Nicky Snow

11 Capítulo 10 – King’s Daughter


Capítulo 10 – King’s Daughter

Na manhã seguinte Nicky foi desperta por Leela, a aia vinda de Ponta Tempestade.

O sol da alvorada ainda estava fraco e o ar continuava úmido. Ou talvez fossem apenas as toalhas úmidas que uma delas havia deixado para tornar o ar mais úmido.

— Minha princesa. – Chamou. – Já é dia, seu banho está pronto. Esquentamos a água por estar cedo e frio. A rainha ordenou que um vestido lhe fosse deixado.

Nicky confirmou, ainda grogue de sono. Recusando a maior parte da ajuda, ela fez a própria higiene matinal e teve os cabelos escovados e arrumados da forma favorita de Cersei. Olhando-se no espelho, fez pequenas observações sobre o próprio corpo. O vestido destacava a cintura fina, e combinava perfeitamente com a cor de cabelo herdara da rainha.

Assim que se viu pronta – e com a adaga atada a si –, ouviu a batida na porta.

— Irmã. – Joffrey saudou.

— Irmão. – Ela retribuiu, sorrindo.

— Fomos convidados a tomar o desjejum com o rei. Vamos?

Ela seguiu porta a fora, caminhando ao lado do alto rapaz.

Nicky observava o comportamento de cada um no castelo e, unindo a observação com as informações das aias, já havia compreendido muito de cada um.

— Joffrey. – Ela chamou. – Frequenta o pequeno conselho?

Ele a olhou com surpresa.

— Não. Por quê?

— Apenas um pensamento.

Em Winterfell ela costumava acompanhar Lord Stark sempre que podia, e Robb o fazia com ainda mais frequência. Como futuro rei, Joffrey deveria estar acompanhando o pai nas atividades.

Quando chegaram aos aposentos reais, nem mesmo o rei estava presente, apenas soldados de mantos dourados e rubros.

— Creio que nosso pequeno desafio será adiado. – Ele comentou.

— Tomos todo tempo do mundo para desafios. – Ela sorriu de leve, rindo pelo nariz.

— Como os Stark te esconderam por tanto tempo?

— Sou fácil de esconder. Magra o bastante para que uma de aquelas colunas fique na minha frente sem ser notada.

Joffrey riu mais abertamente, e ela soube que estava no caminho certo.

— Como nosso pequeno tio a encontrou?

A relação de todos com Tyrion parecia ser de grande desdém, ela notou.

— Com Lady Stark cuidando do menino machucado, o bastardo longe e Lord Stark em Porto Real com as meninas, não havia qualquer outra pessoa em que Robb Stark pudesse confiar senão eu.

Joffrey a estudou com cuidado.

— Você? Perdoe-me a audácia cara irmã, mas até onde sei...

Ele se interrompeu e a olhou com mais atenção.

— Você era...

— Conselheira de Robb Stark. Na verdade, quase a Lady de Winterfell, ou o Lord. – Riu, sabendo o quê tinha de dizer para impressionar e agradar o irmão. – Ele estava apavorado quando me pediu ajuda; fiz tudo em seu lugar. Calculei os gastos da visita do rei, dirigi os suprimentos e distribuição do inverno, renomeei cargos...

— O quê sabe sobre isso? Governar.

Ela sorriu novamente, olhando-o com um olhar que poderia se dividir entre levemente intimidador e de grande cumplicidade.

— Entendo absolutamente de duas coisas, e elas comandam todo o resto. – Sussurrou. – A primeira são os números. Se entendo os números, entendo o dinheiro, se entendo o dinheiro, tudo vem naturalmente.

Ele a estudou.

— Tudo?

— Tudo o quê é racional. – Completou. – Os cargos por exemplo. O valor dos homens...

Joffrey mudou uma das pernas de posição e se inclinou antes de indagá-la novamente.

— E a segunda?

Nicky o olhou e sorriu docemente. Seus olhos brilhavam e transmitiam amor, dedicação, compaixão e carinho.

— A segunda coisa, caro irmão. – Ela continuou. – Sãos as emoções.

— Emoções?

Ela confirmou.

— Nunca se perguntou por que nosso pai é adorado e aclamado pelo povo?

— Ele venceu a guerra.

— Não. Ele libertou o povo das mãos do rei louco. – Corrigiu. – As pessoas se aproximam do que as agrada. Você não pega formigas com vinagre, as pega com mel.

As portas foram abertas e os dois se puseram de pé em segundos para ver o rei entrar.

— São meus filhos. – Ele lembrou, soando mal humorado. – Sentem-se e ajam como tal.

Eles obedeceram em silêncio.

— Devem ter notado que sua mãe e irmãos menores não estão aqui. – O homem de cabelos escuros e espessos continuou. – A partir de hoje, quero ser uma parte ativa de suas vidas. Um dia, Joffrey será rei, e espero que seja um rei melhor que eu. E Nicky... – Robert ficou uns poucos segundos em silêncio. – Preciso compensar os anos de ausência.

Uma mulher organizou a mesa e ele os olhou.

— Sobre o quê estavam falando quando cheguei?

Os irmãos se entreolharam e Joffrey apoiou uma mão na mesa.

— Nicky estava me contando sobre seu cargo de conselheira em Winterfell quando Lord Stark veio servir como mão.

— Conselheira?

— Lady Stark estava cuidando do menino e Robb não sabia tomar algumas decisões sozinho, estava assustado demais ainda. Cuidei dos números, cargos, dos cofres... Esse tipo de coisa.

Ele riu como se ouvisse uma piada.

— Uma mulher boa com números. Em que mundo vivemos... O quê mais faz?

— Canto, toco harpa... Danço... – Ela tentou se lembrar. – Também costuro e sei cozinhar bolos.

— Bolos? – Joffrey a olhou. – Uma Lady não deve não deve aproximar-se de um fogo. É trabalho para empregados.

Nicky fez um gesto qualquer com os ombros. Joffrey parecia sempre se esquecer do passado da irmã.

— Achei que tivesse mais habilidades incomuns, cara irmã. – Ele tomou um pouco de suco e ela riu, sabendo do quê ele falava.

— Algumas, mas não são se serventia geral. Coisas bobas.

O foco dos três foi interrompido e dirigido à porta, onde um rapaz loiro corria apressado para dentro.

— Está atrasado. – O rei esbravejou.

— Vossa graça não costuma acordar tão cedo.

Nicky tentou não transparecer surpresa ao reconhecer Lancel Lannister. Após reverenciar o rei, ele o fez com os dois irmãos sem tirar os olhos da garota.

— Já conhece minha filha Nicky? – Robert chamou a atenção do magro escudeiro.

— Apenas do anúncio, Vossa Graça.

O homem inchado ordenou que ela se pusesse de pé.

— Nicky Baratheon, princesa dos sete reinos, gêmea de seu futuro rei, Joffrey.

— Minha princesa. – Ele beijou sua mão.

Seus olhos evitaram os dela, provavelmente devido ao constrangimento de suas declarações dias antes.

— Lancel é nosso primo por parte de mãe. – O príncipe apresentou.

— É um prazer. – Ela sorriu.

O cômodo ficou em silêncio por alguns segundos, até um pigarro ser ouvido.

— Também é meu escudeiro, embora ele não se lembre. – Robert alfinetou.

— Desculpe, Vossa Graça. Servirei seu vinho.

Ele ameaçou se distanciar, mas o rei o interrompeu.

— Não quero nenhum vinho.

Os guardas lhe olharam estarrecidos, Joffrey arregalou os olhos, boquiaberto, e Lancel endureceu, enquanto Nicky tentava não parecer espantada.

— Imaginei que Vossa Graça...

— Não me importo o quê você imaginou. Não quero. E se não vai fazer nada de importante, chispe daqui.

O rapaz pareceu indeciso, mas bastou um simples olhar de Robert para expulsá-lo. Enquanto ele saia, Nicky percebia que o Lancel galante e corajoso que conhecera antes em nada lembrava ou se referia ao rapaz que vira correr apavorado naquele instante.

— Ele tem algum gêmeo? – Olhou o rei.

— O rapaz? Não. Porque a pergunta?

— No primeiro dia do torneio ele parecia menos covarde.

Joffrey riu.

— Que tipo de “menos covarde”? – Olhou a irmã.

— Do tipo que pede uma desconhecida em casamento.

Joffrey gargalhou abertamente, seguido de Robert e então dela mesma, que tinha um riso mais discreto.

— O quê disse a ele?

Ela deu de ombros.

— Fingi não tê-lo ouvido.

Robert sorriu com a interação dos filhos entre si e com ele. Quando o desjejum foi finalmente servido, ele esperou a reação da moça. Havia falado com Eddard para saber seus pratos favoritos, e não se poupou em tortilhas de amora, que sabia que Joffrey também adorava. Ao menos quando era pequeno.

Por alguns instantes, não era Robert Baratheon, o Primeiro de Seu Nome, Senhor dos Sete Reinos, Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, Protetor do Reino... Era pai.