Nicky Snow
24 Capítulo 22 – Lord Varys
Capítulo 22 – Lord Varys
Quando terminou, Nicky estava em prantos e uma de suas lágrimas até mesmo borrou a tinta do papel. Enrolo-o e logo um menino estava lá, mas ela não entregou o rolo. Ela o conhecia por ser quem transportava a água pelo castelo. Eram esses os passarinhos de Varys?
O garotinho saiu sem dizer uma curta palavra e ela tomou outro papel. Escreveria a Jon Snow.
Tentou controlar os tremores enquanto a mão corria o papel. Jon nunca fora muito bom lendo, não queria dificultar o quê já era trabalhoso.
“Lord Snow – Sei que não mantive contato o bastante nos últimos meses. O dia de meu nome passou, e logo o seu também passará. Já deve saber quem sou, e quem é minha família, mas conhece-me melhor que todos eles. Perdoe-me por não ter escrito e por essa ser a minha única carta. Casei-me com um Lord e estou sendo levada para seu castelo, onde não sei se terei a liberdade de escrever. São tempos difíceis, perdoe-me. Sinto sua falta. Lady N. Snow.”
Ela selou as cartas e escondeu-as no decote – o vestido não possuía mangas –, pondo um sorriso no rosto antes de sair pela porta em busca de Varys. Coincidentemente, ou talvez não, ele havia acabado de virar o corredor.
— Lord Varys. – Sorriu. – Estava pronta para convidá-lo para um lanche.
O eunuco lhe sorriu enquanto entravam nos cômodos.
— A quê devo a honra, Lady Tyrell?
Lady Tyrell. Era um termo ao qual ela ainda não havia se habituado.
Por toda vida havia sido Nicky Snow, sonhando em ser Nicky Stark, enquanto era na verdade Nicky Baratheon (Ou seria Lannister?). Agora, era Nicky Tyrell.
— Somos amigos. – Ela chamou Leona com uma das mãos. – Não é motivo o bastante?
Nicky olhou em volta antes de puxar as duas cartas.
— Esta é para meu destinatário usual. Esta é para a muralha.
Ele as separou, vendo como os dois papéis tinham cores e tamanhos diferentes.
— Perdoe-me a intromissão, minha senhora, mas preciso fazer-lhe uma pequena pergunta enquanto estamos sozinhos.
— Faça.
— Porque uma leoa manteria contato com um lobo, seu inimigo natural?
Ela segurou um suspiro.
Varys já havia provado sua confiança. Porque não contá-lo?
— O coração de uma senhora é traiçoeiro, meu bom homem. Seja ela uma loba, uma corça ou uma leoa.
Ele a olhou com uma expressão compreensiva e triste.
— Sinto muito por isso, minha querida.
Ela sorriu tristemente, mas mudou a expressão assim que ouviu os passos da aia próximos à entrada do cômodo.
— Senhora, senhor. – A moça envergonhada saudou. – Perdoem o atraso. A torta e as frutas serão servidas em breve.
Nicky confirmou delicadamente e logo a mesa estava cheia de frutas, pedaços de torta de maçã e amora, néctares e vinhos.
— Tem um ótimo gosto para vinhos, princesa. – O eunuco notou, bebendo da taça de vinho da árvore.
— Meu marido é um grande apreciador. –Serviu-se de néctar. – Não sou uma grande consumidora.
— Talvez seja em breve. – Ele deu um risinho. – A campina possui os melhores vinhos. Na verdade, o quê a campina não possui que seja melhor que esta cidade condenada?
A loira sorriu com o coração apertado.
“Eles não têm a beleza do inverno. Não têm lobos e gente que me viu crescer. Não têm Robb Stark.”
— A campina não tem você. – Lembrou e ele pareceu encher-se de si. – Já esteve lá?
O assunto fluiu quando Willas chegou, encontrou a esposa admirada com as viagens do mestre dos sussurros.
— Senhor. – Ela se pôs de pé. – Achei que fosse levar mais tempo ocupado.
— Senti falta de sua companhia, então decidi não me estender muito. – Ele deu um sorriso discreto. – Lord Varys, é um prazer revê-lo tão longe das agitações.
— O prazer é todo meu, Milorde. – O eunuco retribuiu a educação. – Sua esposa convidou-me para um lanche, espero que não se importe.
— Claro que não.
Com sua lentidão usual, ele se aproximou e sentou-se ao lado da esposa.
— Disse-me que ia ver seu irmão.
— Tenho de aproveitar meu último dia na capital até o casamento de meu irmão. – Ela sorriu. – Devo encontrá-lo assim que terminarmos o lanche.
Não demorou muito e ela logo se despediu educadamente dos dois homens, afastando-se com um olhar calmo para o lado de fora. Por dentro, seu coração gritava em desespero. Poderia fugir? Talvez não fosse difícil ir ao encontro de Robb onde quer que ele estivesse.
Não posso fugir... Seria encontrada e trazida de volta antes mesmo que eu pudesse sonhar em abandonar a fortaleza vermelha.
Não sabia onde o irmão estava, mas seu conhecimento da fortaleza vermelha a ajudava a caminhar. Pela primeira vez desde que chegara ao castelo, tinha Leona atada numa coleira ao seu lado e todos se afastaram ao vê-las juntas. A loba era conhecida como uma lenda urbana do castelo. Poucos sabiam que ela era real.
A princesa quase sorriu quando percebeu os olhares que todos lançavam nela. Além da loba chamar atenção, Nicky tinha de admitir que não estava tão triste quando deveria estar e isso refletia em seu rosto, mas ainda havia incômodos ali.
Longe da corte, não podia conter Joffrey de cometer loucuras – ainda se lembrava do pobre bobo do dia de seu nome – e seria afastada de Tommen. A não ser que...
Seus passos tomaram um pouco mais de pressa até a torre da mão, mas não precisou completar o caminho, já que seu avô parou exatamente à sua frente.
— Nicky. – Ele lhe olhou dos pés a cabeça, desaprovando a loba ao seu lado.
— Avô. Importa-se de conversarmos?
— Claro que não.
Provavelmente apenas para ser cortês, ele estendeu um braço para ela, que logo o segurou do lado oposto ao da loba.
— Perdoe-me minha intromissão, mas creio que ambos compartilhamos a ideia de quê meu tio Stannis não é a pessoa mais adequada para assumir a posição de protetor de Pedra do Dragão e suas terras. – Sua fala foi um tanto lenta, para testar a reação da mão do rei. Diante seu silêncio e um olhar de “prossiga”, ela logo percebeu que a posição não era negativa. Ela sabia que Stannis Baratheon seria morto assim que Tywin arranjasse uma solução para o problema. – E seu herdeiro mais apropriado seria o jovem príncipe Tommen. Ele é jovem e moldável, e possui uma natureza dócil e potencialmente sábia, se for guiado corretamente.
Ele a observou com atenção no assunto. Aparentemente, ela estava usando suas palavras muito bem.
— Acredito que o senhor seja a melhor pessoa para prepará-lo para o governo das terras, mas como mão do rei sua atenção está completamente direcionada a meu irmão Joffrey e ao potencial casamento de minha mãe, que continua jovem e fértil mesmo após a perda de meu querido pai.
— O quê me sugere?
Ela quase sorriu. Havia quase conseguido que a causa estivesse ganha.
— Partirei para Jardim de Cima na próxima alvorada com meu marido. – Lembrou-o. – E pensei que levar Tommen para aprender um pouco dos deveres que lhe serão dados no futuro seria uma boa ideia.
— Seu marido concordará?
Seu rosto não se abalou, embora Willas ainda não tivesse conhecimento da situação. Ela sabia que podia dobrá-lo naquele assunto. Como ele poderia recusar após a mão do rei ter dito que Tommen iria com eles?
— Willas ficará entusiasmado em ensinar Tommen se este vier conosco.
Apenas ela sabia o quê havia por trás de seu pedido. Tommen estava deixado de lado na fortaleza vermelha. Seu casamento, o planejamento do casamento de Joffrey e sua mãe sendo rainha regente haviam retirado toda a atenção familiar que ele deveria receber.
Eles continuaram caminhando silenciosamente sem que Tywin desse uma resposta.
— Por quanto tempo? – Ele perguntou por fim.
— Até o casamento de Joffrey. Se lhe agradar, podemos estender a estadia e os ensinamentos até que ele tenha idade o bastante para casar-se e assumir seu lugar de direito como protetor das terras.
Os dois pararam quando chegaram à área aberta que dava vista para o bosque sagrado, onde Sansa punha-se a rezar como todos os dias. Era mais um assunto que devia tratar. Tinha a ideia de casá-la com algum de seus novos parentes de alto nascimento, mas não sabia como.
— Avisarei para que arrumem as coisas de seu irmão. Os ensinamentos de seu marido serão valiosos. Dispensarei também mais um membro da guarda real para acompanhá-lo.
Sor Balon Swann havia sido dispensado para acompanhá-la a Jardim de Cima por tempo indeterminado.
— Se me dá licença. – Ele se afastou. – Preciso afastar-me.
Ela confirmou educadamente e, quando ele se foi, Willas se aproximou da esposa.
— Creio ter ouvido a menção de meu nome.
Ela corou como se os cabelos de Sansa estivessem espalhados em seu rosto.
— Estava conversando com meu avô. – Olhou Leona, que estava confortavelmente deitada e aproveitando o sol. – E meu irmão Tommen será dispensado conosco para Jardim de Cima.
— Seu irmão? – O marido franziu as sobrancelhas.
— Sim. Tommen precisa aprender os deveres de um Lord, já que assumirá Pedra do Dragão quando tiver a idade adequada e meu tio for devidamente punido por seu crime. Quem o ensinaria melhor que o senhor?
Willas ponderou. Tentava não ceder à persuasão dela, mas era difícil quando lhe falava com tanta doçura, inchando seu ego com tanto afinco.
— É o senhor mais sábio que conheço. – Ela continuou. – Meu irmão precisa de orientações firmes, porém delicadas por sua tão pequena idade. Quem seria mais perfeito que um dos senhores mais inteligentes dos sete reinos?
Ele a olhou com um leve sorriso no rosto. Ela sabia as palavras que deveria usar.
— Será uma honra.
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