Next Dimension

65 Fogo nos olhos dela


I know i should show

Eu sei que deveria mostrar

How i feel

Como me sinto

But i'm still

Mas ainda estou

Afraid to know the truth about me

Com medo de saber a verdade sobre mim

[...]

I look in the mirror

Eu olho no espelho

All i see's a girl

Tudo que vejo é uma garota

Lost in the sea of greed

Perdida no mar da ganância

I'm ready to leave it all behind

Estou pronta pra deixar tudo pra trás

The future is in my hands yeah

O futuro está em minhas mãos

In My Hands — Anna Tsuchiya


— Espero que tenha algumas respostas pra mim, Alexander. — gritei no vazio que produziu um eco longo.

"Vamos por partes" ouvi uma risada galante. "Acredito que sabe um pouco da nossa ligação"

- Na verdade, eu estive ligando os pontos, teorizando paralelos, e vendo onde cada parte se encaixa. Não sei o quanto estou certa ou não. — argumentei caminhando sem rumo. — Tudo que sei é que você esteve no meu mundo quando eu nasci — não tive coragem para prosseguir, vislumbrando um possível obstáculo a frente.

Estava ciente do quão árduo seria o desafio e quanto isso poderia causar, então não havia nada a temer.

Normalmente uma pessoa fica dominada pelo medo quando se confronta com algo inexplicável e ameaçador. No entanto, qualquer emoção desnecessária para meus objetivos o ignorava, para que não venha a interferir no grande esquema das coisas. Meus olhos buscaram em meio aquele turbilhão de cores algo que pudesse considerar de grande importância, ou para me dizer onde tinha ido parar — uma localização mais exata, especificamente. Levando em conta que Alexander queria me avaliar, o lugar só pode ser fora dos padrões e de difícil localidade ou um conjunto de todas as hipóteses. O chão sob meus pés desapareceu assim como as paredes dando a sutil impressão de estar flutuando a deriva no ar, embora ainda sentisse a firmeza sólida do piso não havia a pressão da gravidade me puxando para baixo. Ao meu redor tudo começou a assumir forma, apesar disso, não podia assegurar com razão o que poderia ser. Conforme as coisas ficaram mais claras e visíveis, consegui identificar algumas formações: dentre elas bancos, um altar e objetos com relação a salões ou mesmo igrejas. Um som de órgão sendo tocado repentinamente, despertou o alerta total. Não havia ninguém ali nem para me auxiliar, tampouco para tocar. A música soou alta e penetrante, vibrando por todo extenso espaço atingindo tons mais elevados em determinados pontos.

Aquela não era a mais perfeita forma para começar. Mas não posso esperar que tivesse coisas a meu favor, geralmente umas provação consiste em você próprio encontrar um jeito de sobreviver em meio a um ambiente inóspito e extremamente perigoso — e aqui não seria diferente. A atmosfera estava carregada e o leve aroma de cera derretida permeava por todo local, evidenciando as velas que iluminavam vagamente com as chamas bruxuleantes. Nada disso me intimidou, só fez o efeito oposto; preenchendo-me de entusiasmo e certeza. A melodia ficou mais melancólica e profunda, enquanto eu observava intrigada os teclados mexendo sozinhos no instrumento. Naquele momento, operava no modo automático de vigilância para estar pronta para atacar caso precisasse. As armas já se materializaram em seus respectivos pontos; nos punhos e em meus calcanhares. Encarei com olhos febris o cenário encoberto pela escuridão, aguardando paciente alguma coisa que nem sabia ao certo que seria. Confiando somente em meus instintos de autopreservação.

"Essa dimensão foi criada no intuito de testar sua coragem e força. Eu não irei interceder por você, assim sendo, estou lhe deixando a própria sorte " Alexander explicou, um leve tom de autoridade em sua voz.

- Você pode criar dimensões? — questionei impressionada.

" Podemos, você quer dizer. Criar dimensões é parte das nossas inúmeras habilidades. Mas não é isso que está em pauta."

- Entendi, estou unicamente aqui para ser desafiada e decidir por mim mesma meu próprio caminho.

" Certamente, e não haverá compaixão ou misericórdia. Boa sorte."

A voz perdeu-se lentamente no absoluto silêncio, e com isso sentia-me vagamente solitária em meio ao vazio assombroso. Como não foi dada uma instrução por parte de Alexander, conclui que teria que buscar meus próprios métodos para sair. Até então estou em desvantagem, pois além das opções escassas não saberia precisamente por onde começar. A temperatura diminuiu quase o suficiente para fazer com que minha respiração virasse vapor e meu corpo esfriar dolorosamente. O frio cortante pinicou impiedoso pela minha pele deixando-a sem sensibilidade. O órgão parou e em seu lugar um estridente ruído de geleiras se partindo e quebrando-se em fragmentos, sem parar. As paredes ganharam tonalidade azul e gradativamente sendo engolida por uma densa camada de gelo, este congelando cada mínimo centímetro desde o chão até o teto. Notei que próximo aos meus pés se formará uma fina cobertura de gelo.

- Merda! — grunhi, irritada.

Pisei seguramente e girei para a porta da saída, pressionando minhas pernas a correrem a toda velocidade. Um pé atrás do outro, ritmados em uma corrida frenética. Tinha consciência que nada seria fácil, e mesmo algo bem simples como a porta poderia também ser uma armadilha ou ainda pior: estar trancada. Na melhor das hipóteses, já me aproximei infringindo um forte chute contra a espessura de madeira, pondo-a abaixo num baque alto. Com liberdade maior, retomei a fuga deparando a escuridão noturna de uma cidade de aspecto antigo: as ruas cheias de casinhas irritantemente semelhantes uma a outra sendo que as poucas distinções eram o tamanho e degradação, os postes de iluminação forneciam uma luminosidade precária e inconstante, os ventos gemiam e outros sons destacavam-se minimamente dentre eles: o piscar das lâmpadas e minha respiração acelerada devido a corrida.

Nada disso poderia ser mais incomodo que a fina garoa que caia. Tive a sensação estranha de tristeza sem causa observando as pequenas gotinhas caindo.

Estava ficando cansada e meus pulmões exigiam ar que entrava queimando. Fugia tanto da escuridão que começara a dominar quanto da cristalização. Conforme avançava as luzes se apagava completamente, atrás de mim não existia nada além da penumbra. Incontáveis caminhos para seguir e com o pouco tempo que tinha, não havia como escolher. Na pressa o único que podia ajudar seria que me livrasse o mais breve possível daquela incansável perseguição — apesar de não ter certeza do que a escuridão escondia. Lancei-me contra uma porta, ela cedeu com o impacto. A força do meu golpe fez com que caísse violentamente no chão. Recompondo-me rapidamente, fechei a porta e, em seguida, recuando alguns passos.

Houve uma batida suspeita na porta, tive a terrível impressão que alguém tivesse com a intenção de arrombá-la. Apontei Promise e Conquest na direção dela, esperando que ela não suportasse e permitisse que a coisa do lado de fora entrasse. Três colisões severas e nada aconteceu. Novamente o silêncio reinou. Esse desafio parecia um pesadelo bem arquitetado para que fosse uma demonstração do poder de quem o manipulava.

Alexander poder ser muito assustador quando quer.

Não era a toa que Alexander mostrou preocupação, mas fiquei agradecida que ele tenha tanta confiança em mim a ponto de não intervir ou facilitar os eventos. Quando pus os pés aqui, definitivamente, não queria jogos infantis. Estava determinada a conseguir alcançar meu objetivo da maneira que fosse, custando o que custasse. E mais que qualquer coisa, eu vou conseguir fazer isso com meu esforço. Somente dessa maneira valerá a pena a conquista. Existe uma chama em meu coração que nunca se extinguirá.

Um apertado corredor se abria e eu cautelosamente o adentrei, sem hesitação ou medo. No final dele, uma abertura. Por enquanto, nada realmente alarmante, mas não baixei a guarda. Chequei meticulosa o que considerava anormal ou incerto. Entrei na passagem e estanquei. A imagem projetada diante de mim, deixou-me momentaneamente reprimida e chocada. Reunidos em uma mesa estavam meus pais, ambos olhando para mim com descrença. Minha mãe que nunca fora uma mulher sentimental, se permitiu chorar. E meu amado pai, não continha as lágrimas e o sorriso de felicidade. Eles se aproximaram e ainda entorpecida com o efeito da surpresa, afastei-me abalada. Pude sentir a mágoa a minha brusca atitude estritamente rechaçada. Confesso que não esperava algo tão forte, e aquilo me entristeceu.

Fazia um tempo que não via minha família.

- Por que está agindo assim, Ivy? — mamãe repreendeu, assumindo a sua típica postura rígida de sempre.

- Ivy? Não ouviu? Por que está sendo tão grosseira? Cadê seus modos? — papai interrogou ressentido, sua testa se enrugou em decepção. — Estávamos tão preocupados com seu desaparecimento e é assim que reage quando queremos te abraçar!

- Vocês não são meus verdadeiros pais! — berrei, cerrando os punhos.

- Não diga besteira, é óbvio que somos seus pais! — mamãe retrucou, irradiando raiva.

- Não! Não são! — a revolta ardeu em meu peito, mas não me deixei levar pela ira mesmo depois de receber uma bofetada dolorida em retorno. Doeu muito, porém não era física. A dor penetrava na minha alma e nem soube explicar o real motivo. Talvez a saudade dos meus pais. Segurei as lágrimas e toquei delicadamente o local. A expressão da minha mãe mostrou estar arrependida.

- Me desculpe, querida... Eu não... Sinto muito... Só...

Eles me encaminharam para uma cadeira onde ficamos calados e encarando atentamente o centro da mesa.

- Agora que voltou para nós, estamos muito aliviados. Passamos noites sem dormir pensando em você... Que poderia ter morrido... Passamos tanto tempo pensando que talvez não a encontraríamos... Agora você está de volta para nós.

A afirmação despertou os sentimentos que eu bloqueava, tentando me convencer de que minha escolha seria melhor mesmo sabendo que nunca mais veria minha família. Agora percebo o quão egoísta tenho sido. Finalmente entendi o porquê chorava; não só pela saudade, mas pelo meu egoísmo em abandoná-los. Uma aura tirou-me do meu monólogo mental, desviando minha atenção.

- Dante! — sussurrei extasiada.

- Cheguei em um ótimo momento. — Dante sentou-se em uma cadeira de frente a mim. — Olá, doçura.

- O que...?

- Que bom que posso me livrar desse peso — Dante cortou, suspirando. — Ter que ser babá de uma garota que só me trás problema é um saco. Um verdadeiro empecilho.

Dante fixou seu olhar ao meu.

- Sabe que apesar dos seus problemas foi divertido... Principalmente dormir com você, depois do constante sacrifício que fazia merecia uma recompensa. — despejou seco, seus lábios formaram um sorriso sarcástico. — Ah, sim... Você deve estar pensando que eu te amava.

- O que quer dizer?

- Sendo honesto, nunca me importei com você apenas garantia minha diversão. Você não é exatamente meu tipo, doçura.

Minha razão gritava que tudo não passava de uma ilusão, mas as palavras daquele Dante feriram profundamente meu orgulho.

- As vezes que dizia palavras bonitas e em troca, você me dava que queria. Nada mais justo, certo?

Trinquei os dentes, sentindo a raiva aquecer meu corpo.

- Concentre-se, Diva! É uma ilusão! — meditei, contendo a fúria.

- Assim como ele, nós também nunca te amamos. — meus pais disseram em uníssono.

Encarei meus pais e Dante e simplesmente gargalhei, sem pudor ou controle.

- Fala sério, Alexander! — levantei indo de um lado para outro. — Isso é o melhor pode fazer?

Ágil e perfeita, atirei sem piedade nas figuras que sumiram em uma fumaça escura.

- Eu quase caí, mas precisa melhor mais.

"Realmente você mudou bastante. Incrível que consiga agir tão naturalmente depois de passar por isso."

- Eu conheço meus pais bem demais para não reparar as quase imperceptíveis diferenças e principalmente Dante. — comentei calmamente. — Ele pode ser tudo que quiser, porém nunca um mau caráter.

"Acho que deveria ter feito minha lição de casa " brincou, amável. " Encontre a saída e continue seguindo."

- Certo — concordei tranquila. O cenário se desmanchou e transformando-se em um longo corredor, atrás de mim a escuridão devorou tudo que encontrou e diante de mim um trajeto interminável se desdobrou. Quando uma respiração pesada e bufante soprou a poucos centímetros de mim, tive receio de virar para olhar quem estava ali comigo. Iniciei a fuga, atravessando mais e mais extensões daquele minúsculo espaço. Contudo, apesar do grande esforço para manter o ritmo, sentia a coisa chegar perto. A respiração anormal e acelerada do monstro em minha nuca foi o incentivo para continuar. A coisa movia-se na escuridão, um inimigo quase invisível, silencioso, ao mesmo tempo uma força cruel e implacável. E estava atrás de mim - para qualquer momento me matar. Em todos os passos os sinuosos corredores pareciam não ter fim.

Para meu desagrado, não havia portas ou janelas para que pudesse escapar. Embora estivesse sendo dominada pelo temor da escuridão, Não... A coisa que nela se escondia, encarei-a sem pestanejar. Ela continuou se aproximando, deixando o espaço abafado e claustrofóbico. A situação ficou desesperadora em um ponto que acreditei enlouquecer — perder a cabeça — por alguns angustiantes minutos que pareceram décadas diante do medo crescente e colossal que impregnava minha mente. Espremi-me contra a parede fria, criando a esperança de na última hora de encontrar uma alavanca ou compartimento secreto. Aos poucos as luzes piscantes apagavam-se à medida que a coisa invisível avançava. Instintivamente puxei o máximo de ar que meus pulmões poderiam suportar e prendi a respiração. Senti um doloroso rasgo em minha bochecha, e o odor enjoativo e enferrujado de sangue invadiu minhas narinas. Reuni toda coragem, projetando meu poder para os punhos. A energia se expandiu e acumulou no local designado. Peguei impulso e, atingi a coisa com toda potência em um único e eficaz golpe. A escuridão quebrou-se e assim pude ver claramente, sem nada para atrapalhar.

A criatura estava com o corpo bizarramente inclinado para trás, ele soltou ruídos estranhos e perturbadores.

- O que é aquilo?

"O sentimento mais primitivo do ser humano; junto com ele sempre aparece outras emoções negativas. Ele é destrutivo e repressor. Cegada pela irracionalidade. Nomes para melhor descrevê-lo existem inúmeros; Noli, Fear, Medo."

- Esta querendo me dizer que essa coisa é a representação do meu medo? — o examinei com uma careta. — Uau, tenho um medo bastante... Feio.

Alexander riu.

" Sim, aqui você terá de combater seus demônios internos."

- Perfeito, eu realmente queria dar uma lição nesse maldito que já encheu minha paciência.

" Cuidado para não subestimar em demasia seus inimigos."

- Subestimar? Não! — rebati, reprimindo a agitação. — Quero despejar o que tive de suportar pelo o medo.

Cara, estou adquirindo o temperamento do Dante.

A criatura se mexeu, anuindo seu corpo para frente. Os estalos de cada movimento exercido por ele lembrou-me vagamente de ossos quebrando. Ele não possuía olhos ou nariz, somente uma proveniente boca cheia de dentes enormes e afiados que poderiam facilmente dilacerar qualquer ser vivo em milhões de sangrentos pedaços. As mãos eram esqueléticas de aspecto morto e débil, retorcendo-se contínuas vezes de um modo bestial e as enormes garras curvadas e pontiagudas, capaz de retalhar uma superfície do material mais duro e resistente que exista. O rastejar lento que a criatura direcionava a mim, fez com que atirasse rapidamente nela sem permitir que houvesse tempo para um ataque surpresa. Os primeiros tiros que o acertaram só serviram para atrasá-lo enquanto os demais não tiveram o efeito desejado. O medo gritou e tentou desferir um corte em meu ombro, a susto foi tanto que me confundiu. Se não tivesse esquivado a tempo teria acontecido algo mais sério. O ataque abriu somente pequenos cortes em meu abdômen.

Fiquei atirando e correndo ao redor da criatura, além de gastar energia percebi que o corpo dele aumentou. Então não há maneiras para matá-lo a tiros.

- Como matar aquilo que não se fere com armas? — indaguei mentalmente, procurando uma fórmula para essa questão tão complicada. — Será que contar piadas ajuda?

Geralmente quando pensamos no medo e tudo que nele engloba chegamos a conclusão de que ele é um sentimento forte, implacável e destruidor. Mas o que faz com que vençamos?

Eu tinha confiar em mim mesma, ser honesta e verdadeira com quem sou. A determinação vigorosa floresceu em meu peito, como fogo em pólvora. Ardendo e devastando. Ciente das minhas habilidades, criei uma flecha de energia fixando no alvo. A cabeça dele tombou para o lado, criando uma imagem meio desconfortável.

Ele guinchou feroz.

- Passei o pão que o diabo amassou, tinha medo de cada sombra que se espreitava, medo das minhas próprias decisões, medo do que as pessoas pensariam de mim, medo dos meus próprios pensamentos e das inseguranças. Dessa vez farei as coisas de acordo com as minhas regras, sem hesitação. — o disparo atravessou a criatura, porém ainda empolgada e energizada pela intensa adrenalina consegui criar um machado e o parti ao meio. O sangue escuro jorrou em violentos jatos, formando uma grande poça sob meus pés.

- Não foi muito difícil — murmurei agradada. — Mas ainda sinto que algo pior me espera.

Uma entrada circular surgiu onde estava o cadáver do monstro. Como não havia mais alternativas de caminhos, segui por ele. Ao atravessar a luz ofuscou minha visão.

" Bem vinda ao seu pesadelo particular, Diva."

Sorri fervorosa.

Agora sim que comece a festa.

Notas finais
~Yo minna o Estou empolgada, embora esteja meio sem ideias (Na verdade, estou mais adiantada já estou escrevendo o capitulo 70 o) por alguns motivos como o calor, sono e a estranha sensação de estar de Jet lag causado pela viagem que fiz a pouco tempo G___G De qualquer forma, estou extremamente feliz com os novos leitores e recomendações. Acho que isso me dá mais energia para "acordar" desse branco criativo :D E é por eles que estou aqui para prosseguir com a historia, afinal é ela que me força e satisfação (Acho que tanto para mim quanto para os leitores *u*) o Até o Próximo!