Nicky Snow
25 Capítulo 23 – Dois leões
Notas iniciais
Capítulo 23 – Dois leões
Quando Willas se foi, ela desceu até os jardins, onde sabia que Margaery estava com as primas e a avó.
— Nicky. – A donzela correu até ela, parando quando a loba montou guarda.
— Leona, senta. – A princesa ordenou e logo o animal se sentou docilmente. – Pode se aproximar agora.
Hesitante, Margaery a abraçou, distanciando-se logo em seguida.
— Meu irmão me contou que vão para Jardim de Cima amanhã. Pensei que teríamos mais tempo para nos conhecer. – Lamentou-se. – Você irá se apaixonar pela Campina, é tudo tão lindo... E sua loba poderá correr livremente. Joffrey me disse que sentirá muito sua falta.
Nicky sorriu tristemente. Por mais que Joffrey fosse Joffrey ele ainda era seu irmão e companhia constante enquanto em Kings Landing.
— Estou passeando um pouco com Leona, mas planejo encontrá-lo para passarmos um tempo juntos antes de eu partir. – Contou e estendeu a mão para segurar a dela. – Mas estaremos de volta para o casamento, fique tranquila. Eu não perderia a união de vocês por nada.
Margaery sorriu docemente.
— Mal posso esperar. – Sua expressão se tornou sonhadora. – Mas o casamento vai demorar chegar... Vou sentir sua falta por todos esses meses...
— Você vai ver, nem vai conseguir perceber o tempo passando. – Garantiu.
As duas continuaram conversando sobre a preparação da cerimônia, embora eles ainda fossem esperar até ano novo para a festa, em comemoração à nova era. Logo um dos criados deixou um pouco de água para Leona, quando Nicky notou o cansaço da loba gigante por estar debaixo do sol há tanto tempo.
As duas logos retornaram ao aposento privado, onde a mesma foi para a própria cama, enquanto a dona se retirava novamente. O jantar seria em alguns minutos e Joffrey a havia convidado com Willas a juntar-se a ele, Cersei, Tywin, Tommen e Margaery.
Quando ela se aproximou do cômodo, seu marido também estava ali e ele lhe abriu a porta, deixando-a passar. Margaery chegou logo em seguida e o jantar foi servido.
Do outro lado da mesa, Cersei encarava Nicky com raiva. Ela provavelmente já sabia que havia sido ideia da filha levar o menino mais novo para a campina. A rainha a encarava raivosamente, como se estivesse prestes a atacá-la.
Joffrey, por sua vez, parecia alheio aos olhares da mãe, concentrado em intercalar seus olhares entre a gêmea e o novo cunhado raivosamente, profundamente insatisfeito com a viagem dos dois.
— Vejo que as roupas de Jardim de Cima lhe caem muito bem, irmã. – Ele finalmente elogiou. – Expõem sua grande beleza ainda mais que as usuais. Embora, até onde eu saiba, até mesmo trapos a deixam estonteante.
“Virá outra” a rainha regente não pôde deixar de pensar. “Mais jovem e mais bonita”
Seria ela? Sua própria filha a destronaria?
Toda Westeros sabia da beleza da gêmea do rei, era chamada até mesmo de “A mais bela dos sete reinos” pelos cantores, poetas e camponeses. Iria a jovem princesa tomar sua coroa e tudo quê lhe é amado?
Já estava levando Tommen consigo e tinha Joffrey na palma da mão. O quê mais faltava?
Longe dos pensamentos da mãe, o rei ainda não havia cessado de falar.
— Está ansiosa para a viagem? Não tem medo?
— Já percorri caminhos mais longos, irmão. – Ela o tranquilizou. – Mas me sinto nervosa pela viagem. Willas fala de seu castelo como um lugar incrível e mal posso esperar para conhecê-lo, embora saiba que sentirei falta da Fortaleza Vermelha e de suas companhias.
Ele sorriu com a deixa e juntou as mãos conspiratoriamente.
— Pois não precisam partir. Volto a afirmar que a Fortaleza possui lugar para vocês por quanto tempo quiserem.
Willas não pareceu feliz com o olhar de posse que Joffrey carregava em relação a Nicky, mas manteve-se cortês.
— Jardim de Cima precisa de um Tyrell, vossa graça. – Afirmou. – E minha esposa precisa conhecer o novo lar, afinal não podemos viver aqui para sempre.
O loiro segurou um “claro que podem”, que sairia bastante teimoso.
— Sei que vossa graça sentirá tanta falta de sua irmã quanto sentirei da minha, mas estaremos de volta para o casamento, se aprove-lo. Os deveres infelizmente precisam vir em primeiro lugar.
— Tem toda a razão. – Cersei afirmou com um olhar cínico e amargo, mas em parte triste. – É dever de Nicky acompanhar o marido para onde quer que ele vá.
O jantar prosseguiu sem qualquer outro problema e o silêncio reinou até o fim, quando Joffrey pediu a Nicky acompanhá-lo por algum tempo antes de voltar ao aposento, já que não teriam tempo de conversar na manhã seguinte.
Quando todos se retiraram, ele a levou até a varanda.
— Não parece satisfeito. – Ela notou ironicamente, pousando as mãos no parapeito, onde ele estava inclinado e apoiado pelos cotovelos.
Ele não fez questão de negar.
— Não estou. Sabe o quê penso de seu casamento. – Olhou-a raivoso. No fundo de seus olhos, ela podia sentir a fúria contida.
Oh Joffrey... Bobo e cruel Joffrey. Quantos dragões de ouro eu não daria para entender o quê se passa em sua mente em relação ao que acontece à nossa volta?
— Queria que nosso avô não tivesse arranjado esses casamentos estúpidos. – Resmungou, olhando o céu. – Podiam muito bem casar Tommen com alguma das crianças e teríamos uma aliança sem que precisassem nos sacrificar.
Ela se aproximou dele e, hesitantemente, pousou uma mão em seu braço magro.
— É o nosso dever. – Lembrou. – Meu como princesa e seu como rei. Você precisa de herdeiros, a apenas um casamento com uma senhora de alto nascimento os trará.
Joffrey se virou para a irmã, olhando seu rosto.
— Não digo que não me casaria, mas não com ela. E você não se casaria com ele. – Discutiu com uma criança teimosa. – Poderíamos dar seguimento como os Targaryen. Eu me casaria com você, e nosso filho se casaria com nossa filha, e seu filho se casaria com sua filha e assim por diante. Tommen poderia até mesmo se casar com Myrcella.
Ela se afastou com um suspiro um leve tremor de medo.
— Não somos os Targaryen, Joffrey. – Lembrou. – Parte do reino acredita que você não é digno do trono, imagine se nos casássemos?
(Atenção: Trigger Warning)
Joffrey se aproximou e afastou os cabelos dela com uma das mãos, pondo-os atrás da orelha e acariciando sua bochecha.
Ela saiu da varanda sabendo que todos podiam vê-los ali, e entrou seguida de Joffrey. Ele fechou as portas e logo se virou para ela. Os guardas estavam do lado de fora, guardando as portas contra qualquer um que ousasse entrar ou se aproximar.
— Diga, Nicky. – Ele a agarrou pelo braço do lado de dentro, sustentando um olhar de insanidade. – Diga que quer ser minha leoa e destruirei seu marido e todos os exércitos que ele trouxer contra mim. Romperei meu noivado com Margaery e me casarei com você em frente a todo o reino.
— Sabe que não posso. – Temeu o quê o irmão podia fazer com tal olhar, falando as palavras demoradamente. – Joffrey, por favor, me solte.
Ele não obedeceu.
É Joffrey. – Ela lembrou. – Não pode duvidar de qualquer coisa que ele faça.
Ela já estava contra a parede quando ele acariciou sua face e puxou seu rosto contra o seu, pousando um beijo em sua boca. Ficaram assim por um longo tempo, de lábios fechados, até que o beijo se tornou selvagem. Ela tremeu.
Nicky pôs as mãos em seus ombros para empurrá-lo, mas Joffrey puxou-a pela cintura com umas das mãos e desceu a outra até suas pernas, empurrando o crescimento em sua virilha para ela e apertando a coxa macia por debaixo do vestido.
O arrepio que percorreu o corpo de Nicky foi bastante real, mas não era o arrepio que Willas lhe causava.
Quando Joffrey alcançou a adaga, ele se distanciou para encará-la.
— Foi com isso que matou aqueles homens na baixada das pulgas? – Indagou com os olhos variando entre desejo e insanidade enquanto erguia a adaga.
Nicky confirmou com a cabeça e ele voltou com mais fúria, abrindo o vestido para alcançar os seios e apertá-los, notando as marcas que Willas já deixara lá e enfurecendo-se. Suas mãos foram dolorosas e ele mal percebeu a dor na face feminina. O coração dela estava acelerada, mas não era desejo.
O silêncio entre os dois só foi interrompido quando ele a pôs debruçada na mesa, levantando o vestido de Nicky até expor a feminilidade delicada. A irmã se apoiou nos cotovelos para tentar se pôr de pé, e Joffrey logo empurrou sua cabeça contra a mesa novamente, seu braço impedindo-a de ser levantar.
— Joffrey. – Ela gemeu de dor, buscando ar.
Peça para que ele a solte. Sua mente insistiu. Ela não pôde dizer nada.
Ele se afastou, abrindo as calças com pressa e encontrando-se extremamente excitado com a irmã. Nunca havia se sentido assim com uma mulher antes, e nunca havia tomado uma. Instintivamente, se aproximou para penetrá-la, e conteve um som de prazer quando se encontrou totalmente envolvido pela carne macia.
Foram pouquíssimos minutos – talvez devido à sua falta de experiência – para que Joffrey se derramasse abundantemente dentro de Nicky, que apenas repousara estática e pálida na superfície até o irmão se retirar de dentro de si.
Ele a limpou com um pano e a loira logo se pôs de pé para olhá-lo. Joffrey estava vermelho e com uma expressão de satisfação. Ele pousou um beijo nos lábios da irmã e acariciou sua face, embora ela ainda o encarasse sem emoções e contivesse os próprios soluços.
— Eu te amo. – Ele sussurrou.
Não. Não ama.
As lágrimas inundaram seus olhos, mas ela piscou para que ele não percebesse. Ele não a veria chorar.
(safe reading)
— Eu preciso ir. – Avisou, tentando manter os olhos secos. – Willas deve estar à minha espera.
Surpreendentemente, ela estava tão impecável quanto quando havia entrado.
— Você está... – Ele segurou sua mão, mas ela se desvencilhou novamente.
— Eu preciso ir.
Os guardas a deixaram passar sem indagar, provavelmente imaginando que chorava pela despedida, e ela foi diretamente à banheira que havia sido posta no aposento. Precisava livrar-se do cheiro de Joffrey assim como de quaisquer evidências do que ele lhe fizera.
Eles a culpariam se soubessem.
O banho deu-lhe tempo para secar as lágrimas, mas Willas notou seus olhos vermelhos quando ela se aproximou do leito.
— O quê houve? – Ele se preocupou. – Está machucada?
Ela negou com a cabeça, mantendo-a baixa quando a loba ganiu, pousando as patas dianteiras em suas pernas e tentando desvendar seu rosto.
— Nós brigamos. – Decidiu mentir, secando as lágrimas que voltaram a correr. – Joffrey sempre foi teimoso, não gosta de ser contrariado.
— Ele a machucou?
Ela negou rapidamente. Mais uma mentira.
A feminilidade ainda lhe doía pela invasão bruta, mas ela a ignorava tanto quanto as dores das mãos afoitas no corpo.
— Meu irmão nunca me machucaria. Não fisicamente. Ele vai superar minha partida.
— Quer se deitar? – Ele mudou de assunto.
Ela se aproximou dele de uma forma diferente das outras noites. Tirando os vestidos de dormir no escuro, Nicky sentou em seu colo e o beijou. Naquela noite, Willas a tomou sem nem ao menos desconfiar que não fora o único.
Ela não dormiu mais que três horas, encarando o marido, e se surpreendeu quando ele sugeriu que ficassem mais tempo. Para seu espanto, ela negou, dizendo que queria ir, antes levantar e ir até a banheira que as aias já havia preparado. Pouco mais de duas horas depois eles se afastaram para a saída da fortaleza, despedindo-se dos habitantes e pousando os olhos em Sansa por alguns segundos antes de ir abraçá-la.
Agora ela sabia como a ruiva havia se sentido.
Claro que ela não retribuiria calorosamente. Eu havia ficado parada enquanto ela sofria nas mãos da minha própria família.
Quando a menina retribuiu friamente, ela se aproximou de seu ouvido.
— Me desculpe.
Nicky esperou até que Tommen também se despedisse, e se afastou com o irmão até a casa rolante que a mãe havia lhe dado de presente, entrando enquanto Willas seguia a cavalo.
Seria mal visto se fosse ao lado da esposa e do cunhado.
A comitiva saiu da fortaleza até a Estrada da Rosa, onde ela e o irmão observaram a paisagem com admiração.
Nicky se encostou ao assento e suspirou. Havia viajado de Winterfell para Kings Landing e sua vida havia mudado completamente, e agora partia para Jardim de Cima. O quê estaria por vir ali?
Fim da fase 2
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