O rapaz se chamava Astrian. Sentado e encostado em uma árvore, o mesmo rapaz devorava com os olhos as páginas de seu mais recente livro: "Desvendando a História do Imperador Demônio" — um sorriso irônico habitava em seus lábios, talvez ele tivesse herdado o mesmo hábito de seu pai. Sim, Astrian estava pensando sobre como o mundo não chegou nem perto de descobrir a verdade sobre a história do maior inimigo da humanidade, Lelouch.

"Bem, que seja... eles realmente não entendem nada", Astrian pensou. E fechou o livro bruscamente. Ele não estava mais interessado em lê-lo, embora ler livros de História fosse a sua única alternativa de entretenimento. A História da humanidade o fascinava: ler sobre guerras, rebeliões, revoluções e tramas. Ouvir tudo diretamente da boca de seus pais. Ele realmente se sentia orgulhoso por fazer parte de um ciclo sem fim chamado vida.

- Astrian! — o rapaz ouviu. Ele ergueu o olhar, que estava direcionado a capa do grosso livro, embora o próprio estivesse pensando em mil coisas, menos no conteúdo escrito.

- Ah, o que foi, papai? — o rapaz perguntou, quando avistou um homem de estatura mediana, aparência jovem e, apesar disso, um cabelo branco, até mesmo prateado. — Eu estava um pouco distraído aqui.

O homem sorriu desafiadoramente.

- Você está sempre ocupado, mesmo sendo tão novo — o homem disse. Seus olhos eram cor-de-ametista e sua franja ocultava uma parte crucial da testa do mesmo.

- O almoço já está pronto? — Astrian perguntou. — Lelouch vi Britannia.

O homem pareceu ficar um bastante irritado, desviando o olhar.

- Me chame de pai, Astrian. Além disso, o meu passado como britannian já está morto — Lelouch respondeu. Astrian soltou um riso sincero, que durou alguns instantes.

- Eu sei, pai... eu só disse isso para provocá-lo, não se preocupe. Não é como se eu quisesse que você voltasse a ser o Imperador Demônio ou muito menos o Zero — Astrian respondeu, com uma feição gentil.

"Meu filho realmente é engraçado... o que me preocupa é que ele se parece muito comigo antigamente", Lelouch pensou.

E não era apenas fisicamente, apesar de Astrian ser, basicamente, uma mistura física de seus pais: o cabelo negro que seu pai costumava ter e os olhos de sua mãe. Psicologicamente, Astrian era sarcástico como a mãe e calculista como o pai, a semelhança era tamanha que distraía bastante o homem e a criança — sim, pois Astrian tinha somente doze anos.

- Mas é um pouco injusto, sabe? — Astrian disse, se levantando do encosto da árvore.

- O que é injusto? — Lelouch perguntou, um tanto confuso.

- Temos que viver sempre nos escondendo. Eu sei que é a decisão lógica, já que o senhor e a mamãe são imortais e as pessoas logo notariam a diferença, mas não acha que estamos mudando muito rapidamente das cidades e vilas? — Astrian refletiu, olhando de maneira um pouco pidona para o seupai. Lelouch suspirou.

- Filho, pare e pense um pouco... — Lelouch pediu.

Astrian fechou os olhos para refletir um pouco, por alguma razão, a escuridão de sua vista o acalmava.

- Se ficássemos muito tempo em várias cidades, as pessoas comentariam sobre nossa família e isso seria perturbador — Astrian concluiu.

Lelouch se aproximou de seu filho, ficando bem próximo dele e repousando a mão sobre sua cabeça. Astrian notou que seu pai estava apreensivo, talvez até mesmo um pouco arrependido e o jovem não entendia isso muito bem.

- Me desculpe, filho. Sei que você gostaria de ter amigos em alguma cidade ou até mesmo ir para onde eu vivia e conhecer sua tia, meus antigos amigos e aliados. Eu gostaria de poder te dar tudo isso, mas... — Lelouch começou a dizer, mas foi interrompido.

- Eu entendo, papai, não precisa se desculpar. Agora vamos comer, porque a mamãe deve estar com fome nos esperando — foi o que Astrian disse. — É pizza de novo?

- Sim — Lelouch respondeu e, então, suspirou.

Eles teriam longos dias pela a frente.

Notas finais
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