Nicky Snow
18 Capítulo 16 – Willas Tyrell
Capítulo 16 – Willas Tyrell

Willas estava em pé na varanda. Nicky havia ouvido falar dele várias vezes, mas ainda assim estava receosa. Em uma das mãos, a bengala apoiava parte de seu peso enquanto ele parecia assistir o mundo abaixo de si.
Com passos hesitantes, ela se aproximou das portas.
— Não precisa ter medo. – Ele avisou. – Não vou mordê-la.
Sua voz era quente e aconchegante, como uma manhã de verão.
Nicky pensou em responder, mas não tinha certeza se sua própria voz sairia da garganta.
Quando ele se virou, a respiração feminina sumiu. Ouvir falar de Willas Tyrell e presumir sua aparência através dos parentes não poderia preparar ninguém para sua real aparência. O rosto de Willas parecia esculpido pelas mãos dos deuses. Seu rosto tinha uma barba bem feita e alinhada e seus olhos azuis pareciam tão espantados quando os da própria noiva.
— Você é linda. – Espantou-se.
Nicky não conseguiu dizer nada, mas ele voltou a falar.
— Não é que eu achasse que você era feia. – Se justificou. – Mas você é... Mais do quê eu esperava.
E menina abriu a boca hesitantemente.
— Você também.
Ele estendeu o braço para que ela se aproximasse, e a loira seguiu para seu lado.
— Já esteve deste lado da fortaleza vermelha? – Ele perguntou enquanto se aproximavam do balcão.
— Nunca neste cômodo. – Corou.
— Bom, parece um tanto óbvio. – Ele sorriu levemente.
Aparentemente, Willas não era um homem de riso tão fácil quando o irmão mais novo.
— Acredito que para você a notícia de nosso casamento foi tão surpreendente para você quanto para mim. – Ele continuou. – Creio que saiba que nunca me casei graças à minha... Condição.
Os olhos verdes de Nicky foram até a perna defeituosa por pouquíssimos segundos antes de voltar ao rosto bonito que aguardava sua reação.
— Sinto muito se a decepciono.
Ela negou com a cabeça com pressa.
— Não me decepcionou. – Ela o corrigiu. Dos males, o menor. – Sabe... Alguns homens desenvolvem muito as habilidades com cavalos ou lanças e espadas e normalmente nunca têm nada para conversar com ninguém que não entenda desses assuntos. Na maioria das vezes, um a mente de um Lord é mais importante que sua força física.
Willas confirmou levemente com a cabeça.
— Do quê gosta, princesa? – A olhou.
— Não me chame de princesa. – Ela o corrigiu. – Prefiro Nicky, por favor. Vamos nos casar.
— Certo. – Ele se corrigiu. – Nicky. Do quê gosta?
— Livros, música... – Ela pensou. – Música, mas não cantores. E animais. Na verdade, eu tenho um animal de estimação, mas ela não deixa meus cômodos mais de uma vez por dia, as pessoas do castelo têm medo dela.
— Ela?
A garota sorriu com o interesse dele.
Quê estava fazendo? Era aquilo inteligente? Como podia gracejar Willas amando Robb Stark com o fundo de seu coração.
— Leona. – Explicou. – É uma loba.
Willas a olhou por segundos antes de se apoiar na perna boa.
— Posso conhecê-la?
Ela se surpreendeu.
— Você gostaria? – Sorriu.
A princesa estava se sentindo como uma criança perto do herdeiro de Jardim de Cima, com seu coração acelerado e as bochechas constantemente vermelhas.
— Bem, levaremos sua loba para Jardim de Cima. – Lembrou. – Acredito que preciso conhecer com quem irei dividir minha esposa.
Nicky sorriu. Sabia que Willas estava sendo apenas galante, mas ainda assim era acometida de uma euforia tremenda.
— Eu gostaria de conhecer os jardins. – Ele contou. – Será que pode me guiar?
— Claro.
Lentamente – graças à perna de Willas – o casal saiu pelos corredores do castelo.
— Sinto muito pela perda de seu pai. – Ele avisou, abaixando-se para sussurrar. – E por Lord Stark.
— Senhor... Eu...
— É o nosso segredo. – Ele avisou. – Sei que foi criada no norte. Pode fingir para eles, mas não precisa fingir para mim. Não precisamos ter segredos se seremos marido e mulher.
Ela não respondeu enquanto caminhavam.
— Você fica muito bonita vestida de vermelho. – Ele elogiou. – Espero vê-la com as cores de Jardim de Cima em breve.
— Eu ficaria muito feliz em vestir-me com as cores de Jardim de Cima se lhe agradar. – Afirmou.
Willas confirmou com a cabeça. Os dois logos se aproximaram das áreas mais cheias do castelo.
— Disse que gosta de ler. Quantos livros você já leu?
— Não sei dizer. – Confessou. – Nunca os contei. Mas não parece ter sido o bastante. Não pra mim.
— Tenho uma biblioteca no castelo. – Ele contou. – Você com certeza vai gostar.
— Tenho certeza de que gostarei.
Os dois voltaram a ficar em silêncio. Willas era um homem bastante alto, mas Nicky não havia crescido muito até o momento presente. Ao lado de Robb ela se sentia pequena e indefesa, e seu noivo lhe passava a mesma sensação.
Uma das poucas coisas que Willas não queria saber era a idade da noiva. Se soubesse, talvez fosse desistir. Sabia que a menina tinha menos de 18 anos, nada mais. Suas impressões sobre Nicky foram absolutamente diferentes do quê ele imaginava que seriam.
Esperava encontrar uma garota de aparência infantil, talvez mimada e com poucos atrativos de qualquer forma, mas ela era diferente.
Juntos, eles caminharam em silêncio até os jardins do castelo e ela pôde ver Sansa e Margaery um tanto longe, enquanto Loras se afastava das duas.
— Como é Jardim de Cima? – A menina indagou, voltando-se para o noivo.
— Fresco e bastante colorido e perfumado, creio que irá gostar do lugar. Trouxe alguns vestidos para você, feitos pelas mesmas costureiras que costuram para Margaery no mesmo dia que a carta de seu tio chegou. Espero que sirvam em seu corpo.
— Fico feliz por se importar. – Ela sorriu. – Os vestidos de Porto Real são quentes e um tanto abafados.
Ele a guiou até um coreto iluminado e repleto de flores, fazendo-a suspirar de contentamento com o esforço que ele estava fazendo para que o casamento desse certo desde o começo.
A mesa estava preparada com seus pratos favoritos e alguns que não conhecia, como algumas tortilhas de cor diferente. Provavelmente, eram de Jardim de Cima.
Ela subitamente percebeu que gostava da companhia de Willas, e que ele parecia gostar da sua. Seu noivo até mesmo havia dado pequenos bocados de bolo em sua boca durante a animada refeição. No fim da noite, ele a guiou até os cômodos, parando ao deixá-la na entrada.
— Até amanhã. – Ele se abaixou, beijando sua mão.
Os lábios de Nicky formigaram ao imaginar como seria ter os de Willas ali.
Iria Robb resgatá-la antes do casamento? Devia ela apegar-se ao homem a quem se uniria ou esperá-lo? Iria Joffrey permitir aquilo?
— Tenha bons sonhos, minha doce leoa.
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