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9 Capítulo 9 - Nova paixão
Notas iniciais
Boa leitura *o*
Lee Jinki suspirou aliviado, mesmo um pouco tenso. Era Kim Jonghyun, o mesmo garoto que ele transara há alguns dias e não havia falado até agora. O mais novo estava em cima de uma bicicleta. – O que diabos ele está fazendo andando de bicicleta com essa neve toda? – No mesmo instante, Jinki sentiu o seu coração apertar um pouco. O que seria aquilo? Inspirou todo o ar que pôde e o soltou logo em seguida, observando o vapor quente da sua boca chocando-se contra o frio. Soltou um riso debochado e balançou as pernas, respondendo logo em seguida aquele homem que o olhava com curiosidade.
— Talvez eu esteja. Você se preocupa com isso? – Sorriu, voltando o olhar para o horizonte que observava tanto.
Jonghyun torceu os lábios que estavam avermelhados por conta daquele frio, formando um gracioso bico nos mesmos. Desceu da bicicleta e Jinki apenas pôde ouvir a neve denunciando os passos que o mais novo dava.
— Talvez eu me preocupe... E daí? – Caminhou até sentar-se ao lado do mais velho e colocar a carteira e o molho de chaves ao lado do próprio corpo. – O que você tá fazendo aqui?
O mais novo estava com os braços cruzados, tentando mostrar que não se importava tanto com a situação, o que obviamente era mentira. Jinki ficou o observando por alguns segundos, pensando se dava risada ou se respondia a pergunta. Jonghyun realmente era muito “fofo” e atraente. Observava os flocos de neve cair desajeitadamente sob os fios de cabelo do mais novo.
— Vai ficar aí me olhando ou vai responder logo? Oras... – Fez bico. – Você tem que me responder!
— Eu fico distraído.
Jonghyun piscou os olhos, inclinando a cabeça lentamente, sem entender muito bem o que ele tinha dito.
— Olhando pra você. Eu fico distraído. – Pensou alto, mas alto demais, deixando as palavras escaparem sorrateiramente de seus lábios. No mesmo instante, seu rosto enrubesceu e em seus lábios, desenharam-se um sorriso tímido, o qual Jonghyun nunca havia visto. – Bem, eu só vim aqui para refletir, mesmo... Um pouco sobre tudo e sobre todos. Você sabe como são essas coisas... Ou não?
— Sim, eu sei... – Sorriu. – Também faço isso de vez enquando, mas fico em casa mesmo, não venho pra cá cometer suicídio e nem nada do tipo... – Soou brincalhão, arrancando um sorriso do mais velho. – Estou aliviado, bastante.
Jinki o olhou um pouco atordoado.
— Aliviado? – Se atreveu a perguntar.
— Sim... Estamos conversando normal... Depois daquilo. – Diminuiu o tom de voz, um pouco constrangido.
Ele provavelmente estava se referindo àquele dia.
— Ah, sim. Aquilo. – Jinki riu baixo, revirando os olhos e buscando alguma palavra confortante para dizer naquele momento, já que eles haviam caído em um clima tenso. – Esqueça. Só por enquanto. Acho que esse assunto não é necessário em um momento como esse.
— Eu acho! – O mais novo lhe cortou, com um tom de voz alto. – Você age como se não tivesse sido nenhum pouco importante!
— Você quer que eu diga que foi importante? – Riu no mesmo tom que o garoto lhe dirigiu a palavra, observando o mesmo ficar rubro logo em seguida. – Definitivamente foi.
— Não é isso! Você não entendeu, idiota.
— Então o que você quis dizer com isso? – Perguntou em um tom calmo, enquanto observava Jonghyun. Seus lábios se contraíram em um sorriso bobo ao observar que obteve como resposta apenas uma expressão facial atordoada e envergonhada vinda de Jonghyun.
Jinki levou a mão direita até o rosto de Jonghyun, deslizando a mão pelo mesmo em um toque suave e rápido. A sua mão estava coberta por uma luva e ela estava quente, porém sem deixar de sentir o rosto frio que ele estava tocando. No mesmo instante, Kim Jonghyun o encarou, mas não com o olhar que Jinki esperava ser encarado. Os olhos pidões do mais novo eram como os de uma criança em busca de atenção. Antes que o mais velho pudesse falar algo, o outro segurou a sua mão e a tirou de seu rosto. Jonghyun continuou a fita-lo com aquele mesmo olhar tão atraente, o mesmo olhar que o cativou desde o início. Mas não, Jonghyun definitivamente não era importante para Lee Jinki, o homem que há muito tempo não sentia uma explosão de sentimentos. Ou ele era importante?
— Estamos parecendo um casal gay. Pare com isso... – Jonghyun disse depois de alguns segundos encarando o mais velho. – Você está bem? Parece hipnotizado. Sou muito bonito?
Jinki riu ao ouvir a última pergunta de Jonghyun.
— Não, você não faz o meu tipo. – Retrucou rápido. – Não mesmo.
Jonghyun o olhou, incrédulo. A expressão que o mais novo carregava em seu rosto era cômica, ele parecia contrariado e completamente ofendido. Olhou para o lado contrário do rosto do mais velho, cruzando os braços em seguida e denunciando estar emburrado.
“Agora eu tenho certeza de que ele é muito estranho.” Pensou Jinki, fazendo com que o sorriso deixasse os seus lábios que pareciam tão alegres até agora.
— Você é bobo, Jong.
— Não me chame de Jong... – Ainda estava com o rosto virado para o outro lado.
— Tudo bem.
Eles ficaram alguns minutos em silêncio, dez ou mais minutos após as últimas duas palavras ditas por Lee Jinki. Vez ou outra algum carro passava e fazia barulho, fora isso, o único barulho que pairava ao local era o canto dos pássaros, que eram poucos por culpa da época de inverno rigorosa.
— Por que eu não faço o seu tipo?! – “Finalmente desembuchou.” Pensou o outro.
— Por queeeeeeeeeee... – Jinki estava se divertindo com aquilo. – Ah, não sei. Você não é o tipo de cara com que eu casaria e teria filhos.
Jonghyun não aguentou e riu, deixando de lado a postura de emburrado que estava até agora.
— Eu não sou uma mulher para ter filhos, de qualquer jeito.
— Posso te tornar uma mulherzinha na cama, já é o suficiente.
— Aish! Como você é indelicado! Você que está vindo com esse assunto de novo.
Jinki podia perceber que o mais novo estava se divertindo com aquele assunto, mesmo que tentasse passar outra impressão. Só que preferiu não arriscar até onde o outro chegaria sem que eles brigassem.
— Já vou indo. Estou a tempo suficiente aqui. – Levantou-se e ofereceu a mão ao outro para que ele se levantasse também. – Você também vem? A minha casa é perto da sua, podemos ir andando até lá.
— Você não tá de carro? – Perguntou enquanto segurava a mão dele e levantava-se através dela.
— Não, quando venho aqui, venho a pé.
Jonghyun já havia se levantado, mas ainda estava segurando a mão de Jinki. Olharam-se por alguns segundos, olharam as próprias mãos, voltaram a se encarar e soltaram as mãos. O mais novo caminhou até a sua bicicleta e a segurou pelo guidão, fazendo-a caminhar ao seu lado enquanto Jinki caminhava do outro. Eles andavam num mesmo passo; juntos.
— Você pode ficar para comer algo. – Disse Jinki, cortando o silêncio.
— Não, obrigado. – Jonghyun foi direto e Jinki não falou mais nada após disso.
Continuaram andando por poucos minutos que pareciam ter durado uma eternidade por culpa do silêncio e da má comunicação que havia entre ambos, ou melhor, da comunicação que não havia. Lee Jinki parou em frente a um portão grande, este era o de sua casa. Jonghyun se espantou com a casa, pois ela era realmente um casarão. Não que ele imaginasse que Jinki fosse um sem teto ou algo do tipo, já que seu carro não era nenhum pouco popular, mas não imaginava que aquele terreno seria tão extenso. Jonghyun deu mais alguns passos, dois ou três mais que Jinki e parou, observando o mais velho.
— É aqui? – Perguntou, mas nem esperou o outro responder. – Já vou indo, então... Vejo você mais tarde, Onew.
Lee Jinki sorriu, se divertindo com aquela situação. Jonghyun não entendeu, mas também não teve a vontade de entender. Apenas deu a mão para o mais velho e o outro lhe retribuiu com um aperto firme de mão.
— Vejo você em breve, Jooooooooooong. – Deu o sorriso mais aberto e bem desenhado que já havia dado antes para qualquer pessoa. O mais novo sentiu o coração acelerar ao testemunhar aquele sorriso que de tão atraente que estava sendo para ele, chegava a ser um pecado considerado pelo menor.
Jinki abriu o portão e entrou, observando Jonghyun ir embora e poucos segundos depois, entrando para a sua casa.
♡
Onew – P.O.V
Corri até a porta de casa com certo ânimo. Bati antes de entrar e entrei antes da permissão.
Joguei os dois molhos de chaves em cima do sofá de couro preto surrado. Minha casa, como sempre, está silenciosa. Subi as escadas rapidamente e fui até o quarto da minha mãe. Lá estava ela, deitada e sem força. Isso dói tanto em mim. Bem, ela está com câncer, mas descobriu cedo demais para que seja necessário o tratamento, está apenas sob base de alguns remédios que eu compro, provavelmente ela irá começar o tratamento daqui à duas ou três semanas. Isso não faz sentido, não deveria estar fazendo, já? Pra que esperar? Eu realmente tenho medo de perder a única mulher e pessoa que me deu amor verdadeiro.
— Mãe.
— Jinki. – Disse no mesmo tom que eu, dando risada em seguida. Ela é bem humorada, pelo menos isso faz com que eu tenha força o suficiente para acreditar em sua recuperação. – Você saiu sem dizer nada. Onde você foi?
— Hummm... Eu fui a um lugar especial. Você sabe, meu lugar secreto. Onde eu reflito sobre tudo e me sinto bem comigo mesmo. – Dei uma pausa, antes de continuar. – Ou pelo menos eu tento!
Ela riu e logo em seguida teve uma crise de tosses consecutivas, me deixando com o coração na mão, pela milésima vez na semana.
— Entendo. Quero assistir um filme hoje.
— No cinema? – Perguntei um pouco espantado.
— Não, aqui em casa mesmo, meu filho. Tem como você ir alugar algum? É rápido, tem uma locadora aqui perto e... – Cortei-a.
— Eu sei, mãe. – Sorri. – Mais tarde eu vou, está cedo ainda. Preciso almoçar. Você já almoçou?
— Sim.
— Então está bem. Mesmo assim, vou comprar alguma coisa para comermos enquanto assistimos filme, ok?
Ela apenas balançou a cabeça positivamente e eu acenei, saindo do quarto e encostando a porta do mesmo em seguida.
Desci as escadas correndo e fui até a geladeira, a abri e peguei os restos de almoço, como sempre. Nem esquentei, comi rápido e deixei a louça na pia. Caminhei até o meu quarto e a porta estava aberta, apenas entrei e me joguei na cama. Nenhuma SMS o dia inteiro. Joon não anda dando muita satisfação para mim das coisas que ele faz ou deixa de fazer, tanto faz, acho que isso não importa para ele... Mesmo que importe para mim. Céus, estou me sentindo patético por pensar coisas tão bobas assim.
Nesse exato momento, estou pensando em um homem chamado Kim Jonghyun. Estatura média e rosto extremamente inocente, apesar de não ser. Nós transamos uma vez, uma única e deliciosa vez. Se eu pudesse transar com ele mais vezes, com certeza o faria. Ele é quente, digamos assim. Talvez não me satisfaça mais do que o Joon... Mas ele tem algo diferente, que faz com que eu queira ficar com ele mais e mais tempo sem me importar tanto com sexo, as vezes eu me pergunto se isso é uma nova paixão ou algo do tipo... E tenho medo da minha própria resposta.
— Por que eu sou tão idiota? – Perguntei a mim. – Eu namoro um cara que eu nem vejo tanto assim e estou querendo sair com outro... Um baixinho metido à besta. – Dei risada. – Acho que o Joon faz a mesma coisa, não sei.
Dei uma olhada no meu celular e fiquei o olhando por um tempo, até que finalmente decidi ligar.
♡
Key – P.O.V
— Desde aquele dia eu não converso com aquele tapado. Não que eu realmente me importe emocionalmente, mas isso definitivamente está me deixando muito estressado. Quem ele pensa que é? Me diz palavras bonitas e depois nem sequer uma mensagem por celular me manda? Qual é a dele? Eu só sei que estou perdendo a paciência com esse filho da jaca dura e vou encurralá-lo pela parede! – Conversava com si mesmo em voz alta e trancado em seu quarto.
— Kibum? Está tudo bem aí? – Perguntou a doce voz de merda da minha mãe.
— TUDO ÓTIMO, MÃEZINHA. – Tadinha da minha mãe, eu estou estressado e vou descontar nela. Tudo bem, ela é igualzinha a mim. Não tem problema descontar um pouquinho que nem ela faz comigo, né?
— Você não almoçou até agora, meu anjo. – Girou a maçaneta e a abriu lentamente, invadindo o meu quarto repleto de ódio e energias negativas, falo mesmo. – Vamos comer. O seu pai saiu hoje e a mãe está sozinha. Vamos?
— Tudo bem. – Me rendi sem ela nem ter insistido. Engraçado né? Não vou ficar de cu doce se não até a minha mãe esquece da minha existência, que nem um pamonha podre aí.
Como sempre, ela fez coisas deliciosas e que toda mãe deveria fazer.
— Está bom? – Ela perguntou já sabendo da resposta.
— Delicioso! Você é ótima e sabe disso. – Pisquei e ela sorriu.
— E as namoradas, em Key? Você nunca me apresenta uma.
Quase engasguei e minha alma foi tomada pela desgraça, mas poderia ter sido uma pergunta pior. Ri alto, mas ri tão forçado que só faltou eu dizer “Mamãe, sou gay né querida! Passivona sempre!”
— Apenas não encontrei a garota certa. – Disse e sorri, comendo mais daquela comida e tentando encher a boca o suficiente pra ela não querer perguntar mais nada.
— Você está certo. Quando a pessoa certa aparecer, você vai saber. Eu esperei muito pelo seu pai... Sabe, ele não parecia muito interessado e isso realmente complicou as coisas para nós dois. Quando encontrar a pessoa certa, mostre todo o seu sentimento por ela. Nós não sabemos o dia de amanhã. Parece meio ridículo eu estar falando isso para você, um garoto tão jovem... Mas se eu não tivesse falado hoje, outro dia falaria. Dá na mesma, né?
Fiquei alguns segundos em silêncio. É, o que ela havia dito realmente fazia sentido e fazia até demais para mim. Minha mãe é uma mulher que eu realmente admiro, ela tem os mesmos defeitos que eu, mas um dia terei as mesmas virtudes que ela. Só que... É tão difícil. É tão difícil me imaginar dizendo para o Jonghyun o que eu supostamente sinto por ele. Não sei se eu sinto algo, na verdade... Mas estar perto dele me dá um frio na barriga. É que nem naqueles filmes de garotas apaixonadas. BOSTA! Por que eu tenho que agir como uma garota? Deve ser porque sou eu quem abre as pernas, né. Dã, isso é óbvio.
— Obrigado, mãe. Você está completamente certa. Quando chegar o dia, pode ter certeza de que me lembrarei das suas palavras. – Finalmente dei um sorriso verdadeiro que já não escapava há alguns dias. – Você é demais.
Ela se levantou e deu um beijo na minha testa e admiro que eu amo isso, amo demais.
— Não há de quê. – Deu um tapa de leve no topo da minha cabeça. – Quando terminar de comer, lava a louça pra mamãe, tá bom? Eu vou descansar um pouco.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela tinha subido as escadas toda serelepe e eu sentado na cadeira com os cotovelos apoiados na mesa. ESPERA! Ela só me chamou pra almoçar pra eu lavar a louça depois? Que mercenária desgraçada! Velha!
Como um bom filho criado por Deus, eu lavei toda aquela louça maldita. Voltei para o meu quartinho banhado por ódio e fiquei encarando o celularzinho da discórdia. Meu Deus, que tentação ligar pra ele. Bem... Da última vez, ele que me ligou né? Não custa nada agora. Ele só deve estar esperando a mesma coisa.
Peguei o meu celular, mas ao invés de ligar, mandei uma sms.
“Posso te ligar?”
Animal de teta, só ligar é bem mais fácil. Mas eu não queria correr o risco de ligar e ele não atender, isso seria fim de carreira para mim, definitivamente.
Dois minutos... Cinco minutos... Oito minutos... Quinze, vinte, meia hora. Ele não respondeu. Não importa, vou ligar.
Tocou, tocou e tocou... Atendeu!
— Alô? – Aquela voz, eu estava com tanta saudade de ouvir aquela voz. Ela tinha um tom suave, como o de sempre.
— Jonghyun... É o Key. – Tentei parecer desinteressado, como sempre.
— Oi Key, tudo bem?
Droga. Muito barulho ao fundo... Onde ele está? Eu odeio essa sensação que ele me faz sentir de que estou tão longe e ele está mais distante do que deveria. A voz dele não me mostra interesse e sabe o pior? Ele não parece estar forjando-a.
— Tudo sim... Faz tempo que nós não nos vemos. – Respondi, mas na verdade eu tinha vontade de xingar ele de tudo quanto é nome e falar que quero vê-lo nesse mesmo instante e que ele deveria me obedecer!
— É mesmo! Nós podemos sair.
— Sim!
— Qualquer dia desses. – Droga, ele não quer me ver hoje. O que está havendo com esse amostra-grátis-de-desgraça?
— Tudo bem... – Não consegui disfarçar o desânimo que tomou conta da minha voz e de todo o resto. – Está bem então.
Ouvi outra voz masculina. Meu coração acelerou. Com quem ele está? O que ele está fazendo? Não aguentei e me atrevi a perguntar.
— Você está ocupado aí?
— Mais ou menos! Estou aqui com o Onew. – O timbre dele mudou completamente, parecia alegre e satisfeito agora e a única coisa que eu conseguia sentir, era um grande frio na barriga e uma dor no coração. – Estamos comprando algumas besteiras para a mãe dele. E depois iremos alugar alguns filmes. Ah... Ele perguntou se você não quer assistir com a gente!
Eu? Assistir filme com a happy Family? Pelo amor de Deus, se enterrem. Quero que você morra. Que ódio.
— Não, obrigado. Tchau. – Desliguei na cara dele. E POR QUE ELE ME DEIXOU DESLIGAR NA CARA DELE? FILHO DA DESGRAÇA. Ah, não que ele pudesse fazer algo para que eu não desligasse né.
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Jonghyun P.O.V
— Droga...
— O que foi? – Onew me perguntou.
— Ele desligou meio que na minha cara... Ou foi só impressão minha, mesmo. – Mordi o lábio inferior e apertei os olhos levemente.
— Não se preocupe. O Key é assim mesmo, vocês vão se ver mais tarde... Relaxa, poxa. – Sorriu para mim e eu sorri de volta, mesmo sem felicidade ou confiança alguma. – Você quer qual doce?
— Qualquer um... É a sua mãe que vai comer. – Respondi. – Tem como devolver a minha chave?
— Ela tá lá em casa.
— Você a pegou só para que eu voltasse aqui, né? Foi algum plano seu ou algo do tipo? – Choraminguei. – Eu não quero o Key bravo comigo. Vou ir pra casa, tá?
Eu podia jurar que a expressão facial que foi desenhada ao rosto de Onew era tão triste que me atingia diretamente. Ele não falou nada, calou-se e ficou me encarando, com um olhar de desaprovação que foi suprido por mim de imediato. Às vezes ele parecia ser mais sensível do que qualquer pessoa que eu já tenha conhecido antes. Não sei se é apenas externamente, mas algo me diz que ele realmente é diferente do que aparenta ser para todas as pessoas que o cercam e algo em mim faz com que eu queira conhecer ele por completo... Saber como ele é de verdade. A companhia dele faz bem para mim.
— Desculpe. – Falei. – Vamos pegar esses doces e esses filmes, vou até a sua casa, te ajudo a arrumar tudo e depois volto, está bem assim?
Ele balançou a cabeça positivamente e continuamos a fazer as compras. Depois de comprarmos tudo, fomos até a locadora e escolhemos um filme qualquer, ou melhor, ele escolheu. Eu estava um pouco distraído, admito, não conseguia pensar em muita coisa e tinha muita vontade de ligar para o Key e confirmar se ele estava me odiando naquele momento ou se tinha sido só um equívoco de minha parte.
Estamos quase chegando à casa do Onew, vou conhecer a família dele, provavelmente. Eles não fazem ideia de que eu e ele já transamos. Eu sou muito cara de pau por ir até lá assim e nem ligar pra isso? Acho que sou.
— Você está pensativo! – Ele disse, passando a mão perto do meu rosto e dando algumas estaladas com o dedo na minha testa, correndo rapidamente até a esquina, com várias sacolas na mão e observando a minha reação.
Eu dei risada e corri atrás dele, mas como sempre eu sou um fodido da vida e escorreguei na neve, deixando as outras sacolas caírem por todos os cantos e pra piorar, um cachorro tinha acabado de mijar no local que eu caí de costas. Não pude nem contar dois segundos, Onew estava gargalhando e fazendo um escândalo, chamando a atenção de quem estava na rua e de repente, reparei todo mundo rindo da minha cara. Não me mexi e o vi se aproximando, ainda rindo muito e com as bochechas vermelhas por conta disso. Antes de me ajudar, ele pegou as sacolas que estavam espalhadas pela calçada coberta pela neve e eu sentia os flocos suaves de neve caindo sobre o meu rosto.
— Levanta a bunda do chão! Ou melhor, o corpo. – Onew ainda dava risada e ria alto. Já estava começando a me irritar.
— Eu caí no mijo do cachorro, porra. – Falei sem perceber que meu rosto estava completamente rubro. E pra que eu fui contar isso pra ele, mesmo? Ele começou a rir tão alto e fez questão de repetir:
— VOCÊ O QUÊ? CAIU NO MIJO DO CACHORRO? – Gargalhava e fazia questão que meio mundo soubesse disso. Ou melhor, apenas as possíveis vinte pessoas que estavam ali na rua.
— Cale a boca! – Disse ainda vermelho. – Se fosse qualquer outra pessoa no meu lugar, você estaria preocupado. – Diminui o tom de voz.
No mesmo instante em que eu disse essas palavras, Onew largou as sacolas que ele havia recolhido, ao chão. Pude não só observar ele se aproximando intimamente de mim, como ele deitando sobre o meu corpo, no meio da calçada e com todas as pessoas nos observando. Minhas mãos automaticamente foram parar nos ombros dele, para evitar que ele se aproximasse mais.
— O que você está fazendo? – Deixei escapar junto ao meu tom de desespero. – Tá me assustando, assustando todos na rua e também assustando o cachorro!
Falei enquanto notava o cachorro sentado um pouco longe de nós dois, observando a cena.
— Eu só quero um beijo. – Ele se atreveu a dizer isso mesmo? E ele está falando sério.
— Jinki... – Eu murmurei, olhando-o com um tom de desaprovação.
— “Jinki”... – Me imitou e no mesmo instante os lábios dele se abriram em um grande sorriso, me fazendo sorrir quase que automaticamente.
As pessoas estavam assistindo aquilo como se fosse um show, e na verdade realmente era. Quando ele aproximou os lábios dos meus, eu simplesmente fechei os olhos sem me importar com nada, não era uma avenida, era apenas uma rua qualquer, sem muitas moradias e com pessoas curiosas.
Antes mesmo de eu sentir a respiração dele contra a minha, ele se afastou tão rápido que eu nem pude prendê-lo entre meus braços. Eu escutei alguns passos atrás de mim, o barulho da neve me denunciou isso. Não me virei para ver quem era, apenas notei que o Onew estava trêmulo e parecia ter perdido toda a cor do rosto dele, principalmente dos lábios que eram sempre tão róseos.
— Eu te ligando o dia inteiro, resolvo ir te visitar na sua casa e te encontro quase beijando um cara deitado na calçada com ele. – Ouvi a voz grossa e logo em seguida o dono dela soltou um riso debochado.
Notas finais
Até o próximo cap e deixem review, okay?! :3
Deixem reviews beeem bonitões para euzinha aqui ficar feliz *leva soco*
^_^ na verdade nem sei se mereço reviews
mas se eu merecer, mandem ♥
Obrigada aos 21 leitores, de coração!! De coração mesmo!
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