Nicky Snow
15 Capítulo 13 – O quê um homem semeia no dia de seu nome, colhe por todo o seu ano.
Capítulo 13 – O quê um homem semeia no dia de seu nome, colhe por todo o seu ano.

O dia de seu nome chegou ventoso e claro, acompanhado de um cometa grande e vermelho. Cersei dera-lhe vestidos novos e coloridos para o torneio em honra de Joffrey e em comemoração a seus aniversários, forçando-a a abandonar o luto por seu pai (e por Stark).
Sentaram-se ajuntados no camarote, os gêmeos lado a lado com Myrcella e Tommem atrás de si. Sua mãe, por sua vez, estava numa reunião do pequeno conselho.
Sansa entrara trajando um vestido de seda lilás de mangas longas, presente de seu irmão. Desde que Robb havia sido autoproclamado Rei do Norte, o rei andava irritado com tudo e com todos, menos com Nicky: No curto espaço de tempo, ele já demonstrara sua preferência pela irmã e sua companhia.
Quando a garota Stark chegou, Tommen foi logo anunciar-lhe sobre sua participação no torneio.
Do outro lado de Joffrey, numa cadeira muito mais simples que a do rei e de sua irmã, Sansa se sentara com toda a graça que pôde antes que o irmão contasse as novidades sobre Viserys, rei pedinte e filho do rei morto.
– Esteve andando pelas Cidades Lives desde antes do meu nascimento, chamando a si próprio de rei. – Declarou. – Os Dothrakis finalmente o coroaram. Com outro derretido.
Ele gargalhou e Nicky forçou um riso de desdém em relação à morte. Aprendera que, ao lado do atual rei, era melhor agradá-lo da melhor maneira possível. Enquanto o irmão se ocupava com Sansa, pôs-se a bebericar uma taça de suco até que o torneio tivesse início.
Cavaleiros fracos e pouco competentes estavam presentes, provavelmente forçados a ir e não por vontade própria. O mais emocionante fora quando um bêbado – Sor Dontos – entrara na arena, quase nu, cobrindo apenas o peito e nada mais.
Joffrey logo o condenou, mas foi rebatido por Sansa. Mesmo que fosse discreta, Nicky sabia o quê aconteceria no futuro.
– Disse que não posso? – Ele a olhou.
– Seria má sorte, Vossa Graça. – Ela explicou. – Não se deve matar um homem no dia do seu nome.
Os braços de Nicky se arrepiaram com o olhar do rei
Pobre Sansa, não sabia que não podia rebater Joffrey? Como quer sobreviver assim?
– Ela está certa, irmão. As superstições das donzelas são fortes. – Veio em auxílio com um olhar desinteressado. – Podes cortar a cabeça do bêbado com suas próprias mãos, se quiser, mas faça-o amanhã ou depois. Não quero ser amaldiçoada até nosso próximo dia. Não se esqueça de que nasceu seguido de mim.
Ele olhou a irmã, quase rindo, e o Cão De Caça deu mais ênfase.
– O quê alguém planta no dia de seu nome é colhido até seu próximo ano.
O destino do homem ainda estava em branco quando ela se virou para o irmão com um olhar maldoso e pedinte.
– Quero-o como bobo. – Segurou sua mão, insistindo. – Por favor, faça-o um bobo. Podemos lançá-lo tomates para que dance na frente da corte e lute com anões para nossa diversão. Quando me cansar, podemos forçá-lo a beber até que seu estômago exploda.
Joffrey sorriu com a expectativa e balançou a mão livre, libertando o homem do aperto dos cavaleiros.
– Que se faça a vontade de minha irmã. – Anunciou e bobo se ajoelhou em agradecimento, repetindo graças como um estúpido até que ele mandasse que o tirassem dali.
Mais tarde, Tommen, com muita luta, conseguira seu pequeno combate, cavalgando em um pônei e caindo no meio da arena. Myrcella e Nicky foram ajudá-lo, mas Joffrey nada fez.
Teimoso, o pequeno montou novamente após Nicky voltar a seu lugar, mas foi interrompido por uma surpresa.
Tyrion.
O anão recepcionou os sobrinhos mais novos – e menores em altura que ele – com entusiasmo antes de se aproximar de Joffrey e Nicky, acompanhado de dois mercenários, e caiu de joelhos perante o rei.
– Vossa graça.
Saudou também a Sansa, lamentando-se por sua perda, antes de entrar numa rápida discussão com Joffrey sobre a morte de seu pai. Dados alguns minutos, desistiu quando Sansa se desculpou pela mãe e virou-se para a sobrinha.
Ela se abaixou para abraçá-lo apertado. Mesmo com a aparência estranha, ainda mantinha um carinho pelo tio.
– Está muito mais bonita desde o dia em quê a vi, querida sobrinha. Os 16 anos de idade lhe fazem bem. – Notou – Fez alguma coisa no cabelo?
A garota apenas riu, mas Joffrey chamou a ela e os irmãos antes que pudesse responder algo ao Lannister mais jovem.
– Vão para seus cômodos. – Ordenou. – Nicky, vamos caminhar.
Ela obedeceu.
– Ainda tenho de me casar com Sansa. – Ele resmungou, pisando forte no chão. – Garota estúpida. Filha de traidor.
O traidor que me criou, se não se lembra.
– Não imagino como cresceu em Winterfell sendo quem é. – A olhou. – Um leão de meio de burros, mulas e jumentos.
Ela podia jogar aquele jogo. Na verdade, o fazia desde a morte de Ned.
– Tomavam-me por bastarda. – Lembrou. – Sem família. Cresci cercada de criadas e septãs.
– Que os deuses os abençoem.
Foram em silêncio por longos minutos até encontrar um dos inúmeros bancos nos corredores da fortaleza.
Deitando-se em seu colo, Joffrey fechou os olhos. Era um passatempo de sua mãe e irmãos, aquele: Deitar-se e ouvi-la cantar. Era sempre cuidadosa, cantando canções do Rochedo, de Porto Real ou reinos associados, nunca de Pedra do Dragão ou – bendita e amada fosse a cabeça em seu pescoço – do Norte.
Criva suas próprias melodias de vez em quando, entretendo quem quer que estivesse em seus braços, brincando com os frios loiros que muitas vezes descansavam cansados em suas mãos.
Ainda estavam nos corredores quando Joffrey se pôs de pé.
–Venha. Vamos lanchar.
Caminharam até o cômodo do rei e logo estavam em sua varanda enquanto os serventes colocavam a mesa, olhando-os disfarçadamente enquanto ele a contava a história de como fora atacado pelo lobo de Arya Stark na estrada do rei e mostrava-lhe a cicatriz.
– O que fizeram ao animal selvagem? – Preocupou-se. Fingiu que fosse com o irmão e sua dor, mas preocupava-se mais com Nymeria.
– A garota Stark a espantou, mas meu pai fez Stark matar a outra. Lady. Sansa chorou como uma estúpida. – Revirou os olhos. – Onde está sua loba?
– No quarto. Ela prefere ficar sozinha, é mais mansa que um pássaro numa gaiola.
O rei confirmou, mas ela não estava muito aliviada pelo súbito assunto.
– Gosta de tortas de amora, certo? – Ele perguntou, apontando para a bandeja que haviam deixado na mesa.
Ela balançou a cabeça positivamente e ele estendeu uma mão para a tortilha, levantando-a levemente quando estavam sozinhos.
– Permite-me. – Apontou, como se fosse lhe dar na boca.
Quando Nicky confirmou, ele levou a comida até seus lábios, deixando-a morder e afastando-se enquanto ela tentava não rir.
Joffrey parecia ser duas pessoas em uma só. O rapaz cruel, chorão e estúpido que reinava em Westeros, e o garoto que lhe tratava como se fosse a pessoa mais importante de sua vida.
– Irmã, o quê acha do costume dos Targaryen? – Ele indagou.
– Qual costume?
Joffrey se inclinou levemente em sua direção, engolindo o que possuía na boca.
– O casamento entre irmãos.
A menina franziu as sobrancelhas sem entender. Eles nunca haviam conversado sobre os Targaryen, porque falar agora?
– Não sei bem o quê pensar. Porque pergunta?
– Curiosidade. Nada de importante. – Mudou de assunto, olhando o sol e tentando presumir a hora do dia. – Encontre-me amanhã, vamos treinar com espadas novamente.
* * * * *
Foi na noite da comemoração que a nova carta de Robb havia chegado, acalmando seus rumores internos de que o novo Lord de Winterfell nunca mais lhe direcionaria uma palavra.
“Corça de Gelo” – A letra grosseira de Robb parecia tremida. – “Temi por um curto tempo que não devêssemos mais manter o contato, até finalmente entender que escrevo para a Corça, não para a leoa. Meus irmãos estão desolados, e meu coração clama por vingança, mas sabe que não posso culpá-la por nada que tenha sido realizado longe de seu poder. Gostaria de poder invadir a cidade e tirá-la de seu cativeiro, e trazê-la de volta para casa. Em breve o farei, e a teremos conosco novamente. Envio-lhe também um presente em relação ao dia de seu nome que guardo desde que você se foi. Espere por mim. Mantenha-se segura. – Preocupadamente, Lobo da neve”.
Num saquinho de veludo, um pendente de ônix repousava numa corrente dourada.
Nicky suspirou antes de guardá-lo com a adaga que havia recebido de Jon. Devia ser cuidadosa com seus pertences – pensou antes de buscar por uma pena.
“Lobo da neve” – Escreveu.
Mas o quê lhe diria?
Jardim de Cima havia se juntado a Renly recentemente, destruindo a ideia de Joffrey de casá-la com Loras Tyrrell – O quê ela não sabia se era bom ou ruim. – E seu tio Jaime estava em poder dos de Robb Stark. A morte de Robert havia trazido um enorme colapso aos sete reinos.
Além disso, Cersei estava sendo acusada de traição, adultério e incesto por todos os inimigos. Se fosse verdade, nenhum dos filhos tinha direito aos postos que ocupavam.
Pensou em riscar o papel e começar novamente, mas não o fez. O quê ela diria?
“Agradeço o presente. O usarei com cuidado. Percebo, agora, que o inverno não é tudo que devo temer. Temo meu irmão e minha mãe. Temo que meu tio rompa as portas da cidade e minha morte chegue antes de você, temo ser vendida como uma égua para um homem que mal conheço e que me torne sua propriedade antes que eu possa fugir. Queria que fôssemos crianças de novo, todos em volta dos lagos sonhando com o futuro sem saber sobre o quê viria. Sinto falta de correr pelas florestas como uma corça livre, algo que nunca mais serei. – Sobreviverei, Corça do Gelo.”
Esperou que o menino aparecesse novamente. Havia lhe guardado um pão. Já estava quase adormecida quando sentiu o papel deslizar de seus dedos. Quando abriu os olhos, o pão e a carta não estavam mais consigo, e a porta estava se fechando.
* * * * *
Treinou com Joffrey nas tardes seguintes, fortalecendo o relacionamento dos dois e dando-o lições da forma como havia aprendido a se defender anos antes.
Longe do gêmeo, Nicky se ocupava com Myrcella e Tommen, incapacitada de quaisquer outras atividades no castelo ou fora dele. Segundo ordens do rei (ou seriam de Cersei?), nenhum dos jovens Baratheon deveria se retirar da fortaleza vermelha.
Dias depois, foi anunciado pelo tio que Stannis avançava contra Ponta Tempestade contra o jovem Renly. Ele havia presenteado Nicky com um colar e Joffrey com uma besta vinda de Myr, que continuava entretendo o irmão desde que a recebeu.
– Entreter um homem é como entreter uma criança. – Nicky afirmou, ao lado do tio. – Dê-lhe um brinquedo e ele ficará feliz. A cada idade, um brinquedo diferente.
– No caso de seu irmão, um brinquedo violento.
Ela não ignorou a insinuação do irmão enquanto buscava por palavras brandas em resposta.
– Joffrey tem um gosto peculiar. – Afirmou. – Muito raro. Sua personalidade é especial.
Tyrion a analisou com atenção e um leve estranhamento.
– Acredito que não seja cega sobre seu irmão.
– Não sou. – Ela sorriu de canto para ele. – E também não o sou para minha mãe ou meu tio.
Ele franziu as sobrancelhas para ela, sentindo-se curioso e desconfiado.
– O quê está insinuando?
Ela estava sendo furtiva. Não tinha certeza de nada sobre o quê diziam sobre a situação de Cersei e Jaime, mas a desconfiança era alta.
– O quê pareço insinuar, querido tio? – Parou.
O anão a olhou por um tempo antes de voltarem a caminhar.
– É mais esperta que parece, menina. – Elogiou. – Não sei se isso é bom ou ruim.
Ela riu, confirmando que o boato era real.
Seu pai – seu verdadeiro pai – estava cativo com os Stark.
– Sinto muito pela situação em que vive agora. – Suspirou. – É uma batalha.
Ele tinha razão. Dormir à noite havia se tornado difícil no meio de tudo aquilo. O quê aconteceria se suas mentiras um dia ruíssem?
Mesmo triste, ela sorriu como se fosse boba.
– Que batalha? – Fez-se de desentendida.
Tyrion não tocou no assunto novamente.
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