Night Guest

3 Capítulo 3 - Família


Chovia do lado de fora e dentro do carro fazia frio, o radio tocava Pear Jam enquanto Clair pensava em algum assunto para quebrar o gelo.

“Eu poderia perguntar como foi o dia deles, comentar algo sobre o clima ou...”.

Seu pensamento foi interrompido quando Max começou a falar.

Max: Nunca vi você nessa cidade, você se mudou para cá há pouco tempo?

Clair ficou surpresa com a pergunta. Max era muito tímido, era surpreendente ele estar falando com uma estranha, mas do que isso, ele estava dando carona para uma estranha. Só depois de algum tempo que eles haviam saído do colégio foi que Clair percebeu isso.

Lynn, que estava olhando para a janela acompanhando as gotas que escoriam no vidro, se virou com um sorriso surpreso e respondeu um tanto animada.

Lynn: Sim, eu e minha família viemos de Appling, chegamos semana passada.

Max: Mas Appling é um bom lugar para se viver, pelo menos é o que dizem.

A expressão de Lynn se tornou séria.

Lynn: Tivemos alguns problemas lá.

Percebendo a mudança da expressão da nova colega, Clair mudou de assunto.

Clair: Como foi o primeiro dia no colégio?

Mas antes que ela pudesse responder o carro parou. Eles haviam chegado à casa de Lynn. A casa era branca com janelas marrons e com uma cerca branca e baixa. Na varanda antes da porta de entrada havia duas cadeiras de madeira, uma delas ocupada por uma sombra que logo se levantou para encarar o carro.

A sombra era um menino de mais ou menos 17 anos com cabelos pretos, olhos castanhos escuros e vestido com um casaco preto e jeans preta.

Clair: Quem é aquele?

Lynn: Aquele é meu irmão. Vergil.

Max: Então você tem irmãos?

Lynn: Só ele, na verdade, ele é filho de outro casamento do meu padrasto.

Max: Entendo...

Lynn: Bem, obrigado pela carona. Nos vemos amanha?

Max e Clair: Claro.

Vergil sorriu ao ver a irmã saindo do carro e com esse sorriso, agradeceu a Max por trazer a irmã.

Clair: Vamos?

Max: Sim

Clair: Notei algo entre vocês dois...

Max: Só queria quebrar o gelo

Max começou a dirigir enquanto Clair olhava pela janela assistindo as casas passarem. A menina pensava em porque Max havia falado e dado carona para aquela menina. Não que ela estivesse gostando dele, mas sentia um ciúme de irmã para irmão, afinal, ela conhecia Max há muito tempo.

Max: Chegamos.

Ela nem havia percebido que a casa de Lynn era há mais ou menos três quadras de distancia da casa dela.

Clair: Ah, valeu pela carona.

Max: Por nada, até amanha.

Clair: Até e vá com cuidado.

Max balançou a cabeça positivamente e esperou Clair entrar em casa para seguir seu caminho. Quando olhou para frente viu um vulto preto correndo para longe do carro.

Max: Que porra?!

Max saiu do carro e olhou ao redor procurando o vulto, mas não viu nada. “Já está tarde e você está com sono, só isso”, pensou ele ao entrar no carro.