse Thomas fazendo aspas com os dedos. –

— Tenho que concordar, nossos protegidos têm progredido rapidamente, e sem as distinções de parentesco divino, todos buscam sempre estar mais fortes a cada dia, afinal eles estão cientes do que virá em breve. – Akame falou –

— Isso é bom, mas vamos mantê-los longe das batalhas o máximo que pudermos, mesmo que eles queiram nos ajudar, eu não vou arriscar nenhuma vida, principalmente a deles. – Sentenciou Percy, pois todos sabiam que ele tinha um grande senso de proteção pelos semideuses. -

— Todos concordamos quanto a isso, portanto devemos agir cautelosamente agora, esta pode ser a oportunidade que estivemos esperando para nos mostrar ao mundo. – Christian voltou ao assunto. –

— Exatamente, devemos esperar por mais informações, e nos preparar para a chegada dos nossos visitantes. – Thalia opinou –

— E quando eles chegarem que tipo de recepção devemos dar a eles? Umas boas vindas pacificas e talvez oferecer um chá, ou meter o louco logo de cara? – Disse Thomas com o sorriso travesso. –

— Depende de quem forem nossos visitantes, se forem apenas semideuses, primeiro estenderemos nossa mão, se não... – Percy disse –

— Meter o louco? – Thomas continuou –

— Meter o louco.— Percy disse com um sorriso idêntico ao dele. –

— Se as crianças já acabaram, podemos dar por encerrada essa reunião, certo? – Nix se pronunciou pela primeira vez, ela e filha sempre estavam a par dos acontecimentos e informações, mas preferiam não opinar, e deixar que eles tomassem suas decisões sozinhos. –

— Sim, nos reuniremos amanhã novamente quando tivermos mais detalhes. – Disse o líder encerrando as conversas. –

Aos poucos eles começaram a deixar a sala, restando apenas a primordial da noite, sua filha, e o líder que já se encaminhava para a saída.

— Espere um pouco Percy, eu gostaria de ter uma pequena conversa com você.— Nix o chamou –

— Tudo bem. Sobre o que? – Percy respondeu -

— Eu também gostaria de conversar um pouco, mas em particular. – Interrompeu Stix dando uma pequena piscada sensual. –

— Estava para dizer a mesma coisa minha filha, pode nos dar licença? – Falou Nix com um olhar carinhoso, que logo se transformou em uma face assassina quando Stix relutou em sair. –

— Tudo bem, sei quando não sou bem-vinda. — Disse a personificação do rio com uma face neutra, mas internamente aterrorizada pela mãe. – Isso ainda não acabou, você não me escapa. – Sussurrou ela quando passou ao lado de Percy. –

— Acho que agora podemos conversar. – Murmurou ele, depois de um suspiro. –

— Percy, o que eu tenho para lhe falar é algo muito importante, e eu acho que seja do seu interesse. – Disse Nix chamando a atenção dele. – É sobre a sua irmã... –

Acampamento Sangue do Olimpo – Dois Dias Atrás

No estreito de Long Island, as águas do Oceano avançavam calmamente sobre as areias da costa, o sol se punha no horizonte lançando um belo brilho alaranjado sobre a superfície do mar naquele fim de tarde. Colinas eram cobertas por grandes arvores e arbustos que compunham a floresta local. Sátiros perseguiam Ninfas e Dríades, que corriam velozmente por entre suas arvores, e em meio a floresta, o Acampamento Sangue do Olimpo se estendia por entre as colinas.

O antigo Acampamento Meio Sangue passara por grandes mudanças para abrigar os semideuses gregos e romanos. Os deuses haviam determinado que todos os semideuses deveriam permanecer em um mesmo local, logo, a proximidade com o olimpo, e a barreira de proteção magica oferecida pelo Pinheiro de Thalia fizeram do acampamento grego a melhor escolha. Inicialmente, os Romanos não ficaram nada satisfeitos com a decisão, mas depois de muitas discussões, brigas, concessões e do uso da diplomacia por ambos os lados, o convívio entre os semideuses havia se estabelecido. Ainda assim, divisões ainda existiam, na pratica o que existia eram dois acampamentos um ao lado do outro, sem a presença de barreiras físicas, mas as barreiras históricas e culturais eram fortes e antigas demais para serem derrubadas tão facilmente.

A guerra contra Gaia havia deixado grandes cicatrizes no acampamento, o grande número de mortes abalou e reduziu os ânimos por vários anos, a simples pronuncia das palavras “Gaia” e “guerra” na mesma frase, já era suficiente para provocar tristeza e ódio. Apenas um único nome vencia os anteriores em termos de desprezo, aquele que fora considerado o maior responsável pela morte de milhares, o escolhido como símbolo de ódio e de traição: Percy Jackson. O filho de Poseidon que já fora o maior herói de todos os tempos, segundo os deuses, havia covardemente traído a sua família e conspirado em favor da deusa da terra, contribuindo para a morte de milhares. A história tinha sido confirmada pelos deuses da profecia, como eram chamados os antigos heróis que derrotaram os gigantes, eles agora eram os responsáveis pelo acampamento, ao lado de Quíron e Lupa, e eram admirados por todos os Heróis.

No entanto, passados mais de uma década desde as guerras contra os Titãs e os gigantes, o acampamento começava a se recuperar. Os campistas se divertiam enquanto disputavam partidas de vôlei, basquete, e outros esportes, apostando trivialidades, como tempo a mais nos chuveiros, e revezamento em tarefas como limpar os estábulos. Em outros horários praticavam esgrima na arena, tiro ao arco nos campos, escalada, corrida, e canoagem no lago. Este último havia sido praticamente esquecido pelos campistas, desde que deixara de ser obrigatório, poucos vinham ao lago para se aventurar pelas aguas das náiades. E este era o motivo pelo qual aquele era o lugar favorito de Helena.

Sentada na beira do píer, enquanto balançava os pés na agua, ela olhava para o fundo do lago onde as Náiades teciam seus cestos e as vezes acenavam para ela, as Ninfas da água pareciam ser as únicas que não a odiavam naquele lugar. Fazia quase um ano desde que ela chegara no acampamento, e tudo que ela encontrou no dito “único lugar do mundo seguro para você” fora desprezo e solidão. Todos os dias que passara ali, tudo o que ela desejava era poder voltar para casa, e para sua mãe, mas ela sabia que aquilo era só um sonho estúpido que nunca se realizaria. Talvez ela estivesse sendo apenas uma garotinha mimada, afinal era muito melhor estar ali, onde ela estava teoricamente segura, do que lá fora onde ela atraia monstros como açúcar atrai formigas, certo? Errado. Ela se lembrava perfeitamente do dia em que ela descobriu ser uma semideusa, ela e mãe viviam constantemente se mudando, e ela nunca entendera o motivo, pelo menos até aquele dia. O dia em que a vida de sua mãe, a única pessoa que ela tinha no mundo, lhe fora tirada, bem na frente de seus olhos, e suas últimas palavras ainda ecoavam em sua mente.

Flashback:

Era um dia quente de verão, Helena tinha acabado de voltar da escola, a sexta em seis anos, mas não por ser uma má aluna, mais sim por sua mãe que vivia sempre se mudando, ela dizia “Isto é apenas temporário, logo vamos encontrar um bom lugar” ou “não se preocupe querida, só precisamos de novos ares”. Mas Helena não queria novos ares, ela só queria ter um lugar para chamar de casa por mais de um ano. As vezes ela perguntava para mãe se aquilo era por que ela via coisas, que de alguma forma sua mãe quisesse poupa-la do sofrimento, se era por que ela era louca, mas ela sempre sorria e dizia “você não é louca querida, apenas especial” e isso a intrigava sempre, por que a forma com ela dizia “especial”, não era a que uma mãe usava para consolar seu filho, era quase, verídico.

Vermont, New Hampshire, Massachusettes, ela já morara em todos esses lugares, mas nunca se distanciou de Nova York, esta era outra pergunta que sua mãe sempre se esquivava, bom, até o momento em que as janelas e as portas de sua casa, foram quebradas e arrombadas por seres horríveis que tentaram assassiná-la. Tudo aconteceu tão rápido que seu cérebro mal processará aqueles momentos terríveis. Em uma hora ela estava no conforto de sua casa, e no outro ela estava com sua mãe lhe contando coisas sem sentido e dirigindo um carro a uma velocidade que com certeza a faria perder a carteira. Helena não queria acreditar, ela queria que aquilo fosse apenas um pesadelo e que ela logo iria acordar em sua cama, atrasada para mais um dia de escola. Mas quando o carro de sua mãe freiou bruscamente no acostamento, ela sentiu pela primeira vez que aquilo era real, então depois de desperta ela correu como nunca, segurando a mão de sua mãe, subindo aquele morro sem saber o que iria encontrar lá em cima, as criaturas que as perseguiam se aproximavam cada vez mais, apenas mais um pouco e elas alcançariam o pinheiro no topo da colina. No entanto, a vida não lhe oferecera a chance de ter esperança, parecia que sua mãe de alguma forma sabia o que viria a seguir, e isso a machucou ainda mais. Elas estavam a pouco menos de 100 metros do pinheiro quando a mais velha parou.

— Helena, me escute. –

— Não mãe nós temos que ir eles estão chegando. –

— Escute, eu não conseguirei, mas você deve ir, você tem que sobreviver de qualquer modo, deve se tornar grande, e acima de tudo não deve acreditar no que eles dizem sobre... –

Ela nunca terminou aquela frase, no instante seguinte seu pé foi puxado pelo chicote uma mistura de uma velha com um morcego, uma fúria ela descobriria mais tarde. Enquanto ela via sua mãe ser arrastada pelo chão em direção aos monstros, e gritar desesperadamente para ela fugir, diversos sentimentos passaram por sua mente, desespero, incredulidade, raiva e medo. E como um ser patético que ela era, o último prevaleceu entre os outros, então ela deu as costas aquela cena horrível e correu sem olhar para trás.

—------ x --------

O sol começava a desaparecer no horizonte, os últimos raios de sol iluminavam o céu, logo seria a hora do jantar, onde mais uma vez ela teria que encarar aqueles olhares, aturar as brincadeiras e ouvir as ofensas. Mesmo assim, ela sabia que não poderia fugir daquilo, e nem queria, ela tinha jurado a se mesma que nunca mais fugiria, essa promessa foi feita sob a memória de sua mãe, e ela jamais a quebraria. Assim, que ela tirou os pés da agua, imediatamente sua determinação foi cortada pela metade, “culpa do idiota inútil do meu pai”, ela pensou. Enquanto se encaminhava para o pavilhão do refeitório ela pensava em tudo que já teve de enfrentar até ali. No início ela era apenas a garota covarde que fugira e deixara a mãe para a morte, mas os veteranos do acampamento a defenderam e lhe ajudaram, por um tempo ficar ali não era uma tortura constante, ela era só mais uma semideusa, num acampamento de semideuses, e Helena realmente acreditou que poderia viver ali, mesmo convivendo com a dor de perder sua mãe, porém, depois de ser reconhecida tudo mudou, e agora Helena era a “Irmã covarde do traidor”.

Todas as noites ela tinha que periciar sua cama para se certificar de que não havia nenhuma armadilha mortal, isso quando ela não a encontrava cheia de lixo. Nas aulas de esgrima se não fosse por sua grande habilidade com a espada (a única coisa que ela era boa), com certeza já teria sido “acidentalmente morta”, mas isso não evitava que ela saísse sempre cheia de cortes. Quando ia a enfermaria sempre ouvia o mesmo, “estamos sem pessoal e sem curativos agora, volte mais tarde”, depois de um tempo ela parou de voltar, tinha aprendido a cuidar de si mesma, pelo menos o suficiente para não morrer. “Por que ela não vai embora? Será que ela não percebe que não a queremos aqui? ”, “Ela devia morrer logo, todos os irmãos daquele traidor deviam desaparecer”, este último não havia agradado o seu pai e o garoto teve que conviver com problemas hídricos por um tempo, mas isso apenas fez as coisas piorarem. Todos a evitavam, e aqueles que se aproximavam era apenas para lhe fazer sofrer, e tudo, tudo pelo o que ela passava era culpa do maldito do seu irmão. Ela o odiava com todas as suas forças, e torcia para que pudesse encontra-lo um dia somente para mata-lo com suas próprias mãos, e aí talvez todos a deixariam em paz. No entanto, este era somente mais um sonho estupido entre tantos, algo que jamais aconteceria, pelo menos era o que ela pensava.

Palácio Sombra da Noite – Canada

— Então ela passou por tudo isso por minha causa? – Perguntou Percy fitando um ponto qualquer na mesa –

— Não exatamente, e você sabe disso. As mentiras contadas pelos olimpianos, influenciaram os semideuses de forma muito negativa, e todo esse ódio foi canalizado para imagem da sua irmã, a filha de Poseidon. – Nix tentou acalma-lo –

— Ela tem apenas doze anos, Nix, e já passou por muito mais do que eu em minha época. – Ele cerrou os punhos. –

— Você está certo, mais agora ela está vindo para cá, e acompanhada por companheiros que preferem que ela morra na primeira oportunidade. – Afirmou a primordial. –

— Eu não vou deixa-la, agora que sei de sua existência eu vou cuidar dela. – Disse ele decidido. –

— Você esquece de uma coisa. Eu estive a observando de perto por algum tempo e uma coisa que pude ver, era que ela nutria um ódio gigantesco pelo responsável pelo o seu sofrimento, ou seja você. – Falou Nix olhando-o intensamente. –

— Mesmo assim, eu tenho que fazer algo. – Insistiu ele -

— Ela nunca aceitaria sua ajuda, provavelmente tentaria mata-lo na primeira vez que o visse. – Falou ela deixando-o sem resposta por um tempo. -

— Se eu não posso ajuda-la diretamente, então pelo menos vou deixa-la segura. – Disse ele depois de uma pausa – Vou enviar alguns heróis para limpar o caminho, servirá de treinamento para eles, e vai garantir uma passagem segura para ela.

— Tem certeza? Tomar uma decisão agora pode ser precipitado. – Aconselhou ela –

— A vinda dos semideuses, servirá apenas como demonstração de força e para declarar o início da guerra. Nossos planos estão assegurados. Portanto, eu estou apenas agilizando o processo. Porém, quando ela estiver aqui vou tentar falar com ela, mostrar a verdade para ela e torcer para que ela compreenda. – Disse Percy entrelaçando os dedos sobre a mesa –

— E se ela não ouvir? – Questionou Nix. –

— Pedirei desculpas. – Respondeu ele dando fim ao diálogo. -

Floresta do Acampamento Sangue do Olimpo

Em uma parte profunda da floresta que rodeava o acampamento, duas figuras encontravam-se sentadas sobre uma grande pedra conversando em um tom baixo, como se tivessem receio de que sua conversa fosse ouvida. A região na qual eles estavam tinha acesso restrito, ali era o habitat de monstros terríveis mantidos pelo acampamento para servir de treinamento para os heróis. No entanto, todo cuidado era pouco para eles, nunca se sabe se há alguém à espreita, e aquele temor não era infundado.

— Então os heróis já partiram? – Perguntou a figura feminina encapuzada. -

— Sim, hoje pela manhã, eles partiram para o norte. No entanto, devido ao fato de não conhecerem a localização exata do palácio, e os eventuais obstáculos no caminho, acho que deve demorar alguns dias para que eles cheguem aos portões. Já decidiram o que vão fazer a respeito? – Quis saber o outro -

— Sim, os semideuses não são nossos alvos, vamos tentar fazer com que eles se juntem a nossa causa, eles já sofreram tempo demais, tentaremos mostrar que há algo a mais na vida, do que arriscar seu pescoço por seres arrogantes e repugnantes, e é isso que queremos mostrar. – Respondeu ela -

— Nós sabemos isso melhor do que qualquer um dessa geração pós-guerra. As mentiras distorceram o julgamento deles. Por isso, convence-los a mudar de lado deve ser um pouco mais difícil do que parece. – Afirmou ele -

— Não se preocupe com isso, temos nossos planos. – Murmurou ela -

— Planos que não posso saber imagino. – Disse ele com um certo tom desanimado. -

— Não leve a mal, mas não podemos nos arriscar, você é uma peça muito importante para nós nessa guerra. E para mim também. – Amenizou ela agora olhando-o nos olhos, e tocando levemente sua mão. -

— Tudo bem, eu entendo. – Falou ele com um mínimo sorriso, e correspondendo ao toque entrelaçando seus dedos. –

— Não se esqueça disso, eu sempre estarei ao seu lado. – Ela o abraçou com carinho, e depois de um tempo eles se separaram, e ela retornou ao assunto. -

— A situação daqui não mudou, não foi? Eles continuam os mesmos. – Perguntou ela já sabendo a resposta. –

— Sim, depois daquele dia eles nunca mais foram os mesmos. Tornaram-se arrogantes e relaxados, não devia ser uma surpresa, afinal eles apenas estão sendo o que são, mas mesmo assim ainda doí ver o que eles se tornaram, passamos por tudo aquilo juntos e agora é como se fossemos estranhos. – Confessou ele olhando para o alto. –

— Eu sei, é como dizem, dê poder a alguém e verá quem ele é. Talvez pudesse ser diferente, mas não é, todos vamos fazer sacrifícios daqui para frente, por isso devemos estar dispostos a abrir mão até dos nossos sentimentos. Mas, e quanto ao Olimpo? Algo que devemos saber? – Questionou ela mudando de assunto. –

— Você tem razão, mas minha capacidade de obter informações lá é um pouco limitada, como sabe os deuses que monitoramos, apesar da arrogância, não são bobos, são muito precavidos, principalmente a Coruja. – Revelou ele –

— Entendo, ela sem dúvida é uma das maiores ameaças. – Refletiu ela – Bom, eu preciso voltar agora, não podemos nos dar ao luxo de sermos descobertos, até logo. – Despediu-se ela, surpreendendo-o com um beijo que logo foi correspondido. –

— Adeus. – Disse ele depois que se separaram. –

A mulher sumiu em um pequeno feixe de luz azulado, o homem permaneceu por alguns segundos olhando o lugar onde ela estava, como se estivesse revivendo o momento várias vezes em sua mente. Mas logo ele também desapareceu fazendo uso de seus poderes imortais. No entanto, o que nenhum dos dois que ali estavam haviam percebido, era a figura que ocultava sua presença nas sombras, e espreitava o encontro do casal.

— Preciso relatar isso imediatamente, temos um traidor. –

Notas finais
O que vocês acharam da Helena? E da relação entre Percy e Akame? Quem é o contato dos Night Shadows? Quem é o casal misterioso? E a sombra que os observava? Será que a Stix vai pegar o Percy? Confira tudo isso e muito mais no próximo capitulo. Comentem por favor.