Nicky Snow
28 Capítulo 25 – High Garden
Capítulo 25 – High Garden
Willas guiou a esposa pelo pátio com um olhar leve e parou em frente a um homem um pouco mais velho que cinquenta anos, com correntes que logo revelavam seu status de Meistre. Ele se curvou, assim como todos que faziam reverência a ela e Tommen. Com uma mão, como vira o pai fazer em Winterfell, ela fez um sinal para que se levantasse, e todos o seguiram.
— Nicky, este é o Meistre Evik. – Willas apresentou. – Foi ele quem me ensinou a ler, escrever e contar.
Ela sorriu. Evik parecia uma versão mais jovem de Meistre Ludwig.
— Também participei do parto de Lady Margaery, senhor. – O velho sorriu. – É uma honra dar-lhe as boas vindas, milady. As histórias de sua beleza não fazem jus nem à metade da imagem real.
Ela agradeceu gentilmente, notando os diversos elos que ele carregava antes que o homem se distanciasse poucos centímetros.
— Preciso retirar-me, mas podem me convocar se houver qualquer necessidade.
Quando ele se afastou, os dois caminharam até a linha de homens acompanhados – em sua maioria – de esposa e filhos.
A princesa cumprimentou a todos com doçura, tentando reter todos os nomes, e logo já haviam passado de metade dos grandes senhores.
— Minha senhora. – Um homem de feições duras a reverenciou levemente. – Sou Randyl Tarly, esta é mina esposa Melessa, um de nossos filhos, Dickon, e sua esposa Eleanor.
— É um prazer, Lord Tarly. Onde estão seus outros filhos, se me permite a pergunta.
— Talla, Maryl e Dalena repousam em nosso castelo, em Monte Chifre. – Explicou e seus lábios se contraíram num segundo de desgosto em relação à resposta seguinte. –Meu primogênito, Samwell é um membro da Patrulha da Noite.
Willas notou a atenção da esposa e a mudança em sua postura quando ele citou o exército negro.
— Seu filho presta um serviço muito honrado ao reino, senhor. – Alfinetou com um sorriso. – Lady Mellesa e Lady Eleanor, se importariam de se juntar-se a mim e outras senhoras num chá em poucas horas?
Ela havia convidado todas as senhoras de alto nascimento da campina através de seus maridos, mas Mellessa havia despertado sua atenção. A mãe com certeza teria contato com Samwell, e talvez este conhecesse Jon.
Não que o irmão fosse um rapaz fortemente simpático, mas devia ter algum amigo na muralha.
— Será uma honra, Senhora. – Melessa respondeu finalmente.
— Ótimo. Nos encontraremos em breve. – A jovem saiu.
As ideias ferveram ao ponto de borbulhar em sua cabeça. Se Jon e Samwell Tarly fossem amigos e Melessa Tarly fosse confiável, talvez pudesse entrar em contato com o irmão.
Sem nem mesmo perceber, ela esfregou o estômago e o marido logo se preocupou.
— Sente-se bem? – Ele indagou com um vinco formado acima do nariz, bem entre as sobrancelhas.
— Sim. – Ela sorriu. – Apenas um pouco de desconforto. Foi uma longa viagem e comer na estrada pode não fazer muito bem.
— Devia descansar. – Ele sugeriu.
Nick negou rapidamente.
— Quero conhecê-los.
Ele não negou o pedido. Os grandes lordes haviam se afastado e os menor esperavam por sua atenção. Willas observou encantado como a esposa era doce com as centenas de pessoas ali, convidando as senhoras de nascimento mais baixo – cada uma delas – para um lanche na tarde seguinte. Até mesmo as jovens bastardas haviam recebido os convites para as tardes de chá, cada uma no dia que equivalia a seu nascimento.
Talvez algumas senhoras ficassem incomodadas, mas Nicky não se importava. Sabia o peso que boa parte dos bastardos carregava nos ombros enquanto discriminados por todos. Não queria ser uma daquelas senhoras que os fazia pagar por erros de seus pais.
Quando as casas menores se foram, sobraram os trabalhadores do castelo. Eles a fizeram se lembrar dos que a haviam acompanhado em Winterfell e seu coração mais uma vez se apertou de saudades.
— Haverá um banquete em comemoração às duas bodas, Milady. – O rechonchudo mestre da cozinha informou. – Há algo que lhe agrada que podemos servir?
— Sucos. – Ela pediu. – E tortinhas de amora e limão se não lhes for incômodo.
— Será um prazer.
As tortinhas de limão a faziam lembrar-se de Sansa, e as de amora de Robert.
Durante toda a viagem ela recordara-se da forma afobada que o irmão a tomara contra a mesa do rei e de quão abundando sua semente havia sido. Joffrey nunca havia estado com outra mulher antes dela, mas agora havia Margaery. O casamento seria em breve.
Ela se afastou ao finalmente perceber que precisava se encontrar com as outras senhoras.
Constrangida por estar longe de Willas, Nicky percebeu que nem mesmo havia visto o próprio quarto – para onde o marido havia levado Leona – ou qualquer lugar onde pudesse encontrar as outras senhoras.
— Milady. – Alguém a abordou, fazendo-a pular assustada. – Perdoe-me.
Era apenas uma das aias.
— Fui instruída a levá-la ao chá.
— Claro. – A loira exclamou surpresa. – Obrigada.
Quanto mais entrava na fortaleza, mais belo o local parecia. As flores estavam por todos os lados, no chão e em vasos, e um grande jardim de flores coloridas decorava o lugar onde várias senhoras a aguardavam. Entre elas, Melessa e Eleanor Tarly.
— Perdoem minha demora. – Pediu quanto todas se viraram para ela.
Havia lugar onde sentar, mas ela não tinha vontade. Embora os criados frequentemente sugerissem que ela descansasse – argumentando que a viagem fora longa e que seu corpo estaria cansado, mas ela apenas dispensou os conselhos educadamente enquanto conversava pessoalmente com cada uma das mulheres e donzelas e interessando-se genuinamente pelo quê tinham a dizer.
Quando chegou à Senhora Tarly, fez perguntas sobre a família e não demorou para que Melessa falasse sobre como o filho Sam era doce e inteligente, e como lhe enviava cartas duas vezes por mês falando sobre a muralha e o quê aprendia.
— Sam é assistente do Meistre, um homem muito idoso. É ele quem cuida dos corvos e cartas, livros e números. – Contou.
Nicky sorriu. Temia que alguém de más intenções houvesse visto a carta a Jon, mas Sam não parecia ser capaz de pôr sua cabeça na Berlinda.
— E ele tem algum amigo próximo? A vida na muralha pode ser muito solitária para se viver apenas com os corvos.
A mulher sorriu levemente.
—Tem um amigo sim, um bastardo do Norte.
A loira se inclinou em sua direção com os olhos verdes atentos.
— Creio que se chame Jon. – Ponderou. – Sim, Jon Snow. Um rapaz muito honrado, mas não sei quem é seu pai.
Embora a parte que lhe interessada houvesse passado, Nicky sabia que não seria seguro que o assunto terminasse ali, e logo olhou a quieta Eleanor ao lado da sogra.
— Fale-me sobre sua família, Eleanor. – Pediu.
A jovem contou sobre os pais e irmãos, e sobre histórias de infância e do relacionamento com Dickon, mas sua ouvinte estava mentalmente distante.
“Jon não está sozinho” era tudo o quê podia pensar. Apenas esperava que fantasma também estivesse bem.
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