Notas iniciais
Boa Leitura!!!

Norte Canadense antigo lar dos Night Shadows, palco da batalha final.

Na imensidão gélida típica dos extremos polares do globo, uma tempestade de raios rasgava os céus espalhando rajadas de som e luz aos quatro cantos do mundo. A noite já havia caído no norte canadense e a escuridão dominava aquela porção do planeta. O breu, no entanto, era entrecortado pelas labaredas de fogo que se erguiam provenientes dos incêndios que se alastravam floresta adentro produzindo altas colunas de fumaça e vapor por todos os lados. Raios ininterruptos continuavam a cair como gotas de chuva dando cada vez mais combustível aos incêndios e a toda destruição apocalíptica que se desenrolava. No epicentro da explosão que terminou por destruir o Palácio da Noite, uma fumaça feita por detritos da antiga construção obstruía a visão quase por completo.

No solo, perto da borda do grande despenhadeiro que deu lugar a antiga montanha, os Night Shadows fitavam a criatura demoníaca pairando a centenas de metros de altura, rugindo e urrando como uma besta selvagem. O ser maligno agora já não tinha sua atenção presa aos sete, nem em nada em particular, parecia imerso em um perturbador estado de êxtase.

— O que diabos é aquela coisa maldita? – Christian verbalizou o pensamento de todos. –

— Zeus? — Calipso disse se referindo a fala de Percy. – Acho que não, aquilo está longe de ser um deus, ou qualquer outra coisa, é algo completamente... diferente. –

— Kraken.... – Thalia pronunciou o nome em tom baixo, alarmando os imortais. — Você tem razão, mas há algo de errado, aquele corpo ainda me parece familiar, mesmo estando completamente deformado ainda parece.... – Ela de repente teve o vislumbre do que havia ocorrido. – Espere, será que.... -

— Parece ser o mais provável. – Megan antecipou sua suspeita. — Ele deve ter provado do restante do sangue da criatura que guardávamos no interior do palácio. Não há como saber de que forma ele soube disso, mas esse é o menor dos nossos problemas agora. –

— Exato, se nossas suspeitas forem verdadeiras estaremos terrivelmente perdidos, se seguirmos a lógica de que nós, simples humanos e semideuses adquirimos todo esse poder com uma pequena dose do sangue, Zeus ou que restou dele deve ganhado um poder imensurável. – Akame declarou. –

A fala da general foi seguida por um curto período de silencio que serviu para que todos refletissem sobre o que estava prestes a acontecer. Todos estavam exaustos e em más condições para a batalha, seus corações pulsavam fortemente, fazendo com que as rápidas batidas fossem ouvidas, punhos eram cerrados com força em volta de suas armas. De súbito um sentimento os acometeu de rápida e cruel.

Medo

Os sete guerreiros tinham acabado de sair de uma enorme batalha contra os deuses olimpianos, que mesmo estando longe do auge de suas formas, com certeza não podiam ser taxados como fracos. Boa parte de suas energias haviam sido gastas e agora teriam de enfrentar um monstro muito mais poderoso do que aquele débil e semi-desperto de anos atrás, e que certamente nutria um gigantesco ódio por tudo que fizeram com ele.

— Vamos lutar. – Percy falou atraindo a atenção de todos. – Nós sabemos muito bem o que aquela criatura é, e eu não sei se conseguiremos derrota-la, mas esse é o último obstáculo que temos de enfrentar para enfim conseguirmos nosso objetivo. E lembrem-se, se não acabarmos com aquele monstro maldito, todo o mundo mortal será destruído. -

— Realmente, não temos escolha, Kraken controla inteiramente aquele corpo se falhamos não restam dúvidas de que ele irá destruir tudo ao seu alcance. – Thalia elevou seu tom. -

— A cada minuto que perdemos ele se acostuma cada vez mais ao novo receptáculo, seu poder está crescendo a cada segundo, temos de lutar com a força de cada fibra do nosso corpo. — Akame completou desembainhando Murasame. –

O gesto foi imitado por todos ali presentes, e assim, sem mais palavras de inspiração ou qualquer prenuncio, eles alçaram voo rumo ao céu tempestuoso onde o monstro e batalha final de suas vidas os aguardavam.

—--x---

Um pouco abaixo do nível das nuvens estava o antigo corpo de Zeus, agora absorvido e incorporado pela essência de Kraken. Os sete circundaram a criatura fazendo um círculo ao seu redor, de armas em punho, e com os músculos tensos, eles observaram Kraken silenciar-se de maneira súbita. Um perturbador momento de silencio se sucedeu, e como se o destino tivesse tudo aquilo programado, um grande trovão ecoou dando início a luta.

Com o arco retesado Thalia conjurou três possantes raios de energia e os disparou em direção ao monstro, ao mesmo tempo Calipso invocava uma gigantesca bola de fogo que desceu do céu como um meteoro abrindo um buraco nas nuvens e evaporando-as instantaneamente. Os golpes atingiram em cheio, sendo seguidos de mais ataques. Megan jogou suas adagas no ar e as fez se multiplicarem por mil atirando-as numa velocidade próxima da luz e fazendo todas passarem reto pelo corpo da criatura, Christian aqueceu as lâminas de suas espadas para criar uma onda de calor extremo capaz de derreter até mesmo tungstênio em questão de segundos, sendo seguido por Thomas que balançou suas foices agitando o ar e criando um furacão de chamas escaldantes.

Então, Percy e Akame se prepararam para dar o golpe final, ambos voaram de encontro ao ciclone de fogo com as espadas em riste, derretendo boa parte de suas armaduras no processo, mas sendo recompensados com dois golpes que atingiram a criatura no lado direito do pescoço e na altura do local de onde ficaria o coração decepando também o seu braço esquerdo.

Os dois pararam sua trajetória depois de saírem do alcance das chamas, seus trajes em estado precário, deixando boa parte de seus corpos desnudos e desprotegidos. Os outros se juntaram a eles logo depois observando com expectativa os efeitos de seus ataques se dissiparem, boa parte de suas energias haviam sido postas naquele combo de golpes, e Kraken devia pelo menos ter sido gravemente ferido ou era o que eles esperavam.

No entanto, durante todo o tempo, ele não esboçara nenhuma reação que rechaçasse as agressões sofridas, nem mesmo um rugido ou sibilo, absolutamente nada.

E isso era exatamente o que todos pensavam, enquanto viam as chamas se apagarem e revelarem o monstro carbonizado, mutilado, ferido, e cheio de buracos que vertiam um liquido negro fétido. Mas antes que qualquer um pudesse pensar em algo, o monstro jogou a cabeça para atrás dando inicio a um riso insano e descontrolado. O som tenebroso provocava arrepios, deixando todos perplexos enquanto o corpo se regenerava a uma velocidade assustadora.

— Agora... é a minha vez. – Ele disse lentamente. –

Tomados pela surpresa, os Night Shadows nada puderam fazer quando uma espécie força os puxou com brutalidade de encontro ao monstro. O primeiro a sofrer a serie de ataques foi o próprio Percy, Kraken uniu ambas as mãos humanoides acima da cabeça, e desferiu o golpe com selvageria, fazendo a cabeça do filho de Poseidon quase afundar no seu próprio pescoço e o mandando direto para o solo, mas não antes de fazer uma descarga de energia descomunal atingi-lo depois da queda.

Os ataques contra os imortais continuaram. Kraken puxava e esmurrava sucessivamente, de maneira tão rápida e brutal que eles nada puderam fazer enquanto eram humilhados como se fossem meros bonecos, jogados a quilômetros de distancia e puxados novamente com o poder misterioso de atração e repulsão do inimigo supremo somado a sua força inigualável. Minutos depois quando Kraken parecia ter se cansado de brincar, todos os Night Shadows estavam fustigados no solo, alguns já sem consciência, outros tomados por dores extremas de terem seus ossos quebrados e então reconstruídos pela natureza imortal.

Centenas de metros abaixo de onde o monstro estava, Percy lutava contra a dor excruciante que tomava sua cabeça e o impedia de pensar ou de tomar alguma atitude. Todo o resto de seu corpo também ardia em dor pela descarga elétrica, mas nada era comparado a sensação de querer arrancar sua própria cabeça. Perdido em sua agonia, ele tinha uma mera noção de que se companheiros sofriam de um destino parecido no céu acima dele. Com ambas as mãos apertando seus cabelos, momentos depois ele juntou forças e se arrastou para fora da cratera aberta em sua queda.

Deitado no chão, com o restante da sua armadura cobrindo apenas suas partes intimas, ele observou novamente as nuvens pesadas tomarem conta de tudo, seus amigos não estavam a vista, e um ponto acinzentado era tudo que ele podia ver, era Kraken que ria com escarnio, debochando de seus adversários que nunca tiveram nenhuma chance real de derrota-lo. Com as ultimas forças imortais daquele planeta derrotadas, ele iria destruir absolutamente tudo naquela parte do universo para garantir que nenhum vestígio de que já houve vida ali restasse.

Convencido de que não poderia desistir, Percy virou-se e pós suas mãos na terra, apertou-a com força, lembrando-se de Gaia, Stix, Nix, e de todos os seus amigos, firmou seus pés no chão e se usou de apoio para erguer-se, sua espada estava ali próxima cravada no chão como se o espera-se. Ele não desistiria, não enquanto tivesse aquela carta na manga. Ele recuperou sua arma, mas logo em seguida a embainhou no restou de sua bainha. Fechando os olhos ele se concentrou na única que poderia ajuda-lo naquele momento, e torceu para que ela o ouvisse.

Megan, Megan, você está aí?— Percy chamou mentalmente, mas sem resposta. –

Há alguns quilômetros de onde Percy estava, Megan se encontrava semiconsciente deitada sob dezenas de arvores que foram esmagadas pelo impacto do seu pequeno corpo, seis costelas, um braço, e uma perna foram quebrados, mas já estavam praticamente curados a custo de boa parte do resto de sua energia. O estupor que cruzava sua mente era entrecortado por uma voz que a chamava incessantemente, se ainda fosse uma mortal ela diria que sua hora finalmente chegou e que morte viera lhe buscar para o descanso eterno. Mas a morte não teria uma voz tão familiar e impaciente, até meio irritante, quase desesperada que a acordou gritando...

MEGAN!!! –

— AHN, O QUE É PORRA? – Ela gritou para o nada. –

Use sua telepatia, sou eu Percy. –

— Percy?— Ela respondeu ainda hesitante. A telepatia era um poder que era despertado quando ela estava na forma imortal, ler pensamentos, observar sonhos, e entrar em contato mental com outras pessoas se assim desejasse, eram algumas das vantagens desse poder, além disso, se alguém se concentrasse suficientemente nela poderia estabelecer o contato de forma unilateral.

Sim, você está bem? Onde você está? E os outros? Preciso que você faça algo... –

— Percy, ordene seus pensamentos, mais devagar. – Ela o interrompeu.— Sim, acho que estou bem, mas não posso fazer muita coisa no meu estado atual, acho que não estou muito longe, os outros eu não sei... Você vai usar aquilo, não é? —

Não tenho outra escolha, tudo depende disso, mas eu preciso de tempo, quando Kraken perceber o que eu estou fazendo ele irá nos destruir, temos de distrai-lo. –

— Eu sei, o tempo para entoar a magia é de quase dez minutos, talvez um pouco menos, não sei se vamos conseguir aguentar tudo isso. –

— Você tem razão, eu não queria ter de pedir isso, mas não há outra escolha, por favor Megan. –

— Não precisa implorar, Senhor Cabeça de Algas. – Ela riu levemente. – Faça o que tem de fazer, nós vamos protege-lo com nossas vidas. –

Dito isto, ela cortou a conexão mental e deixou sozinho. Já em condições de voar novamente, ele alçou voo para um lugar mais distante, bem a tempo de escapar dos ataques aleatórios de Kraken, pois agora ele havia decidido acabar com o que restou do local, fazendo raios despencarem para destruir e atear fogo a antiga floresta.

Percy, voou e voou até alcançar um local relativamente seguro, há boa distância onde os raios não poderiam alcança-lo facilmente. Ainda sob os domínios gelados, ele pousou sob uma rocha que ficava no meio de uma clareira. Sentou-se nos seus joelhos, estendeu as mãos no ar, e recitou algumas palavras em hebraico.

Um brilho dourado se fez presente e revelou um objeto de aproximadamente sessenta centímetros, era inteiramente feito de ouro com runas que estendiam desde a base até o topo de onde pendiam dois pesos. Em cada peso havia uma palavra em hebraico entalhada no ouro, do lado esquerdo “אשם“ e no lado direito חף מפש"”, “culpado” e “inocente” respectivamente.

Era a balança da justiça, a ferramenta divina lendária, há muito esquecida pelos homens, o item entregue a Percy por Themis que o permitiria banir os deuses definitivamente e retirar-lhes os poderes divinos. No entanto, dado as circunstancias isso não era mais possível, não quando tudo estava prestes a se perder, os deuses teriam que enfrentar outra punição, mas isso não era importante no momento.

Ele olhou com convicção para o objeto, ao longe ele conseguiu ouvir novamente sons de batalha, ele torcia para que seus amigos conseguissem distrair Kraken por tempo suficiente, e sem demora ele começou a recitar o encantamento necessário para liberar os poderes da balança.

Momentos antes

Com um longo suspiro, Megan fechou os olhos e refletiu, ela sabia que a partir de agora cada momento seria decisivo. Ela se ergueu já com corpo completamente curado, porém ainda fraco e cheio de dores, e estabeleceu contato com os demais companheiros. Certificando-se de todos estavam inteiros e em condições de se locomover, ela repassou todos os detalhes da situação. Espalhados pelos arredores da região os Night Shadows souberam do plano que já se desenrolava. Todo o destino do mundo recaia sobre seus ombros naquele instante, e assim todos partiram novamente para o lugar onde o monstro descarregava sua fúria selvagem.

Do alto, em um ponto acima das nuvens onde a chuva de raios não os alcançava, os seis se reuniram enquanto observavam Kraken comandar a destruição apocalíptica que avançava velozmente em direção ao sul, onde se encontravam as primeiras cidades que já começavam a perecer mediante os desastres naturais aparentemente inexplicáveis para os mortais.

— Vejo que voltaram. – Kraken sorriu com ironia. – Sinceramente não esperava que viessem por vontade própria, pensei que teria que caça-los um a um. De qualquer forma vocês me pouparam tempo.

— Então qual é o plano? – Thomas perguntou receoso ignorando a provocação. –

— Distrai-lo, conseguir tempo, e sobreviver, nesta mesma ordem. – Akame respondeu com metade da face coberta de icor fazendo com que seus cabelos grudassem em sua testa, sua armadura não existia mais deixando somente dois pedaços de trapo que cobriam seus seios e quadris. –

— Boa resposta, mas a pergunta é, como? – Calipso tinha os cabelos soltos e parcialmente carbonizados por um raio que a tinha atingido, seu cajado tinha se partido ao meio de forma suas magias seriam muito mais fracas que o habitual. -

— Atacar e recuar, deixa-lo irritado, mas sem fazê-lo perder o controle, é a única vantagem que temos no momento. – Thalia disse em condições parecidas, com icor escorrendo de um de seus braços por uma fratura exposta já recuperada. Os raios não a afetaram, mas os golpes haviam destruído a parte de cima de sua armadura restando apenas seu arco e as faixas que cobriam seu torço. –

— Onde está Percy Jackson? – Kraken gritou — Será que o maldito já morreu ou fugiu como um covarde? – Ele tentou provoca-los e acabou ficando ainda mais impaciente pela falta de ação dos imortais, ele já suspeitava que algo estava acontecendo. -

— Números, parece ser bom na teoria, mas na prática, e em nossas condições.... – Megan deixou a frase no ar. –

— Não temos escolha, agora somos literalmente as únicas pessoas capazes de fazer algo, não devemos esperar nenhum outro tipo de ajuda. – Thomas afirmou. –

— Talvez devam. – Uma outra voz surgiu junto a um brilho dourado, e fez todos se virarem surpresos em direção as cinco novas e conhecidas figuras que surgiam a tempo de verem Kraken lançar sua frustação na forma de uma descarga elétrica que cortou o céu, quase os pegando de surpresa.

Os novos personagens quase não conseguiram desviar do ataque lançado pelo monstro, seus pelos se eriçaram quando o golpe passou rente aos mesmos.

— O que vocês estão fazendo aqui? – Thalia se enfureceu a ponto de quase puxar seu arco. –

— Viemos ajudar, não temos tempo para antigas divergências Thalia, não somos mais leais aos deuses, estamos aqui para proteger nosso lar. – Annabeth falou em nome de todos os heróis da profecia para filha de Zeus que não continha sua expressão de raiva. –

— Calma Thalia, ela tem razão, além disso eles podem ser de alguma utilidade. – Megan aquiesceu, fitando os deuses e pensando que pelo menos alguns segundos seriam ganhos com o seu aparecimento. –

— Vocês estão por conta própria, não esperem nenhuma ajuda, então preparem-se. – Christian os avisou. –

— Não esperamos outra coisa. – Frank disse ao irmão, enquanto os outros acenavam em concordância. –

— Que seja. – Thalia convenceu-se enquanto desviava de outro raio e preparava-se para revidar. –

Enquanto isso, Kraken não fazia ideia de quem eram aqueles deuses que apareceram subitamente, mas não sentia nenhum poder ameaçador vindo deles, então simplesmente os ignorou, de qualquer forma, todos seriam mortos quando ele se cansasse daquela brincadeira. Os Night Shadows e os Heróis da Profecia mantinham a mesma estratégia, atacavam a distância sem causar absolutamente nenhum dano e desviavam dos raios cada vez mais velozes e insistentes, parecendo mosquitos tentando enfrentar um predador. E assim, todos testemunharam quando o monstro enraivecido desistiu de tentar acertá-los a distância e voltar a usar o seu misterioso poder.

Kraken estendeu suas mãos em direção a Akame e Hazel e as puxou com brutalidade, as duas voaram como bonecas em direção as mãos dele que segurou e apertou as duas em cada mão. E então, sem nenhuma piedade ele chocou seus punhos fazendo ambas perderem a consciência.

Sob os protestos e gritos dos Night Shadows, o monstro abriu sua enorme mandíbula e decapitou a deusa e a general. Todos viram seus corpos se esfumaçarem e desaparecerem no ar. Por um segundo, eles observaram a cena atônitos, até ouvirem uma voz que os fez compreender tudo.

— Como você fez isso? – Akame perguntou para Hazel que tinha ocultado as duas em meio as nuvens, a deusa tinha seus olhos fechados e as mãos formando um triangulo com os dedos. –

— É uma magia que aprendi a um tempo atrás. – A filha de Hades respondeu, fazendo o mesmo símbolo com as mãos e recitando novamente a magia. De repente, havia outra Akame e outra Hazel. –

— Interessante, pode nos ajudar a distrai-lo. – Megan falou com leve admiração, mas sem deixar transparecer. –

— É mesmo, você consegue fazer mais? – Thomas perguntou. –

— Não, meu limite é de dois, essa magia requer muito poder e concentração. – Hazel respondeu em tom de lamentação. –

— Isso não é problema. – Calipso começou a imitar o gesto de mãos e as palavras usadas na magia, assim chocando a todos os deuses e reproduzindo a magia em um outro nível. Logo, dezenas de clones animados surgiram aumentando pelo menos na teoria o numero de aliados. –

Kraken observou surpreso o truque usado pelas magas, agora ele não poderia saber qual inimigo era real e qual era uma ilusão. Furioso ele rugiu e começou a atacar impiedosamente, agora usando ambos os poderes elétricos e gravitacionais. Cinco minutos se passaram até que os truques e técnicas de evasão falhassem, o grupo imortal que tentava a todo custo resistir a fúria da criatura abissal foi gradualmente cedendo ao que seria seu fim.

Os primeiros a perecerem foram os filhos de Ares, Christian e Frank que num ultimo esforço tentavam parar o monstro com força bruta, foram dilacerados por suas garras, sendo cortados em vários pedaços. Leo e Hazel tomados pela fúria ao verem seu amigo ser morto na frente de seus olhos, atacaram num combo de chamas e escuridão que produziu um fogo negro semelhante ao fogo infernal, o ataque queimou boa parte das asas, do ombro e da cabeça do monstro, mas não o impediu de dizimar os corpos dos deuses com raio a queima roupa. Calipso também tomada pelo ímpeto colérico e suicida partiu para o seu ataque final, Megan, a grande estrategista do grupo não resistiu em ver a morte de sua mais querida amiga e se juntou a companheira tendo seu destino também selado pelas garras de Kraken. O extermínio era rápido, impiedoso e brutal. E não havia absolutamente nada que eles pudessem fazer.

Nada.

Todo o poder, toda a luta, que perdurava a anos para tentar trazer a paz e a justiça ao mundo, no fim acabava com a sua destruição.

— Ei Thalia. – Akame que estava ao lado da filha de Zeus chamou com olhos marejados. – Você acha que isso é nossa culpa?

— O que? Não, nós... – Thalia não foi capaz de responder à pergunta, tudo o que ela fez foi encarar a amiga tentando encontrar algo que pudesse ser dito. –

— Tudo bem, mesmo parecendo egoísta, valeu a pena ter conhecido vocês, ter lutado com vocês, ter... – Akame disse com uma voz baixa enquanto uma coluna de luz fortíssima se erguia atrás dela. –

— Nós estamos juntas. – Thalia disse com firmeza agarrando seu pulso. — O que quer que aconteça vamos enfrentar isso juntas. – Ela também derramou suas lagrimas vendo a luz dourada se intensificar. Kraken se voltou para o horizonte em direção ao local de onde vinha a fonte do poder gigantesco. –

— Aquele desgraçado, maldita cria do caos, no fim ele estava mesmo planejando algo. –

— Não Thalia, alguém terá de ficar ao lado de Percy. – Akame apertou o punho de sua espada e cortou sua mão esquerda bainhando toda a lâmina com seu sangue, sua pele escureceu e inscrições negras surgiram também em sua íris. Sob os protestos de Thalia, ela usou o cabo de Murasame para golpeá-la na testa tirando-a de combate por alguns segundos, permitindo assim que ela progredisse em seu objetivo. – Adeus.... –

Com a força multiplicada por sua fiel espada, Akame partiu de encontro a Kraken que ia em direção a Percy para mata-lo antes que conseguisse terminar sua magia. Kraken usou seu braço para aparar o golpe da general, tendo o membro destruído prontamente, ela fincou a lâmina no peito do monstro e o empurrou de volta com tudo. A criatura rugiu e urrou de dor pela primeira vez, aquela arma era capaz de feri-lo e isso era inconcebível para ele, tomado pela loucura ele passou suas garras em seu próprio peito quase retalhando a Night Shadow que viu suas forças irem embora junto ao seu icor, e num ultimo esforço ela gritou e puxou sua espada para o alto abrindo um talho no peitoral de Kraken que fincou suas garras em seu peito se automutilando e por fim matando Akame.

Recuperada do choque, Thalia assistiu a tudo sem nenhuma expressão, lagrimas escorriam dos seus olhos sem nenhum controle, ao mesmo tempo em que ela largava seu arco e puxava suas adagas, ela estava pronta para sacrificar-se para vingar seus amigos e companheiros, ele jamais sairia em pune. Não enquanto ela estivesse viva, não enquanto seu espirito não fosse destruído.

E então aconteceu.

Um gigantesco circulo magico desceu dos céus e da terra junto a centenas de milhares de correntes prateadas que se enroscaram nos pés, nos braços e nas assas de Kraken, ao longe Percy recitava as palavras finais da magia enquanto seus olhos liberavam as primeiras lagrimas de lamento e angustia. Kraken tentava se libertar das amarras, mas sem sucesso, seu esforço era tão inútil quanto os daqueles que ele tanto subestimou. Logo os círculos mágicos se tornaram portais negros que levavam a uma outra dimensão, onde não existia absolutamente nada

som

luz

matéria

vida

apenas

nada

Vazio.

Uma eternidade de sofrimento e insanidade aguardava a criatura primeva que fora engolida lentamente até que desaparecesse completamente. A luz proveniente da balança da justiça se esgotou e desapareceu junto a ferramenta divina que como prometido retornava a sua dona por direito. Logo, os primeiros raios de sol despontaram no horizonte dando lugar a antiga escuridão. O silencio se estabeleceu como se tudo aquilo que acabara de ocorrer não passasse de um sonho. Mas a paisagem destruída e os corpos dos inúmeros mortos na batalha não deixavam que a verdade fosse ocultada.

Os deuses haviam caído, Zeus não passava de uma lembrança, Kraken nunca mais retornaria e os Night Shadows haviam prevalecido sobre todos os inimigos, mas dos sete, apenas três haviam restado para conduzir o mundo mortal e divino aquilo que seria futuramente seria conhecido como....

A nova era.

Notas finais
Oito meses depois... oito meses. Enfim, depois de uma pequena pausa por causa dos estudos eu finalmente consegui terminar esta que foi a minha primeira e provável ultima fic. Eu sei que o final não vai agradar a todos, mas foi o que eu consegui imaginar e escrever. Vou deixar minhas ultimas palavras para o ultimo capitulo que será postado amanhã. Obrigado :)