Next Dimension
51 Sussurros
Notas iniciais

AS CARÍCIAS FAMINTAS e o beijo voraz pareciam tão naturais, quase como se ressoássemos na mesma frequência e buscássemos saciar uma vontade primitiva — com nossos corpos destinados a conectarem. Lentamente qualquer resquício de ansiedade desapareceu sendo substituído por um instinto desconhecido que desejava experimentar o que aquele contato nos conduziria.
O ar escapou pelos meus lábios junto de um gemido — longo e melífluo. Meu corpo tremia e o coração saltava com as emoções que germinavam a medida que os toques se tornavam mais desprovidos de pudor e o calor irradiava para o ventre, uma impressão estranhamente relaxante.
Incerta sobre o que fazer, permiti que minha curiosidade tivesse maior influência sobre minhas mãos; toquei cada centímetro da tez quente dele, apertando os músculos, mapeando os contornos tonificados de seu corpo que agora não tinha vergonha nenhuma em acariciar. Dante riu baixinho da minhas tentativas de apalpá-lo, tendo paciência para explorar os cantos mais sensíveis meus por baixo da roupa que vestia que logo saiam do alcance.
Quanto mais envolvida estava, mais peças de roupa escapavam e mais agitado ficava.
O sofá parecia pequeno demais para caber nós dois, mas não queria que ele parasse somente para mudarmos de um lugar a outro. Na verdade, pelas fantasias que estavam brotando na minha cabeça já imaginava fazendo coisas em qualquer recanto da agência.
— Que cara é essa, doçura? — o tom mordaz denunciava que ele sabia a razão, mas que gostava da ideia de me deixar constrangida.
Vendo-o praticamente nu, não resisti muito a admirar como a umidade em sua pele, da chuva que ele tomou, se aderia aos músculos dele que, sob a luz fraca, brilhava de um jeito que lembrava uma peça de arte muito mais onírica que algo próximo a realidade. Com Dante pairando acima de mim, me encarando com uma intensidade cativante, despertava um sentimento borbulhante que me encorajava a me entregar ao que ele queria.
Ele enterrou desleixada mente o rosto em meu pescoço, beijando e mordiscando com delicadeza. Fechei os olhos por um segundo ignorando a autoconsciência martelando em minha cabeça sobre precisar me cobrir e quão vulnerável estava por estar seminua, sendo devorada e subjugada pelas mãos gastas do caçador.
Não sei se minhas percepções confusas se tratavam de um efeito evidente da minha inexperiência, mas sentir Dante se apropriar, figurativamente, do meu corpo ao morder cada área sensível, quase revirei os olhos com a sensação intensa que se acumulou em meu ventre. Faminto, o caçador se ocupou de beijar e sugar a pele da minha barriga, descendo lentamente para minha virilha. Ele parou, como se fosse um pedido mudo para prosseguir se certificando que estava confortável com tal ousada empreitada: cerrei aos pálpebras tanto de vergonha quanto de estranhamento e êxtase com o modo ágil e assertivo que a boca e língua dele estimulavam minha intimidade. Era quase se ele conhecesse as terminações nervosas que triplicavam a impressão de algo vindo que preencheu cada átomo do meu corpo com um prazer quase inebriante demais para formular em palavras. Tudo que escapava por meus lábios entreabertos era o seu nome, um mantra que não cansava de repetir.
Navegando pela nuvem orgástica, observei Dante me encarar com um sorriso orgulhoso e me ajustar em seu colo para que, aos poucos, retornasse a lucidez.
— Quer uma pausa? — Dante riu.
— Não. — mexi no cabelo dele, escovando-o com os dedos. — Eu te amo, Dante. — ele serpenteou minha cintura com os braços e encostou a cabeça entre meus seios sem nenhuma tração de malícia. Era uma nova versão dele que parecia fisicamente carente, que possuía a necessidade vital de vínculo.
Não era uma simples experiência compartilhada entre dois amante, tinha algo muito mais profundo. Naquele momento, onde orbitávamos um no outro, nada mais existia além de nós e a pequena e íntima redoma que nos cercava. Nada que pudesse nos atrapalhar ou no separar.
Todo esse negócio de almas gêmeas, a não tão misteriosa força que nos unia, se tornou mais firme e me puxava para ele como se fôssemos um só indivíduo. Ele também demonstrava sentir o mesmo pela forma que a imensidão azul de seus olhos me analisaram com cautela e uma paixão avassaladora.
Sem quebrar o contato, afaguei com as costas das mãos o rosto de Dante e, em resposta recebi um sorriso terno. Meu coração se inchou a ponto de explodir no peito. Segurei a mão dele, levando-a para meu peito e assim pudesse checar meus batimentos cardíacos acelerados. Um bater rápido e inquietante, semelhante à de um galope de um cavalo selvagem. Estava tremula pela intensidade da situação que se instalara entre nós, porém diferente de outras vezes, não ousei quebrar. Aproveitei cada precioso minuto, sua mão quente ainda pousada sobre meu peito. Suas feições que estavam neutras transformaram-se em um misto de afeto e luxúria.
Mais que depressa, selou nossos lábios em um beijo urgente e de tirar o fôlego com os toques famintos dele que formigavam. Desliguei-me totalmente da chuva torrencial lá fora e dos raios que cortavam o céu da noite, pareciam apenas sons de um sonho distante.
Dante me pegou nos braços como costuma fazer — o que não interrompeu a aura incandescente de lascívia que se instalou — levando-me para o quarto.
O inacreditável era que não havia pressa nos gestos dele, tudo que fazia tinha o encanto de acompanhar os meus lentos e um pouco incertos. Assim que alcançamos a cama, nossos corpos foram inconscientemente se abaixando com paradas mínimas no beijo, minhas costas tocaram o colchão macio e os lençóis que estavam impregnados com o delicioso cheiro de Dante. Meu peito subia e descia rapidamente com a ansiedade crescente.
— Aqui estamos, ainda tem tempo pra dizer se não quer, doçura. — os dedos dele se deslizaram pela mecha do meu cabelo, seus olhos vidrados nos meus.
— Estou bem com isso.
— Entre nós, você me fez esperar bastante — encarei-o ruborizada, Dante deleitosamente lambeu os lábios.
— A espera valeu a pena, não? — afaguei o rosto dele. — E se te fiz esperar tanto, deveríamos parar de perder tempo, não acha?
Dante abriu um sorriso mordaz.
— E te deixar na mão? — ele coçou o queixo, passando os dedos pela barba por fazer — Não sou do tipo que desiste, além disso, as maiores conquistas são aquelas mais difíceis de alcançar. E você foi o melhor desafio de todos.
— Me mostre — sussurrei, lamentavelmente, submissa.
— É um convite?
— Não, é um pedido. — mordi o lábio inferior, e quase num murmuro inaudível, acrescentei: — Faça o que quiser comigo.
— Hm, estou gostando muito do rumo disso.
Dante beijou-me novamente, lascivo e invasivo. De imediato e pelo susto — e ferocidade — fiquei sem reação, então enlacei meus braços em seu pescoço alisando os sedosos cabelos prateados entre meus dedos, bagunçando-os no processo. Tentei o melhor possível para corresponder todas as suas exigências, e retribuindo com mais cobiça. As mãos dele começaram a trilhar caminho pelas minhas curvas e arfei quando esfregaram gentilmente minhas coxas, em seguida, apertando-as. A língua dele percorreu minha boca, explorando cada canto sem deixar nenhum ileso. Uma estranha sensação borbulhou em meu estômago e um gemido tremulo escapou, sendo abafado pelos lábios ávidos de Dante. Logo, o beijo foi quebrado deixando um rastro de saliva conectando nossas línguas. Tirei bom proveito da pausa para buscar ar e recuperar-me.
Dante começou a distribuir beijos pelo meu pescoço, dando leves mordidas e sugando-os, de modo que fiquem marcas. Minha pele se arrepiou e meu coração bateu fortemente no peito. Agora seria sem limitações ou resistência, me deixaria levar pelos meus instintos mais sombrios e primitivos e principalmente pelo inegável desejo que possuía. Queria me perder no calor do momento. Sem contar que nunca havia me sentido assim por ninguém. Claro que Dante ativa meus hormônios, mas era algo além do físico, nossa ligação é espiritual.
O frio arrastou-se impetuoso pelo meu peito desnudo, automaticamente usei minhas mãos para cobri-los, corando furiosamente. Dante deu uma leve risada e afastou minhas mãos.
— Vamos, não seja tímida. Não há nada que não tenha visto antes, não vejo razão para esconder.
Fechei os olhos, esperando alguma ação de Dante, o que não demorou muito, até que senti seu hálito quente batendo em meus seios antes dele passar a língua tortuosamente lenta por cada um. Enquanto mordiscava um, apertava o outro beliscando delicadamente algumas vezes. Reprimi um gemido. Meu corpo se retorceu com as novas e prazerosas e pecaminosas sensações. As mãos quentes de Dante exploravam arduamente meu corpo apreensivo pela expectativa. Por um lado era um pouco frustrante, Dante tinha experiência e a estava usando para me dominar e me tomar, e eu não podia e nem conseguia fazer nada por ele. Esse, poderia considerar, um lado ruim de nunca ter feito sexo na vida. Eu devia ter aproveitado as dicas que Lyana me dava, no qual não prestava a mínima atenção. E vejo quanta falta elas fazem.
Grunhi quando ele apertou meus seios, finquei as unhas fortemente nos lençóis.
— Shhh — sibilou perversamente, arrancando outro gemido meu. Abri lentamente os olhos, percebendo Dante imóvel, admirando o seu trabalho com um sorriso de satisfação que faz meu coração bater ainda mais forte e uma avalanche devastar meu estômago.
— Vamos tornar as coisas mais divertidas — com essas palavras, ele se afastou e começou a desfazer o cinto e puxar a calça, deixando cair despreocupadamente no chão. E ele não estava usando nada por baixo da calça. Nadinha mesmo.
Agora podia vê-lo completamente nu. Em toda sua glória. Tentava não olhar para seu... Amigo... Mas era um pouco impossível. Se disser que ele é grande não passaria de eufemismo. Por isso Lady ficou tão abismada com a visão? Ele é mesmo um demônio naquele sentido da palavra.
Como diabos aquilo cabe em uma mulher?
Quero dizer, se ele tem deve caber, não? Por que estou pensando nisso? Encarei o teto repetindo mentalmente que estaria segura e que Dante iria tornar cada segundo dessa embaraçosa situação algo proporcional ao paraíso.
Eu sabia sobre “aquilo” tinha conhecimento do funcionamento através das aulas de biologia do ensino médio e dos livros de reprodução . No entanto, uma coisa é a ilustração detalhada e outra, completamente diferente, é ver bem de perto ao vivo e as cores, era algo novo e assustador. Principalmente com ele... Animado.
— Algum problema? — seu timbre soou intrigado, um sutil divertimento se dispensando no ar. — Está com medo?
— Não. Medo não. — dei uma risada nervosa. — É só... É que... — a frase morreu antes de finalizar o percurso.
— Relaxe, doçura.
O sorriso dele se alargou, se aproximando, ao passo que recuei batendo as costas na cabeceira da cama, peguei o lençol para me proteger das vistas nem um pouco discretas.
— Ou sou muito para você? — alfinetou.
— Poderia colocar uma música. — mudei de assunto.
— Precisa pra criar um clima? — riu, bruscamente retirou os lençóis que evitava o escrutínio. — Você não ira precisar disso de qualquer maneira.
Meu coração já estava na boca, pulsando em agitação implacável.
— Você confia em mim?
Assenti lentamente.
Na verdade, apesar da breve paranoia, que se dissolvia paulatinamente, confiava nas ministrações dele e no desejo desgarrador que me consumia feito fogo, incendiando meu corpo. O queria mais do que a necessidade de respirar. Tinha tanta coisa para fazer, tanto para experimentar e Dante esta disposto a me ensinar. Ele estava tão seguro de si que me deu confiança para persistir sem medo. O estranho é que acreditava que Dante fosse do tipo dominador, mas parece que ele quer que eu desfrute o máximo possível da experiência.
— Não sabe quanto tempo esperei por isso — murmurou rouco e apertou minha coxa, apenas arquejei pelo toque quente e inesperado. As gemas azuis nublados pela luxúria — escuras e enevoadas. Cada toque dele ativava uma parte minha que desconhecia. E essa parte o queria agora.
Precisava temer?
— Abra as pernas para mim, doçura — sussurrou, suas mãos persuadindo meus joelhos que mantinha firmemente unidos, até caírem abertas a vontade dele. Dante tinha um grande poder sobre mim e me assustava um pouco.
— Dante — balbuciei.
— Eu mal toquei em você e já está chamando meu nome? — ele passou a mão pelo meu abdômen, arranhando delicadamente até que entrou o lugar que tanto queria. Engasguei quando o senti novamente tocar no local mais íntimo do meu corpo. O toque dele enviou descargas elétricas por todo meu sistema nervoso. Sua respiração fervente roçou em meu pescoço. Mal conseguia processar algo coerente para dizer, especialmente com a maneira que ele me estimulava. Virei meu rosto, sem coragem para encará-lo. Não tive como reagir direito.
— Dante... — sussurrei temerosa.
— Eu sei — ele cortou, dando um sorriso tranquilizador — Não se preocupe que cuidarei desse problema. — engoli em seco.
Dei uma inocente risada e sem graça — e ligeiro temor.
Dante posicionou-se entre minhas pernas, olhando-me com carinho tão grande que tive uma epifania, uma aclaração, de que seria a mulher mais sortuda do universo e de todas as dimensões. E não houve mais medo que restringia minhas ações. Nossos rostos poucos centímetros um do outro, com tanta cumplicidade, que não precisou muito para encurtar a mínima distância e encostar nossas testas. Um sorriso meio bobo brotou no semblante de Dante, ele parecia estar feliz e outro sentimento que nascia do mais profundo das nossas almas, algo que só pode reconhecer unicamente por ele.
O primeiro impulso de Dante foi devagar e com tanto cuidado, que era como se um simples suspiro pudesse me quebrar — assim como uma peça de porcelana. Sua respiração ficou travada na garganta e mordi os lábios para conter o grito de dor sentindo-o o primeiro lampejo desconfortável da penetração. Comecei a hiperventilar, me encolhendo involuntariamente contra ele que se manteve parado, nunca rompendo os limites físicos do ato.
— Está tudo bem, estou aqui — sussurrou, me esmagando em um abraço reconfortante que me estabilizou e trouxe todo o foco para as emoções compartilhadas. Arfei com o nariz dele aspirando meu pescoço e depositando um beijo longo ali.
Desliguei a mente sem hesitar, trancando a ansiedade e a tensão que se apoderou por um instante de mim e me centrei na forma como nos uníamos. Dante brevemente observou-me com um brilho triunfante de êxtase, sua voz rouca soprou em meus ouvidos.
Após o que pareceu um longo tempo percebi que a dor sumira, ainda que sentisse um ligeiro desconforto — uma fricção estranha -, e meu corpo se acostumara com Dante, respirei fundo relaxando cada músculo cansado. Acariciei os cabelos dele em uma permissão muda para prosseguir. Talvez o fato de não doer tanto quanto previ fosse pela capacidade curativa e adaptável do meu corpo, que aceitava o contato novo e inegavelmente íntimo.
Seus movimentos começaram lentos e aumentaram o ritmo gradativamente à medida que não havia nada para refrear, trazendo ondas e ondas de incríveis sensações que nunca pode crer existirem. Nós tínhamos o encaixe perfeito — duas peças moldadas uma para outra. Em um ato instintivo, meus braços se apertaram ao redor do pescoço de Dante, e desesperadamente encontraram as costas dele fincando as unhas pela mesma, deixando para trás arranhões marcantes. Dante grunhiu com a ação e soltou uma risada abafada. A única coisa que fui capaz de fazer foi pressioná-lo contra mim, sentindo o encontro dos nossos peitos despidos ganhando um suave arfar em resposta. Estava totalmente entregue a ele e suas devassas vontades.
Aos poucos, Dante continuou empurrando, e não demorou para senti-lo completamente em mim.
Dante investiu com força, cada vez mais depressa. Do mesmo modo, eu o cortava com as unhas e o aroma de sangue preencheu o ar. O calor percorreu meu corpo. As chamas cresciam em meu ventre agitaram-se como lava derretida, inundando meus sentidos e nublando minha visão. Respirei fundo, enquanto espasmos tomaram meu corpo.
Suas ações mudaram bruscamente, e as estocadas tornaram-se agressivas e animalescas. Meus gemidos eram incontroláveis demais para simplesmente contê-los. Não havia mais cautela ou paixão nos seus movimentos, apenas posse. Ele estava violando-me com impulsos brutos e selvagens querendo ir mais forte e mais fundo. Ouvi um barulho de algo sendo violentamente rasgado e percebi que os lençóis ficaram em tiras nas mãos de Dante. A textura da pele dele ficou mais quente e áspera e já não pude aplacar as minhas dores arranhando suas costas. E como se quisesse me atravessar, a estocada seguinte veio tão profundo que senti que poderia desmaiar em um misto estranho de dor e prazer. Meus quadris doeram pela brutalidade.
Firmei minhas mãos no rosto de Dante, forçando a se concentrar somente em mim. Os olhos dele estavam vermelhos e suas feições distorcidas. Nunca pensei que ele fosse quase perder o controle em um momento como esse.
— Dante, volte para mim — pedi.
Ele respirou fundo, voltando ao normal e sorriu um pouco desolado. Acaricie seu rosto, tranquilizando-o.
Com uma facilidade que somente ele possuía, enlaçou minha cintura e sentou-se na cama levando-me junto e sem desconectar nossos corpos. Eu o abracei, apoiando a cabeça em seus ombros enquanto as mãos dele afagam inocentemente minhas costas. Voltei minha atenção para ele, não dissemos nada apenas nos encarávamos. Tirei algumas mechas de cabelo que grudaram em sua testa devido ao suor. Logo, eu acompanhei o movimento dos quadris dele contra os meus.
Ele ofegou e sua respiração ficou mais pesada. Senti-o pulsar latejante dentro de mim, soltando gemidos altos e incontroláveis. Agarrei com mais firmeza seu pescoço e permiti que meu corpo se rendesse, uma explosão de sensações a flor da pele, despertando o orgasmo enquanto o senti o jato ardente junto com o resto das minhas forças.
Dante pegou minhas mãos e a levou ao seu peito, um sorriso satisfeito iluminou seu rosto. O coração dele batia quase no mesmo ritmo que o meu, tanto rápido pelo ocorrido quanto pela aproximação física e sentimental. Permaneci com a cabeça deitada em seu ombro me recuperando do orgasmo.
Sem qualquer cerimônia, ele puxou-me e selou nossos lábios indicando que queria mais. Estava tão exausta e tudo que queria era dormir por semanas. Mas quem disse que Dante não complicaria as coisas? Em outras palavras, fiquei a mercê dele, nem conseguia fazer nada para impedir esgotada do jeito que estava. Assim que nos separamos seus olhos fitaram-me incisivos e cheios de cobiça.
— Ainda não terminamos, doçura. A noite só está começando.
Respirei fundo, tentando buscar em alguma parte sólida de mim, energia pra recuperar o fôlego e os membros. Estava exausta, suada e com a mente meio fora de si, se resumisse as últimas horas em uma só sentença, diria, sem nenhum grau de vergonha, que fora devastadora. Não por ter transado em todos os cômodos da agência como quis a princípio, mas pelo esgotamento final depois de rodadas e mais rodadas — seguidas.
Dante encostou a cabeça em minhas omoplatas, acariciando as laterais do meu corpo em um pedido tácito de desculpas. Não estava brava pela sessão de amassos que durou mais do que deveria tampouco fisicamente incomodada a um nível incapacitante, mas agora não tinha cabeça pra nada além de permanecer deitada e me agraciar pelas mãos calejadas dele roçando em minha pele, enviando arrepios pela espinha. Suspirei com o longo beijo que depositou em minha nuca.
— Muito cansada, doçura?
Assenti preguiçosamente.
Dante arrumou meu cabelo para que tivesse uma vista privilegiada dele me olhando fixamente.
— O que foi?
— Nada que mereça preocupação. — respondeu, sorrindo. — Descanse, doçura.
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