Nevoeiro

19 (Especial Eliot) - Renesmee Biers


Tocava "Clair de Lune" ao piano, permitindo que as notas fluíssem e preenchessem a sala, quando uma voz familiar e amada interrompeu minha concentração.

— Annastasia? — chamei, surpreso, virando-me para ver a vampira parada na porta. Annastasia era alta e esguia, com cabelos negros como a noite e olhos de um vermelho profundo, vestindo uma roupa elegante e sofisticada que realçava sua beleza atemporal.

Ela sorriu, aquele sorriso que sempre me fazia esquecer do mundo.

— Sempre adorei ouvi-lo tocar, Eliot — disse ela, entrando na sala com graça.

— Quando você voltou da França? — perguntei, levantando-me do banco do piano e aproximando-me dela.

— Há algumas horas — respondeu Annastasia, seu tom casual. — Procurei por você em muitos lugares e não consegui encontrá-la.

Ela pareceu ligeiramente desconfortável, uma mudança quase imperceptível em seu semblante pálido.

— Já conversamos sobre isso, Eliot — disse Annastasia, dando um passo para trás quando me aproximei demais.

— Ainda te amo, Annastasia — confessei, minha voz carregada de emoção.

Ela desviou o olhar por um momento, antes de responder:

— Há outra pessoa.

Senti um golpe direto no coração, mas mantive a expressão neutra.

— Quem é ele? — perguntei, tentando esconder a dor na minha voz.

Annastasia não respondeu. Tentei tocá-la, mas ela se afastou novamente.

— Tentar ler minha mente é um golpe baixo, Eliot — disse ela, com um toque de reprovação. Naquele momento eu senti a frustração de não conseguir ler a mente dela devido a seus dons mentais me bloquearem.

— Tenho o direito de saber — insisti, mas ela me ignorou.

— Vim apenas visitar Esme — disse Annastasia, antes de sair da sala, deixando-me sozinho e com o coração despedaçado.

Fiquei ali, parado, ouvindo os ecos das últimas notas que toquei, sentindo o peso da solidão mais uma vez. Annastasia sempre teve esse poder sobre mim, um poder que eu não conseguia superar, não importa o quanto tentasse. E agora, ela estava indo embora, levando consigo uma parte de mim que nunca mais voltaria.

.....

Eu estava na faculdade, tentando me concentrar em meus estudos, quando vi uma garota de longos cabelos castanhos no estacionamento. Ela tinha um ar diferente, algo que imediatamente capturou minha atenção. Apesar de meu coração ainda pertencer a Annastasia, não pude deixar de notar a atração inexplicável que senti.

Dei alguns passos em direção a ela, sentindo a curiosidade crescer, mas fui interrompido pela voz de Edward Cullen, meu pai, ecoando em minha mente.

— Não faça isso, Eliot.

Revirei os olhos e torci os lábios em frustração.

— Desde quando você começou a ler minha mente? — perguntei, minha voz carregada de irritação.

Edward ignorou minha provocação e respondeu calmamente:

— Não é assim que você resolverá as coisas.

Não respondi, apenas olhei novamente na direção da jovem, mas ela já havia desaparecido. Irritado, me afastei de Edward, decidindo que seria melhor me concentrar nas próximas aulas. Precisava me distrair, afastar a dor e a confusão que Annastasia havia deixado em meu coração.

Entrei na sala de aula e me sentei, tentando prestar atenção ao professor. Mas, mesmo enquanto anotava freneticamente, minha mente continuava a vagar, retornando ao rosto daquela garota desconhecida. Quem era ela? E por que, apesar de tudo, ela conseguiu capturar minha atenção de maneira tão intensa?

As aulas passaram como um borrão, cada minuto se arrastando enquanto eu lutava contra meus pensamentos. No fundo, sabia que Edward estava certo. Não era justo nem para mim, nem para a garota, que eu tentasse preencher o vazio deixado por Annastasia de maneira tão impulsiva. Mas a solidão era um fardo pesado, e a necessidade de conexão, quase irresistível.

Finalmente, a aula terminou, e eu me levantei, sentindo a tensão nos meus ombros. Saí da sala, decidido a encontrar alguma forma de lidar com a situação. Mas enquanto caminhava pelos corredores da faculdade, sabia que ainda tinha um longo caminho a percorrer antes de encontrar a paz que tanto desejava.

Saímos da última aula, eu e meus pais caminhando pelos corredores da faculdade. Eu tentava ignorar os olhares curiosos e os sussurros das alunas ao nosso redor, mas minha mente ainda estava presa na visão da garota do estacionamento. E então, lá estava ela novamente, parada mais à frente, conversando com um grupo de amigos.

Nossos olhares se encontraram e, por um momento, tudo ao nosso redor pareceu desaparecer. Havia algo nela que me atraía de uma maneira que não conseguia explicar. Eu sabia que não deveria me deixar levar, mas a conexão parecia quase palpável.

Finalmente, desviei os olhos e olhei para minha mãe, Bella, buscando algum tipo de orientação ou resposta.

— Eu conversei com ela em uma das aulas — disse Bella, casualmente.

Edward a olhou com curiosidade, esperando que ela dissesse mais sobre o que haviam conversado. Mas Bella, aproveitando o fato de que Edward não conseguia ler sua mente, manteve um leve sorriso nos lábios, guardando o que sabia para si mesma. Eu sabia muito bem como era essa sensação; Edward também não conseguia ler a minha mente.

— Sobre o que vocês falaram? — perguntei, tentando parecer indiferente.

— Nada demais, apenas assuntos triviais de faculdade — respondeu Bella, ainda com aquele sorriso enigmático.

Edward arqueou uma sobrancelha, claramente desconfiado, mas não pressionou mais.

Enquanto continuávamos a caminhar, meus pensamentos voltaram para a garota. Quem era ela? E por que, de repente, parecia tão importante que eu soubesse mais sobre ela?

O som do sinal indicando o fim das aulas ecoou pelos corredores, trazendo-me de volta à realidade.

— Vou para a biblioteca por um tempo — disse, desviando meu caminho dos meus pais.

— Vá em frente, Eliot — Edward respondeu, ainda observando Bella com uma expressão curiosa.

Afastei-me deles e segui para a biblioteca, um lugar onde eu poderia tentar encontrar algum sossego para meus pensamentos confusos. Entrei e me sentei em uma mesa no canto, tentando me concentrar nos estudos, mas meus olhos continuavam a procurar a presença da garota que havia capturado minha atenção.

Durante o restante da semana eu tentei me aproximar mas por algum motivo meu pai me limitava, a desculpa dada por ele era o fato dela ser irmã mais nova do Biers e eu ainda estar apaixonado por Anna, como eles podiam esperar que eu a esquecesse se tentavam me controlar?

Naquela manhã eu segui pelos corredores ao lado dos meus pais quando a vi distante tentando mudar as regras do SU. Vi dois garotos passando como furacões ao meu lado e suas mentes eram um turbilhão de sentimentos que misturava raiva e humilhação.

Não resisti. Renesmee estava de costas quando me aproximei ignorando os avisos de meu pai, aproveitei o fato da professora Janet ter nos sorteado para o trabalho final e usaria isso . após uma breve análise em sua mente eu vi o último livro que ela havia lido e usei isso a meu favor.

— Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas do barco para chegar onde quer.

Ela virou o rosto em minha direção, eu segurei um riso ao ler tudo que se passava na mente dela.

— Cora L. V. Hatch ! Ela respondeu caminhando.

Você fez o dever de casa — Falei tentando a aconpanhar — A propósito sou Eliot Cullen.

— Eu sei, quer dizer, a faculdade inteira sabe- Ela respondeu sendo indiferente e tentando entender porque eu havia falado com ela. Pude ver que ela tinha uma opinião formada sobre mim que não condizia com a realidade.

— Ha, claro — Respondi — Imaginei que soubesse mas não seria cavalheiro de minha parte não me apresentar. Além disso eu imagino que esteja se perguntando porque eu vim falar com você.

Ergui as sobrancelhas e eu tentei ignorar seus pensamentos.

— Sim, eu tenho varias teorias sobre as razões que o levaram a vir falar comigo.

— Um delas seria o fato de ser a única garota a não se interessar em falar comigo?

— Bem , eu confesso que estou curiosa...

— A professora Janet realizou o sorteio para os projetos, eu cai com você- Expliquei.

— Os projetos?

— Sim os projetos.

— Eu não tive tempo de pensar nisso.

— Podemos pensar juntos — ele sugeriu animado- Poderia almoçar comigo.

Renesmee me encarou se perguntando se eu estava dando em cima dela.

— Não pense que eu estou dando em cima de você, não é nada disso eu só...

— Você por acaso lê mentes? Ela me interrompeu.

Dei um sorriso, eu estava conversando com Renesmee e havia me atrapalhado totalmente — Sim, é um dom que herdei de meu pai, ele também consegue ler mentes.

Percebi que ela controlou seu riso- Você até que é engraçado Eliot, essa piada foi ótima.

— Que bom que gostou da piada- Respondi aliviado por ela ter entendido aquilo como uma piada- Então eu tenho aula em outro auditório agora mas te espero as quartoze no estacionamento.

— Tem aula e ainda está aqui? Vai se atrasar.

— Não se preocupa ainda tenho uns minutos, então posso confirmar nosso almoço.

— Tudo bem, eu aceito, mas somente para acertarmos o nosso tema.

— Como você quiser, até mais Senhorita Biers.

— Até, Senhor Cullen- Ela disse ao se despedir, dei um sorriso e segui para próxima aula, entrei no auditório e sentei ao lado dos meus pais que me fuzilaran com o olhar.

— Isso não vai acabar bem- Edward Cullen Reclamou em um tom baixo de voz.

— Eu me entendo com o Biers- Respondi olhando para a explicação do professor.