Nevoeiro

20 ( Especial Eliot)- Sentimentos


Depois daquele primeiro contato com Renesmee, nos aproximamos cada vez mais. Eu sentia algo profundo por ela, algo que eu não conseguia explicar, mas essa aproximação não era vista com bons olhos pela minha família. Não era só Edward quem se opunha à nossa relação; Carlisle também estava completamente contra.

Naquela manhã, a discussão começou logo após o café da manhã. Carlisle estava especialmente agitado, preocupado com os perigos que uma relação entre nós poderia representar.

— Eliot, você sabe que isso é arriscado — disse Carlisle, sua voz grave ecoando na sala de estar. — Para Renesmee, seu irmão Riley e seus pais estão mortos. E a garantia dada a Aro foi que nenhum humano mais saberia sobre a existência dos vampiros.

Eu me recusei a recuar.

— Nessie não saberá disso — respondi, firme. — E além do mais, existe algo positivo na nossa relação. Eu posso impedir Nessie de continuar investigando sobre a morte do irmão e dos pais.

Rosalie, que estava observando a discussão em silêncio até então, interveio.

— E quanto a Annastasia? — perguntou ela, seus olhos penetrantes fixos em mim.

Fiquei em silêncio, incapaz de responder imediatamente.

— Os Biers terão problemas conosco se você machucar a garota, Eliot. Você está expondo a todos nós — continuou Rosalie, sua expressão dura e preocupada.

Olhei para minha tia Alice, buscando algum apoio. Ela suspirou e disse, com uma expressão pesarosa:

— Eu adoraria te ajudar, Eliot, mas... — Ela fez uma pausa, visivelmente desconfortável. — Eu a vi coberta de sangue.

Meu estômago se revirou ao ouvir isso, mas eu me mantive firme.

— Eu sei o que estou fazendo — insisti, determinado. — Quero que todos se preparem, porque eu vou trazê-la para minha festa de aniversário.

A sala ficou em silêncio. Os olhares de reprovação eram claros, mas minha decisão estava tomada. Eu sabia que precisava proteger Renesmee, mesmo que isso significasse enfrentar minha própria família.

Com uma determinação renovada, saí da sala, deixando meus pensamentos girarem em torno de como tornar aquele encontro uma realidade. Eu só esperava que, no final, todos pudessem entender minhas intenções e que Renesmee ficasse segura, acima de tudo.

Fui para meu quarto, pegando meu celular. Mandei uma mensagem para Renesmee, tentando manter o tom leve, apesar da tensão que eu sentia.

Esperei, ansioso, pela resposta dela, tentando acalmar a tempestade de pensamentos que estavam em minha mente.

Horas depois estacionei o carro diante da mansão no horário marcado. A noite estava clara, com a lua brilhando intensamente, iluminando o caminho até a entrada. Renesmee estava ao meu lado, linda como sempre, e meu coração acelerou ao vê-la sorrir para mim.

Quando entramos, percebi que algo estava diferente. Os pensamentos de todos estavam bloqueados, um claro sinal de que minha mãe, Bella, estava fazendo isso de propósito. O que eles estariam escondendo? A desconfiança se instalou em mim, mas disfarcei minhas dúvidas, mantendo um sorriso no rosto.

A noite seguiu como qualquer outra festa de aniversário. Cortamos o bolo, e eu, claro, dei o primeiro pedaço a Renesmee, que sorriu agradecida. Depois, abrimos os presentes, rindo e conversando, tentando ignorar a tensão que eu sentia crescendo a cada momento.

Apesar de minhas suspeitas, decidi aproveitar a noite com Nessie. Precisávamos de um momento de paz antes que tudo desmoronasse. A encontrei saindo do banheiro e a levei para o fundo da mansão, onde a noite estava ainda mais linda.

— Quero te mostrar algo — disse, guiando-a pela mão até o jardim iluminado por pequenas luzes. — Aqui é o meu lugar favorito.

Ela sorriu, olhando ao redor.

— É lindo, Eliot.

Nos sentamos em um banco de pedra, cercados por flores e a luz suave da lua. Eu sabia que, naquele momento, precisava ser honesto com ela, pelo menos um pouco.

— Toda essa área pertence a minha família, é proibida a caça na região e cuidamos para que nada seja modificado – Expliquej me levantando e ela me acompanhou.

— Eu quase ia esquecendo – Nessie falou abrindo sua bolsa e retirou de dentro um pequeno saquinho de cetim , apesar de inconscientemente saber o que era eu fingi estar surpreso – Tenho certeza que deve ser bastante humilde perto do que já ganhou de presente hoje, mas, espero que goste.

Virei meu corpo ficando de frente para ela e peguei o presente de suas mãos o abrindo- Tenho certeza que é o melhor presente da noite.- Falei sorrindo abrindo o saquinho – Um medalhão.

— Sim, eu comprei em uma dessas lojas de artigos antigos, você pode abri-lo e colocar uma foto de alguém que seja importante.

— Obrigado, é muito bonito- Respondi olhando para o medalhão – Já sei quem colocarei aqui dentro.

— Que ótimo –

Olhei para Nessie, seus olhos brilhando sob a luz da lua. Ela era linda, e eu não conseguia desviar o olhar. Lutei contra o desejo de beijá-la, mas a atração era forte demais para ser ignorada. Me aproximei, sentindo meu coração acelerar.

— Por que você me trouxe aqui essa noite? — ela perguntou, sua voz suave e curiosa.

— Porque não consigo mais ficar longe de você — respondi, segurando delicadamente o rosto dela entre minhas mãos. Seus olhos se arregalaram um pouco, e então ela fechou os olhos, se preparando para o que viria a seguir.

Me inclinei para frente, nossos lábios se encontrando em um beijo doce e romântico. O mundo ao nosso redor desapareceu, e tudo o que existia era o toque suave dos lábios de Nessie contra os meus. O beijo começou com uma delicadeza quase tímida, uma exploração cuidadosa de sentimentos que ambos sabíamos que eram verdadeiros.

Nossas respirações se misturaram, criando uma harmonia perfeita entre nós. Senti seu corpo se relaxar contra o meu, suas mãos subindo até meus ombros enquanto o beijo se aprofundava. O sabor dela era doce e inebriante, e cada segundo parecia uma eternidade.

Minhas mãos deslizaram para a cintura dela, puxando-a gentilmente para mais perto. Havia um calor e uma eletricidade entre nós que nunca tinha sentido antes. O beijo era uma promessa, um juramento silencioso de que estaríamos juntos, não importando o que acontecesse.

Quando finalmente nos afastamos, nossos olhos se encontraram novamente, e vi o mesmo sentimento refletido nos olhos dela. Ela estava tão confusa quanto eu.

— Seus olhos.

Baixei a cabeça, apesar de ter um auto-controle com relação a sangue humano aquela aproximação com uma humana havia mexido com meu instinto— Perdão se eu me...

— Algo errado? Seus olhos estão vermelhos, você está se sentindo bem?

— Deve ter sido a luz do jardim — Disfarcei — Isso sempre acontece comigo.

— Desculpe! Ela disse tentando se desculpar por novamente falar sobre a cor dos meus olhos.

— Você sempre cria uma situação para fugir de algo? Perguntei desviando o rumo daquela conversa

— Eu não estou fugindo da situação — Ela respondeu caminhando pelo jardim.

Impulsivamente segurei o braço dela— Tem certeza, Nessie?

— Eu apenas não sei o que dizer, eu me sinto estranha, eu nunca me interessei por ninguém porquê...

— Porque sua única razão de viver tem sido justificar a morte de sua família? —Sorri a puxando para mim— Nessie, não tenha medo de viver a realidade. Olhe ao nosso redor, eu sou real, a faculdade é real. — A minha mão livre tocou seu queixo. — Meus sentimentos são reais.

Apesar de não saber o que eu realmente sentia por Renesmee eu tinha que admitir que estava totalmente envolvido por ela, aproximei nossos lábios e novamente a beijei.