Notas iniciais
A visita dos deuses - parte 2

O cavaleiro se levantou, massageando o braço esquerdo. Havia caído sobre ele de mau jeito. Pôs-se a andar, rumo ao centro do Santuário.

Não tardou muito, porém, e já estava novamente acompanhado. Sentiu uma presença, com cheiro de mar, e quando olhou para o lado se deparou com um homem de camisa polo, barba por fazer, cabelo castanho e olhos azuis brilhantes, que caminhava ao seu lado.

Poseidon, o deus dos mares.

— Você teve uma conversa difícil com Osíris, meu jovem – disse ele.

Matt fez uma careta e inclinou a cabeça em confirmação.

— Senhor Poseidon. Devo admitir que estou surpreso em vê-lo aqui.

O deus deu um sorriso travesso.

— Ora, meu rapaz. Não lutamos juntos contra Nêmesis? Já não passei por muita coisa ao lado de você, seus amigos, e de Atena? Somos tecnicamente aliados.

— Na verdade, o senhor é um aliado de Atena, e eu sou um súdito do senhor Zeus, dela e meio que do senhor agora.

Poseidon conferiu a barba.

— Mas não me impede de visitar o Santuário – afirmou ele -, ou outros locais sagrados. O templo de Ártemis em Éfeso; a casa de Héstia em Washington; a oficina de Hefesto...

— Mesmo assim, senhor, não esperaria que fosse vir falar comigo.

O deus do mar refletiu, olhando o céu.

— Afinal, o senhor escolheu Guga como seu protegido aqui – lembrou Matt. – Ele é um cavaleiro do elemento água, com mais conexão com os seus domínios. Poderia não se dar ao trabalho de falar com Beto, Thiago ou eu...

— Pelas desavenças que tivemos no passado – completou Poseidon. Depois, ele riu. – Francamente, meu jovem, eram outros tempos... Eu não estava agindo de livre e espontânea vontade... Está me confundindo com Hades, por acaso? Eu não estou conseguindo guardar rancor de vocês já há algum tempo. Se há algo que aprendi a respeito de vocês, molequinhos de Atena, é que vocês são persistentes. Duros na queda. Lançar a mão contra vocês é testar o próprio destino com muita força. Até nós, deuses, temos que reconhecer isso.

Matt concluiu que Poseidon tinha razão. Olhou para o céu também. Não era difícil conversar com o outrora pior inimigo de Atena.

— Mas não vim falar sobre mim, sobre Hades ou sobre os cavaleiros – continuou o deus. – Vim comentar a estranha atitude de Osíris.

Matt encarou Poseidon.

— Não entendi o que ele estava tentando me dizer.

— Justamente! – exclamou o outro. – Os egípcios estão agindo de maneira estranha. Mas, antes de falarmos sobre isso, tenho que aproveitar o momento pra lhe dar um conselho.

Excelente. Vou receber um conselho de Poseidon, pensou o cavaleiro de Leão. Tinha a mesma probabilidade de ganhar na loteria.

Notas finais
As peças do tabuleiro vão começando a se mover.