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23 Inferno de Dante: Fronteira da vida e da morte
Notas iniciais

Não precisei ponderar acerca dos prós e contras para definir o que deveria ser feito, permitindo que a realização do que significava viesse a mim com potência total, validando a vontade de meu espírito de reavê-lo — de retribuir uma porcentagem do que Dante arriscou por mim.
Cerrei os punhos.
Uma chama ardente acendeu em meu interior. A princípio, a questão pegou-me desprevenida. Ir diretamente ao lar das piores e mais vis criaturas existentes não era a ideia mais tentadora. No entanto, julgava que algo muito importante estava em jogo; a alma de Dante. Se eu tiver com o poder para transcender o inferno, então por que não usá-lo nessa hora de necessidade?
Faria tudo para resgatar Dante. Mostrarei que sou digna dele, destruirei com força avassaladora quem ficar no meu caminho. Se para vingar a morte dele terei que abandonar minha alma que assim seja.
Não seria a decisão mais difícil de minha vida.
Os próximos segundos decidiriam o que devia ser feito. As possibilidades não eram muitas e as chances quase nulas. Definitivamente, não recuaria mesmo com um pouco de medo do que poderia encontrar do outro lado. Quando Alexander percebeu meu receio, ele considerou minha reação como uma negativa.
— Quando partimos? — respondi, minha voz carregada de confiança que nunca experimentara outrora.
— Tem total certeza disso? — Alexander queria testar minha coragem, mas mantive-me firme. Cruzei os braços acima do peito, usando-os para criar uma barreira. Certifiquei de controlar o poder da minha aura.
— Sim, absoluta!
Alexander semicerrou os olhos, ponderando em cautela.
— Apesar de você ter evoluído com o manejo de sua aura, se tratando do inferno, precisa de mais lapidação. Nesse caso, suprimi-la. — ele informou, então prosseguiu em tom solene e altivo. — Como sua aura tem como principal conceito a luz, seria mais chamativa.
— Não vou precisar outro pote no pescoço né?
Alexander riu.
— Dessa vez não.
Mesmo naquele momento, enquanto discutia com Alexander, podia sentir minha aura densa tomando forma. Nunca tinha conhecido tamanho poder, apenas depois de liberar meus poderes adormecidos e ter voltado do limbo — apesar de não lembrar muito bem do período que estive lá, era mais uma parede branca de memórias distorcidas. A forte sensação que poderia fazer qualquer coisa. Minha aura me envolvia em uma cor dourada vibrante que oscilava e se expandia, apesar das minhas falhas tentativas de contê-la. Do ângulo que estava podia ver também a aura púrpura de Alexander, que muito diferente da minha, não tremia. Ela mantinha-se firme e imponente, me rondando com um brilho gentil e caloroso.
Alexander estendeu a mão em minha direção. Uma pequena pedra lilás brilhava no anel prateado que ele mostrava para mim.
— Use isso.
Peguei-o e o anexei em meu dedo anelar de imediato. Fora uma sensação estranha quando o anel repuxou uma parcela da minha energia, não fora doloroso, somente desagradável.
— Esse anel irá manter sua aura sob controle, contudo, qualquer tentativa, mesmo que significativa de usar sua aura o anel se romperá. O inferno é um lugar muito perigoso para andar com uma aura radiante que chame atenção desnecessariamente para nós.
Mordisquei meu lábio inferior, inquieta.
— Entendo — disse, admirando para o delicado anel. Não podia acreditar como uma coisa tão minúscula e até esdrúxula pudesse fazer tanta coisa — Quando partimos? — repeti a pergunta.
— Agora, se estiver preparada. Mas antes converse com Rain e Vincent, eles precisam estar cientes disso.
— Farei isso imediatamente! — apertei com força meus punhos, que ficaram brancos devido à pressão. — Como faremos para ir para o inferno?
— Não se preocupe, quando chegar a hora irei guiar o caminho.
— Certo, te vejo depois!
Alexander tocou meu rosto, colocando sua mão sob meus olhos.
— Então, relaxe e acorde.
Dei um impulso para emergir, bruscamente, para a consciência. Estava do mesmo modo que dormira, deitada na beira da cama segurando a mão de Dante como se dependesse toda minha vida no gesto. Sem hesitar, a ergui para encarar o anel que me presentearam no sonho, o que, sendo honesta, era estranho que estivesse no plano físico também. Se tratando de algo relacionado a Alexander, uma manifestação ativa e espiritual, não seria tão terrível quanto aparentava.
Levantei desajeitadamente, caminhando em passadas largas e apressadas até a porta e atravessei o corredor que direcionava ao recinto temporário dos dois irmãos, um da Rain e o outro do Vincent. Para alguém que afirmou categoricamente que estaria a disposição se precisasse, Rain não cumpriu bem a parte de “disponível”, não a encontrei e, para alguém comovido pela paixão irrefreada de salvar a pessoa amada, ter que realizar mais um percurso para verificar o outro cômodo não ajudava muito no departamento ansiedade. Continuei a breve jornada e bati na porta, me deparando com Rain que, não apenas me recepcionou, como também me acompanhou igual uma sombra num misto de surpresa e confusão.
— Acharam alguma pista?
— Não. Era uma das coisas que debatiamos...
— Preciso contar algo — a cortei antes que concluísse a sentença, me impelindo para dentro do quarto.
Pelo jeitinho de Vincent, o ar austero e a compleição comedida, não esperava nada menos que um local limpo e estritamente organizado sendo um reflexo da sua personalidade. Não tínhamos um contato longo, nem mesmo trocávamos diálogos que não competissem a situação, porém ele bem que fazia o tipo reservado com tendências meticulosas de zelo, preservando o ambiente no qual está inserido.
Os irmãos se entreolharam.
— Sinta-se a vontade, Diva.
— Não tenho muito tempo para rodeios, vou direto ao ponto. — pigarreio. — Irei para o inferno.
Rain empalideceu.
— Está falando sério? — ela tentou rir nervosamente testando as águas, contudo, entendeu a seriedade da minha determinação. Seu olhar mudou para apreensão — O inferno não é lugar para você. Sabe que tipo de coisas tem lá? — cuspiu perplexa. — Claro que não! Você não pode ir!
Respirei fundo.
— Você testemunhou tudo... — comecei condescendente. — Viu o estado do Dante... Sabe como isso tem me afetado.
— Irá ao inferno... Por ele? — ela balbuciou.
Assenti.
— Isso é loucura mesmo para uma boa causa.
— Eu só estou contando isso, porque Alexander me pediu. — esclareci. — Ele vai me ajudar.
Alarmada, Rain encarou o irmão.
— Não podemos deixar... Diga algo, Vincy.
— Não estou aqui para questionar as decisões dela, se Alexander a guiara nessa jornada, Diva estará segura. Tente dar um voto de confiança — expressou prudente. Pelo menos daria um empate, uma não quer que eu vá e o outro confia em mim.
— Ah, Diva! — Rain me abraçou calorosamente. — Não vá!
— Tenho que ir, preciso salvar a alma do homem que amo. Por favor, entenda.
Ela se afastou, olhando-me fixamente. Seus olhos azuis se comprimiam em amargura.
— Está bem. Tome cuidado, ok?
Sorri em concordância.
— Antes de ir, quero pedir uma coisa — estudei o semblante tanto de Rain quanto de Vincent. — Cuidem de Dante!
Com um sonoro "sim" deixei os dois e retornei ao quarto.
E agora? Deveria espera dormir novamente ou Alexander irá me buscar?
Tomada por uma onda ferrenha de coragem, mirei Dante, o motivo principal da missão.
— Prometo... Vou te trazer de volta, Dante.
No abismo, bem fundo, ainda podia sentir bem fraco a centelha da aura vermelha dele. Quase se apagando. Aparentemente, mesmo sem uma alma o corpo de Dante não parou — isto é morreu completamente. O normal de quando se morre — atravessa a luz —, e até onde sabia, sem a alma para dar sustento de vida, o físico desfalecia e, por fim, pereceria. Tinha que levar em consideração que não estava falando de um ser humano normal, e sim de um mestiço de um demônio. Não qualquer demônio, mas o lendário Sparda. Seu poder o impedia de desistir. Talvez isso se devesse a sua forte vontade de viver ou sua genética implacável que ninguém podia superar, seja qual foi a causa desse fenômeno, me garantiu uma oportunidade.
Pousei minha cabeça no peito de Dante, ouvindo o coração que lutava para continuar batendo: um som ritmado e acalentador. As lágrimas brotaram frias pelo meu rosto, sensível demais para ignorar os sentimentos que transbordavam do meu âmago. Dei um suspiro intenso. Ajeitei-me para uma melhor posição, tocando gentilmente o rosto adormecido.
Estava tão cansada. Estranhamente exausta.
Sem lutar, cedi a ela.
Descrever a sensação é complexo, intrigante e bizarro. As vezes, quando estamos prestes a dormir, quando estamos quase desligando, acontece alguma coisa que faz o cérebro enviar espasmos involuntários como se estivéssemos para cair em queda livre; é bem semelhante. Um impulso ardente se injetou por mim e... Através de mim. O conceito de fisicalidade se desprendeu e, repentinamente, tudo mudou; um peso saiu e a leveza me levou para cima. Abri os olhos e gani com a privilegiada visão que tinha de...
— Que merda é essa? — gritei a plenos pulmões. — Eu morri?
Flutuei até meu corpo e meti a mão na minha cara, não muito abismada por simplesmente não trocá-la... Uma fantasma!
Também podia, do ângulo que me encontrava, ver o corpo imóvel deitado perto de Dante. Detalhadamente, via o meu rosto pálido de olhos fechados como se dormisse tranquilamente e os cabelos castanhos que caiam livremente pelo peito largo de Dante que respirava profundamente com movimentos fracos. Desesperada, desci para cuidadosamente conferir se respirava — se estava viva — e uma onda de alivio tomou-me — o mais puro êxtase — quando vi que respirava serenamente.
Milagrosamente, havia me desprendido do meu corpo, apenas isso. Minha real primeira experiência fora do corpo. Parecia legal na teoria, mas não era na prática. A ideia era bastante atordoadora. Não ousei sequer me mover, a sensação estranha de liberdade e de leveza, de certa forma, eram confortáveis. Isso não me impediu de flutuar como um balão pra lá e pra cá, sem rumo.
Notei um fio vermelho saia do peito, anexada ao coração do meu corpo desfalecido para o meu espírito. Prendendo ambos. Segurei o fio e puxei delicadamente.
— Não faria isso se fosse você! — a voz de Alexander soprou perto do meu ouvido, fazendo-me instintivamente recuar. — Essa é a Ponte do Coração. E como pode ver ela liga seu corpo e alma, enquanto estiver conectado ainda pode retornar.
Percebi que tinha outro fio, este era prateado amarrado ao meu mindinho. Lembrei-me do que Eryna comentara sobre algo semelhante; o cordão prateado. A poderosa ligação entre dois amantes.
— Cordão prateado... — sussurrei em deleite. Toquei o fio prateado que ressoou pulsante e reluziu suavemente. — Estou ligada com quem?
— Vamos, Diva, não temos tempo! — Alexander disse, incisivamente tirando-me do transe.
— Onde vamos?
— Ao único lugar que tem um portão espiritual para o inferno
— Fortuna — deduzi. Fora o primeiro lugar que pensei quando Alexander se referiu a uma passagem para o inferno. O local era encoberto por energia, não era de se admirar que tivesse um portão exatamente lá.
— Correto.
Alexander estendeu a mão, puxando-me gentilmente. E repentinamente, me vi correndo — ou voando, que dava no mesmo — no ar em alta velocidade, tudo em nossa volta estava borrado. As únicas que podia distinguir era a variedade de cores.
Em um piscar — literalmente — de olhos, chegamos a Fortuna. Ninguém podia nos ver, pelo menos não pessoas normais ou quem nós não quiséssemos que nos visse. Paramos perto da catedral ou que agora é apenas uma casa de opera. Fiquei tentada a procurar por Nero, seria uma boa chance de vê-lo novamente.
— Vá atrás dele. — Alexander disse como se tivesse lido minha mente. — Estarei aqui te esperando.
— Obrigada, Alexander.
Contemplei, emocionada, o pequeno porta retrato na mesa de madeira do escritório do Devil May Cry de Nero. A foto que continha ali era de Nero, Kyrie e eu. Nunca me achei fotogênica e odiava terminantemente aparecer em fotos. Fiquei feliz que mesmo tendo passado pouco tempo de termos nos conhecido — no caso deles, já que eu os conhecia — em uma péssima situação, ainda mantinha-se fiéis a amizade que criamos nesse curto período.
A foto me fez esquecer momentaneamente a frustração de não ter achado Nero. Pelo ar, podia sentir sua presença. Ele tinha saído um bom tempo antes de eu chegar.
Segui o rastro de energia até um galpão. Transportei-me para dentro. O terreno era grande e cheio de caixotes, redes e todo tipo de bugigangas. Surpreendi-me pela quantidade de demônios, ocupando todo espaço vago e Nero bem no centro do aglomerado. No quesito confiança e indiferença, Nero é igual a Dante.
Sentei no topo dos caixotes mais altos e parei rapidamente para apreciar o show. Em um rápido movimento, Nero sacou Yamato e cortou os demônios mais próximos, em seguida, deu uma sequência de golpes velozes e mortais nos que vinham para cima dele. Resolvi jogar um pouco, até por que tinha que aproveitar a chance e minhas habilidades.
Tornei-me visível e usei um pouco do que desenvolvi de telecinésia para atordoar alguns demônios, batendo violentamente um no outro e os atirando longe. Na minha forma espiritual, era muito mais fácil usar meus poderes. Nero encarou-me sério, porém sua expressão logo se suavizou, um gentil e receptivo sorriso se formou em seu rosto.
— Parece que esta com problemas. — brinquei, balançando as pernas.
— Nada que não possa resolver — retorquiu, ele coçando a nuca e seu sorriso cresceu.
— Precisa de uma mãozinha? — pisquei os olhos inocentemente — Aproveite que me sinto caridosa.
— Não posso te impedir. Então, faça o que quiser.
Joguei alguns caixotes em três demônios que vinham em minha direção — porque ele viam espíritos. Nero facilmente acabou com o resto, o impressionante, sem suar.
Pensei em partir pro abraço, entretanto, as não convencionalidades de ser um fantasma temporariamente me restringiram no quesito toque. Caminhei até Nero que, para meu espanto, me puxou para um abraço desajeitado e apertado. Seu aperto era quase sufocante, como se não quisesse que me afastasse.
Como?
Ainda tinha percepções físicas do meu entorno, tinha como encostar em coisas, só que acreditava fielmente que seria intangível pra outras pessoas... Ou Nero seja uma exceção a regra, de alguma forma. Com a sensibilidade em alta, conseguia experimentar melhor as nuances da aura dele — o azul celeste de Nero me envolveu, embalando-me.
— Isso foi incrível. — murmurei assim que me separei de Nero. O rosto dele adquiriu um leve tom rosado.
— O que faz aqui, Diva? Pensei que tinha ido embora para não voltar mais. — alfinetou.
— E nunca mais ver a Kyrie ou você, principalmente ver o modo como seu rosto fica fofo quando esta vermelho — deu uma risadinha vendo a pontada de constrangimento e irritação no rosto dele. — Queria te ver antes de ir...
— Pelo visto continua engraçadinha. — ele brincou, beliscando delicadamente meu nariz — Ir para onde?
Nero, sem duvida alguma também seria contra minha ida ao inferno. Mas isso não dependia dele, não mudaria de ideia mesmo com todo mundo contra. É a minha ultima decisão.
Suspirei.
— Irei ao inferno — a expressão impagável de Nero era um misto estranho de incredulidade, espanto e um pouco de "essa guria não bate muito bem da cabeça”.
Nero tocou minha testa.
— O que esta fazendo?
— Vendo se esta com febre. Por que sinceramente, você parece estar delirando. Isso ou esta completamente louca.
Dei um tapa na mão dele.
— Pare de graça! Estou falando sério!
— Me diz, pelo menos, um bom motivo para ir até lá. — pediu com certa inquietação.
— Vou resgatar a alma de Dante.
Ele franziu o cenho.
— Dante? — Nero fez uma careta — Esta falando Dante, filho de Sparda que...
—... Que te ajudou a salvar Fortuna, esse mesmo. — completei.
— Mas como...
— Longa historia. — o interrompi.
— Deixa eu ver se entendi... Aconteceu algo com o Dante e você, como a imprudente que é, resolveu se embrenhar no Submundo para salvar a alma dele? — Nero narrou a situação e ouvindo ele, de fato, soou como uma ideia estupidamente louca, ultrapassando o cúmulo do racional.
— Basicamente é isso. — engoli em seco assistindo sua face se desenhar com nenhuma emoção evidente.
— Então eu irei com você, tenho uma divida com Dante. — anunciou sem pestanejar.
— O quê? Está doido?
— O que te faz menos doida sendo que você que teve essa ideia? — Nero retrucou usando minha lógica contra mim.
O miserável é um gênio.
— Não, melhor que fique e proteja Fortuna.
Nero me deu um peteleco, que por incrível que pareça doeu.
— Aí — resmunguei, massageando minha testa. — Isso doeu, seu chato.
— Eu irei, mesmo que não queira.
— Ah, não era bem isso que tinha em mente — coloquei a mão na cintura — Aliás, como vai explicar a Kyrie?
— Não preocupe sua cabecinha com isso — zombou.
— Não sei se percebeu, mas estou em forma espiritual e não sei se você poderá ir. — cruzei os braços.
— Daremos um jeito
— Talvez... — refleti, olhando para Yamato. — Como não tem outro jeito já que você é cabeça dura, vamos, então?
Peguei a Devil Bringer de Nero e nos teleportei até onde Alexander estava me esperando.
— Ora, trouxe um convidado — Alexander anuiu com suavidade, sem traços de aborrecimento ou assombro.
— Espero que não se importe.
— Não vejo problema em você trazer algum aliado.
Eu podia dar um forte abraço em Alexander, mas fiquei constrangida em fazê-lo.
— Alexander esse é Nero. Nero esse é Alexander, meu protetor e guia — Alexander sorriu.
— Bem, os planos mudaram um pouco. Podemos atravessar momentaneamente o plano físico para o inferno, mas... — ele pausou avaliando a situação e continuou: — Agora temos que alterar algumas coisas, Nero, você é o único ser físico entre nós. O portal pode te rejeitar, porém acho que consigo te levar até lá sem causar danos.
— O que estamos esperando? Um convite escrito? — disse, inquieta.
Alexander reuniu energia nas mãos e puxou a que estava no ar da ilha — o que sobrou da energia da batalha contra Sanctus que ainda estava por todo lugar. Em suas mãos a energia tomou forma e se expandiu. Nero pegou minha mão e Alexander sinalizou para entrarmos na enorme e poderosa esfera.
Não tem mais volta.
Adentramos o portão que se fechou em seguida.
O cenário mudou radicalmente quando, finalmente, passamos pelo portal. O céu não era um límpido azul, e sim um vermelho sangue. Não havia flores ou vegetação, apenas barro, pedras e colinas íngremes que se estendia em outras ainda mais altas. O ar era pesado e carregado com forte cheiro de sangue e morte.
Esse era o Inferno?
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