Nicky Snow
17 Capítulo 15 – Tywin Lannister
Capítulo 15 – Tywin Lannister

A mãe lhe explicara sobre o quê seu sangue representava e parecia satisfeita com a novidade. Depois dali, Joffrey solicitara sua presença para o café da manhã que dividiriam. Entrou em silêncio, notando o Cão a observando com atenção enquanto se sentava ao lado do irmão na mesa informal.
Quando começara a comer em silêncio, ele a interrompeu.
— O quê aconteceu ontem? – Ele perguntou sem rodeios.
Nicky gaguejou.
— Joff, por favor. – Murmurou.
Ele não pareceu convencido.
— Eu ordeno que me diga.
A menina abaixou a cabeça. Não podia contar aquilo com ninguém por perto.
— Será que podemos ficar sozinhos? – Sussurrou.
— Pra fora. – Ele ordenou, olhando o cão e ele se foi.
Ela havia contado à mãe que um cavaleiro de manto amarelo a havia salvo, mas era uma mentira na qual Joffrey não acreditara. Quando se viram sozinhos, ela contou aos murmúrios o quê acontecera quando a confusão explodiu.
— Eles a machucaram? – Ele a interrompeu. – A estupraram?
Ela negou com pressa, tentando esconder a palidez do rosto ao contar o quê fizera.
— Eu os matei.
Joffrey estava surpreso.
— Você...
— Eu os matei. Eu não sabia o quê fazer, havia uma adaga lá e eu os matei.
O rei continuava boquiaberto e seus olhos tinham um brilho doentio.
— Como os matou?
Ela gaguejou enquanto descrevia com detalhes como havia empunhado a faca no peito de um deles e cortado a garganta do outro. Quando ele a segurou pelo queixo, a menina não entendeu.
— Não fique envergonhada – Pediu. – Você foi corajosa como nenhuma outra lady seria.
Nicky suspirou e os olhos do rei não abandonaram seus lábios. Ele estava desejoso daquilo há bastante tempo, e ela não lutou quando seus lábios se tocaram.
Ali, sozinhos, os irmãos deixaram o assunto de lado e se encararam surpresos quando seus lábios se separaram. O coração de Joffrey estava acelerado de ansiedade e desejando mais um beijo. Nicky estava apenas assustada. Nunca imaginara que o rei tinha esses sentimentos em relação a ela.
Como podia? Não era natural.
Não era certo.
— Não quero me casar com Sansa. – Ele disse por fim. – Quero me casar com você.
A princesa se pôs de pé de supetão e ele a seguiu por dentro do cômodo.
— Joffrey, somos irmãos. Somos gêmeos. – Ela lembrou. – Isso não é natural, não é...
— Certo? – Ele completou. – Os Targaryen casavam-se com seus irmãos e irmãs por gerações.
E veja no quê a dinastia se tornou. Um rei louco quase matou toda a cidade num surto de loucura.
— Não me importo se a fé nos barrar. Sou o rei e posso fazer o quê quiser. Nascemos juntos, você pertence a mim e eu pertenço a você. Estaremos juntos mesmo que eu precise destruir toda a Westeros pra isso. – Ele segurou suas mãos.
Nicky não respondeu. Seu coração não se acelerou quando suas mãos se tocaram, mas ela retribuiu quando ele pousou os lábios nos seus novamente, segurando os ombros masculinos quando ele lhe abraçou a cintura, aprofundando o beijo.
Joffrey nunca me machucará. — Ela lembrou dentro de sua mente. – Ele me ama. Se preciso estar com alguém, que seja aquele que não me fará mal.
(...)
Escrevera a Robb naquela noite temendo que fosse a última vez que o fizesse. Ainda não havia recebido o retorno da carta anterior. Estaria ele ignorando-a?
“Lobo da Neve”— Escreveu com pressa. – “Ainda não recebi seu retorno. Está me ignorando ou estou sendo muito apressada? Não importa. Renly está morto. Myrcella foi enviada a Dorne. Sou uma mulher agora, e temo que isso seja minha ruína. Posso ser vendida e ainda temo que sua chegada não seja rápida o bastante para livrar-me. Temo que esta seja a última de nossas cartas mais que as outras, pois não sei se serei mantida aqui, ou se meu mensageiro ainda estará aqui. Temo também por sua vida, agora mais que nunca. Deixei de ouvir sobre você nos sussurros dos outros. Está tudo bem? Está vivo? Gostaria de enviar-lhe boas saudações, mas não posso. – Triste e preocupada, Corça de Gelo.”
Não quis contar sobre Joffrey. Não queria que ele a julgasse ou que qualquer um descobrisse seu enorme pecado.
Dias depois, do lado de fora da fortaleza, os navios de Stannis dispararam contra Kings Landing e a mãe logo a puxara consigo para um de seus círculos de oração que se formavam em batalhas.
A batalha que se seguira deu pouca trégua enquanto – ao lado de outras senhoras de nascimento elevado – Nicky cantava e rezava. Seus lábios proferiam canções à mãe, mas sua mente estava nos deuses antigos enquanto implorava por um fim àquilo. Pedia o mesmo que sempre: “que me libertem ou deem-me uma morte rápida”.
Pediu aos deuses pelos Stark e pelos Tully antes de pedir pelo irmão e o exército de Kings Landing. Cersei, ao seu lado, era o retrato da elegância e do tédio. Seu sangue havia secado no dia anterior, e estava feliz com isso.
— Vinho. – A mãe ofereceu de bochechas coradas.
— Não bebo vinho, mãe. – Lembrou.
Nem os músicos ou malabaristas conseguiram aquietar os corações presentes. Sansa estava ao seu lado — mortalmente silenciosa fora algumas palavras trocadas com a rainha. Quando a noiva de um dos cavaleiros começou a chorar, a menina não fez mais que revirar os olhos. Suas lágrimas tinham maiores utilidades.
“As lágrimas não são as únicas lágrimas de uma mulher. Tem outras entre as pernas, e é melhor aprender a usá-la”, lembra-se de ter ouvido a mãe dizer num momento qualquer antes de caminhar entre as senhoras choronas.
Joffrey regressou ao castelo – não era nenhuma surpresa – e Lancel anunciou o fim da batalha à sua mãe. Seu tio estava provavelmente morto e a rainha regente abandonara a sala depois de ordenar que subissem a ponte levadiça.
Nicky olhou para os lados. Não sabia se seguia a mãe ou simplesmente ficava ali. Olhou Sansa antes de encarar todos os outros, com os rostos banhados em lágrimas.
— Está tudo bem. – Mentiu. – A ponte foi levantada, estamos em segurança.
— O rei está ferido? – Uma esposa indagou.
— O rei voltou ao castelo, não está ferido, e a rainha retornará em breve. – Sansa afirmou.
Ao lado de Nicky, um cavaleiro segurou seu braço.
— Seu irmão mandou que fosse para seu cômodo. – Avisou. – Venha.
Se afastou lentamente ao lado do cavaleiro antes de correr com ele atrás de si. Sabia que não seria seguro ficar no castelo aberto, e logo entrou em seu quarto.
— Estarei aqui, princesa. – Ele prometeu.
Nicky não sabia seu nome.
Não teve coragem de olhar pelas janelas, ficando no chão, encolhida entre a cama e a parede. Com sorte, se invadissem seus aposentos, deslizaria para debaixo da cama e não seria encontrada.
— Leona. – Chamou aos sussurros. – Leona?
Correndo, a loba se pôs em seu colo pequeno.
— Fique aqui. – Ordenou. – Não me deixe sozinha.
* * * * *
Acordou na manhã seguinte na mesma posição em que adormecera. Com a loba no colo, encolhida. Seus músculos reclamaram da posição, mas sua mente ignorou isso.
Preparou-se para uma rendição, se fosse necessário, mas também para a vitória. Quando a porta se abriu, sua mãe a aguardava.
— Vencemos. – Avisou com um sorriso. – Seu avô está na cidade. Vista-se para conhecê-lo.
Ela não hesitou ou respondeu antes de obedecer.
Tywin Lannister era um homem intimidador com seus olhos sérios e nenhum sorriso no rosto.
— Esta é a doce Nicky. – Cersei sorriu, apresentando a filha. – Nicky, seu avô e mão do rei. Tywin Lannister.
A garota hesitou, pensando em como deveria saudá-lo, mas optou por fazer como aos outros senhores da corte.
— É um prazer, princesa. – Ele afirmou. – Acredito que sua mãe já a tenha introduzido sobre mim tanto quando me introduziu sobre você.
Não, ela não havia.
— Sim senhor. – Sorriu levemente. Tudo o quê sabia do senhor do rochedo era o quê diziam por aí, Cersei não falara muito do pai.
O quê Cersei pode ter dito sobre ela?
— É uma moça muito inteligente. – Elogiou. – Espero que isso seja algo útil.
Ela confirmou com a cabeça.
— Temos notícias para você. – Avisou com as mãos atrás das costas. – Gostaria de uma caminhada?
Havia escolha?
— Claro.
Cersei observou a filha de longe enquanto ela se afastava ao lado do avô.
— Sua mãe já me pôs a par dos fatos. – Avisou. – É uma mulher agora, e pode se casar.
— Sim senhor. – Confirmou.
Seu sangue havia sido dias antes, e já estava prestes a ser vendida.
— Estive em contato com os Tyrell, e deve saber que seu irmão e Margaery se casarão no primeiro dia do próximo ano.
“Ele irá?” Ela quase arregalou os olhos. Como assim Joffrey se casaria com Margaery?
O mesmo Joffrey que havia lhe jurado que queria se casar com ela? Seu Joffrey?
Ele havia lhe dito que faria de tudo para que se casasse com ela. A princesa não amava o irmão daquela forma, mas o sentimento de posse ainda estava dentro de si.
Cersei e os irmãos não haviam lhe contado nada sobre aquilo.
“Devia frequentar mais a corte” Lembrou-se de uma aia ter-lhe dito. Ela preferia passar os dias lendo nos próprios cômodos.
— Tentei uma aliança de casamento de sua mãe com Willas Tyrell, e uma aliança para você com Loras. – Ele continuou.
Nicky quase riu.
Loras Tyrell? Seria mais fácil que o jovem aceitasse a proposta de se casar com o rei.
— Por um infortúnio, os Tyrell acreditam que o lugar de sua mãe não é ao lado de Willas, mas se agradaram com a ideia dele se casar com você. O casamento será em breve, você partirá com seu esposo e retornará para o casamento de Joffrey. Seu noivo chegará a Kings Landing em breve.
— Em breve, avô? – Ela o olhou, esperando que ele fosse mais específico.
— Em breve.
Voltou para o aposento privado tentando não parecer apressada. Em sua mesa, a carta chamou sua atenção instantaneamente. Quando a abriu, a letra do Lobo da Neve foi logo reconhecida.
“Corça de Gelo. Perdoe-me a demora da resposta. O rei do Norte foi coroado, e pediu que a rainha devolvesse suas irmãs em troca de seu irmão e seus primos, e pediu que a princesa Nicky fosse lhe dada em casamento.”
Seus olhos se arregalaram. Casar-se com Robb Stark? Aquela seria a solução perfeita para voltar a Winterfell. Estaria ao lado de Robb e de sua verdadeira família...
Mas agora estava prometida a Willas.
Joffrey nunca permitiria.
“, mas o rei Joffrey recusou a proposta. A guerra está sendo dura. Minhas caçadas estão obtendo bons resultados, mas não sei por quanto tempo os bons tempos irão durar. Minha matilha está cercada com leões, mas não mais que você. Consegue proteger-se? Está sendo caçada? As florestas do sul não são seguras como as do Norte. Sinto sua falta ao meu lado.” – A partir dali, sua letra pareceu tremida. – “Entristeci-me quando ouvi que não podia trazê-la pra casa. Seria eu insensato ao dizer que o lugar da Corça do Gelo é ao lado do Lobo da Neve? Seria eu insensato em dizer que, após todos esses anos vivendo ao seu lado só entendi meu coração quando a vi partir? Não o trago comigo há meses, mas planejo buscá-lo em suas mãos. – Trêmulo, seu Lobo da Neve”.
As mãos de Nicky praticamente chacoalhavam quando ela buscou pela pena, sentindo o coração acelerado. Tivera sim uma quedinha por Robb quando era mais nova, mas ele nunca parecera retribuir. E se retribuísse nunca teria resultado, já que ela era apenas uma bastarda, e ele o herdeiro do Norte.
Seu coração parecia pronto a saltar da pele quando ela voltou a escrever.
“Meu Lobo da Neve. Recebeu minha carta anterior? Tenho medo de tê-lo confundido, mas só agora recebi sua mensagem. Meus temores se concretizaram: Fui vendida sem dó e piedade e serei acorrentada a uma flor até o dia de minha morte. Anos atrás nunca imaginei que meu amor seria compartilhado. Sou uma corça e você um lobo. Como saberia eu que você me olharia como algo mais que um animal a ser deixado de lado? As florestas do sul assustam-me e em breve serei trancada num jardim espinhoso. Se achas ser insensato, quê direi eu de mim? Uma corça que ama um lobo não é nada menos que insana. Cuidarei de seu coração como cuida do meu até o dia que vier buscá-lo em minhas mãos. Apressa-te e salva-me.”
Tentou respirar com mais calma, mas mal conseguia enquanto repetia o pedido no papel.
“Apressa-te e salva-me. Salva-me. Salva-me, meu Lobo de Neve. – Aos prantos, sua Corça de Gelo”
(...)
No dia da chegada dos Tyrell, Nicky viu Joffrey se arrumar para ir receber a noiva a contragosto, mas seu avô a orientou a aguardar pelo noivo dentro do castelo. Willas não havia vindo com a irmã e a comitiva, mas apenas dias depois. Seu coração estava pesado, como poderia casar-se se seu coração estava com o Stark no campo, e seu orgulho ao lado de Joffrey?
Naquela noite, as aias a arrumaram para que parecesse ainda mais bonita nos vestidos vermelhos. Os fios dourados e encaracolados caíam sobre seus ombros e decote como longos fios de ouro, suas bochechas pareciam mais coradas e os lábios levemente mais cheios, dando-a uma aparência extremamente bela e angelical.
De dentro, podia ouvir o povo aclamando Margaery, gritando bênçãos e adorações. Quando bateram em sua porta, não foi Willas que viu.
— Minha princesa. – Loras a saudou.
— Sir Loras. – Sorriu gentilmente.
— Meu irmão pede que se junte a ele em seus aposentos.
A moça hesitou, mas se aproximou do cunhado com calma, enlaçando-se no braço estendido e pondo seu olhar mais calmo no rosto antes de olhá-lo.
— É um prazer revê-la, minha princesa. –ele disse. – Está ainda mais bela.
Ela tentou conter a curiosidade, mas não conseguiu.
— Quando nos vimos pela última vez, Sir Loras?
— Me chame de Loras. – Corrigiu. – No torneio da mão, quando seu pai a apresentou ao reino. Não se lembra.
— Oh, claro. – Sorriu, disfarçando o conhecimento. – Perdoe-me a distração, não tenho uma memória muito boa.
Ele gargalhou e a menina o acompanhou, mesmo que o riso fosse um pouco exagerado.
Talvez Loras Tyrell tivesse um riso fácil.
— O quê não tem de memória possui de sobra em beleza, isso posso garantir. – Elogiou novamente. – Em breve será parte da família, princesa. Mal posso esperar para tê-la como irmã.
— Será uma honra.
Os dois pararam na frente de uma porta. Nicky sabia que aquela ala era bastante próxima aos jardins do castelo. Dois cavaleiros com as cores de Jardim de Cima estavam na passagem e abriram-lhe a porta.
— Senhor? – Ela indagou ainda na entrada.
Ela não pôde evitar tremer ao lado de Loras, que apertou seu braço com um pouco mais de firmeza.
A voz masculina soou alta e clara dentro do cômodo ventilado, fazendo-a respirar fundo. .
— Entre.
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