Nicky Snow
12 Capítulo 11 – Joffrey’s sister
Capítulo 11 – Joffrey’s sister

Nicky caminhou com Joffrey, estendendo a conversa mesmo após o desjejum; ainda mais cedo, com o pai, segredara-lhes que conhecia, além dos números, as letras, e aquilo parecia encher o rei de deleite. Quando a hora de ir chegou, o orgulhoso pai lhes prometera mais uma refeição, e os irmãos seguiram juntos enquanto o futuro rei fazia perguntas à princesa.
— Se possuo um traidor do reino em minhas mãos, e cabe ao rei escolher seu destino, como devo prosseguir? Devo ser piedoso ou ter a mão firme?
Ela pensou um pouco. Sempre aprendera com Lord Stark sobre justiça e piedade.
— Em rei piedoso é amado por todos, mas pode ser tomado como tolo por muitos. – Começou. – Mas um rei firme será sempre respeitado, mas às vezes não amado, e reis devem ser amados ou a coroa em suas cabeças perdem a utilidade. Acredito que deve sempre pensar na traição cometida e, quando não houver opções, enviar o homem à muralha. Estará à própria sorte no frio, é justo e também piedoso.
Joffrey confirmou, e Nicky não soube bem se ele havia se agradado ou não da resposta. A última coisa que queria era que o irmão se enfadasse dela.
— Com qual das mãos escreve? – Ele mudou de assunto.
— O Meistre testou-me algumas vezes para saber se era habilidosa em duas mãos, mas escrevo apenas com a destra.
O príncipe confirmou.
— Alguma cor favorita?
— Vermelho. Como o brasão dos Lannister.
Ela havia concordado em responder suas perguntas como modo de se conhecerem, e Joffrey parecia muito curioso com a nova irmã.
— Se pudesse reinar, quem nomearia como mão?
Ela ponderou.
— Não acho que iria gostar de reinar. Creio que me daria o posto de mão e entregaria a coroa a você. Deve ficar melhor com ela que eu.
O príncipe herdeiro sorriu em satisfação. Ela estava indo pelo caminho certo.
— Juro que quando for rei, terá um lugar no pequeno conselho.
Nicky sorriu e os dois continuaram andando, quando ele parou.
— Fique aqui. Eu volto logo.
Ela confirmou.
— Você. – Apontou para um dos guardas que o acompanhavam. — Cuide para que nada de ruim lhe aconteça.
Ele saiu a passos rápidos.
Nicky batucou com os dedos na parede, olhando em volta.
— Onde estamos?
— Perto da sala do trono, minha princesa.
— Joffrey vai me mostrar a corte?
— Provavelmente, minha princesa.
Ela se calou e notou uma porta. O guarda estava relativamente próximo, e não seria má ideia ver o que quer que houvesse ali.
Ela entrou e olhou em volta. Era um cômodo pequeno, sem janelas. Parecia uma masmorra fora de lugar.
Nicky se virou para sair, mas a porta se fechou no mesmo instante. Ela empurrou de volta, mas foi inútil. Com a porta fechada, a sala ficava praticamente em trevas, iluminada apenas pela luz do rodapé meio quebrado da porta, e nada mais. A princesa de Westeross podia sentir o coração acelerado e a respiração difícil.
Em Winterfell, quando criança, havia ficado presa numa sala como aquela por quase um dia inteiro, mas não se lembrava da sensação ou do momento até aquele instante. Era terrível.
— Sor. – Batei na porta, em desespero. – Sor. Socorro.
Do outro lado, o cavaleiro correu até a passagem, sem conseguir abri-la.
— Ajude-me. Ajude-me.
Foram poucos minutos até que Joffrey voltasse e notasse o transtorno.
— O que está acontecendo aqui?
— A princesa está presa.
Àquele momento, Nicky já chorava sonoramente, empurrando e puxando a porta, tentando – sem sucesso – libertar-se.
— Como assim presa?
— Ela entrou para ver a sala, a porta estava... – Gesticulou, mas foi interrompido.
— Consiga-me a chave. – Joffrey demonstrou fúria. – Agora mesmo.
— Joffrey? – Ela identificou a voz. – Tire-me daqui. Por favor, tire-me daqui.
A voz dela estava chorosa e assustada. Era o tipo de tom que alegrava um torturador, mas que devia partir seu coração de qualquer outro. Joffrey, porém, sentia apenas um despontar de medo em si.
Quando o homem voltou e se preparou para entregar a chave ao herdeiro de Robert, Sor Jaime Lannister estava ao seu lado.
— Dê-me isso. – Joffrey pegou o objeto.
Nicky caiu em seus braços no exato momento em que se viu livre.
— Deem um jeito nessa sala, em todas as salas que sejam como essa, ou meu próprio pai dará um jeito em vocês. – Guiou-a até um dos bancos de pedra. – Tragam água.
Ele não se virou para ver o que acontecia atrás de si. Acalmando a irmã gêmea da melhor forma que pôde, tentou parecer empenhado em consolá-la, mesmo que não fosse acostumado ao contato frequente.
— Ordenarei que tranquem todas as salas que se assemelhem a essa, nunca mais se assustará assim, prometo-lhe.
Aos poucos, nos braços inseguros do irmão, ela se acalmou. O rosto voltou a ganhar cor e os lábios deixaram de tremer.
— Vê? Não foi tão ruim. Você conseguiu sair.
* * * * *
— Tem certeza, meu senhor? – O mestre de armas hesitou.
— Não sou seu senhor, sou seu príncipe. – Joffrey tomou as espadas de treino de suas mãos, dando uma à irmã gêmea.
O vestido pendia relativamente mais leve, solto em seu corpo sem os corpetes, e o cabelo havia sido displicentemente preso num enfeite da família.
— Prometo-lhe que serei delicado, cara irmã. – Ele avisou.
— Prometo-lhe que serei honesta, amado irmão. – Ela devolveu.
A demonstração de carinho atrasou-o em segundos e ela logo o derrubou no chão. Amado irmão. Amado.
Como poderia amar alguém que acabara de conhecer como irmão?
— Morto. – Ela avisou e ele pareceu despertar, sentindo a espada a poucos milímetros de sua garganta.
Nicky estava em seu estômago e com a espada pronta para degolá-lo.
— Como pôde...
— Se fosse uma verdadeira luta, estaria morto. – Ela sorriu atrevida, parecendo muito satisfeita com o resultado.
Se todas as lutas fossem assim.
Joffrey riu levemente, ainda no chão. Por um segundo de distração, pensou se seria sensato segurar a irmã pela cintura. Ela parecia gloriosa acima de si, sustentando uma expressão divertida que o lembrava da mãe, com menos seriedade e mais leveza e juventude.
Os Targaryen podem estar certos.
— Ama-me demais para fazer-me morto. – Espantou os pensamentos inapropriados.
— Eu sim. – Levantou-se de cima do irmão, onde estivera sentada. – Seus inimigos provavelmente não.
* * * * *
— Joffrey Baratheon, das casas Baratheon e Lannister, Primeiro de seu nome, Rei dos Sete Reinos, Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, protetor do reino. – Ela recitou sonhadora. – E sua rainha, Sansa, com seus filhos de cabelos dourados ou da cor de labaredas de fogo.
Ele se limitou a apenas sorrir.
— E quanto a você? – Ele direcionou.
— O quê há comigo?
Ela nunca havia pensado num futuro ao lado de algum lorde.
— Nicky Tyrrel, das casas Tyrell, Baratheon e Lannister, Princesa dos Sete Reinos e Senhora de Jardim de Cima. Ou talvez Nicky Stark. – Imaginou.
Ela riu.
Não teria aqueles títulos se viesse a se casar, mas não queria corrigi-lo.
— Com quem eu me casaria? – Indagou.
— Com Loras. Robb... Ou Willas.
Robb? Sim. Talvez casar-se com Robb fosse seu futuro. Não seria um problema voltar para o norte.
— Quem é Willas? – Desvioudo assunto em sua mente.
Ele se preparou para encará-la como se aquela pergunta fosse um absurdo, mas conteve-se ao lembrar-se de que a irmã fora criada isolada no Norte, longe da nobreza e do jogo de governo.
— Um dos irmãos Tyrrel, mas é apenas um aleijado qualquer, não seria bom o bastante para você. Embora seja o herdeiro de Jardim de Cima, o quê lhe dá alguma importância.
Os dois passaram por um grupo de aias, que logo os reverenciaram antes de partir para suas senhoras, soltando risinhos.
— Com quem me casarias se nosso pai não tivesse esse controle?
Ele pareceu pensar, acariciando a mão que repousava na sua enquanto os dois mantinham os braços unidos.
— Politicamente?
— Em todo e qualquer aspecto. Político ou não.
— Politicamente falando, minha primeira opção seria o filho de Jon Arryn. O Vale está distante desde que ele morreu, e essa aliança é altamente necessária. Os Tyrrel, por sua vez, estão mais próximos e são uma das famílias mais ricas. Também penso em Robb Stark, mas duvido que queira regressar ao norte tão rapidamente.
Ela meneou, disfarçando o espanto ao vê-lo empenhado em pensar.
Joffrey pode não ser tão burro quanto demonstra ser.
Ou talvez tenha posto o único pedaço que tinha na cabeça para funcionar.
— Há Dorne, mas não há nenhum pretendente que não seja uma criança ao seu lado. Minha melhor opção é Loras Tyrell. Ele é o segundo herdeiro de Jardim de Cima e há grandes chances de seus filhos serem os senhores no futuro, já que seu irmão não dá sinais de querer se casar.
Ela confirmou levemente, quase sem interesse antes de mostrar sua real ideia.
— E se eu quiser ficar na corte?
Joffrey sorriu. Aquilo parecia agradá-lo.
— Ficará até que se canse de todos os bajuladores, e voltará sempre que sentir saudade deles. Sua estadia e de sua família será uma honra.
Os guardas abriram o portão assim que viram os filhos do rei, e Nicky se viu de volta à sala onde jazia, imponente, o gigantesco, frio e assustador trono de ferro.
— Vê? – Joffrey apontou em volta. – Séculos de dinastia Targaryen. E nosso pai foi exatamente o primeiro a derrubá-los, e o fez por completo.
Ele contou tudo o que sabia sobre Westeross, apontando e gesticulando levemente enquanto a via absorver cada palavra e ensinamento com avidez. Contou histórias sobre o rei antes do pai, e sobre o rei anterior, e o anterior ao anterior, até chegar ao desembarque de Aegon. Ela conhecia as histórias (quem não as conhecia?), mas deixou que ele se sentisse importante ao contá-las.
(...)
Era à noite que sentia mais falta de Winterfell e dos Stark. Foi na madrugada, quando as aias não estavam em seu aposento privado, que ela escreveu a carta a Robb.
Quando eram crianças, ela costumava chamá-lo de “Lobo de neve” por alguma razão da qual pouco se recordava. Contou-o sobre o torneio, sobre os pais e irmãos e sobre a cidade. Indagou sobre os Stark mais novos e seus lobos, embora sem usar quaisquer nomes. Não queria ser interceptada, e nem mesmo sabia como enviaria a carta sem que Cersei tomasse conhecimento.
Assinou como “A corça de gelo”. Uma Baratheon criada em volta das paredes do norte.
Na manhã seguinte, com a carta escondida numa das mangas, caminhou pelo jardim onde sabia que encontraria alguém que lhe poderia ser útil.
— Ouvi dizer que é o mestre dos sussurros. – Encarou o eunuco com um pouco de desconfiança.
O risinho de Varys não melhorou sua confiança.
— A quem serve, bom homem?
— O reino, minha princesa. – Tocou suas mãos com delicadeza. – O quê eu e meus sussurros podemos fazer por você?
Ela o analisou antes de olhar em volta discretamente, rindo como se ele houvesse lhe contado algo engraçado.
— Quero que envie uma carta. Minha mãe não pode saber.
Ela lhe passou o papel com rapidez, e ele o escondeu debaixo numa das mangas.
— A quem seria?
— Robb Stark.
Continua...
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