New Feelings

6 Capítulo 5 - Dagny e Thrud


Passei algumas horas lendo, até que Hans veio me chamar para o café.
– Elsa? Está aí desde que horas? — ele abriu a porta e colocou a cabeça para dentro da sala.
– Desde que acordei lá pelo nascer do sol. — ele fez uma expressão de surpresa.
– Algum problema?
– Não, não. Eu só estava sem sono mesmo.
– Certo... Vamos indo? – eu assenti.

Tomamos o café quase sozinhos, nessa hora estavam à mesa apenas Yran, o décimo segundo, Forseti, o quinto, e suas respectivas esposas, Dagny e Thrud. Fiquei triste em saber que as esposas dos príncipes só podiam fazer as refeições junto dos outros se a rainha não estivesse presente, porque para ela “é só para a família”.

Os três irmãos nem se olhavam, mas Dagny e Thrud tagarelavam sem parar, até me incluíram na conversa.
– Ah, Elsa! Gostaria muito de poder conhecer-te melhor, mas temos tão pouco contato, não é? — disse Dagny com rapidez, ela parecia bem animada.
– Aposto que seu casamento foi lindo! Queria muito ter ido! — dessa vez foi Thrud, embora uma pessoa espirituosa, ela parecia mais reservada e séria.

Eu ri antes de responder.
– Eu também gostaria que tivéssemos mais contato, mas esses garotos... — sussurrei para elas.
– Não se bicam! — Thrud concluiu.
– Se odeiam! — exagerou Dagny.
– Não entendo o porquê dessa rivalidade.
– Trono, trono, trono! Afinal, eles só querem poder?
– Não exagere, Dagny. Eles não se dão bem porque não tem afinidade nem se conhecessem direito. – respondeu Thrud.
– Os mais velhos subestimam os mais novos?
– Basicamente.
– Mas então por que Hans e Yran apesar da pouca diferença de idade não se dão bem? – dessa vez eu perguntei.
– Ah, essa eu sei. Eles têm vergonha de conversar, pelo menos na frente dos outros.
– Homens... – dissemos em uníssono e rimos.

De repente ouvimos um: "Psst!" e olhamos para o lado de Forseti, que nos cumprimentou com um sorriso amarelo e chamou a esposa com um movimento de cabeça.
– Tenho que ir agora. Nos vemos depois. – Thrud sorriu sinceramente e saiu com o marido.
– Bem, me conta agora, e os filhos? Já sabem pra quando é? – me afoguei com a bebida.
– F-filhos? (tosse) Não, não! Nós (tosse) ainda temos muito tempo pra pensar nisso!
– Hum, sei. Mas não demorem, não. Criança é tudo de bom!
– Eu tenho certeza. – respondi nervosa.
– Dagny, vamos indo. – chamou Yran.
– Só um momento, querido. Até mais, Elsa. Pense no que eu disse, viu?
– P-pensarei. Até logo.
– Elsa, você está bem? Parece nervosa... – perguntou Hans.
– Estou bem, só me afoguei, não foi nada.
– Se você diz. Podemos ir?
– Sim, sim.

Depois de um tempo, achei até graça de Dagny, ela com certeza teria se dado muito bem com Anna. No fim eu me sentia bem por ter conhecido elas, diferentes do resto da família, pareciam ser pessoas bem decentes e agradáveis. Enquanto Thrud lembrava-me minha mãe, devido à personalidade espirituosa, mas contida, Dagny lembrava mais Anna, animada e agitada. A primeira tinha cabelos castanhos escuros e incríveis olhos violeta, e a segunda tinha cabelos cor de mel e olhos azuis escuros. Até onde sei, Thrud era princesa da Áustria e Dagny uma simples camponesa. Pensava nisso quando Hans me perguntou:
– O quê vocês tanto conversavam?
– Não vá dizer que você não quer que sejamos amigas só porque vocês não são.
– Não, não. Mas é que você sabe como é, elas são esposas dos meus irmãos, e eles não prestam.
– Então só porque o marido de alguém não presta a esposa não presta também?
– Não, é que... A esposa deve obediência ao marido, ou seja, se qualquer um deles pedir para a esposa espionar nossa vida, ela o fará.
– Eu me sinto muito mal quando você diz isso!
– Desculpe, mas você entendeu, não é?
– Sim. Mas ainda confio nelas. – ficamos em silêncio por um tempo – O quê será que havia de tão importante para eles saírem com tanta pressa?
– Importante? Droga! Quase me esqueço do funeral! – ele me puxou pela mão e saiu correndo até o portão, onde a carruagem ainda esperava.

Fomos até o lugar em que seria realizada a cerimônia, que já havia começado. Percebi que de todos os príncipes, apenas quatro não eram casados, Patrick, Magnor (este era noivo), Royd e Styr. Eu ainda não havia reparado no oitavo príncipe, perguntei discretamente a Hans sobre ele:
– Quem é aquele?
– Magnor, o oitavo. Ele é o gênio, sabe? O mais inteligente de todos, nunca largava os livros. Só não leve tudo o que ele diz a sério, ele varia um pouco das ideias.
– Como assim?
– Ele dizia que um dia as máquinas substituiriam os homens. – Hans fez uma careta sinalizando que era absurdo.
– E os outros?
– Royd e Styr. Fique longe deles, não são confiáveis. – eu concordei com a cabeça e voltamos a prestar atenção no funeral.

O bispo rezou a missa em latim, e ao final todos colocaram flores e terra em cima do caixão e começaram a ir embora. A rainha permaneceu por não sei mais quanto tempo, era estranho, ela não "detestava" o rei? De qualquer maneira, retornamos ao castelo e eu voltei a ler na biblioteca, tentando esquecer o que tinha ouvido mais cedo.

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Notas finais
Qual a primeira impressão de vocês sobre esses irmãos do Hans? E sobre as esposas deles? Quem vocês acham que é bom e quem é mau? As aparências enganam...