Notas iniciais
A visita dos deuses - parte 3

— Você julgou Osíris pelo que as pessoas que prestam cultos a ele fizeram – comentou o deus.

— Os Guerreiros do Apocalipse praticaram atos hediondos em nome dele e dos outros deuses egípcios, e eles próprios nem se dão ao trabalho de desautoriz... – começou Matt.

— Escute, Matt – interrompeu Poseidon. – Meu filho Percy, seu amigo, uma vez teve de enfrentar Anteu.

Ele olhou para o cavaleiro, esperando que ele entendesse.

— O seu filho com Gaia – disse Matt.

— Exato. Anteu humilhava todos aqueles a quem derrotava e dizia estar oferecendo culto a mim. Dizia ser meu filho preferido. Mas Percy foi sábio o bastante para derrotá-lo.

— Ouvi dizer que ele teve ajuda da Annabeth para isso – comentou Matt, rindo.

Poseidon fez uma careta discreta. Como sempre fazia ao ouvir o nome da mais recente nora: as fofocas do Santuário estavam comprovadas.

— O caso é que Percy também ficou se perguntando como alguém que agia daquele jeito podia prestar homenagens a mim. Eu expliquei a ele, e explico a você agora. Existem pessoas que fazem coisas em nome dos deuses, mas estes não aprovam. É o caso de Osíris e dos Guerreiros do Apocalipse.

Matt baixou a cabeça, pensativo.

— Portanto, não deve julgar Osíris ou os egípcios por algo que os servos deles fizeram ou deixaram de fazer – concluiu Poseidon.

— Mas agora é tarde para pedir desculpas a ele – declarou o cavaleiro.

— Verdade. – Poseidon olhou para o cavaleiro de Ouro. – No entanto, ainda devemos ficar de olho em Osíris e no Egito. Eles sabem de algo que nós não sabemos.

— Osíris mencionou algo sobre uma descoberta feita por Hades – lembrou Matt.

Poseidon parou de andar. Estacou, olhando para frente. Matt franziu a testa.

— Isso não pode ser bom – disse o deus. – Temo que os egípcios não estejam dispostos a cooperar conosco. Pessoalmente, não tenho nada contra eles; mas eles se encaixam naquele termo que vocês usam hoje em dia... Antissociais, eu acho. Eles não nos veem com bons olhos.

“Isso parece com o prenúncio de uma nova batalha, rapaz. E se houver uma, receio que o Olimpo não poderá contar com a ajuda do Egito. Pergunto-me que mal seria esse capaz de fazê-los querer ficar tão longe de nós assim.”

O olhar de Poseidon suavizou-se, e ele recomeçou a andar. Matt ia segui-lo, mas ele o deteve.

— Foi bom conversar com você, Matt de Leão – admitiu o senhor dos mares. – Fique atento, e lembre-se das minhas palavras. Sei que é um pouco tarde, mas agradeço a ajuda que você deu ao meu filho... Naquela época.

— Por nada, senhor.

O deus do mar sorriu.

— Por ora, diremos adeus. Receio, porém, que meus irmãos não irão tardar a aparecer por aqui também.

Dizendo isso, ele se converteu em água corrente e desceu ao Mediterrâneo. Matt pôs-se a caminhar de volta ao Santuário, com a consciência mais leve.