New Galaxy
7 Love at first sight
Louis:
Começou a sair com dificuldade debaixo da criatura. O pau afiado que tinha feito acabara de lhe salvar a vida. Fez a criatura de quase 200kg rolar de cima dele. Quando pode voltar a respirar viu a cara de aflição de Mary e a cara de surpreso de Eric.
— Parece que temos jantar para todos.- Disse Eric sorrindo.
— Eu estou bem, obrigado pela preocupação…- respondeu Louis sarcástico ao comentário de Eric.
Louis pareceu ver um vislumbre do que parecia ser preocupação genuína na cara de Mary mas aquilo depressa desapareceu quando ela disse:
— Bem, façam-se de uteis e tragam a criatura para o acampamento enquanto eu levo as malas.
Eric fez imediatamente o que Mary disse, entregando-lhe a sua mala e agarrando o bicho num dos lados.
Louis segurou o olhar de Mary quando esta fez um gesto para que ele lhe desse a sua mala. Ele passou-a para ela sem nunca tirar o olhar. Ele sabia que, lá no fundo, ele não lhe era totalmente indiferente. O momento quebrou quando Eric pigarreou e fez um gesto com a cabeça para a criatura:
— Bem, ele não vai andar sozinho até ao acampamento…
E assim Louis agarrou na criatura e começou a puxá-la com Eric enquanto Mary ia logo atrás deles carregando as malas.
Max:
Também ele se encontrava na floresta, mas no seu caso a companhia era bem mais agradável. Estava com Ruth e eles vinham conversado pelo caminho sobre a sua vida antes de embarcarem na nave. Max já sabia que Ruth era filha do vice- presidente e que era filha única. Também sabia que os seus pais se tinham divorciado quando ela tinha 6 anos e que ela apenas via o pai duas ou três vezes por ano e por isso estava muito zangada com o facto de ele a ter mandado para lá. Max também já tinha contado a Ruth que ele era um emigrante da moldávia e daí a sua aparência e que tinha uma irmã mais velha de quem era muito próximo. Tinha-lhe acabado de contar que o seu pai tinha morrido a alguns anos e que eles eram muito próximos e dado isso Max tinha passado um mau bocado. Naquele momento estavam a falar dos seus interesses:
— Então, para além de festas, o que é que gostas de fazer?- perguntou Max.
— Para ser honesta eu não gosto de nada relacionado a natureza.- Respondeu Ruth, rindo.
— Como podes não gostar de natureza?- perguntou Max, surpreso.
— Bem, eu não cresci a ter aventuras. As únicas aventuras que eu tive resumiram-se a aventuras com a Carly, a Mary e a Patrícia na quinta da avó da Patrícia.- Respondeu Ruth com um abanar de ombros.
— Eu e o meu pai costumávamos fazer de tudo um pouco. Nós acampávamos, pescávamos, caçávamos…- disse Max.
Max começou a lembrar-se das coisas que costumava fazer com o seu pai e todas as aventuras que eles tinham juntos…
— Tu sentes falta dele?- perguntou Ruth.
— Todos os dias.- Respondeu Max e eles continuaram a caminhada em silêncio.
Continuaram a andar pelo mato. Max conseguia sentir os olhos de Ruth nas suas costas e agradecia silenciosamente a Carly por os ter juntado naquela “missão”. Max parou com os seus pensamentos quando captou algo estranho no chão.
— Achas que isto pode ajudar?- perguntou.
Ruth assustou-se pois estava também emersa nos seus pensamentos. Max fez um gesto com a mão para que esta se aproximasse e esta assim o fez. Na mão de Max estava uma espécie de canivete mas feito com objetos que podiam ser encontrados na floresta. Ruth estranho e perguntou:
— Como é que isso veio aqui parar?
— Provavelmente alguém o perdeu enquanto andava à procura de alguma coisa.- respondeu Max sem dar muita importância ao assunto.
Ruth assentiu mas sem deixar o assunto de lado. Ruth devolveu o canivete que tinha tirado a Max para dar uma melhor olhada e viu que este tinha ficado a olhar pensativo para o canivete. Ruth olhou para Max levantando uma sobrancelha como se dissesse para ele dizer o que estava na sua mente.
—O meu pai costumava ter um destes- disse Max.- Antes de ele morrer nós costumávamos ir à caça e depois arranjávamos os animais com um canivete destes.
— Encantador…- respondeu Ruth com um sorriso sarcástico.
— Definitivamente…
Max riu e em seguida levantou-se, guardando o canivete no bolso. Ruth estava a virar-se para continuarem a procura quando Max a interrompeu:
— Tu assustas-me
Ruth não sabia se devia levar aquilo como uma ofensa mas em vez de dizer uma piada irónica e mandar Max, gentilmente, para sítios menos bonitos esta disse:
— Porquê?
— Porque eu digo-te coisas que nem consigo dizer a mim próprio.
Ruth não sabia o que dizer. Em vez disso sorriu e continuou o seu caminho sendo seguida por Max.
Constance:
Já tinha anoitecido e quase todos tinham voltado para o acampamento. Por sorte, os adolescentes responsáveis pelas tendas tinham-na colocado num local de onde se tinha uma boa visão das estrelas. Constance adorava olhar as estrelas e era algo que a fazia sentir em casa. Ela costumava olhar as estrelas com o seu pai deste pequenina e provavelmente, mesmo naquele novo planeta, devia ser capaz de nomear todas as constelações existentes. Sentiu alguém sentar-se ao seu lado. Era Bellamy, o mais recente líder do acampamento e arqui-inimigo declarado da sua amiga Carly.
— Para o que estás a olhar?- perguntou ele, calmamente.
Constance olhou-o de cima a baixo e pensou que ele não parecia tão mau como Carly fazia parecer.
— Para as estrelas… Era algo que eu costumava fazer com o meu pai.- respondeu Constance sorrindo.
Bellamy olhou para as estrelas e sorriu. Enquanto isso passou uma estrela cadente.
— Depressa, pede um desejo.- disse Bellamy em tom de brincadeira.
Constance mesmo sabendo que aquilo era tudo uma estupidez e que nenhuma bola de gás podia fazer os sonhos dela realizarem-se, respondeu:
— Eu desejo que aja mais para mim aqui.
— Como assim?- perguntou Bellamy curioso.
— Eu desejo que aqui encontre algo que me faça querer viver e não só sobreviver.- respondeu Constance sorrindo.- O que é que tu desejas?
— Eu desejo que a Carly pare de me chatear.- disse Bellamy em tom de desboche.
— Acho que isso nem uma estrela cadente pode fazer.- disse Constance rindo.- Ela não é assim tão má… Acredita em mim.
Bellamy parecia estar prestes a dizer alguma coisa quando gritos o interromperam e ambos tiveram de se apressar para a recém-construída entrada do acampamento.
Katherine:
Naquele momento estavam a chegar Mary, Eric e Louis e traziam atrás de si o que parecia ser uma espécie extinta de hipopótamo.
— Trouxemos o jantar- gritou Eric e todos o aplaudiram.
Katherine viu William chegar-se à frente, seguido de Francis. Francis. Este rapaz não saia da sua cabeça desde que o conheceu. Era uma noite chuvosa de inverno. Eles encontravam-se nas férias de natal e a mãe de Katherine tinha-a deixado ir a uma discoteca na cidade. Assim que esta entrou no recinto avistou logo um rapaz encostado ao bar vestindo umas calças jeans escuras e uma sweat vermelha. Foi amor à primeira vista relembrou Katherine. Katherine foi tirada dos seus pensamentos quando alguém esbarrou contra ela. Os adolescentes começaram a puxar o animal para um canto e começaram a cortar pedaços deste com as suas pequenas facas e começaram a assar a carne numa fogueira.
— Melhor apressares-te se ainda quiseres comer algo.- disse-lhe Jack.
Katherine assim fez indo em direção ao animal e cortando um bocado com as suas próprias mãos.
— Selvagem.
Katherine olhou para trás e viu que a voz pertencia a Francis. Kat teria rido se tivesse sido outra pessoa a dizer a piada. Mas ela não poderia olhar para a cara de Francis sem se lembrar do que ele tinha feito e do quanto isso a tinha magoado. Cada vez que ela olhava para ele não via o rapaz por quem se tinha apaixonado no bar mas sim o rapaz que lhe tinha partido o coração e que o tinha pisado como se não fosse nada. Em vez de responder Katherine levantou-se e caminhou para longe deste antes que não pudesse evitar as lágrimas que começavam a ameaçar sair.
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