Nevoeiro

18 Renesmee- Tragédia universitária


Uma semana se passou e Eliot não respondeu minhas ligações nem mensagens. Ele também não apareceu na escola durante esse tempo. Ayla e eu conseguimos acalmar Seth sobre as ameaças de Marco, e ele pediu para que deixássemos que ele resolvesse a situação. Eu não sabia como ele faria isso, mas era uma situação complicada. Seth poderia acabar em setores proibidos americanos caso Marco divulgasse os vídeos que tinha.

Segui pelos corredores do colégio após a última aula de química quântica e parei diante do meu armário. Olhei para o armário de Eliot e suspirei. Precisava de respostas e saber por que ele havia desaparecido após a noite que tivemos. Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Decidida a acabar de vez com todas aquelas dúvidas, decidi ir buscar respostas na casa dos avós de Eliot.

Saí da faculdade e entrei na minha caminhonete, dando partida no veículo. Minutos depois, segui pela estrada Rainier Avenue, que leva a uma zona cheia de bosques e árvores. O sol começava a se pôr quando me aproximei da linda mansão cheia de paredes e janelas de vidro. Saí do veículo e, para minha surpresa, Carlisle e Esme Cullen estavam na entrada, como se já me aguardassem. Saí do veículo e suspirei, indo até eles. Eles sorriram gentilmente e me convidaram a entrar.

Cruzei meus braços na sala de jantar e perguntei por Eliot.

— Ele não está — disse Carlisle, mas antes que eu pudesse confrontá-lo, a voz de Eliot chamou a atenção de todos.

— Eu estou aqui. Preciso conversar com Renesmee a sós — disse ele.

Bella e Edward apareceram logo em seguida e trocaram olhares com Eliot. Carlisle e Esme assentiram. Eliot desceu as escadas e parou ao meu lado, pedindo para eu segui-lo. Senti o peso do olhar de Eliot sobre mim, um olhar frio e sem emoções. Imediatamente o segui, saindo da casa.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou ele, com frieza.

— Eu deveria fazer essa pergunta — respondi, tentando manter a calma. — Passamos a noite juntos e depois você desapareceu.

Eliot riu ironicamente.

— Pensei que você fosse mais esperta — disse ele.

— Como assim, mais esperta? — perguntei, sentindo meu coração acelerar.

Eliot se aproximou e me encarou.

— Se eu sumi e não respondi suas ligações, é porque não desejo vê-la ou falar com você.

Fiquei assustada, meus olhos se encheram de lágrimas.

— Você está brincando comigo? — perguntei, a voz trêmula.

Eliot riu novamente.

— Você pensou que só porque passamos a noite juntos eu ficaria preso a você?

Me senti humilhada e usada, incapaz de falar. Eliot me mandou embora — Pare de me procurar — disse ele.

Nesse momento, Bella e Edward tentaram intervir, mas eu não disse nada. Me senti derrotada e traída. Em silêncio, entrei na minha caminhonete e fui embora. Enquanto dirigia pela estrada escura, deixei as lágrimas vencerem. Aquele Eliot não era o mesmo por quem me apaixonei. Era frio e cruel. Ou talvez esse fosse o verdadeiro Eliot Cullen e eu fui ingênua o suficiente para cair na cama dele.

De repente, meu celular vibrou. Era uma mensagem de Ayla perguntando como eu estava. Suspirei e decidi não responder. Precisava de tempo para processar tudo o que estava acontecendo. Mas, por agora, só queria chegar em algum lugar onde ninguém me encontrasse e eu pudesse chorar por ter meu coração despedaçado.

Decidi ir para o Discovery Park, um lugar isolado em Seattle onde poderia pensar em paz. Enquanto dirigia, tive a breve sensação de estar sendo seguida. Olhei pelo retrovisor, mas não havia outro carro além do meu na estrada. Cheguei ao parque e permaneci dentro do veículo, deixando novamente as lágrimas vencerem. Já era madrugada quando cheguei em casa. Agradeci por Tio Matt não estar à minha espera. Entrei em casa e subi as escadas. Ao entrar no meu quarto, me joguei na cama, esperando que uma boa noite de sono aliviasse meu coração.

Na manhã seguinte, saí antes de meus tios acordarem e segui para a o campus. Esperei por uma hora encostada em meu carro no estacionamento, esperando que Eliot Cullen aparecesse. Decidi confrontá-lo novamente. Estava tão concentrada em meu livro que mal percebi quando Mike, um dos garotos do TI, esbarrou em mim, derrubando seus materiais.

— Desculpa! — disse, tentando ajudá-lo.

Mike parecia transtornado e ignorou minha ajuda. Após juntar seus materiais, entrou na escola sem dizer uma palavra. Olhei para o relógio e percebi que minha aula estava prestes a começar. Derrotada, entrei na escola e fui para a sala de aula.

O dia passou arrastado. As aulas eram uma distração, mas minha mente continuava voltando a Eliot. Sentia uma mistura de raiva e tristeza. Finalmente, o sinal para o almoço tocou. Peguei minha bandeja e procurei um lugar para sentar no refeitório. Ayla acenou para mim de uma mesa no canto. Caminhei até ela e me sentei.

— Você está bem? — perguntou Ayla, preocupada.

— Sim— respondi tentando parecer natural — Você falou com Eliot? Perguntou Ayla— Elr não vem aa faculdade mais de uma semana.

— Ele está com alguns problemas — Menti, não queria dar o braço a torcer e mostrar a Ayla que talvez ela tivesse razão ao me alertar sobre Eliot —Eu vou ao banheiro— Falei buscando uma forma de fugir do assunto Eliot impedindo assim mais perguntas sobre ele.

Após o lanche entrei no banheiro com Ayla, ainda pensando no que fazer sobre Eliot. Para nossa surpresa, Ava estava lá, ajustando seu batom. Suspirei e caminhei até a pia, abrindo a torneira ao lado de Ayla. Ava sorriu, e me preparei para uma provocação, mas fomos interrompidas por disparos seguidos de gritos, que nos paralisaram.

— O que é isso? — perguntei, alarmada.

— Não sei — respondeu Ayla, claramente assustada.

Mais disparos ecoaram e Ava estremeceu. A porta do banheiro foi aberta de repente, e Jimmy, um dos garotos do time de futebol, entrou desesperado.

— O que está acontecendo? — perguntei a Jimmy.

— Mike... Mike está fora de controle! — Jimmy gritou, visivelmente em pânico.

Antes que pudéssemos reagir, Mike invadiu o banheiro, os olhos selvagens e as mãos tremendo com a arma. Jimmy gritou ao vê-lo, e eu ergui as mãos, tentando acalmar a situação.

— Mike, por favor, pare! — implorei.

— Saia da frente, Nessie! — Mike exigiu, apontando a arma para Jimmy. — Ele precisa pagar!

— Você não precisa fazer isso! — tentei argumentar, mas Mike estava descontrolado.

Ele gritou e, em um momento de desespero, apertou o gatilho. Sem pensar, me coloquei na frente de Ayla, sentindo um impacto e uma dor aguda. Olhei para baixo e vi minha roupa suja de sangue antes de cair no chão.

Tudo ao meu redor se transformou em uma confusão de gritos e sons indistintos. A dor era insuportável, e minha visão começou a escurecer. Ouvia os gritos de Ayla e Ava, o som da arma caindo no chão e passos apressados. Tudo finalmente desapareceu em um silêncio esmagador.