Nevoeiro

61 Renesmee- Virando a página


Enquanto meus lábios se afastavam dos dele, meu coração parecia correr uma maratona. Jacob me olhou profundamente, seus olhos refletindo uma mistura de sentimentos que eu mal podia decifrar. Só então percebi que não estávamos mais no chão, mas na cama, com ele me segurando no colo. Como ele me levantou sem que eu sequer notasse?

Tentei desfazer a distância entre nós, voltando a beijá-lo, e minhas mãos começaram a desabotoar a camisa dele, sentindo o calor da sua pele sob meus dedos. Mas ele interrompeu o beijo, ofegante, e segurou minhas mãos com carinho, impedindo-me de continuar. Uma onda de vergonha me inundou, fazendo-me sentir que talvez tivesse dado um passo em falso.

— Desculpa — murmurei, baixando os olhos, sentindo meu rosto esquentar.

Jacob, porém, percebeu meu embaraço e rapidamente tentou tranquilizar-me.

— Não é nada disso, Ness — ele disse, com suavidade, acariciando meu rosto. — Eu te desejo, sim, mas... não agora, não desse jeito.

Ele afastou uma mecha do meu cabelo, colocando-a atrás da minha orelha com tanta delicadeza que meu coração quase parou.

— Você precisa de um banho, lavar esses olhos lindos — ele continuou, sorrindo. — E depois vamos comer algo e conversar.

Suspirei, sentindo a tensão diminuir em mim. Assenti em silêncio, concordando com ele. Jacob então beijou minha testa e, com a mesma facilidade de antes, me ergueu novamente, como se eu não pesasse nada, e me colocou sentada na cama. Ele apertou minha bochecha gentilmente, arrancando um sorriso de mim, e repetiu, com um tom de voz carinhoso que parecia uma ordem:

— Banho e lanche.

Assenti novamente, observando-o sair do quarto. Assim que a porta se fechou, suspirei profundamente, levando uma das mãos aos lábios, relembrando o beijo. Um sorriso involuntário surgiu no meu rosto enquanto me levantava da cama e ia em direção ao banheiro.

A água quente caindo sobre mim ajudou a acalmar meus pensamentos, mas o turbilhão de emoções que Jacob havia despertado ainda estava ali, pulsando em cada célula do meu corpo. Eu sabia que o que estávamos construindo era algo especial, algo que eu não queria estragar por conta das minhas incertezas ou pressa.

Depois de me lavar e me vestir, me sentia mais tranquila. Estava pronta para qualquer coisa que viesse a seguir, mas, principalmente, estava pronta para estar ao lado dele, do jeito que fosse.

Enquanto escovava os cabelos, comecei a sentir uma calma maior depois de todo o turbilhão de emoções que havia me atingido. O reflexo no espelho mostrava uma Nessie um pouco mais tranquila, mas ainda havia uma tempestade dentro de mim que eu precisava enfrentar. A porta do quarto se abriu novamente, e Jacob entrou, carregando uma bandeja com ele. Ele estava vestido apenas com uma camiseta e uma calça de moletom, os pés descalços. O cheiro fresco de sabonete denunciava que ele também havia tomado banho. Um sorriso suave iluminou seu rosto enquanto ele colocava a bandeja sobre a cama.

— Bem melhor assim — disse ele, com os olhos brilhando de uma maneira que fez meu coração acelerar mais uma vez.

Sem pensar, joguei-me nos braços dele, buscando seus lábios em um beijo que parecia ser a única coisa capaz de manter minha sanidade naquele momento. Ele sorriu contra meus lábios, correspondendo ao meu gesto, e envolveu seus braços ao redor do meu corpo, me puxando para mais perto. O calor do seu abraço e a segurança que ele transmitia fizeram com que eu me sentisse em casa.

Mas, antes que eu pudesse me perder completamente naquele momento, Jacob se afastou suavemente, selando meus lábios com um último beijo.

— Lanche e conversa — ele sussurrou, com uma expressão de carinho que só ele tinha.

Assenti, ainda um pouco tonta de emoção, e deixei que ele me puxasse pela mão até a cama. Sentamos de frente um para o outro, com a bandeja entre nós, e começamos a comer em silêncio por alguns instantes. O sanduíche que ele havia preparado estava delicioso, mas a cada mordida, eu sentia uma ansiedade crescente sobre a conversa que eu sabia que estava por vir.

Finalmente, ele quebrou o silêncio, perguntando:

— O que aconteceu hoje na casa dos Cullen?

Olhei para ele enquanto mastigava, tentando encontrar as palavras certas. Depois de engolir, respondi de forma simples:

— Eliot.

Jacob suspirou, claramente lutando para manter a calma. Sua mandíbula se contraiu levemente enquanto ele perguntava:

— O que o projeto de sanguessuga fez?

Hesitei por um momento, tentando organizar meus pensamentos e minhas emoções.

— Ele... se aproximou de mim apenas para se vingar do Riley — admiti, sentindo uma dor profunda ao dizer essas palavras. — Mas eu não quero falar sobre isso agora.

Jacob, no entanto, não parecia disposto a deixar o assunto morrer ali. Ele segurou meu queixo com uma mão firme, mas gentil, fazendo com que eu olhasse diretamente para ele.

— Você ama Eliot? — A pergunta veio com uma intensidade que me pegou de surpresa.

Eu o encarei, sentindo meu coração acelerar mais uma vez, mas dessa vez por um motivo diferente. No fundo, eu já sabia a resposta, mas ter que dizê-la em voz alta era como fechar um capítulo da minha vida. E, de certa forma, era libertador.

— Não, eu não amo mais o Eliot — respondi, com uma certeza que surpreendeu até a mim mesma.

Jacob observou-me por um momento, seus olhos escurecendo com uma mistura de emoções que eu não conseguia decifrar completamente. Havia alívio, sim, mas também algo mais, algo mais profundo. Ele se inclinou levemente, como se quisesse se certificar de que eu realmente acreditava no que estava dizendo.

— Tem certeza? — ele perguntou, sua voz quase em um sussurro.

— Tenho — respondi, com convicção, sentindo um peso se levantar dos meus ombros. — Tudo o que eu sentia por ele... acabou. Não há mais nada.

Jacob relaxou um pouco, soltando um suspiro que ele provavelmente nem sabia que estava prendendo. Ele puxou-me para mais perto, e eu fui de bom grado, sentindo que, pela primeira vez em muito tempo, estava exatamente onde deveria estar.

— Eu estou aqui, Ness — ele disse, beijando o topo da minha cabeça. — Sempre estarei.

Fechei os olhos, sentindo o conforto das suas palavras e a verdade que elas carregavam. De alguma forma, eu sabia que, independentemente do que acontecesse, ele sempre estaria lá para mim, e isso era tudo o que eu precisava naquele momento.

Terminamos o lanche em silêncio, um daqueles momentos em que as palavras parecem desnecessárias. Jacob olhou para mim com um sorriso suave antes de deitar na cama, me puxando para seu peito. A sensação de conforto e proteção que senti ali era algo que jamais havia experimentado antes. O calor dele me envolvia de uma forma quase mágica, fazendo parecer que a temperatura lá fora, que eu sabia estar abaixo de zero, não tinha qualquer efeito sobre nós.

Jacob começou a acariciar meus cabelos, e eu fechei os olhos, deixando-me ser levada pelo carinho. Estava quase adormecendo quando ouvi sua voz baixa e suave, como um sussurro que se misturava com a batida constante de seu coração.

— Promete uma coisa? — ele pediu.

— O quê? — perguntei, abrindo os olhos e erguendo um pouco a cabeça para olhar para ele.

— Que você nunca mais vai chorar por causa do Eliot ou do seu irmão.

Um sorriso tímido escapou dos meus lábios. Jacob sempre soube como me proteger, mas havia algo mais nessa promessa que ele pedia. Era como se ele estivesse dizendo que queria ser o único a cuidar de mim, a garantir que eu nunca mais sofresse. Ergui a cabeça e encontrei os olhos dele, sentindo uma necessidade súbita de fazer algo mais, de não deixar aquele momento passar sem expressar o que também sentia.

— Eu prometo — disse, hesitando por um segundo antes de continuar, — mas com uma condição.

Ele arqueou as sobrancelhas, curioso, enquanto um brilho brincava em seus olhos.

— Que condição?

Respirei fundo, tentando reunir a coragem necessária.

— Que você me diga o que sente por mim.

Ele me encarou, surpreso por um instante, antes de um sorriso de canto de boca se formar em seu rosto.

— Você acha que preciso dizer? Não está óbvio?

Balancei a cabeça, sorrindo levemente.

— Preciso ouvir, Jake.

Ele suspirou, mas havia uma ternura no gesto. Em seguida, ele se levantou, puxando-me para sentarmos juntos na cama novamente. Seus olhos buscaram os meus, e o que vi ali fez meu coração disparar.

— Nessie, eu sei que a diferença de idade entre nós é grande, mas isso não muda o que sinto. — Ele fez uma pausa, como se procurasse as palavras certas. — Eu te amo. Você é a minha vida, a minha felicidade, o meu...

Antes que ele pudesse terminar, não resisti. Inclinei-me para frente e o beijei, derrubando-o na cama com a força do meu impulso. Jacob não hesitou nem por um segundo. Ele retribuiu o beijo com uma intensidade que me fez esquecer de tudo ao nosso redor. Suas mãos encontraram as minhas, e ele me puxou ainda mais para perto, fazendo com que eu me sentisse segura, desejada e, acima de tudo, amada.

Percebi, então, que talvez não precisasse mais de palavras. O que sentíamos um pelo outro estava gravado em cada toque, em cada olhar, em cada batida dos nossos corações. E, naquele momento, enquanto nossos lábios se encontravam mais uma vez, tudo parecia se encaixar perfeitamente, como se estivéssemos destinados a estar exatamente onde estávamos: juntos.