New Life

5 Capítulo 4 - You\'re Fired


Notas iniciais
Heeey cheguei e cheguei com um capítulo gigante para vocês, sim, pois é, me amem, mais de oito mil palavras hahaha. Então, decicidi colocar um pov do Damon nesse para "adiantar" as coisas e nao deixar vcs tão curiosos, espero que gostem. Quero agradecer a Caaty Salvatore e a Laine Somerhalder pelas recomendações, obriiigada amores, eu amei, de vdd s2 Enfim, só isso mesmo, boa leitura.

O barulho de louça batendo, água escorrendo e algo caindo no chão me fizeram despertar com certa dificuldade. Minha cabeça estava pesada e meus olhos insistiam em querer ficar fechados, me movi lentamente na cama e até o barulho que o tecido do lençol fazia quando eu me movia era incomodo para minha cabeça. Sentei-me na cama com muito custo e uma pontada forte atingiu o local me fazendo fechar os olhos com força e massagear minhas têmporas para tentar aliviar a dor.

Afinal, onde eu estava?

Tentava forçar minha memoria para lembrar o que havia acontecido noite passada, mas apenas flashes e acontecimentos desconexos se passavam em minha mente. Lembrava-me de ter dançado com Matt, de termos bebido muito e então ele insistia em me levar para casa e depois disso era tudo preto como se tivessem apagado de minha memoria.

Eu tentava me situar mas a dor insuportável de cabeça e a sede que sentia me deixavam atordoada e a única coisa que eu mais desejava naquele momento, além de beber muita água, era dormir o resto do dia até que pudesse ser considerada um ser humano de novo. Ouvia passos vindos do corredor e tentando ignorar minha cabeça que latejava, eu abri os olhos para ver quem vinha.

- Bom dia! – Matt entrou sorridente no quarto usando apenas uma boxer preta e estranhando sua falta de roupa, olho para baixo e me encontro apenas de calcinha e sutiã deitada em sua cama. Um desespero tomou conta de mim e sequer me lembrava da dor de cabeça que parecia insuportável. Céus, o que eu tinha feito naquela noite?

- Matt... – disse baixinho – Porque eu estou só de calcinha e sutiã e porque você só está de boxer? – perguntei tentando manter a calma.

- Não te parece obvio, Lena? – ele se aproximou da cama e se sentou em minha frente sorrindo malicioso, eu cerrei os olhos o olhando desconfiada e tentando estudar suas feições. O olhar que ele carregava era pura malícia e só confirmava minhas suposições... Não acreditava que tinha ido para cama com Matt bêbada.

- Matt, a gente... – disse com um tom de suplica – A gente transou?

- Você não se lembra de nada? – perguntou sorrindo e eu neguei com a cabeça – Wow... Elena, seu oral sempre foi ótimo, mas meu Deus, dessa vez você se superou... – ele disse admirado e meu rosto ferveu, não estava com vergonha de ter feito aquilo e nem de seu elogio, mas eu tinha consciência de que quando estava bêbada, virava outra pessoa praticamente e aquilo sim me envergonhava – Adoro esse seu lado devassa, sabia? Não sei quantas vezes na madrugada nós mandamos ver... Falando nisso, você não está dolorida? – eu escutava tudo aquilo em silencio, não sabia o que falar, me obrigava a tentar lembrar-me de nossa noite mas não conseguia e por incrível que pareça, eu não estava nem um pouco dolorida ou ardida.

- Matt, eu... – tentei começar a falar, mas enquanto pensava nas palavras para dizer, fui interrompida por Matt, que começou a rir descontroladamente na cama – Qual é a graça? Não vai me falar que eu pedi para gravar a nossa noite também... – ele sequer conseguia respirar quem dirá me responder, eu nunca havia o visto rir daquela forma e aquilo estava me deixando ainda mais indignada.

- Você... Você... Você tinha que ver sua cara, Lena, foi demais, meu Deus, foi épica... Ai... – ele tentava respirar mas continuava a rir.

- Você está me chamando de palhaça, é isso? Depois de ter fodido comigo a noite inteira, está aqui rindo de mim porque eu não me lembro de nada, bom saber disso Matthew Donovan! – o reprimi furiosa e ele começou a rir mais ainda. Eu queria chorar de raiva, mas não iria dar esse gostinho a ele, queria enchê-lo de tapas e sair correndo daquele apartamento mesmo que não tivesse condições para aquilo.

- Lena, Lena, fica calma... – ele suspirou fundo e secou as lagrimas de seu rosto – Calma Lena, não aconteceu nada entre nós.

- Como assim, Matt?

- Não aconteceu nada do que eu te disse e nada do que está imaginando, nós não transamos e sequer chegamos a nos beijar... Eu estava brincando contigo e você caiu direitinho, tinha que ter visto sua cara, sério, Lena, não faz mais isso comigo, só de lembrar eu tenho vontade de rir...

- Matt, quer dizer que nós não transamos? – perguntei pausadamente.

- Não, eu juro! Eu te trouxe para minha casa e assim que chegamos tentei te fazer tomar café e te dar banho, mas você não quis, eu insisti, tirei seu vestido e assim que te tive nua em minha frente, você caiu em meus braços como se tivesse desmaiado... Foi bem estranho, confesso, principalmente porque te tive nua para mim e pela primeira vez não fizemos nada – ele assumiu dando de ombros – Então eu te trouxe para minha cama e aqui nós dormimos juntos, nada demais, só dormimos...

- Tem certeza, Matt? Jura mesmo que não aconteceu nada demais entre nós?

- Juro, Lena, eu nunca iria dormir contigo bêbada do jeito que estava, só se você quisesse na verdade... Eu estava brincando, Lena, não aconteceu nada demais entre nós... – sua confissão me fez suspirar alto, aliviada e aquela maldita dor de cabeça voltou a tona e ainda pior devido o momento tenso que Matt me fizera passar. Levei minhas mãos até minhas têmporas de novo e as apertei com força gemendo de dor.

- Matt, estou morrendo de dor de cabeça...

- Eu imaginei mesmo, porque você não toma um banho, toma um café e um remédio para dor e volta a dormir?

- É uma boa ideia, mas eu queria ir para casa, estou sem roupas aqui e não queria incomodar...

- Lena, incomodar a quem? Eu vou ficar completamente sozinho nesse apartamento no primeiro dia do ano e se o problema for roupas, eu posso te emprestar algumas camisas minhas, fique comigo esse final de semana, eu iria adorar sua companhia... – Matt acariciou minha mão e sem que ele precisasse insistir muito, eu acabei cedendo e fazendo o que ele havia me aconselhado.

Tomei um banho rápido e coloquei uma de suas camisas mais compridas, depois tomamos café juntos e levando em consideração que os dois estavam de ressaca, após termos tomado remédio para dor de cabeça, voltamos a nos deitar em sua cama e dormimos juntos o resto do dia, como havia desejado fazer ao acordar.

Meu final de semana com Matt resumiu-se basicamente em ficarmos juntos no sofá da sala, debaixo de cobertas enquanto assistíamos a filmes e comíamos besteiras, e a ficarmos rindo e fazendo piadas um do outro, parecíamos dois adolescentes que haviam combinado de passar um final de semana juntos na casa do outro por não terem idade o suficiente para ir a festas e bares. Esses dois dias que passamos juntos, mesmo que não tivesse acontecido nada demais entre nós, tinha nos unido muito mais e eu consegui conhecer melhor aquele novo Matt, e ele conseguira deixar aquela Elena magoada e de coração partido mais para cima. O melhor de tudo que ali, naquele apartamento, erámos apenas dois amigos que estavam se divertindo sem sequer se importar com o fato de que quase tivemos um filho no passado e o contato mais intimo que tivemos foi dormir juntos e eu me deitar em seu colo para que ele mexesse em meus cabelos enquanto assistíamos filme, mas não passou disso e, pelo menos eu, estava satisfeita com aquela nossa relação.

...

- Bom dia, Cristina – sorri abertamente a mulher elegante que entrava na loja.

- Bom dia, Elena, como estão as coisas por aqui? – ela me respondeu igualmente animada e foi para trás do balcão.

- Estão ótimas, mas acabei de atender uma mãe com uma filha adolescente que deixaram a loja virada de cabeça para baixo e quando foram pagar a compra, não estavam com o cartão... – ri fazendo uma cara triste com beicinho – Acho que elas voltam mais tarde, até separei o que elas escolheram...

- Tomara que voltem mesmo e o melhor disso é que se elas realmente voltarem, talvez até levem mais coisas – piscou de forma malandra para mim – Hm, acho que não conhece meu marido, não é? – neguei – Então, ele está ali fora conversando com um amigo, mas assim que terminar ali, vai trazer aquelas coisas novas da decoração da loja que tínhamos combinado – eu não me lembrava direito do que havíamos combinado mas apenas assenti e olhei para o lado de fora, encontrando um Senhor com aparência de cinquenta e poucos anos, conversando com um homem alto e de costas largas mas que não consegui ver o rosto, e pelas feições que o marido de Cristina tinha no rosto, eles falavam de algo sério.

Fiquei os encarando alguns segundos e como se ele soubesse que eu estava olhando, desviou o olhar de seu amigo para mim e sorriu maliciosamente assim que nossos olhares se cruzaram. Rapidamente eu abaixo os olhos e volto aos meus afazeres achando um tanto estranho a reação do meu chefe ao me ver. Esperei alguns segundos, o olhei disfarçadamente e ele continuava a me encarar daquela mesma forma enquanto conversava com o cara em sua frente. Eu tinha certeza absoluta de que nunca havia o visto antes em minha vida, mas ele parecia me conhecer de algum lugar, mas provavelmente fosse coisa de minha cabeça então tentei me distrair organizando as roupas que as clientes tinham tirado da prateleira.

- Elena, eu vou estar lá em cima resolvendo alguns negócios no escritório, quando meu marido entrar e terminar de trazer as coisas para dentro, o avise que eu estou o esperando lá em cima.

- Claro, claro... – assenti e ela subiu as escadas vazadas da loja.

Virei-me de costas e dobrei as roupas, as coloquei no cabide e as arrumei nas prateleiras e mesmo sem estar o encarando, sentia o olhar dele queimando em minhas costas. Ou eu estava começando a dar indícios de mania de perseguição ou aquele homem tinha algo de errado comigo...

Assim que havia terminado de organizar tudo, voltei para trás do balcão e o marido de minha chefe se despediu de seu amigo e entrou na loja carregando algumas sacolas pesadas, que estavam ao seu lado enquanto conversava.

- Bom dia! – ele me cumprimentou educadamente

- Bom dia... – respondi da mesma forma, mas hesitante.

- Meu nome é Bart e você deve ser Elena, não é? – assenti – Prazer, Elena... – ele sorriu de lado para mim.

- Foi bom te conhecer, Bart... – respondi baixinho.

- Não pensei que fosse tão tímida... – ele riu balançando a cabeça – Vou pegar o restante das coisas no carro e já volto.

Bart saiu da loja e eu fiquei me perguntando o que ele quis dizer com “não pensei que fosse tão tímida”, estava com o péssimo pressentimento de que Bart costumava a frequentar Soho Dolls e que já fora meu cliente, mas ele não me parecia nem um pouco familiar. Desejava com todas minhas forças que minhas suposições estivessem erradas, porque caso ao contrario, eu iria, obviamente, perder meu emprego...

Bart retornou carregando mais algumas caixas e a deixou no canto da loja, provavelmente onde Cristina desejava que eu colocasse a decoração.

- Tem mais alguma coisa? – perguntei com o intuito de me livrar dele.

- Não, só isso!

- Cristina pediu para que eu te avisasse que ela está te esperando no escritório lá em cima – disse rapidamente me agachando para pegar algumas coisas querendo evitar o contato visual com ele.

- A Cristina pode esperar, prefiro ficar aqui... – Bart se colocou atrás do balcão e se debruçou no mesmo, mas ignorei sua presença completamente e subi uma pequena escadinha para completar a decoração e fazer meu serviço. Enquanto me mexia para colocar um grande vaso personalizado em cima da prateleira de vidro sobre as araras de roupa, continuava a sentir seu olhar acompanhar cada movimento meu – Elena, Elena, porque você não veio trabalhar de saia, por que meu Deus... – assim que ele falou aquilo, por sorte, eu estava descendo as escadas porque seu comentário infame fizera minhas pernas tremerem e eu cambaleei para trás quase caindo no chão – Que pernas, uau... – ele suspirou fundo e eu me coloquei em sua frente, o encarando brava e com as mãos na cintura.

- Perdão, Senhor Bart, mas eu não me lembro de ter te dado tal liberdade para falar comigo dessa forma, posso trabalhar para você mas o Senhor me deve respeito! – disse rispidamente o encarando séria. Bart suspirou fundo e começou a rir como se eu tivesse acabado de lhe contar a melhor das piadas.

- Mas só me diga uma coisa que eu não entendi... – colocou a mão no queixo querendo passar um ar pensativo – O seu nome é Nina ou Elena? – disse debochado fazendo um arrepio percorrer minha espinha, e uma carga de adrenalina fez meu sangue gelar em minhas veias. Eu estava realmente ferrada...

- Co... Co... Como sabe disso? – minha voz saiu um tanto tremula e eu o olhava surpresa.

- Eu tenho meus contatos, querida... – ele piscou para mim vindo em minha direção – Uma grande pena que eu não sei o endereço a boate onde você trabalha para eu fazer uma visitinha e conhecer melhor a Nina...

- Não faço ideia de quem te contou isso, mas, por favor, não conte nada a Cristina, ela não sabe disso ainda... – eu pedi baixinho me sentindo um tanto envergonhada por estar fazendo tal pedido a ele. Céus, porque meu passado insistia em continuar a me atormentar?

- Então minha esposa não sabe da verdade sobre você? – ele riu com sarcasmo e tocou meu rosto – Você sabe que o meu silêncio vai ter certo custo, né? Na verdade, um custo para mim e para você, um grande acréscimo no salário...

- Eu não faço mais isso, Bart! – disse rispidamente entendendo o que ele queria dizer com o “certo custo”.

- Ah não?

- Não e não vai ser por você que eu vou voltar a fazer. Acredito que Cristina não ficará nada feliz em saber que o marido dela está à procura de serviços de uma prostituta...

- E eu acredito que ela não ficará nada feliz em saber que você, a funcionaria exemplo dela, é a prostituta que eu quero os serviços.

- Eu já falei que não faço mais isso!

- E eu já disse que eu não acredito, descobri cada história de você, Elena, fiquei até com calor quando escutei... – ele se abanou e fez cara de espanto – E vamos admitir... Você tem cara de biscate e nem nascendo de novo isso concerta, de longe eu já desconfiava da sua “profissão”.

- Me respeite, Bart, aqui eu sou Elena e mesmo que seja meu chefe, não admito ser tratada assim! – disse entredentes tentando não levar o seu insulto para o lado pessoal.

- “Me respeite”?! Como você exige respeito de outra pessoa quando você mesma não se dava o respeito? – minha mão queimava para que eu acertasse em cheio e com força o rosto daquele infeliz, mas ao mesmo tempo que queria fazer a face daquele velho safado arder, me policiava me lembrando do fato de ele ser meu chefe. Eu ergui meu rosto e o olhei friamente, tentando mostrar superioridade – Mas pense bem, querida, posso pagar o triplo do que cobra em seus programas só por algumas noites de seu prazer... – sussurrou bem perto de meu rosto – Se Cristina perguntar, eu precisei sair para resolver um assunto importante... – Bart riu friamente e então se dirigiu para a porta da loja, dando uma piscadela maliciosa de despedida para mim.

O ar parecia não estar chegando aos meus pulmões e eu sentia minhas pernas bambas de tanto nervosismo... Céus, o que tinha acabado de acontecer? Minhas mãos tremiam e parecia que eu estava entrando em um estado de choque. Meus olhos imploravam para que eu deixasse que as lágrimas escorressem, mas meu ego gritava comigo, xingando-me de fraca por querer chorar por uma besteira daquelas.

Confesso que se aquilo tivesse acontecido em outra fase de minha vida, eu teria aceitado a proposta de Bart sem pensar duas vezes, mas naquela ocasião, eu nem sequer cogitei em aceitar a proposta, eu tinha recomeçado minha vida do zero e não queria nada relacionado a prostituição ou dinheiro sujo naquela nova fase. Queria, pelo menos, tentar me esquecer de que eu tinha sido uma prostituta, por mais que fosse impossível esquecer algo assim...

Meu estômago doía devido ao nervosismo e eu tinha certeza que se meu passado chegasse aos ouvidos de Cristina por fontes que não fosse eu mesma, acabaria sendo despedida. Eu queria descobrir como Bart havia descoberto sobre mim, queria saber quem fora o infeliz que me “dedurara” para o meu chefe... Minha cabeça era dominada por inúmeros pontos de interrogações que pareciam não ter esclarecimento e isso me deixava ainda mais agoniada.

Eu suspirava fundo apoiada ao balcão da loja e só tinha uma certeza em minha mente; eu necessitava contar a Cristina o que havia acontecido...

- Onde está Bart? — eu ouvi o barulho de saltos nos degraus e a voz de minha chefe fez aquele meu mal estar piorar.

- Ele... Ele saiu, disse para eu te avisar que aconteceram uns imprevistos com os negócios e acabou tendo que ir resolver... – disse hesitante sem conseguir olhar para Cristina enquanto falava.

- Malditos negócios... – reclamou sozinha revirando os olhos – Nossa, Elena, que cara é essa, parece que viu uma assombração... – eu precisava contar a ela antes que fosse tarde demais e antes que minha coragem passasse.

- Cristina, precisamos conversar... – disse séria tentando proferir minha voz para fora.

- O que foi, Elena? Não vai dizer que está grávida de novo... – ela riu e ficou em minha frente.

- Antes fosse... – disse baixinho – É urgente o que eu preciso te contar, será que temos como sair por alguns minutos, posso descontar no meu intervalo mas não dá para esperar — eu falava quase suplicando a ela.

- Nossa, vamos sim, estou até preocupada com o que tem para me falar... – “e com razão” pensei.

- Tem um café a três quadras daqui, podemos ir para lá?

- Claro, claro. Cassie, tem como assumir a loja por meia hora? Eu e Elena precisamos conversar... – Cristina perguntou a Cassie, que descia as escadas para voltar à loja.

- Claro, Cristina...

- Só vou pegar minha carteira, espere um instante – eu subi rapidamente para onde guardávamos nossas bolsas e peguei minha carteira.

Assim que retornei a loja, eu e Cristina fomos em seguida até o café onde havia ido com Damon. O caminho inteiro andamos em silêncio me fazendo recordar da ultima vez que havia ido aquele lugar, definitivamente poderia afirmar que nunca mais voltaria naquele café depois daquele dia já que tinha apenas lembranças ruins de lá... Eu sentia que algo iria dar errado no meio de tudo isso, que iria acabar desempregada e em uma bela encrenca no final do dia... Desejava com todas as minhas forças que estivesse muito enganada quanto a isso, mas minha intuição não costumava falhar. Achei melhor não pensar muito sobre o que iria falar a Cristina para não acabar ficando mais nervosa do que já estava e mantinha em mente que contaria toda a verdade a ela... Assim que chegamos ao nosso destino, escolhi uma mesa afastada, para que pudesse contar a historia sem medo de ser ouvida, fizemos nossos pedidos e antes mesmo deles chegarem, eu comecei a falar.

- Então, Elena, o que é tão urgente que não podia esperar? – ela perguntou impaciente se endireitando na cadeira.

- Então, Cristina, tem algumas coisas sobre mim que você não sabe e eu acho que eu devo te contar antes que descubra a verdade pela boca de outra pessoa... – suspirei fundo e uni minhas mãos sobre a mesa – Eu sou órfã desde os meus dezesseis anos, meus pais morreram em um acidente de carro voltando de uma viagem de negócios para Nova Jérsei deixando uma enorme divida em nosso nome, então tive que passar todos os bens e dinheiro que possuía para quitar, pelo menos, uma parte dessas dividas... – dei um suspiro alto passando as mãos no cabelo e então prossegui – Eu nunca fui muito ligada a avós, tios, primos e tudo mais, eu e meus pais erámos muito independentes e não tínhamos contato ou vínculos com o restante da família, então, obviamente, ninguém se solidarizou com a minha situação e me acolheu e no fim, acabei literalmente sozinha no mundo...

“Sei que pode parecer mentira e que eu estou inventando, mas foi o que aconteceu... Tive quarenta e oito horas para sair de casa antes que fosse despachada e então, nesse meio tempo fui procurar emprego e moradia, mas devido a minha idade, obviamente não consegui nada. Eu já havia perdido minhas esperanças e me conformado de que iria ter que morar na rua ou algo do tipo, mas foi quando encontrei com Meredith e ela me ofereceu tudo o que eu precisava; abrigo e dinheiro. Não foi algo muito justo e decente, digamos assim, mas eu estava desesperada e foi a única saída que me parecia cabível naquele momento, então acabei aceitando sua proposta e comecei a me prostituir aos dezesseis anos...”

Cristina ouvia tudo aquilo atentamente sem dizer nada, seus olhos estavam vagos e sua expressão era séria, não fazia ideia do que passava pela mente dela naquele instante, mas esperava que ela acreditasse em mim. Deixei que ela captasse o inicio da historia por alguns segundos e então prossegui.

- Comecei aos dezesseis e lá fiquei por sete anos... Posso dizer com toda a certeza do mundo que eles foram os piores sete anos da minha vida e eu não desejo tal sofrimento a absolutamente ninguém – abaixei minha cabeça soltando um riso amargurado – Nesse tempo eu conheci meus melhores amigos, engravidei de um cliente mas acabei perdendo meu bebê, conheci Damon, me apaixonei por ele, larguei da prostituição por ele e acabei engravidando novamente, mas perdi mais um bebê e aqui estou eu... Mas enfim, estou contando toda essa história porque não faço ideia de como seu marido descobriu sobre o meu passado e enquanto você estava no escritório, ele me fez uma proposta um tanto indecente...

- O que ele te propões, Elena? – ela perguntou um tanto ríspida.

- Ele propões que eu trabalhasse para ele em algumas noites pelo triplo do que eu cobrava em meus programas... – assumi desviando o olhar do dela. Ela estava um tanto perplexa e seu silêncio além de estar me deixando muito desconfortável, só fazia meu nervosismo aumentar – Cristina, diga alguma coisa...

- Elena, em primeiro lugar; muito triste o que você passou, mas sinceramente, não esperava isso de você e agora vem jogar sujo dizendo que meu marido quer seus “serviços”? Como acha que eu vou ficar com uma “puta” dentro de minha loja? E se um dia um de seus clientes entrarem na loja com suas esposas? Eles, obviamente, te reconheceriam e acabariam perdendo a vontade de comprar... E agora meu marido... Sinto muito, mas não posso continuar com você!

- Então você não acredita em mim, não é? Espero que não ache também que eu me ofereci ao seu marido...

- Mesmo que eu conheça você, ao julgar pelo seu passado “fácil”, isso não me surpreenderia, sinceramente.

- Então você acha que meu passado foi fácil? – perguntei inconformada.

- A partir do momento que você ganha dinheiro com o seu corpo, é fácil... E além do mais, você escolheu isso, ninguém te obrigou...

Céus, porque tinham sempre que apertar na mesma tecla? Porque era tão difícil entender que eu não havia começado a me prostituir porque eu queria ou porque achava legal? Sabia que minhas escolhas foram erradas e que o motivo pelo qual a fiz não a justificavam ou aliviavam o fato de eu ter sido uma prostituta, mas porque as pessoas insistiam em me inferiorizar ou me julgar por isso? Porque era tão difícil cuidar de suas próprias vidas? Se antes de ter contado a Cristina, eu já me achava um lixo ou algo parecido com isso, depois de ter contado a verdade, eu tinha certeza que eu era um... Eu sempre iria ser criticada por ser a mulher que dormiu com meia Nova Iorque e não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isso...

- Sim, realmente, eu escolhi, porém foi questão de sobrevivência, mas desde o momento em que eu coloquei os pés para fora daquele bordel, prometi a mim mesma que nunca mais iria fazer o que fazia de novo e eu estaria me contradizendo se me oferecesse para o seu marido...

- Elena, eu conheço Bart, estamos juntos há anos e até temos uma filha, eu confio muito nele e ao julgar seu passado e a situação em que se encontra, morando com seu amigo e provavelmente precisando muito de dinheiro, não me restam duvidas... Desculpe, Elena, mas não dá mais, não tem como você continuar trabalhando na loja para mim... – infelizmente o que eu mais temia que acontecesse, aconteceu, eu estava desempregada novamente e me sentia um lixo pelo meu passado. Eu estava perdendo o pouco de esperança que tinha em conseguir mudar de vida e ser uma pessoa diferente, ninguém acreditava em mim e aos poucos, as portas foram se fechando de novo com isso... Era sempre a mesma coisa, sempre que eu saia ou tentava sair da prostituição, algo conspirava para a minha volta, mas dessa vez, eu iria ser mais forte e nem que ficasse sem um dólar para sobreviver, não iria voltar àquela vida.

Eu tentava esconder o que suas palavras tinham causado em mim, mas era evidente o quanto tinha ficado abatida, não por ter perdido meu emprego mas por ter que ouvir aquilo dela, Cristina parecia ser tão compreensível... Mas seria muito pior se Bart tivesse contado a ela sobre mim, então sentia que havia feito certo em contar a ela eu mesma.

- Amanhã você passa aqui para acertarmos, ok? Não preciso mais de seus serviços, principalmente porque Bart estará mais presente na loja, você pode ir embora...

- Só vou pegar minhas coisas na loja, ok?

- E não diga nada a Cassie, só pegue suas coisas, pode ser?

- Claro... – assenti baixinho e me levantei, a deixando sozinha no café.

Eu caminhei em passos rápidos até a loja me controlando ao máximo para não chorar, eu sentia algo estranho em meu peito, um sentimento diferente, uma sensação diferente... Eu estava agoniada e tentava não lembrar-me do que Cristina havia dito, mas suas palavras se juntavam com as que Damon havia me dito naquela noite e eu sentia que poderia explodir a qualquer momento.

Chegando a loja, disse a Cassie que havia pedido demissão mas não contei o motivo e ela também não insistiu em querer saber, apenas ficou um tanto triste por isso e eu menti que iria manter contato e continuar indo a loja visita-los. Sem querer prolongar muito tudo aquilo e desejando que Cristina não voltasse antes de eu ir embora, nós nos despedimos, eu peguei minhas coisas e assim que sai da loja e caminhei na calçada em direção ao apartamento onde estava morando, senti alguém puxando meu braço com delicadeza.

- Elena, espere – sem que eu precisasse olhar, reconheci a pessoa só pela voz – Fui te encontrar na loja mas a menina falou que você tinha acabado de sair...

- Matt, o que faz aqui?

- Vim te ver ué e você? Já está indo embora?

- Eu fui demitida... – disse baixinho encolhendo meus ombros.

- Mas o que aconteceu? – sem conseguir me controlar, eu o abraço forte e começo a chorar tudo o que tinha controlado enquanto conversava com Cristina, Matt me acolheu em seu abraço e acariciou meus cabelos enquanto eu molhava seu suéter com minhas lágrimas – Lena, o que aconteceu? Fala para mim...

- Eu sou um lixo, Matt, eu sou um lixo... – disse entre soluços e ele pegou meu rosto delicadamente secando minhas lágrimas com os polegares – Eu... Isso... Nunca vai mudar, eu sempre vou ser aquela mulher que fazia sexo por dinheiro, sempre vou ser a puta, vagabunda, a mulher de vida fácil... Isso nunca vai mudar, eu sou um lixo, Matt...

- Elena, eu não estou entendendo o porquê de você estar falando isso... O que isso tem a ver com o fato de você ter sido demitida? O que acha de irmos tomar alguma coisa para você me contar?

- Não, eu quero ir para casa, vem comigo, por favor...

- Tudo bem, venha que eu te levo para casa e no caminho você me conta o que aconteceu, ok? – eu assenti tentando controlar minhas lágrimas – Mas pare de chorar, acaba comigo te ver dessa forma, Lena... – ele secou novamente minhas lágrimas e então passou o braço em minha cintura para que fossemos para o seu carro.

Durante o caminho até o apartamento de Marcos, eu contei o que havia acontecido para Matt e ele apenas escutou, sem sequer interferir, mas assim entramos no apartamento e chegamos a sala, Matt me deu um abraço extremamente forte como se me consolasse e assim ficou por um longo tempo.

- Nunca mais diga aquelas coisas, ok? – Matt segurou meu rosto com as duas mãos me obrigando a encara-lo – Elena, você não é um lixo e ter sido prostituta não te faz um, nunca te fez na verdade, pessoas que fazem te sentir assim simplesmente não merecem seu sofrimento porque só provam que não te conhecem, todo mundo sabia o quanto você odiava aquela vida e o quanto se arrepende de ter entrado nela e mesmo que não tivesse escolha, aquele mundo não mudou sua índole ou o que você realmente é... Elena, eu nunca falei tão sério na minha vida, mas você é incrível e só você e logicamente Damon não veem isso... – ele acariciava minha bochecha com delicadeza enquanto falava e eu olhava no fundo de seus olhos percebendo o quão sério ele falava – Tudo vai ficar bem, você vai encontrar outro emprego e eu, Marcos e Caroline vamos estar aqui para te ajudar.

- Obrigada Matt... – disse baixinho e fechei meus olhos encostando nossas testas. Eu sentia sua respiração se misturar a minha e seu costumeiro hálito de menta bater em meu rosto, Matt continuou a acariciar minha bochecha com uma mão enquanto que com a outra, seguiu para a minha nuca entrelaçando meus cabelos em seus dedos de uma forma que me deixou um tanto arrepiada.

- E no momento, eu estou com muita vontade de te consolar com um beijo... – ele sussurrou quase a milímetros de meus lábios.

- Não faça isso, Matt, não estrague nossa amizade...

- Por favor, Elena, vamos só curtir, nada nos impede disso, somos adultos, responsáveis pelos nossos atos e felizmente ou infelizmente, não sei, estamos desimpedidos... Vamos só curtir, como nos velhos tempos... – ele fazia um carinho gostoso em minha nuca e em meu coro cabeludo e a mão que estava em meu rosto, foi para minha cintura para puxar meu corpo ainda mais para si – Você não é um lixo, Lena, esqueça tudo o que já te disseram sobre seu passado e viva o presente, pense só no futuro... Se desprenda de Damon, de Cristina, de Logan, de tudo que interfira em sua felicidade. Apenas curta o momento, ok?

Eu nem sequer pensei no que ele havia dito pois sabia que ele tinha razão, não podia viver presa a Damon, mesmo que ainda o amasse, e não via o porquê de aquela “curtição” não dar certo, eu e Matt nos dávamos bem e nos entendíamos perfeitamente, então porque não tentar?

- Elena... – ele suplicou baixinho.

- Beija... – eu o incentivei roçando nossos lábios e um leve tremor percorreu meu corpo com aquilo.

Senti Matt sorrir de leve e então depositou um beijo castro em meus lábios, aquela singela inciativa fez o tremor percorrer meu corpo novamente e necessitada por sentir o calor de seu corpo e seus lábios contra os meus, eu o puxei para mim com urgência para intensificar aquele contato. Um beijo calmo mas ao mesmo tempo intenso começou e como se nossas línguas se reconhecessem e matassem saudades uma da outra, elas se entrelaçavam nos fazendo sorrir em meio ao beijo.

Matt segurava minha cabeça por meus cabelos, tentando liderar o beijo e para conseguir me provocar com movimentos inusitados que sua língua fazia dentro de minha boca e contra os meus lábios, mas eu não aceitava ficar para trás e arranhava sua nuca de uma maneira que o deixava fraco e sugava seu lábio para mim o provocando. Desde o início pensei que nosso beijo fosse ser algo calmo, mas a tensão entre nós dois era algo palpável que eu não consegui evitar deixar a luxuria se fazer presente, estava precisando daquilo mais do que imaginava e não conseguia me lembrar de qual fora a ultima vez que eu ficara tanto tempo sem o contato com um homem em minha vida.

Nós já estávamos ofegantes com aquilo e Matt parecia estar mais empolgado do que deveria, suas duas mãos seguraram minha cintura e ele me guiou até a parede mais próxima, me prensando com força contra ela para poder beijar meu pescoço. Eu queria, realmente queria que continuássemos, mas não era certo, não estávamos no lugar certo para fazer aquilo, Marcos iria chegar a qualquer momento e não seria nada confortável ser pega no flagra pelo meu amigo pervertido, sem falar que minha cabeça estava confusa e precisava organizar meus pensamentos. Aquela não era a melhor hora para sexo.

- Matt... – o chamei ofegante tentando não me concentrar nas sensações que seus lábios me causavam ao beijar meu pescoço – Matt, vamos com calma... – espalmei minhas mãos em seu peitoral e o empurrei de leve – Matt, hoje não, ok? Aqui não... Vamos aos poucos... – para minha surpresa ele aceitou minha condição e assentiu, parando que fazia mas continuou com o rosto em meu pescoço

Nossas respirações foram se normalizando aos poucos e nós nos afastamos a medida que voltávamos a consciência. Matt sorriu para mim e acariciou meu rosto me fazendo fechar os olhos para aproveitar a caricia e segurar sua mão.

- Obrigada, Matt, de verdade...

***

Family Fight

Damon Salvatore Narrando

Eu não iria pensar no que acontecera, não iria me lembrar de nosso silêncio incomodo no caminho até o café e também não iria lembrar-me do que senti quando tentei pegar sua mão... Mas na verdade, era muito mais difícil do que eu pensava, ver ela só me fazia ter mais certeza de que eu a amava e a amava muito. Elena estava tão decidida, tão forte e independente e nem parecia estar sofrendo por nossa separação. Mesmo que eu insistisse em não querer pensar, a dona daqueles olhos castanhos e o cheiro floral que me embriagava, estava em minha mente e nada que eu fizesse iria tira-la de lá, na verdade, ela sempre esteve lá, nunca saíra e só agora eu fui perceber que desde sempre Elena Gilbert se apossara de meus pensamentos...

Monstro, sim eu era um monstro, dos piores que existiam... Esforçava-me para não pensar no que havia acontecido na véspera de Ano Novo com Elena, mas meu esforço era todo em vão, inconscientemente eu pensava nela e me martirizava por tudo o que havia dito quando brigamos. Ah céus, porque eu estava sem minha morena? Porque eu fui injusto e cego a ponto de acusa-la daquela forma e não perceber o quanto a amava... Eu não podia ter a perdido.

Já estava no final do dia e meu expediente no hospital já havia acabado, durante o dia inteiro consegui distrair meus pensamentos com o trabalho, mas aquela hora, em especial, era uma das piores, só não perdendo para quando ia dormir. Era horrível a sensação de saber que iria chegar em casa e não teria um beijo caloroso dos lábios de Elena para me receber, e pior ainda, era pensar que eu não teria seu corpo pequenino ao meu lado na cama para que eu pudesse aconchegar em meus braços enquanto inalava o cheiro de seu pescoço...

Suspirei fundo e balancei a cabeça com o intuito de afastar aqueles pensamentos de minha mente, definitivamente, eu precisava fazer algo para me distrair... Peguei minha maleta médica dos armários e mais algumas coisas que havia levado e então sai da sala dos médicos.

- Ai está você! – ouvi uma voz doce feminina e bem familiar ecoar pelos corredores assim que sai da sala, sentada nas cadeiras encostadas a parede estava minha irmã mais nova, provavelmente me esperando sair.

- Anna?

- Damon, hey! – minha irmã sorriu abertamente e me deu um abraço rápido em comprimento.

- O que faz aqui?

- Eu vim pegar o resultado de uns exames e aproveitei para dar um beijo no meu irmão... – deu de ombros sorrindo meigamente e mostrou o envelope com o logotipo do laboratório do hospital que estavam em suas mãos.

- Exames? Está tudo bem?

- Sim, está tudo ótimo, são só alguns exames de rotina mesmo. E então, já está indo para casa?

- Já sim, vou levar Emms para sair hoje.

- Que legal, acredito que ela vá ficar mais feliz do que já está...

- Como assim? Você já a viu hoje?

- Sim, almoçamos juntas e ficamos conversando um tempo, ela está toda animada porque está de namorico com um tal de Thomas e queria me contar como foi seu primeiro beijo... Ela está toda apaixonadinha, muito amável... – as palavras saiam pela boca de Annabelle mas eu não conseguia acreditar no que ouvia. A minha Emily, a minha pequena Emily, minha princesa, estava namorando e com apenas doze anos já tinha beijado na boca. Meu corpo inteiro tremia de raiva e eu cerrei os dentes com força tentando controlar aquele instinto de proteção e o enorme ciúmes que borbulhavam em mim.

- O que você disse sobre minha filha? – perguntei entredentes – Você só pode estar brincando, quem é esse Thomas? Qual a idade dele? De onde ele é? Quem ele pensa que é para enfiar a língua na boca da minha filha?

- Pelo amor de Deus, Damon, para de ser careta...

- Careta? Eu? Eu sou protetor, é diferente, não quero minha filha com qualquer um, ela é muito nova para se relacionar.

- Damon, foi só um beijo, você está falando e agindo como se ela tivesse perdido a virgindade!

- Sim, hoje foi um beijo e amanha pode ser o que? Eu não confio nessa geração, hoje mesmo Andie atendeu uma garota de treze anos grávida, treze anos, sabe o que é isso? E outra, ela é minha filha, minha pequena... Você não faz ideia do quanto dói imagina-la beijando algum menino, ontem mesmo ela era um bebê recém nascido, não me conformo com isso, Annabelle.

- Damon, você deveria confiar mais na Emily, sabia? Ela não se deixa levar fácil e você não faz ideia o quanto ela resistiu para dar o beijo no menino.

- Não estou nem ai, eu confio na Emily, mas não coloco minha mão no fogo por esses meninos, e se ele obriga minha menininha a fazer alguma coisa?

- Thomas só tem quinze anos, Damon! Mesmo que se ele obrigasse, ela não faria. Pare de agir dessa forma, é ridículo e Emily não é mais um bebê, talvez para você ela ainda seja uma menininha, mas ela está crescendo, encare esse fato!

- Ridículo é você compactuando com a desvirtuação da sua sobrinha!

- Eu não estou desvirtuando ela e sinceramente, Damon, quem é você para falar em virtudes ou algo do tipo? Você levou uma prostituta para dentro de casa, uma prostituta, garanto que se Emily fosse contar isso para Elena, ela iria, no mínimo, dar um kamasutra para a garota de presente ou então a incentivaria a realmente fazer sexo ou coisa pior!

- Elena nunca faria isso, tenho certeza absoluta que ela nunca a incentivaria a fazer algo desse tipo!

- E lá vem você defendendo a biscate mais uma vez... – Annabelle revirou os olhos fingindo estar cansada. Aquela não era a primeira vez que eu defendia Elena das garras da minha irmã, na primeira vez foi na festa de Ano Novo em sua casa, quando ela e Jeremy começaram a fazer a cabeça de Emily contra Elena por um motivo desconhecido, não fazia ideia de como o assunto havia chego em Elena, mas não admiti que os dois continuassem a falar mal dela sem que ela estivesse presente para se defender – Pelo amor de Deus, ela é uma prostituta, você esperava o que vindo dela? Um; “vá com calma, Emily, você é muito nova” ou um “isso mesmo, vá em frente, namore, beije muito e dê que é bom!”.

- Annabelle, você nem sequer conhece Elena direito para estar falando dessa forma dela, pare com isso, está sendo mais ridícula do que eu nesse momento.

- E preciso conhecer para saber o tipo de pessoa que ela é? Só de julgar pelo que fazia, já dá para deduzir certas coisas...

- Para o seu interesse, quem ajudou Emily a primeira vez que ela ficou menstruada foi Elena, quem ajudou Emily quando ela quebrou o braço foi Elena, quem fazia companhia para Emily e a enchia de mimos enquanto ela estava com o braço engessado foi Elena e não você... Ah, e olhe só, Emily confiava em Elena e estava começando a gostar dela até você fazer a cabeça de minha filha contra minha namorada! – disse rispidamente me exaltando demais para o ambiente em que estávamos. Namorada? Eu havia dito namorada mesmo? – Agora chega, estamos em um hospital, têm doentes aqui e eles não merecem ouvir essas coisas.

- Que ótimo isso, eu venho aqui de boa vontade ver o meu irmão e olhe só como ele me trata... Francamente, Damon...

- Francamente, o que, Annabelle? Pare de se fazer de vitima porque de vitima você não tem nada! Agora chega, vamos respeitar o meu ambiente de trabalho e, por favor, vá embora! – eu disse por fim, a fuzilando com o olhar e então me afastei dela, me recusando a continuar encarando minha irmã por mais nem um segundo.

Eu andava em passos largos e rápidos até o estacionamento, percorri os largos corredores daquele imenso hospital e desci as escadas rapidamente, me recusando a esperar o elevador, precisava chegar em casa o quanto antes. Estava cego de raiva, meu corpo chegava a tremer por aquele sentimento de fúria que tomava conta de meu peito. Tudo estava embolado em minha mente; Annabelle e sua ignorância, Emily beijando um garoto e Elena e todas as malditas lembranças que evitei pensar durante os últimos três dias. E esses três fatores juntos só faziam com que minha ira aumentasse ainda mais.

Não conseguia me contentar com a ideia de minha filha namorando, ela tinha apenas doze anos, era muito nova para esses assuntos de adultos. Sabia que tinha sido só um beijo, mas era difícil de aceitar que minha pequena estava interagindo com o sexo oposto, principalmente quando eu sabia o que passava pela cabeça deles.

Da mesma forma que não me conformava com essa historia da minha filha, não conseguia aceitar o fato de minha irmã ser como ela era. Não conseguia entender o motivo de Annabelle ser tão mesquinha daquela forma, o que Elena havia feito a ela? Porque ela a odiava tanto? No que minha mãe havia errado na educação daquela menina? Nós três, eu, Stefan e Annabelle, tivemos a mesma educação, com os mesmos princípios e ensinamentos, mas mesmo assim Annabelle conseguia ser arrogante. Me doía ter tal pensamento sobre minha própria irmã, mas não podia negar e abaixar a cabeça para a realidade.

E então tinha o terceiro fator, o mais agonizante, para ser sincero. Esse fator se resumia, simplesmente, a uma mulher dos cabelos castanhos compridos, dona dos olhos de chocolate mais lindos e sedutores que já havia visto em minha vida e cuja presença, fazia uma falta que não conseguia encontrar predicativo o suficiente para explicar... Eu evitava ao máximo pensar em Elena porque se eu me permitisse, por um segundo sequer, pensar nela, tinha absoluta certeza de que iria desmoronar e quebrar em milhares de cacos.

Pensar em Elena era, definitivamente, algo que eu não podia fazer naquele momento, precisava cuidar de minha filha, que estava um tanto assanhadinha demais... Iria começar a lidar com meus problemas aos poucos, começando por Emily e então esqueceria minha irmã e partiria para Elena.

...

- Oi pai, que bom que chegou! – minha filha, que assistia algum programa na televisão, sorriu abertamente ao me ver entrar na sala. Vê-la ali, sentada no sofá, só fazia minha raiva daquele garoto aumentar, ela era tão pequena e inocente, tão minha, tão criança para já ter beijado.

- Oi filha, como está? Como foi seu dia? – perguntei tentando não parecer estranho.

- Foi ótimo e o seu? Almocei com a tia Anna, por sinal...

- É eu soube... Estou bem também, meu dia foi cansativo, mas foi tudo bem – eu forcei um sorriso e então me aproximei mais dela – Eu pensei em sairmos para jantar, mas antes, Emily, quem é Thomas?

- Thomas? – ela perguntou um tanto surpresa e envergonhada – Thomas é aquele meu amigo que joga hóquei, lembra? – Emily disse desajeitadamente mostrando estar desconfortável com o assunto.

- Amigo? – arqueei a sobrancelha, desconfiado e bravo ao mesmo tempo.

- Sim, pai, amigo...

- Não minta para mim, eu sei o que aconteceu... Que história é essa de que vocês se beijaram? – as bochechas do rosto de minha filha adquiriram um tom de vermelho vívido instantaneamente e ela abaixou o rosto, envergonhada – Ein, Emily?

- Como soube? – perguntou baixinho.

- Um passarinho viu tudo e me contou... – respondi com ironia.

- Foi a tia Anna, não foi? – eu assenti e de relance, vi uma lágrima escorrer pelo canto dos olhos dela – Eu não acredito que ela fez isso comigo, eu pedi para ela não contar, eu confiei nela...

- Sim, foi sua tia sim, se ela não tivesse me contado eu nunca saberia, não é? Quando você pretendia me contar sobre esse garoto, Emily?

- Quando eu fizesse uns trinta anos, talvez... Você não entenderia se eu te contasse, sem falar que é vergonhoso contar essas coisas para o pai...

- Você não confia em mim, é isso?

- Eu confio, pai, é claro que eu confio, mas olha só o surto que você está tendo!

- Mas é claro que eu estou surtando e com razão, você é apenas uma criança, Emily!

- Eu não sou mais uma criança, já tenho doze anos! – ela se defendeu cruzando os braços com raiva.

- Não, você ainda tem doze anos!

- Pai, todas as minhas amigas já tinham beijado e eu gosto muito do Thomas!

- Dane-se, não vejo problema em você ter dezoito e nunca ter beijado, acharia ótimo isso! Como você acha que eu estou me sentindo ao saber que um garoto enfiou a língua na sua boca?!

- E como você acha que eu me senti quando encontrei você e Elena fazendo sexo duas vezes? Você ao menos se solidarizou com o que eu vi e está brigando comigo por eu ter dado um beijo no menino que eu gosto!

- Sério mesmo que você ainda usa esses argumentos contra mim?

- Sério mesmo que você ainda acha que eu sou um bebê? – ela se defendeu imitando o que eu havia dito.

- Mas é claro que sim, eu não acho, tenho certeza!

- Para com isso, pai! – ela brigou – Eu não sou mais um bebê, me deixe crescer! Te garanto que se a mamãe fosse viva ela iria adorar saber que o seu bebezinho está crescendo! – Emily defendeu com os olhos transbordando de lágrimas.

- Se ela estivesse viva eu não teria tantos problemas em relação a isso – disse por impulso sem sequer pensar nas palavras e minha filha me olhou com uma tristeza ainda mais evidente do que antes. Que merda, não era isso que eu queria dizer...

- Quer dizer que eu sou um estorvo? Eu sou um problema, pai? Só causo problema? Quer saber, pelo menos quando a Elena estava aqui você não era tão rabugento, não vivia mal humorado e não era tão, tão... frio a esse ponto. E pelo menos, quando ela estava aqui, eu iria poder contar a ela tranquilamente sobre Thomas e ela nunca iria contar ao Senhor sobre o beijo – ela disse quase aos prantos e sem me deixar responder, correu para o seu quarto batendo a porta com força.

Elena, Elena, era sempre Elena, porque tudo que acontecia em minha vida a solução estava voltada a ela? Parecia que aquela mulher era o centro do meu mundo, parecia que tudo em minha vida girava em torno dela e que tudo se resumia a somente a ela. Sua ausência estava desandando tudo e eu precisava dela naquele momento mais do que nunca precisei antes.

Obviamente se minha morena estivesse ali comigo nada disso teria acontecido, eu não teria brigado com minha irmã e Emily não precisaria ter passado por tal constrangimento ao saber que eu havia descoberto que ela dera seu primeiro beijo, ah, e claro, eu não iria ter surtado daquela maneira ao descobrir sobre minha filha. Elena, porque eu precisava tanto de você?

Não sabia ao certo o que fazer para sanar o que agonizava meu peito, então segui para o meu bar, onde iria beber o suficiente para pelo menos apartar o que sentia...

Notas finais
E ai o que acharam? Damon está super em negação, perceberam? Tá bebendo, brigou com a familia, Emily "sentindo falta da elena"... O que acharam? Elena e Matt? Elena sendo demitida... Comentem e recomendem, beijos