Nevoeiro

72 Renesmee- Você é meu imprinting


Jacob e eu seguimos pela trilha da floresta em silêncio, a lua cheia iluminando o caminho à nossa frente. A luz prateada fazia a floresta parecer mágica, quase como se estivesse nos guiando. Quando nos aproximamos da praia, ele me conduziu por uma pequena estrada de terra que nos levou até o penhasco. O mar se estendia à nossa frente, refletindo o brilho da lua de forma hipnotizante.

— Uau... — murmurei, admirada com a beleza do cenário.

Jacob se sentou, puxando-me para seus braços, e eu me aconcheguei no calor de seu corpo, deixando o frio da noite ficar do lado de fora.

— Está mais calma agora? — ele perguntou, a voz baixa e suave.

— Sim, estou — respondi, respirando fundo, tentando deixar para trás a confusão que havia sentido mais cedo.

Ele me olhou, os olhos cheios de preocupação.

— Você quer me dizer o que aconteceu hoje na casa dos Cullen?

Eu o encarei por um momento, hesitante, antes de suspirar e decidir que ele tinha o direito de saber o que havia mexido tanto comigo.

— Jake... o que aconteceu entre você e Isabella Swan? — perguntei, ainda insegura sobre como lidar com as palavras de Eliot.

Jacob sorriu, um sorriso tranquilo, quase divertido.

— Eliot esqueceu de contar que eu respeitei os sentimentos de Bella e até dancei a valsa no casamento dela quando ela ainda era humana — disse ele, com um brilho brincalhão nos olhos.

Fiquei surpresa, absorvendo essa nova informação.

— Então, você nunca quis disputar Bella com Edward? — perguntei, um pouco envergonhada por ter acreditado no que Eliot havia insinuado.

Jacob riu, aquele som caloroso que sempre conseguia acalmar meu coração.

— Nessie, eu só tinha dezesseis anos na época — explicou ele, com uma suavidade que me fez sentir ainda mais tola por ter dado ouvidos a Eliot.

Minha vergonha se transformou em um leve rubor, mas Jacob não deixou que eu me afundasse naquilo. Ele segurou meu rosto com delicadeza, fazendo-me olhar diretamente para ele.

— Há algo que você precisa saber — começou ele, a seriedade voltando ao seu tom. — É uma coisa de lobo, algo que só acontece com a gente.

Eu o olhei curiosa, sentindo meu coração acelerar um pouco.

— Que coisa, Jake?

— Chama-se imprinting — começou ele, suas mãos ainda segurando meu rosto de maneira reconfortante. — É... complicado, mas vou tentar explicar. Quando um lobo encontra sua alma gêmea, é como se todo o seu mundo mudasse. De repente, essa pessoa se torna o centro da sua vida. Tudo o que você faz, tudo o que você é, passa a ser por e para essa pessoa. Não é algo que escolhemos, é mais forte que qualquer outra coisa... É como se nossos corações e almas fossem ligados de uma forma que não podemos controlar.

As palavras dele penetraram profundamente, e eu pisquei algumas vezes, tentando processar tudo. O calor das palavras dele aqueceu meu coração, dissipando qualquer dúvida ou insegurança que Eliot havia tentado plantar.

— Eu te amo, Nessie — continuou Jacob, os olhos dele fixos nos meus, cheios de sinceridade. — Eu quero me casar com você, quero que você seja a mãe dos meus filhos, até que a morte nos separe. Você é meu imprinting.

Senti um sorriso se formar em meus lábios enquanto aquelas palavras reverberavam em minha mente. Ele queria um futuro comigo, um futuro que eu também desejava.

— Até que a morte nos separe — repeti, a emoção transbordando em cada palavra.

Então, sem hesitar, eu o beijei. O beijo foi intenso, carregado de todo o amor e desejo que eu sentia por ele, como se naquele momento eu estivesse selando uma promessa, uma promessa de um futuro juntos, sem mais dúvidas, sem mais medos.

Acordei com a luz suave do sol invadindo o quarto, as cortinas brancas balançando levemente com a brisa que entrava pela janela. O brilho matinal se espalhava pelas paredes, preenchendo o ambiente com uma calma silenciosa. Pisquei algumas vezes, sentindo o calor do sol em meu rosto enquanto meus pensamentos lentamente voltavam ao que tinha acontecido.

Me sentei na cama, puxando os cobertores para mais perto, e me perguntei em que momento tinha voltado para casa. Minhas últimas lembranças eram de Jacob e eu, juntos, diante do penhasco. A lua iluminava o mar, e depois... um borrão. Franzi o cenho, tentando rememorar, mas não conseguia juntar as peças.

Olhei para baixo, percebendo que ainda vestia as roupas da noite anterior. Meu corpo parecia pesado e sonolento, como se o tempo tivesse passado rápido demais. Soltei um longo bocejo enquanto me levantava da cama, sentindo a confusão se misturar ao sono remanescente. Precisava de um banho, algo para clarear a mente.

Caminhei até o banheiro, os pés descalços tocando o chão frio do quarto. O som suave da água correndo logo preencheu o espaço, e por um breve momento, deixei a mente vagar, tentando entender o que tinha acontecido. Mas nada. Apenas flashes de imagens e a sensação do abraço de Jacob.

Após a higiene matinal, saí do quarto. Enquanto descia as escadas, o aroma tentador de bacon fritando na cozinha invadiu minhas narinas, provocando um ronco imediato no estômago. Ao chegar na cozinha, encontrei Ayla e Rebecca ocupadas com o café da manhã.

— Bom dia! — cumprimentei, um sorriso se formando em meus lábios.

— Bom dia, Nessie — responderam Ayla e Rebecca em uníssono, ambas com expressões acolhedoras.

Me aproximei da mesa, mas logo percebi que algo estava errado.

— Onde está o Jake? — perguntei, olhando ao redor, como se esperasse vê-lo aparecer de repente.

— Ele saiu bem cedo — disse Rebecca, colocando uma pilha de panquecas no centro da mesa.

Ayla, que estava ao lado da mãe, completou:

— Ele comentou que precisava resolver alguns assuntos antes da viagem de vocês dois.

Meu coração deu um salto no peito. Viagem. Paris. A conferência!

— Ai, meu Deus, a viagem! — gritei, a realidade me atingindo com força total. Como pude esquecer algo tão importante? A conferência em Paris era na manhã seguinte, e nós ainda estávamos em La Push!

Corri de volta para o meu quarto, meu coração disparado, pegando meu celular o mais rápido que pude. Angela, a secretária. Talvez ela também tivesse esquecido, assim como eu. Com os dedos trêmulos, disquei o número dela, esperando desesperadamente que as coisas ainda pudessem ser resolvidas.