Night Shadow
10 A decisão
Notas iniciais
Palácio Sombra da Noite – Dois dias antes
Os últimos dias haviam sido praticamente iguais para os Night Shadows, a rotina deles girava em torno de apenas três atividades, gerenciar treinamentos, manutenção de assuntos externos, e reuniões intermináveis em busca de um único objetivo: Resgatar Nico. Mesmo depois, de passados dois dias desde a sua captura, eles ainda não haviam chegado a um plano que tivesse relativas chances de sucesso, e muito disso, se devia a falta de informações que os deixavam às escuras, na procura de uma solução para a crise que havia se instalado entre eles.
— Isso não pode estar acontecendo, já fazem dois dias desde que ele foi capturado, e nós ainda não fizemos nada, que tipo de imortais todo poderosos nós somos? Quando eu penso no que ele deve estar passando... – Thalia se lamentou, enquanto abaixava a cabeça em frente aos dedos cruzados com os cotovelos sobre a mesa. –
— Nossas opções não são nada boas, não podemos simplesmente ataca-los, quando nem sabemos onde Nico está sendo mantido, e nossa outra opção... – Megan lembrou em um de tristeza. –
— Vai de encontro aos nossos ideais, como podemos nos dizer mais aptos a governar se nos rebaixamos ao mesmo nível que eles? – Akame completou, apertando a mão de Thalia por baixo da mesa e recebendo um olhar de gratidão silencioso. –
— No entanto, esta parece ser nossa única opção agora, é isso ou deixar Nico a mercê das crueldades dos Olimpianos, mas eu realmente não sei se devemos mesmo fazer algo como isto. – Christian disse hesitante. –
— E não vamos. – Disse uma figura recém-chegada. –
— Percy? – Todos na sala disseram ao mesmo tempo. –
— O que aconteceu? – Calipso começou o bombardeio. –
— O que você fez? – Megan questionou. -
— Onde você foi seu idiota? Como ousa nos deixar tão preocupados? – Thalia perguntou, aliviada pelo seu irmão parecer tão bem depois de tudo aquilo. -
— Você está bem? Por que se estiver não será por muito tempo? – Akame finalizou com uma pequena ameaça carinhosa, mas internamente feliz por ele estar bem. –
— Também estava com saudades meus queridos. – Nix acenou com ironia atrás de Percy, que suspirava ao pensar no interrogatório que seria obrigado a responder depois. -
— Vamos conversar sobre tudo isso depois, agora vamos ao que é mais importante: nosso plano para resgatar Nico. – Disse ele tentando acalmar os ânimos. –
— Hump, muito bem se você tem um plano pode falar Senhor Luz da Razão. – Thalia falou desconfiada. –
— Vamos sequestrar Artêmis, e exigir Nico em troca. – Respondeu ele seriamente, quase fazendo todos caírem da cadeira. –
— Mas você acabou de dizer que não iriamos fazer isso. – Thomas disse confuso e cético, depois de ouvir o que achou ser uma brincadeira. –
— Porque não vamos, não ao pé da letra, mas os nossos inimigos são os Olimpianos, seres milenares que tem experiência interminável em combates e guerras, e disposição para usar tudo o que puderem em seu favor, ou seja, não poderemos ser nós mesmos em frente a eles, temos de nós mostrar como figuras fortes que também estão dispostas a abrir mão de tudo para conseguir a vitória, e isso inclui a vida dos nossos próprios aliados, que também deverão estar dispostos a morrer pela nossa causa. Nesse caso, teremos de dar a entender que Nico não é importante para nós, ele será apenas um peão, uma peça sem importância, assim como eles tratam seus próprios filhos. Em outras palavras teremos que atuar quando formos confronta-los. – Ele explicou depois de imitar o ato de Nix e sentar-se a mesa. –
— Estou começando a entender, mas acho que você deve explicar melhor como exatamente vamos sequestrar Artêmis sem fugir dos nossos ideais? – Megan murmurou. –
— Bem, o meu plano é o seguinte, como nós sabemos, Artêmis é a deusa mais atuante no mundo mortal, teoricamente tornando-a o alvo mais fácil para nós, mas à dois empecilhos no nosso caminho, primeiro estão as caçadoras que fazem parte do grupo que queremos poupar nesta guerra, e em segundo está justamente o fato de que algo tão baixo como um sequestro vai de encontro ao que acreditamos e as nossas bandeiras de ordem e justiça. – Explicou ele. –
— Então, o que você sugere? – Akame questionou. –
— Bem, duas pessoas serão primordiais para o sucesso do meu plano, Thalia e Calipso. – Percy afirmou. –
— Nós? Por que? – Calipso perguntou. –
— Uma armadilha, eu já vi você fazer diversas coisas com magia, coisas incríveis e inimagináveis, você acha que poderia ser capaz de criar uma barreira ilusória? Do tipo que deixaria quem quer que estivesse dentro preso em um tipo de ilusão? – Disse ele olhando-a com expectativa. –
— Bom, seria muito complicado, mas eu acho que sim. – Falou ela fazendo ele sorrir. –
— Serio que você pensou nisso tudo sozinho? – Thomas perguntou com uma falsa expressão de incredulidade. –
— Eu posso ter tido alguma ajuda, mas a maior parte foi de minha autoria. – Percy respondeu vendo Thomas sorrir para ele. – Mas isso não importa, vamos voltar...
— Você se esqueceu de uma coisa, vocês também iriam precisar de uma barreira que isole presenças e impeça comunicações. – Lembrou Nix. –
— Sim, sim, mas eu tenho certeza que Calipso pode cuidar disso, mas voltando... – Percy tentou retomar. -
— Não sei porque, mas eu não estou gostando do rumo dessa conversa. – Thalia disse desconfiada. -
— Acabaram? Pois bem, não se preocupe você vai se sair bem, tudo que você terá de fazer é aparecer no acampamento e incitar um combate com Artêmis, logicamente você terá de fazer com que ela te persiga junto com as caçadoras, e para isso você vai ter que... “se doar pela missão” digamos assim, então você atrairá ela para a nossa barreira. Desse modo, não teremos de apelar para coisas como encarceramento e lutas onde inocentes podem ser prejudicados, vamos utilizar dos nossos poderes e inteligência ao máximo para destruí-los de dentro para fora. – Decretou ele inflando o ânimo de todos. –
— Então você quer dizer... – Megan insinuou. –
— Sim, a peça que restava já está em meu poder, com isso poderemos pôr em pratica nosso plano principal para aniquilação completa dos deuses, e assim, amanhã será o dia que ficará marcado como aquele em que se iniciou a queda dos Olimpianos. – Finalizou ele se levantando como os demais. –
— Então, vamos nessa. – Disse Akame, olhando para cada um naquela mesa, era incrível como antes o clima era completamente o oposto, e a chegada dele havia sido o suficiente para mudar o ânimo e coloca-los mais uma vez de volta ao jogo, “ele não era o líder à toa no fim das contas” ela relembrou uma de suas conversas. – É bom tê-lo de volta. –
— É bom estar de volta. – Disse ele enquanto sorria para ela. -
Sala dos Tronos – Dois dias depois
— Então Zeus o que vai ser? Vai tentar a sorte ou ouvir a razão? Escolha, violência ou vergonha? – Percy questionou do alto do trono do rei dos deuses. –
Cada palavra dita pelo filho de Poseidon, aumentava a pressão sob o rei dos deuses, enquanto uma parte dele dizia que como rei e protetor do Olimpo ele deveria zelar pela integridade dos seus filhos e irmãos, a outra dizia que ele deveria ignorar tudo e proteger o orgulho dos Olimpianos que já fora tão pisoteado e massacrado por aqueles vermes traidores. Aquela sem dúvidas, era uma decisão impossível, pois não importava qual escolha ele fizesse, ambas as alternativas culminariam em serias consequências. A única questão a ser vista era, qual decisão traria menos decorrências para eles?
— Se nós decidirmos agir de acordo com os seus termos, que garantias teremos de que vocês irão nos devolver Artêmis? – Atena perguntou astutamente. –
— Bem, você tem razão, realmente nós poderíamos ficar com Artêmis, mesmo que nos entreguem o seu refém, mas isso é algo que seria mais a cara de vocês, não nossa, provavelmente vocês devem ter ouvido um relato bem conveniente a nosso respeito, então não devem nos conhecer direito, mas não se enganem, nós temos princípios e pretendemos segui-los. – Thalia falou seriamente. –
— Isso não nos dá nenhuma garantia, acha mesmo que somos tão tolos assim? – Retrucou a deusa com rispidez. –
— Você terá de confiar em nós, vocês não têm escolha, talvez se tivessem sido um pouco mais cuidadosos, a situação poderia ser totalmente diferente... ou não né? – Percy disse acenando a mão em um gesto de displicência. -
— Chega de brincadeiras, chega de rir da nossa cara. Não importa o que eu escolha, eu juro que o matarei da forma mais lenta e cruel possível, eu vou saborear cada grito, cada expressão, e cada sofrimento seu, você jamais terá descanso, eu mesmo vou garantir que tenha uma eternidade de sofrimento. Então pode comemorar agora sua pequena vitória, pois vai ser última vez que sentirá algo parecido com felicidade. Atena, vá buscar aquele pedaço de carne podre e entregue a eles, e é melhor que Artêmis esteja aqui depois disso, senão nada vai me impedir de destruí-los, vocês dois. – Zeus finalmente cedeu em tom venenoso, e com uma expressão dura e fria como mármore, que quase provocou arrepios nos Night Shadows, mas o modo como eles obterão a imortalidade não deixava que qualquer ser conhecido no mundo mortal os amedrontasse. –
Atena não ousou fazer um mínimo questionamento ao pai, e simplesmente se tele portou da sala, deixando para trás, um clima apocalíptico. Nenhum dos três presentes na sala davam sinais de quebrar o silencio frigido que se instalou após a fala do rei dos deuses. Os Imortais da Noite aguardavam com expectativa os próximos segundos, se algo desse errado, se Zeus ou até mesmo Atena perdessem a calma enquanto estivessem com a posse de Nico, tudo seria em vão e o filho de Hades seria morto em frente aos seus olhos, era como pisar em ovos, um movimento errado a partir dali seria fatal. Já Zeus não tinha pensamentos tão racionais assim, seus pensamentos giravam em torno das milhares de formas com as quais ele poderia matar Percy Jackson enquanto a troca era feita.
— Aqui está ele. – Disse Atena enquanto o segurava com o braço em torno do pescoço e uma adaga de ouro posicionada em cima de sua jugular. – Agora tragam Artêmis até aqui, ou o acordo será desfeito, e ele morrerá agora. -
— Nico... O que vocês fizeram com ele seus malditos, vocês vão morrer agora. – Rosnou Thalia tracionando a corda do arco de épiro e colocando a cabeça da deusa da sabedoria na mira da flecha. –
— Thalia, acalme-se. – Disse Percy descendo do trono. – Entreguem ele primeiro, depois libertaremos ela. –
— Você só pode estar... – Atena começou a perder a paciência. –
— Entregue-o Atena. – Zeus disse em um tom cortante enquanto perfurava Percy com um olhar assassino. –
— Mas... – Ela calou-se depois de receber seu próprio olhar paterno. – Como queira, mas é melhor cumpram sua parte. – Ela falou antes de jogar o filho de Hades como um boneco em direção aos braços de Thalia. –
— O que fizeram com você? – Lamentou-se a Night Shadow enquanto o pegava nos braços e acariciava seu rosto delicadamente. –
— N-Não se preocupe você veio no fim das contas... – Nico disse com a voz fraca. –
— Eu sei muito legal, não é? Eu vim salva-lo das mãos da bruxa má. – Ela falou enquanto sorria com os olhos marejados. –
— Muito idiota eu diria... Mas eu estou feliz que tenha vindo. – Ele sussurrou antes de receber um pequeno beijo sobre seus lábios, aquele pequeno gesto, um simples toque dos lábios de sua amada, quase o fazia se esquecer de tudo pelo que ele havia passado. –
— Agora onde ela está? Traga Artêmis de volta ou pagará por seus atos aqui e agora. – Zeus sibilou. –
— Sequoia National Park, podem ir lá conferir, ela deve estar muito confusa agora então tentem ajudá-la a entender a situação, seria bem divertido ver a cara dela depois de saber a verdade, mas agora nós estamos saindo, obrigado por todo o entretenimento, e nós veremos em breve. – Disse Percy se dirigindo em direção aos seus companheiros e dando as costas para os Olimpianos. –
Depois de proferir estas palavras, o líder dos Night Shadows teve que se mover com a mesma velocidade de um flash de luz. O raio mestre de Zeus veio com um impacto devastador sobre o filho de Poseidon. O golpe foi tão forte que provocou rachaduras por todo o chão, danificou os tronos e fez uma parte do teto desabar, tamanha a força do golpe infringido pelo deus dos trovões, logo depois uma cortina de poeira e fumaça cobriu toda a sala limitando a visão dos presentes.
— Belo golpe, mas você deveria tomar cuidado, isso pode acabar ferindo alguém. – Disse Percy em meio a fumaça, ele segurava o raio em suas mãos com força, o dano tinha sido mais extenso do que ele imaginava, suas mãos estavam quase em carne viva e seus antebraços estavam completamente queimados. –
— Eu não esperava que funcionasse, mas que fique de lembrança, a próxima vez que nos vermos será para pôr um fim em tudo isso, e eu garanto, eu sairei vencedor e lhe ensinarei, e a qualquer um, o que acontece com quem mexe com os Olimpianos. – Zeus disse com um olhar cheio de malicia. –
— A próxima vez que nos vermos, nenhum de nós vai se segurar, e quando isso acontecer eu não irei mata-lo, eu irei limpar a sua existência desse mundo, eu irei apaga-lo e você será apenas uma triste lembrança de um passado em que todos irão se envergonhar de saber que existiu. Cada vida que você tirou, cada vida que você atormentou, e cada tormento infringido por você será vingado, prepare-se, pois, a sua imundice está prestes a ser varrida desta existência. – Percy disse em um tom gélido depois de atirar com violência o raio em direção ao rei dos deuses. –
Os Night Shadows se retiraram logo depois, deixando Zeus e Atena sozinhos em meio a destruição, aquele encontro ficaria marcado para sempre na história, como um dia em que os Olimpianos foram formalmente desafiados para a guerra. Zeus retirou-se logo depois, tudo aquilo tinha sido demais para o rei dos deuses, provavelmente algum lugar do mundo iria ser assolado por tempestades devastadoras, enquanto o deus dos trovões expressava toda a sua fúria. A única restante na sala fora a deusa da sabedoria, que teria de responder a todas as perguntas dos malditos deuses que já começavam a chegar em busca de explicações para toda aquela destruição, mas naquele momento Atena possuía uma única certeza, o clímax da guerra estava próximo, e o que quer que fosse acontecer ao final daquela guerra, com certeza iria mudar para sempre o destino da vida na terra, para o bem ou para o mal, a paz havia chegado ao fim.
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