New Feelings
7 Capítulo 6 - A Sós
Notas iniciais
Depois que terminei meu livro, resolvi sair para me despedir de todos no palácio, já que na manhã seguinte partiríamos. Me despedi com abraços fortes de Dagny e Thrud, e prometemos escrever umas para as outras. Então me lembrei do Duque, fui até o seu escritório e bati na porta.
– Entre.
– Duque? — eu entrei e ele levantou o olhar.
– Rainha Elsa. Desculpe, pensei ser a criada deixando o chá que pedi.
– Não, não! Eu que tenho que pedir desculpas. É óbvio que o senhor está muito ocupado, eu volto mais tarde.
– Nada tão importante que não possa ser feito depois. Quer sentar-se?
– Não, obrigada. Bem, eu vim me despedir, não sei se nos veremos novamente. Vamos embora amanhã ao amanhecer. — eu lhe disse.
– Ah, eu sinto que ainda nos veremos mais uma vez, majestade.
– ... Certo.
Apertei sua mão e fui procurar Hans, desde que tínhamos chegado mal podemos conversar, mas acho que foi ele quem me achou.
– Elsa! Até que enfim te achei, você adora sumir, hein? Pensei que estava na biblioteca.
– Estava, mas saí a pouco, para dizer adeus à todo mundo. E agora estava te procurando.
– Me procurando? Pra quê?
– Para conversar. E o senhor?
– Não temos passado muito tempo a sós desde que chegamos, quer caminhar?
– Claro. — enganchei meu braço no dele e saímos para caminhar no jardim.
– ... E eu e Yran gostávamos de olhar as estrelas às vezes, da janela do corredor, ele me dizia o nome delas, e que haviam constelações que lembravam pessoas ou coisas.
– Você nunca me disse que vocês dois eram próximos.
– Não éramos "próximos", mas ele era legal comigo de vez em quando,ou pelo menos não era chato como os outros.
– E o quê aconteceu? Vocês nem se falam mais...
– Primeiro, ele se casou e virou uma pessoa totalmente séria. Segundo, depois do que fiz à Arendelle, nem ele seria louco de ser meu amigo.
– De novo essa coisa de passado! Se Arendelle esqueceu disso tudo, por que as Ilhas do Sul não esquecem também? — ele deu de ombros.
– Não me importo com o que as Ilhas do Sul pensam, só me importo que Arendelle tenha me perdoado, que você tenha me perdoado.
– Já há muito tempo. — eu lhe dei um beijo suave.
Sentamos na grama e encostei-me nele. Começamos a olhar para as nuvens e dizer com o que se pareciam.
– Aquela ali parece uma coroa...
– Hans! — ele riu.
– Brincadeira. — dei um tapinha no seu braço e encostei minha cabeça no seu ombro.
– Senti falta disso. Dos nosso momentos juntos... Estou louca pra voltar à Arendelle, rever Anna, Kristoff, Olaf... Até Sven!
– Foram só quatro dias até agora!
– Para mim pareceram quatro meses! E ainda tem mais os outros dois dias e meio de viagem para voltar... — falei desanimada.
– Ah, passa rápido, você vai ver.
– Não sei, não importa. Agora eu quero aproveitar o tempo ao seu lado. — encostamos as cabeças e ficamos em silêncio por um tempo.
– Pelo menos ainda temos uns seis meses até ter que voltar. — as palavras de Hans me atingiram como pedras.
– Voltar? Seis meses? Do quê está falando?!
– Naturalmente, deveríamos esperar um bom tempo até a coroação, é uma forma de respeito ao governante anterior, você sabe. — assenti — Mas como Gardar está tão desesperado para ser coroado, eles vão adiantar a cerimônia de coroação.
– Vamos ter que voltar? Aqui? — deixei a cabeça cair pra trás.
– Você não precisa vir se não quiser.
– Sabe a minha resposta.
– Tudo bem, mas lembre-se que foi você que quis vir.
– Eu gostaria de não precisar, mas você sabe que eu não vou te deixar vir sozinho.
– Eu sei, eu sei...
Ficamos em silêncio novamente.
– Hans, você... me ama? — ele me olhou surpreso por alguns segundos.
– Que pergunta é essa? É claro que sim. Por que? Você tem alguma dúvida?
– A gente sempre tem...
– Não diga isso. Olha, eu posso estar longe de ser a melhor pessoa do mundo, e de ser o melhor marido do mundo, mas eu prometo ser o melhor amante do mundo. — eu sorri de leve.
– E promete que vamos ficar juntos para sempre?
– Isso é uma espécie de reafirmação dos votos de casamento? "Eu prometo amar-te e respeitar-te , na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Até que a morte nos separe." — ele acariciou meu rosto.
– Nunca achei que ouviria isso de você...
– Nem eu achei que um dia fosse dizer isso logo a você.
– Bem, e promete ser fiel?
– Aonde você está querendo chegar com essa pergunta...?
– Lugar nenhum. — suspirei — Essas perguntas não levam a lugar nenhum.
– Elsa, tem alguma coisa te perturbando? — estava tão fora de mim que concordei com a cabeça antes mesmo de pensar na resposta — Eu sabia! Eu não devia ter deixado você vir, eu sabia! O quê foi que aconteceu?
– Eu-eu... — gaguejei, não sabia o quê dizer. Suspirei — Eu sei... sobre os seus pais. — ele pensou um pouco, e depois captou.
– Ah. Entendi. — Hans ficou sério. Droga! Eu devia mesmo ter pensado melhor antes de responder, agora ele está bravo!
– Hans, querido, me desculpa! Eu sinto muito, não foi minha intenção, me contaram, eu juro que não andei bisbilhotando!
– Te contaram? Quem?
– ... Eu não sou dedo-duro.
– Ah, deixa isso pra lá! Não é segredo mesmo, todo mundo sabe que o casamento dos meus pais não era um mar de rosas, e por minha culpa.
– Não fala assim.
– É a verdade...
– Não é nada. A culpa é do seu pai e de ninguém mais.
– Vamos mudar de assunto. Se é o que você quer ouvir, aqui vai: Isso nunca vai acontecer conosco e pronto.
– Sim, sim, vamos continuar o que fazíamos. — ele concordou com a cabeça e continuamos a olhar para as nuvens.
– Aquela ali parece...
– Parece...?
– Nada, esquece.
– Você me deixou curiosa! Fala, vai.
– Dá uma olhada.
Bem, do meu ponto de vista não dava para ver nada a não ser uma nuvem meio redonda meio estranha, virei a cabeça um pouco e observei melhor. Entendi.
– Pra mim parece um...bebê. — ele riu.
– Então você viu a mesma coisa que eu. Mas não estou botando pressão, ainda temos muito tempo para pensar nisso. Se você quiser.
– É claro que eu quero! Quem não quer? Ainda mais agora que Anna vai ser mãe!
– Bem, eu tenho que confessar que ainda há pouco tempo, ter filhos para mim era uma ideia assustadora. — me surpreendi um pouco com a resposta de Hans, mas eu entendia, afinal ele tinha péssimas experiências familiares — Eu disse era, não é mais, ter filhos com você seria maravilhoso. — eu sorri e ele me beijou.
Hans deitou no meu colo e continuamos olhando as nuvens.
– Elsa, — ele pegou minha mão e colocou no rosto — você está quente! — ele se levantou rapidamente e pôs uma mão na minha testa — Tem certeza de que está se sentindo bem?! Não está com febre?!
– Eu nem tinha percebido. Estou bem, não se preocupe.
– Certeza? Não precisa de nada?
– Estou ótima. No momento só preciso de você. — me aconcheguei nele.
Fechei os olhos e fiquei em silêncio.
– Vamos indo?
– Por que? Estava tão bom aqui...
– Eu acho que vai ter bolo de chocolate para o café da tarde...
– Esse argumento não é justo! Você sabe do meu fraco por chocolate.
– Eu sei tudo sobre você, minha cara. — Hans acariciou meu rosto.
– Você diz isso para todas as garotas? — perguntei brincando.
– Só para aquelas que usam uma aliança com meu nome no dedo.
– Ah, é? E quantas são?
– Apenas uma, e está bem na minha frente.
– "Apenas"?
– Uma já é o bastante. Eu só quero você.
Beijamo-nos de uma maneira indescritível, como se juntasse amor, desejo e necessidade, era como se vivêssemos disso. Hans me fazia sentir minha temperatura subir, é claro que eu sabia que eu estava quente por sua culpa, mas isso o faria se afastar de mim, e eu não queria isso. Além do mais, não me importava sentir calor, contando que eu era tão fria o tempo todo.
– Espera, espera. Mas e o bolo? — disse separando nossos lábios.
– Está bem, vamos indo. Eu continuo isso depois. — ele sorriu sedutor.
– Não vejo a hora.
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