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57 Destino do Desconhecido


EXISTEM REGRAS em viagens no tempo que previnem catástrofes de escala global ou uma alteração prejudicial para o futuro que conhecemos, uma delas e a mais importante, é nunca, em nenhuma hipótese, ter contato direto com seu eu passado. No meu caso, era um passado bem distante, visto que é uma encarnação antiga. Não tinha certeza se elas se aplicavam a situação ou seria uma exceção — a equivalência poderia nem valer para a questão. De qualquer forma, tinha quebrado esse requisito e pensei se isso acabaria trazendo consequências e se minha própria existência se afetaria. A dúvida em si era bastante paradoxal, se alguma coisa mudasse, iria interferir na minha linha temporal? Ou outra seria erigida em resposta?

Observei os dois homens com as vibrações de tensão pairando pelo ar frio da noite.

A luz da lua iluminava vagamente o local que estávamos; o brilho prateado mesclado com a névoa suave que se propagava lentamente, perdendo-se ao sopro do vento. Parecia que tudo ao nosso redor aumentava os conflitantes sentimentos de desordem e alerta total: os sons terrivelmente ampliados de nossas respirações pesadas, gritos e ruídos de lâminas se riscando irrompiam o silêncio. Cada gesto poderia ser considerado uma ameaça. No entanto, não tínhamos certeza se realmente havia um perigo a espreita ou se apenas seria uma projeção mental pelo efeito do estresse e do susto.

Na minha concepção, do que usufrui de conhecimento prévio, imaginei que Sparda fosse um exemplar de diplomacia e que antes de um confronto averiguaria do que se tratava. Talvez estivesse enganada, mas considerando que caímos justamente em um período de guerra, acho que faz sentido desconfiar até da própria sombra.

Meu olhar vagou de Dante para o seu pai, alternando entre os dois como uma consciência instintiva de comparação: como esperado, Dante carregava a genética do pai. Todas as suas características físicas eram cortesia do lendário cavaleiro negro. A semelhança deve ter despertado o lado mais desconfiado dele, afinal não seria uma ocorrência usual ter outro “ele”.

Reunidos com uma barreira de dúvidas que se solidificava ao redor com as perguntas que nunca teriam uma resposta exata, senti uma contradições de emoções que me enchiam por dentro fezendo com que esquecesse as eventuais complicações que esse tipo de situação infringia. Digamos que estava concentrada na visão do ilustre — e para todos os efeitos meu sogro — ao vivo e a cores. Sparda trajava uma pesada armadura que por ironia era parecida a sua forma demoníaca, seus cabelos prateados estavam longos e suas feições sérias e compenetradas. Os olhos dele afrontavam de frente, emanando poder e confiança. Eu mal conseguia manter contato visual por um longo período sem me sentir inferior. Eu tremia pela iminência de sua presença.

Notei que ele encarava-me com surpresa contida, analisando meu rosto, destacando as óbvias e sobrenaturais semelhanças entre mim e Arya. Desde os cabelos ao modo como me vestia, mesmo que para mim as minhas roupas estejam boas — na época no qual estávamos minhas roupas talvez não fossem adequadas. Por um segundo, temi que pensasse que fosse alguma cópia — do mal — ou algo assim. Preparei-me psicologicamente para um ataque, estreitando meus olhos em severidade. Os lábios de Sparda se comprimiram num fraco sorriso, reconhecendo-me. A onda de calor queimou as maçãs do meu rosto, ardendo e pulsando. Não havia palavras no mundo para descrever o quão espetacular e único é estar diante daquele que rejeitou seus aliados para lutar ao lado dos seres humanos, um verdadeiro herói. E, acima de qualquer coisa, ter caído justamente no clímax de uma guerra histórica. É demais para assimilar. Dante permaneceu estático, sem fazer absolutamente nada. E pelos meus conhecimentos sobre ele isso, geralmente, não era um bom sinal. Assim como eu, Dante lentamente esta absorvendo o ocorrido.

Inocentemente acreditava que viagens no tempo fossem experiências incríveis, a fascinante exploração de eventos passados ou ver em primeira mão um futuro brilhante. E acabou que foi mais uma errata da realidade atual. Não há toda a maravilha inimaginável que mostra nos filmes ou livros. Somente aquela estranheza inicial. Nada mais, nada menos. A partir disso, já posso esquecer tudo que li sobre o assunto, ignorando tudo que relativamente sabia.

Um barulho alto e um clarão cortaram a escuridão, despertando-nos para o caos que acontecia a nossa volta.

— Vamos deixar essas questões de lado, temos algo mais importante para lidar. — Arya irrompeu, limpando um minúsculo filete de sangue que escorreu pela sua bochecha. — Se estão aqui, obviamente, foi por um motivo lógico, estou correta?

— Sim, estamos procurando uma pessoa; um garotinho. — respondi serenamente, contendo o medo em minha voz. — Ele tem cabelos negros e olhos azuis, sete anos. Vocês o viram?

— Sinto muito, — Arya cortou rígida — mas podemos ajudar a procurá-lo, uma criança sozinha no meio dessa carnificina...

Arya não precisou terminar e nem Sparda cogitar. Eles apenas trocaram olhares compreensivos, depois voltaram suas atenções para nós.

— Para que a busca fique mais fácil é melhor que nos separemos — concluiu. — Se não houver incômodo; Sparda pode ir com você e eu com o garoto.

Um arranjo bastante oportuno.

Analisando que Dante e Sparda quase entraram em um duelo — embora não tenha entendido o motivo —, esse é um bom plano de ação para começar. Concordei sem hesitar enquanto Dante demonstrava que estaria disposto a qualquer estratégia. Além disso, seria uma chance para me aprofundar nessa história e ver de perto o rumo que ela tomara. Meu anseio e curiosidade acenderam a determinação tanto por eventuais batalhas como também por informações.

Arya caminhou graciosamente para o lado de Dante, sua postura casual. E, de repente, virou-se, sua expressão mudou de seriedade para divertimento. Ela encheu as bochechas de ar e espalmou suas mãos nelas, comprimindo-as em uma careta incomum. Deixou escapar um sonoro choramingo, imitando um recém-nascido. Sparda balançou a cabeça em descontentamento. Eu franzi o cenho, confusa. Enfim a ficha cairá: Arya esta claramente dizendo que Sparda tinha cara de bebê. Meus olhos focaram, de imediato, a barba impecavelmente feita. Fiquei abismada testemunhando a cena e impressionada com o atrevimento dela — quem sabe não sejamos tão diferentes quanto imaginava. Sparda fez um muxoxo e cruzou os braços em atitude repreensora, fingindo estar muito aborrecido. Ainda que tivesse todo esse teatrinho, a visível relação amistosa entre eles era bem singular e harmônica.

— Tome cuidado, Arya. — Sparda alertou, sua voz amena e protetora.

— Eu sei me cuidar. Tente apenas se preocupar em cuidar de si mesmo, sinto que estão muito bravos com você. — retorquiu referindo-se aos demônios que provavelmente estariam caçando-o por sua traição. Com um último ato, ela segurou a mão de Dante e sumiu na penumbra.

Seguimos por uma trilha fracamente iluminada, os pilares de granito caídos na passagem. Nada que pudesse atrapalhar. O local estava devastado, sobrando pequenas ruínas e umas poucas construções em pé.

Um senso de urgência cresceu em meu interior e me vi em uma estranha necessidade de contato.

— Hm, então Sparda — tentei puxar assunto, minha voz saiu tremula e fraca. — Por que decidiu ficar contra sua raça para proteger os humanos? Deve ser difícil ter que lutar contra aqueles que eram seus companheiros. — quando percebi já tinha perguntado, minha impulsividade quebrou o bom senso.

Sparda sorriu, fitando-me de esguelha.

— A resposta dessa questão você, acima de todas as pessoas, deve saber. — as palavras dele só me informaram de algo que, de certa forma, desconfiava. Sparda compreendeu perfeitamente quem sou. — Aprendi muitas coisas com os humanos e pela maneira como escolhem viver suas vidas, pude vislumbrar o lado ruim de cada um e também a bondade que nasce dos lugares mais inesperados. Eles podem não ser fisicamente fortes como demônios, mas seu poder maior não vem de armas e sim do que eles chamam de amor.

O mirei fascinada.

— Demorei para entender a real essência e do que precisava fazer. — Sparda pousou a mão gentilmente sobre meu ombro. — Parte disso eu devo a Arya. Nossa história é um pouco fora do convencional, mas não amaldiçoo o dia que nos conhecemos. Todos nós buscamos alguma coisa, Arya buscava a liberdade e eu um propósito. Ela me deu um.

Dei um meio sorriso, constrangida.

— E você deu a liberdade que ela queria?

— Não totalmente — ele respondeu mais sério. — Mas é algo que pretendo fazer.

O curto diálogo acabou com uma parcela significativa das dúvidas de que tipo de pessoa Sparda seria. Através das histórias, teorias e tudo mais, na lente de um fã, sempre soará melhor e heroico e ter a oportunidade de falar com alguém que é visto como uma lenda te dá uma melhor definição de sua personalidade e virtudes. Não distante de sua fama, o Lendário Cavaleiro Negro era sim heroico em toda sua gloriosa forma, porém com uma aura mais reflexiva que um homem meramente moldado por uma motivação.

— O que a senhorita faz longe do seu tempo?

— Não tem como passar despercebida, não é? — brinquei. — Não tenho muita certeza, eu viajei por dimensões, mas nunca no tempo.

Sparda me fitou com curiosidade.

— Você não sabe muito sobre o que você é, suponho.

— É, acho que é isso.

— A sua linhagem permite que as mulheres tenham a aptidão para viajar entre as dimensões e os homens a aptidão para viajar no tempo. — explicou com a eloquência de um especialista. — Dessa forma, as mulheres são as Observadoras dos Mundos e os homens, Observadores do Tempo.

Essa informação muda um pouco as coisas, por essa razão tinha a sensação familiar de quando vim para esse mundo quando Ayden despertou.

Ele era como eu.

— Eu adoraria saber mais...

— Sinto muito, pequena Arya, se tratando de viagens no tempo não podemos ser levianos. O tecido do tempo é bastante frágil, se algo acontecer e mudar bruscamente a linha temporal talvez tudo que conheça no seu futuro não exista mais.

Arregalei os olhos pensando na ínfima hipótese do Dante não nascer. Não consigo me imaginar em um mundo onde ele não exista, quase que vai contra qualquer raciocínio razoável.

— Está certo, mas... Me chame de Diva.

— Como preferir, Diva.

Corei.

O vento ficou ganhou força considerável. O céu foi encoberto por nuvens pesadas e nebulosas que bloquearam a passagem de luz. Sparda pegou-me e saltou para longe, pousando em um ponto com focos de luminosidade.

Congelei, horrorizada. A área no qual nos encontramos mais se assemelhava com um cenário da mais pura e vil carnificina. Recuei sendo cuidadosa por onde pisava e tentando assimilar o que meus olhos viam com pesar. Apesar do que passei com Dante, das situações de quase morte, de ter me aventurado no inferno e ter atravessado campos caóticos, ter a visão de vidas perdidas de maneiras tão bárbaras nunca será algo que me acostumaria. O sangue salpicava as paredes dos destroços e havia cadáveres espalhados por todo lado; retalhados, poças de sangue, restos violentamente esmagados. Prendi a respiração para aguentar o cheiro repulsivo. No exato momento que contornei meus passos para afastar-me da massacrante e tenebrosa situação, vários rugidos ferozes chegaram em meus tímpanos, como um chamado de alerta. O som era desagradável que fez os pelos do meu braço se eriçarem, pelo medo e angustia.

— Traidor! — as vozes gritaram. Não houve surpresa no rosto de Sparda. Ele simplesmente olhou-os desdenhosamente, como se a mera presença deles não lhe causasse nenhum incomodo ou intimidação. Somente o reconhecível sentimento de um guerreiro que possuía sede de vitória e nada poderia impedi-lo de conquistar, nem mesmo capachos. Senti o feroz ódio imergindo das horrendas criaturas que apareciam, cercando-nos.

— Traidor! — novamente gritaram. O movimento seguinte foi absolutamente rápido demais para acompanhar: Sparda retalhou dois deles sem ao menos suar. Só pude vê-lo guardando sua espada.

Apontei para os demais, esperando qualquer ação que considerasse perigosa para atirar. Se bem que posso levar em conta o olhar odioso que lançavam tanto para Sparda quanto para mim. Desviei rapidamente de um demônio que me atacou com uma espécie de marchado que possuía duas laminas pequenas, semelhante a espadas. Girei meu corpo, e aterrissando sobre o mesmo demônio que me agredira antes, esmagando-o no chão usando todo meu peso para tal. Eu os faria pagar muito caro pelas pessoas inocentes que se atreveram a massacrar.

O frio congelante não me importava tampouco o alarme. A raiva foi capaz de camuflar as emoções adversas, dando a entusiasmo que precisava para destruir. Peguei o marchado, segurando firmemente em mãos até que meus dedos ficassem brancos com o esforço.

— Vejo que está ansiosa para terminar isso — Sparda proferiu, seu jeito lembrou-me de Dante — e obviamente o Vergil. A mesma arrogância e rebeldia, ao mesmo tempo, frieza e discernimento. Uma mistura perfeita e equilibrada.

— Não sabe o quanto — afirmei audaciosa.

Firmei meus pés no chão, oferecendo apoio e impulso para investir contra o conglomerado de demônios voadores que manchavam o céu. No primeiro golpe consegui impecavelmente atingir mais criaturas que pensava: cortando-os impiedosamente no meio e o jorro de sangue atiçar os demais em minha direção. Eles tentaram me atacar todos de uma vez, apontando suas armas num único ponto — no qual estava.

Bocejei entediada.

Projetei ao redor do meu corpo um escudo dourado cheio de longos e pontiagudos espinhos, e mal tiveram tempo para interromper a corrida e evitar o impacto sangrento. Sobraram apenas sangue e restos retorcidos dos demônios. Bati as mãos, limpando-as satisfeita.

Abruptamente alguma coisa agarrou minha mão direita e enroscou-se na esquerda, prendendo ambas num aperto doloroso. Arrisquei-me a afrouxar o enlaço, mas quanto mais o fazia mais forte ficava. Quase a ponto de partir minhas mãos. Uma força me sacudiu de um lado para outro e jogou-me no chão. A dor lancinante foi imediata. A colisão das minhas costas contra o chão arenoso e sujo fez todo ar escapar, deixando-me atordoada. Tossi repetidas vezes, buscando puxar oxigênio para meus pulmões. Apesar da dor latejando minha cabeça e todo meu corpo, entorpecendo meus sentidos, eu pude visualizar o maldito que tinha me agredido de surpresa. Sua aparência esquelética e assustadora; sua cabeça se mexia freneticamente de jeito bizarro, seus olhos negros com vasinhos vermelhos que se estendiam até a íris também rubra, sue pele de palidez mórbida. Em sua mão direita segurava o chicote e na outra uma foice. Ele aproximou-se de mim, sua horripilante expressão deu-me náuseas e meu estômago se revirou em resposta ao meu abalo.

Usei minhas pernas para impedir de ferir com a arma, cruzando-as numa pose — estranha, mas eficaz — defensiva. A criatura urrou quando um tiro acertou em cheio seu olho, em seguida, sua testa. Ele recuou alguns passos e desabou, sem vida.

— Você está bem? — Sparda questionou, retirando o chicote que envolvia minhas mãos para me libertar.

— Acho que sim — contestei instável pelo choque e o susto. — Bem, nada quebrado, então, posso analisar isso como uma vitória.

Respirei fundo, enviando calma para todos os meus músculos fracos.

O silencio voltou a dominar, consentindo exclusivamente os sussurros da brisa. Meus olhos vagaram desordenadamente para todo lado, por algum motivo que nem eu mesma compreendia. Um lampejo negro através da fraca luz da lua passou pelo meu campo de visão. Havia alguém ali?

— Ei, espere! — gritei quando parti atrás da pequena figura. E se for Ayden?

Ignorei a falta de iluminação em alguns momentos, acelerando os passos. Sparda seguia atrás de mim, acompanhando a caçada. Em determinado segundo a figura parou, e aproveitei a vantagem para chegar mais perto. Porém não pude analisar quem quer que fosse o vulto, pois ele recomeçou a corrida e sumiu. Vasculhei o local e vi uma enorme entrada, nele tinha desenhos e símbolos. Toquei-a para poder abri-la, mas ele não se moveu um centímetro sequer. Empurrei com mais força e nada aconteceu, um esforço inútil.

— Tudo bem; acho que vou ter que usar o método Dante para resolver problemas. — iniciei uma sequência de chutes e disparos. Nenhuma diferença. Com os ânimos exaltados, decidi partir para algo mais brusco para derrubar o grosso portão de mármore. — Vou tentar com mais força!

Gosto de pensar que existem duas formas diferentes de resolução com questões sobrenaturais: a diplomacia e uma boa sequência de chutes. Desde que estou nesse mundo, morando com Dante, aderi a filosofia de que nem tudo será funcional para gentilezas e precisava ser efetiva se quisesse sobreviver.

Virei-me e marchei até ficar numa distancia aceitável, então corri a toda velocidade. Encostei meus dois pés na parede ao mesmo tempo em que atirava, a força exercida me atirou para trás como se eu fosse uma boneca de teste. Se não fosse por um par de braços fortes amparando minha queda vergonhosa e patética, teria ficado toda quebrada.

— Que tal tentarmos do seu jeito, doçura? — ouvi a voz de Dante, e lá estava ele com Arya que se juntou a Sparda. Ele estendeu a mão que jazia uma chave de formato estrelar. — Espero que não tenha sentido minha falta.

Revirei os olhos, e Dante riu da minha impaciência.

A chave foi posicionada no devido espaço e com um ruído de trituração a porta abriu-se. As tochas magicamente se acenderam, uma após a outra dando claridade ao vasto salão. Meu instinto gemeu, sentindo algo anormal no ar. Não conseguia ver o que era, mas podia senti-lo se elevando sobre mim. Fui arremessada por um poder invisível para dentro, o tremor veio em seguida e a única passagem fechou-se.

Estava presa, sem ter como fugir desse terrível poder.

Encarei um corpo no chão, e engatinhei até ele.

— Ayden? — sussurrei abalada ao reconhecê-lo. Puxei-o para meus braços, esquentando-o com o calor do meu corpo. Podia sentir sua respiração calma como se estivesse dormindo, e talvez, realmente estivesse e seria melhor que fosse dessa forma. — Ayden, por favor...

O pânico se instaurou com o potencial destrutivo de uma bomba relógio. Tínhamos chegado até ali para que ele não se ferisse e agora tudo escapou por entre os dedos. Atônita, abracei Ayden protetoramente, usando a mim mesma como escudo.

— Parece que todos os convidados principais estão reunidos. Faz bastante tempo, não é? — estagnei em espanto. A voz frígida e a crueldade que dela vinha, era a mesma da entidade que invadiu meus sonhos enquanto treinava. Lentamente, reunindo coragem, olhei para a nova presença.

Entretanto tudo que eu via: era Ayden.