Nicky Snow

27 Capítulo 24 – A Estrada da Rosa


Capítulo 24 – A Estrada da Rosa

Eles pararam quando o sol estava próxima a abandonar o céu, montando as barracas. Willas teria sua própria barraca, mas Nicky ficaria com Tommen e Leona, embora o príncipe ainda não estivesse acostumado à loba.

O casal estava passeando com o animal quando pararam perto de uma cachoeira. O grupo seguiria da forma mais rápido possível, sem parar em nenhum castelo. Segundo Willas, ele era esperado em Jardim de Cima com grande importância, já que o local não podia ficar vazio.

— Queria te mostrar este lugar. – Ele explicou. – É um dos meus favoritos em todos os sete reinos.

Ela admirou a paisagem com um sorriso afetado no rosto.

— Não entendo porque não pode ficar em minha barraca. – Ele lamentou.

— Tommen não dormirá sozinho, pelo menos não esta noite. – Ela sorriu triste. – Ainda não se sente seguro o bastante.

— Ele é um garoto corajoso e muito bondoso. – Afirmou. – Quer nadar um pouco? Ainda está quente, a água parece bastante agradável.

Ela corou e o marido riu.

— Pedi que não nos incomodassem. – Ele completou. – Leona pode descansar um pouco ao lado da água... – Ele se aproximou dela e a enlaçou pela cintura, tocando sua cintura com um dos braços e roçando os lábios dos dois. – Eu gostei bastante da sua atitude ontem à noite. Podíamos tentar repetir na barraca...

Nicky riu. Willas podia ser um homem sério, mas parecia gostar muito dela, até mesmo estar apaixonado. Ele pousou um beijo em seus lábios e logo suas línguas baralhavam vorazmente.

— Venha. – Segurou a mão dela, sem querer realmente se distanciar. – Vamos.

— Leona. – Ela chamou. – Vá descansar um pouco no acampamento.

A loba obedeceu enquanto os dois caminharam em direção à barraca, mas ela parou quando passaram pela casa em que ela e Tommen haviam sido transportados desde o castelo. Era mais discreto, e ela se sentiria menos envergonhada.

— Aqui. – Pediu, ajudando-o a subir as escadas.

O marido apagaria a noite anterior de sua memória. Ela insistiu para si mesma.

Logo Willas deixou a bengala de lado, tomando-a seguidas vezes até o anoitecer, quando precisaram sair para jantar com os outros homens, e foi um vinho fraco que a consolou.

Tommen parecia muito empolgado com a ideia de conhecer a Campina, e não se continha falando com a irmã sobre a ansiedade em chegar. Ao lado da dona, Leona comia calmamente, observando a roda e recebendo carinhos aleatórios de Willas e sua esposa.

— Quando chegaremos? – Ele se virou para o marido.

— Em pouco mais de duas semanas se seguirmos no mesmo ritmo de hoje. – Ele sorriu. – Somos viajantes velozes.

Os viajantes novatos sorriram antes de voltar ao jantar, conversando com alguns cavaleiros antes de se retirar para as barracas. Tommen adormeceu rápido ao lado de Nicky, assim como Leona do lado oposto, mas ela manteve-se acordada por horas a fio. O quê tivera com Joffrey naquela última noite atormentava sua mente sempre que se via no silêncio.

Se não podia evitar deitar-se com Willas – sendo ele seu marido – e isso já era uma traição a Robb, seu verdadeiro amor, qual não fora o tamanho de seu erro ao não lutar contra Joffrey? Se um dia contasse a ele, iria o rei do Norte perdoá-la?

Aquela era sua vida agora.

Faltavam poucas horas para a alvorada quando uma ideia insana lhe veio à mente. Era louco e estúpido, mas podia dar certo se ela fosse tão rápida e sorrateira quanto era em Winterfell.

Silenciosamente, Nicky acordou Leona e atou a adaga à coxa, procurando o vestido mais velho e simples que possuía no baú antes de sair da barraca.

Iria fugir e, quando se visse longe o bastante para não acordar o acampamento, roubaria um cavalo e iria ao acampamento de Robb com Leona. Ele com certeza a receberia, e não faltaria comida e segurança com Leona ao seu lado.

Ela se sentiu vitoriosa ao se afastar do acampamento para a cachoeira de mais cedo até um barulho despertá-la.

A loba gigante ao seu lado se posicionou protetora à frente da dona, e foi uma grande surpresa quando o animal irmão de ninhada se aproximou sorrateiramente.

— Nymeria. – Nicky sussurrou e logo a loba dourada não estava em posição de ataque, mas se aproximando da irmã.

Mesmo depois de tanto tempo as duas se reconheceram imediatamente. A loba selvagem de aproximou de Nicky como se analisasse o perigo, mas logo se sentiu confortável para se roçar em sua perna, reconhecendo seu cheiro.

A lady não se importou com a sujeira de Nymeria enquanto a acariciava.

— Sinto tanta falta de Arya quanto você deve sentir. – Confessou aos murmúrios.

Ela pulou quando ouviu o barulho de passos, e logo a loba selvagem correu, deixando-a sozinha com Leona.

A loira tentou se esconder, mas não houve tempo. Com o sol nascendo atrás de si, ela logo foi reconhecida e reconheceu o cavaleiro da guarda real que viera para protegê-la, Sir Balon Swann.

— Princesa. – Ele a reconheceu. – O quê faz fora da barraca a esta hora? Não é seguro para uma senhora, principalmente de seu porte.

Ela tentou não parecer desapontada ou irritada, dissimulando uma expressão de inocência.

— Eu pensei em caminhar. – Explicou. – Sabe, faz algum tempo desde que estive num lugar tão belo e verde. Sei que partiremos cado, então não queria atrapalhar a programação com um passeio bobo.

O cavaleiro relaxou, visivelmente acreditando nas palavras da moça.

— Quando quiser dar passeios peça a companhia de um de nós, não é seguiro que vá sozinha. A estrada está sendo atormentada por uma companhia se vagabundos e uma matilha de lobos selvagens.

— Agradeço a preocupação, Sir. – Sorriu o mais convincente que podia mesmo que estivesse mentindo.

Ele confirmou levemente e se afastou, e logo todos os outros estavam de pé.

Na noite seguinte Willas a convenceu a dormir em sua barraca, já que Tommen estava muito menos assustado em dormir sozinho, e os guardas a havia assegurado que estariam atentos a qualquer imprevisto.

— O quê te deixa tão preocupada? –O marido afastou seu cabelo da frente do rosto enquanto estavam deitados. – Os cavaleiros estão a postos, eles não deixarão seu irmão em perigo algum.

Ela hesitou na resposta, mas ele lhe inspirava uma confiança que só Jon Snow o fizera em anos.

— Prefiro protegê-lo sozinha. – Se alguém tentar entrar comigo do lado de dentro será muito mais simples impedi-lo.

Qualquer outro homem teria rido, mas não Willas.

— E o quê impediria qualquer um de machucá-la?

Ela suspirou, sabendo que precisaria contar tudo aquilo a ele mais cedo ou mais tarde.

— Quando eu vivia em Winterfell e tinha quase 13 anos estava sozinha nos estábulos e alguns bastardos me encurralaram. – Lembrou-se e o marido pareceu incomodado com a história. – Alguns eram mais velhos, outros mais novos... Alguns só queriam me intimidar, mas alguns certamente queriam algo a mais. Eu estava crescendo e não parecia mais uma criança. – Explicou, tentando amenizar o relato. – Meu irmão... Digo, o bastardo de Lord Stark viu o quê estava havendo e os enxotou. Depois disso ele me ensinou a lutar e Lord Stark me permitiu treinar com os outros homens.

Ela sorriu um pouco com as memórias que passaram por sua mente.

— Acho que nunca fui uma donzela indefesa.

Os olhos do herdeiro da campina estavam surpresos e intensos. Ele sempre ficava animado sobre a jovem esposa, e ansiava conhecê-la melhor.

— Sabe brandir uma espada?

— Não perfeitamente. – Ele se mexeu um pouco. – Porém melhor que alguns escudeiros. Sou melhor com ataques próximos, é o quê sempre me diziam. Pequena, ágil e mais difícil de ser vista se me mover da forma certa.

Ele sorriu com as novas informações.

— Você com certeza não é igual a qualquer outra esposa de Westeros. – Elogiou.

— Você também não é igual a qualquer outro marido de Westeros. – Ela sorriu um pouco. – E isso é bom.

Ele sorriu. Os papéis com certeza estavam diferentes, mas eles não se importavam.

— Quando meu pai me falou sobre nosso casamento me senti frustrado. – Ele contou. – Havia ouvido pouco sobre você depois de sua chegada, e tudo se resumia à sua beleza e voz. Nada sobre sua personalidade, ou se possuía uma língua afiada, do quê gostava ou qualquer coisa que me desse uma verdadeira impressão sobre você. Presumi que fosse como outras senhoras: Frívola e superficial, esperando por um marido que lhe diga como andar, falar ou comer ou um marido que só a procurasse à noite para cumprir os deveres.

Nicky o analisou com atenção enquanto ele falava. Também havia tido uma impressão ruim sobre ele, e tudo havia ido ao chão quando o conheceu de verdade.

— Achei que haviam exagerado sobre sua beleza até o momento que a vi. – Ele riu e seu rosto ficou um pouco avermelhado, tocando a bochecha da esposa. – E sua personalidade é encantadora. Você é diferente, e isso é maravilhoso.

Ela acompanhou a expressão de alegria dele, e logo foi puxada pra cima de seu corpo. Logo ele a tomou, sem nem mesmo se envergonhar pelos outros estarem ouvindo seus suspiros e gemidos. Naquela madrugada Nicky acordou, intentando fugir, mas Willas pareceu ter previsto seus planos – embora nem mesmo os conhecesse.

— Durma mais um pouco. – Ele sussurrou, grogue, apertando-a contra si. – Ainda temos tempo antes de partir.

Quando dormiu, sonhou com Joffrey, suas mãos e o membro lhe invadindo com brutalidade. No sonho, ele usava uma das mãos para sufocá-la, e seu corpo não obedecia suas ordens de fuga. E todas as noites seguintes foram assim.

Quando chegaram às terras da campina, suas esperanças já haviam terminado. Não conseguiria escapar, e agora sua fuga cabia apenas a Robb.

“Diga-me onde está, irei buscá-la, nem que tenha de guerrear contra todos dos sete reinos para isso.” — Ela se lembrou das palavras da última carta que recebera. – “A tomarei para mim nem que precise derrubar toda a casa de seu maldito marido para isso”.

Um arrepio correu por sua coluna ao imaginar a invasão do castelo que nem mesmo conhecia.

Na manhã de seu aniversário de um mês de casados, mesmo após muita a insistência de Willas e estranhamento dos cavaleiros, ela estava a cavalo ao seu lado. Como estavam próximos, eles diminuíram o ritmo do trotar até chegarem aos portões, organizados em filas. Os cavaleiros juramentados de Jardim de Cima foram os primeiros a entrar, seguidos dos dois mantos brancos e então o novo casal, logo à frente da carruagem onde Tommen assistia tudo curioso.

O lugar era muito bonito. Bastante claro e colorido, com alguns lagos do lado de dentro, e todos usavam roupas coloridas. O próprio marido havia pedido a Nicky que usasse um dos vestidos que ele lhe dera de presente de casamento, para que se aproximasse mais dos vassalos.

Willas foi o primeiro a descer do cavalo, indo até sua esposa e ajudando-a da melhor forma que pôde. Quando os dois estavam de pé, ele segurou sua mão.

— Bem vinda ao seu novo lar.