Nevoeiro
62 Renesmee- A filha do Alpha
Os dias que se seguiram foram difíceis. Eu evitava qualquer contato com Riley e Eliot. A dor ainda estava muito presente, e a última coisa que eu queria era ver qualquer um dos dois. Seth me atualizava sobre a situação, dizendo que eles ainda estavam seguindo os rastros de Katherine. Isso me deixava apreensiva, mas ao mesmo tempo, sabia que precisava seguir em frente.
Liguei para meus tios para saber se estavam bem. Ouvir suas vozes trouxe um alívio inesperado. Talvez os Cullen fossem realmente como Seth dizia, "do bem", mas o fato de Jacob não confiar completamente neles me deixava cautelosa. De qualquer forma, Ayla e eu decidimos continuar com nossos planos, tentando trazer alguma normalidade para nossas vidas em meio ao caos.
Nas horas vagas, nós fazíamos coisas que garotas da nossa idade normalmente fariam. Começamos a pesquisar vagas de verão na *Quileute College*, aqui em La Push. A ideia de voltar para a faculdade era um sopro de normalidade que precisávamos. Estávamos animadas, lendo atentamente a lista de cursos oferecidos, tentando imaginar quais seriam possíveis para nós. Alguns cursos chamaram nossa atenção, como *Literatura Comparada*, *História Indígena Americana* e *Ciências Ambientais*. Estávamos discutindo qual seria a melhor opção, quando percebi algo estranho em Ayla.
Ela parecia distante, desconcentrada. Olhei para ela com mais atenção e perguntei, preocupada:
— Ayla, você está bem?
Ela hesitou por um momento antes de responder:
— Acho que pode ser um resfriado.
Toquei sua testa e senti o calor intenso sob minha mão. Meu coração disparou.
— Ayla, você está queimando de febre! — gritei, o pânico crescendo dentro de mim.
Chamei por Seth, minha voz alta e preocupada ecoando pela casa. Ele entrou no quarto rapidamente, seguido de Rebecca. Expliquei a situação, tentando manter a calma, mas Ayla realmente não parecia bem. Seth olhou para ela com uma expressão séria e pediu para Rebecca ligar para Jacob imediatamente.
— Será que não é melhor levá-la a um hospital? — perguntei, a preocupação transbordando na minha voz.
Seth balançou a cabeça, os olhos firmes nos de Ayla.
— Confie em mim, Ayla. Precisamos ir.
— Ir para onde? — perguntei, confusa.
Ayla olhou para Seth, a preocupação evidente em seus olhos.
— O que está acontecendo, Seth? — ela perguntou, a voz um pouco trêmula.
— Confie em mim, Ayla. Vai ficar tudo bem — ele repetiu, puxando-a gentilmente pela mão e saindo do quarto.
Eu os segui, sem saber o que fazer ou dizer. Rebecca, ao telefone, anunciou que Jacob estava na estrada, voltando para La Push. Seth parecia determinado enquanto guiava Ayla para fora da casa.
— Vou levar Ayla. Jake saberá onde nos encontrar — ele disse.
Ayla olhou para mim, tentando sorrir, mesmo com a febre evidente em seus olhos.
— Tá tudo bem, Nessie — ela murmurou, antes de Seth fechar a porta do carro.
Suspirei, sentindo a preocupação me consumir enquanto observava o carro se afastar. Algo estava definitivamente errado, e o medo de perder minha amiga para um perigo desconhecido se misturava à incerteza do que realmente estava acontecendo. Sentia-me impotente, uma sensação que estava começando a me cansar profundamente.
A única coisa que podia fazer naquele momento era esperar, e esperar nunca foi fácil.
O dia havia sido um turbilhão de emoções. Desde que Seth e Ayla saíram, minha mente não conseguia descansar. Rebecca tinha recebido uma ligação de Leah mais cedo, dizendo que Ayla estava bem, mas minha preocupação não diminuía. Eu imaginava que Ayla estivesse hospitalizada, talvez por alguma doença repentina, e a incerteza sobre o que estava realmente acontecendo me deixava inquieta.
Enquanto a noite caía, eu me encontrava na varanda, incapaz de me acalmar. Rebecca, estranhamente, parecia menos apreensiva do que eu. Talvez ela soubesse algo que não me disse, mas mesmo assim, o silêncio dela não ajudava em nada.
Quando ouvi o som do carro de Jacob estacionando, meu coração acelerou. Corri em sua direção assim que o vi sair do carro. Ele estava vestido apenas com a calça que havia usado de manhã, o corpo sujo e com marcas de lama, típico de quando ele passava horas transformado em lobo.
— Jake! — chamei, a preocupação evidente em minha voz. — Como está Ayla? Ela está bem?
Ele sorriu, tentando me tranquilizar, e passou a mão pelo meu rosto de forma carinhosa.
— Ayla está bem, Ness. Não precisa se preocupar. Pela manhã, ela estará em casa — respondeu ele, e antes que eu pudesse fazer mais perguntas, ele se inclinou e selou seus lábios nos meus.
Eu deveria ter me sentido mais aliviada, mas ainda havia uma confusão dentro de mim. Jacob me puxou pela mão e começou a me guiar para dentro de casa.
— Eu preciso de um banho e estou faminto — ele disse com um tom despreocupado, como se o que tinha acontecido durante o dia não fosse nada demais.
Eu simplesmente assenti, ainda tentando processar tudo. A sensação de que algo não estava sendo dito, que alguma peça do quebra-cabeça estava faltando, me deixava desconfortável. Mesmo assim, segui Jacob para dentro da casa, tentando me acalmar e confiar em suas palavras.
Mas a verdade era que a preocupação por Ayla ainda ardia em meu peito. Ela era minha melhor amiga, e o fato de não saber exatamente o que havia acontecido me deixava com uma sensação de impotência. Queria acreditar nas palavras de Jacob, queria sentir que tudo estava realmente bem, mas a dúvida permanecia, e essa incerteza me corroía por dentro.
Ao entrarmos Rebecca perguntou como estava Ayla e Jacob disse que estava bem.
— Eu nunca pensei que isso pudesse acontecer com nossa filha — Disse Rebecca.
Olhei para os dois conversando e me senti sobrando naquela conversa, em silêncio e aborrecida eu subi as escadas e fui para meu quarto.
Cheguei ao quarto e fechei a porta atrás de mim, tentando me acalmar. Sentia uma mistura de frustração e insegurança. Era como se de repente eu fosse uma estranha na vida de Jacob, algo que nunca havia sentido antes. Eu sabia que não deveria me sentir assim, afinal, Ayla estava passando por algo sério, e Rebecca, como mãe, tinha todo o direito de estar envolvida. Mas não conseguia evitar.
Sentei na beira da cama, abraçando meus joelhos, tentando afastar o sentimento de que talvez eu estivesse sendo egoísta. Meu coração estava apertado, e as palavras de Jacob e Rebecca ecoavam na minha mente. Quando a porta se abriu novamente, olhei para cima e vi Jacob entrar no quarto.
Ele fechou a porta com cuidado e me encarou por um momento antes de se aproximar.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz baixa e cheia de preocupação.
— Estou — menti, desviando o olhar.
— Isso parece ciúmes.
Eu cruzei os braços e lancei um olhar irritado para Jacob.
— Não é ciúmes, Jacob. É só que... vocês dois estavam falando como se eu não estivesse ali, como se eu fosse uma estranha. E essa coisa toda com a Ayla... — suspirei, sentindo a frustração crescer dentro de mim. — É tudo muito confuso.
Jacob se aproximou, ainda com aquele sorriso divertido no rosto.
— Nessie, você sabe que eu não quis te deixar de fora. E Rebecca estava tão surpresa quanto eu com a transformação da Ayla. Afinal de contas ela é nossa filha.
As palavras de Jacob ecoaram na minha mente como um trovão.
— Você está dizendo que a Ayla... virou uma loba? — repeti, quase sem acreditar.
Ele sorriu, um sorriso que misturava orgulho e compreensão, e assentiu.
— Sim, Nessie. Ayla agora é uma loba, assim como eu.
Minhas pernas quase cederam ao ouvir aquilo, e eu tive que me apoiar na beirada da cama. A ideia de Ayla, minha melhor amiga, se transformando em um lobo era... surreal. Ela estava doente, e agora estava... transformada. Eu me lembrava de como Ayla havia se queixado de febre, de como ela havia dito que talvez fosse um resfriado, e de como Seth e Jacob tinham agido de forma tão estranha. Agora, tudo fazia sentido. Eles sabiam o tempo todo o que estava acontecendo, e eu estava completamente no escuro.
Jacob se aproximou de mim, com a expressão suave, como se entendesse a tempestade de emoções que eu estava sentindo.
— Eu sei que é muito para processar — ele disse, colocando a mão no meu ombro. — Mas Ayla está bem, melhor do que você pode imaginar. A transformação pode ser assustadora, mas ela está segura, entre os nossos.
— Entre os nossos — repeti baixinho, tentando assimilar tudo.
— Eu queria te contar antes, mas... você já tinha tanto com o que se preocupar — ele continuou, acariciando meu rosto com um carinho que só Jacob sabia demonstrar. — E eu sabia que você se assustaria, e talvez até se preocupasse mais do que deveria.
Eu suspirei, sentindo a confusão começar a se dissipar. O toque dele era calmante, como se o peso das preocupações fosse aliviado apenas por estar perto dele.
— Isso é... muito, Jake. — Admiti, fechando os olhos por um momento para tentar me recompor. — Ela... ela vai ficar bem, mesmo? E quanto tempo isso vai durar?
— Sim, Nessie. Ela vai ficar bem — Jacob respondeu com firmeza. — A transformação é difícil, mas a Ayla é forte. E agora, ela faz parte de algo maior, algo que vai protegê-la. E quanto ao tempo... bem, ela vai precisar de um período de adaptação, mas logo estará de volta à rotina.
Eu tentei absorver tudo, mas ainda havia uma inquietação dentro de mim.
— Eu entendo, Jake, mas... — comecei a dizer, mas ele me interrompeu.
— Você está com ciúmes — ele insistiu, agora com um sorriso ainda maior, como se estivesse se divertindo com a situação.
— Não estou! — protestei, tentando soar firme, mas o olhar dele estava me desmontando.
Jacob riu, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele me puxou para mais perto, envolvendo-me em seus braços.
— Nessie, você sabe que você é a coisa mais importante para mim, não sabe? — ele sussurrou contra o meu cabelo, sua voz grave e reconfortante. — Não há nada que eu queira mais do que ver você feliz e segura. E, por favor, não se sinta excluída. Rebecca e eu só estávamos tentando entender tudo o que aconteceu com Ayla.
Eu suspirei, finalmente relaxando um pouco nos braços dele. A verdade era que o ciúme e a insegurança tinham me pegado de surpresa. Eu odiava me sentir assim, mas a situação com Ayla, o fato de Jacob estar tão envolvido com ela e Rebecca, tudo isso estava me fazendo questionar meu lugar.
— Eu só... odeio ser a última a saber das coisas, sabe? — murmurei, encostando minha cabeça em seu peito. — Parece que todo mundo entende o que está acontecendo, menos eu.
Jacob me apertou um pouco mais forte, como se quisesse afastar todas as minhas preocupações.
— Eu nunca quis que você se sentisse assim, Nessie. Eu prometo que vou te manter informada, que vamos passar por isso juntos, como sempre.
Eu levantei a cabeça para olhar para ele, e vi a sinceridade nos olhos dele. Era difícil ficar brava com Jacob por muito tempo, especialmente quando ele estava sendo tão atencioso.
— Está bem, Jake... eu acredito em você — murmurei, finalmente cedendo ao sorriso que insistia em aparecer nos meus lábios.
Ele sorriu de volta, abaixando a cabeça para me dar um beijo suave nos lábios.
— Agora, que tal descermos e eu te explico tudo com mais detalhes? — ele sugeriu. — Prometo que não vou te deixar de fora de nada.
Eu assenti, sentindo o peso da irritação começar a se dissipar. Jacob sempre sabia como me acalmar, como me fazer sentir que tudo ficaria bem, independentemente do que acontecesse.
— Só se você prometer que vai me contar tudo mesmo — disse, tentando manter um tom sério, mas não conseguindo evitar o sorriso que se espalhava pelo meu rosto.
— Prometo — ele disse, segurando minha mão e me guiando em direção à porta.
Enquanto desciamos as escadas, senti que, apesar de toda a confusão, as coisas entre nós estavam voltando ao normal. E, por mais que ainda houvesse muito para entender, pelo menos sabia que Jacob estaria ao meu lado, pronto para enfrentar qualquer coisa juntos.
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