Nevoeiro

21 ( Especial Eliot- Traído)


Deixei Nessie em casa, observando-a entrar antes de dar partida no carro e dirigir para meu apartamento. O dia havia sido cheio de conflitos, e eu precisava de um momento sozinho para colocar meus sentimentos em ordem. Annastasia, com seus olhos profundos e sorriso enigmático, pairava em meus pensamentos. Todos os momentos que havíamos vivido juntos nos últimos dez anos se misturavam em minha mente, e eu tentava compreender por que ela me havia abandonado.

Meus pensamentos eram um turbilhão de dúvidas e incertezas. O que eu realmente sentia por Nessie? Estaria confundindo o desejo de meu lado imortal com sentimentos humanos? O dia amanheceu, e eu continuava buscando respostas, incapaz de encontrar clareza. Olhei para o relógio, percebendo que estava quase na hora de buscar Nessie para juntos irmos à faculdade.

Cheguei diante da casa dela e aguardei. Enquanto esperava, me forcei a focar no presente e nas decisões que precisaria tomar. As respostas viriam, mas por agora, tudo o que importava era estar ao lado de Nessie e enfrentarmos juntos o que quer que viesse pela frente.

Nessie saiu da casa e eu sorrj ao ouvir seu comentario com seu tio sobre meu carro- Bom dia- Disse a puxando parabum abraço- Eu já estava com saudades-

— Por que está usando óculos de sol? Perguntou curiosa, eu havia colocado os óculos para evitar o problema com a mudança da cor dos meus olhos.

— Bom eu...

— Bom dia Eliot- O senhor Biers nos interrompeu e eu o agradeci mentalmente por isso- Belo carro.

— Bom dia senhor Biers- Respondi de forma gentil- Meu pai é colecionador.

— Interessante- Disse ele abrindo a porta do seu veículo- Nessie não preciso lembrar você sobre as regras.

Nessie suspirou indgnada e eu a tranquilizei— Não fique assim- Disse ao entrar no carro- Seu tio só quer proteger você.

— Da mesma forma que sua família quer proteger você? Ou acha que não percebi o clima ontem na sua casa?

— Ficou tão explícito meus problemas familiares?

— Por que seus irmãos Edward e Bella te tratam com tanta posse? Seus pais parecem ser bem legais.

— Hum é um pouco o difícil de explicar.

— Por que não tenta?

Sorri tentando demonstrar tranquilidade- Que tal mudarmos de assunto?

—Eliot Cullen guarda segredo?- Ela me provocou — Eu achei que estivéssemos tendo alguma coisa.

Estacionei o carro e suspirei- Você é importante para mim Nessie, tem muitas coisas que eu queria poder dizer a você.

— E porquê não diz?

— Porque não é tão simples- Toquei seu rosto e selei deus lábios- Mas no momento certo você saberá muitas coisas sobre mim.

Apesar de muitas dúvidas em sua mente ela concordou, sorri selando novamente deus lábios porém o que era para ser apenas um selo virou um beijo intenso, ao perceber o queimar em minha garganta afastei nossos lábios.

— O que houve?

— Temos que ir ou vamos nos atrasar.- Ele respondi dando partida no carro e acelerei cantando pneus.

Quando chegamos ao estacionamento da faculdade todos os olhares se direcionaram para nós dois, mas nem todos eram de curiosidade, a memte de Ayla Black era cheia de preocupação, mesmo não podendo ler a mente de meus pais eu sabia que eles estavam aborrecidos, mas eu ignorei passando um dos braços em volta de ombros de Nessie e beijei seus cabelos.

— Todos estão olhando para nós- Ela falou sorrindo.

— Você liga para isso?

— Não!

— Que bom, porquê eu também não.

Nós seguimos pelos corredores da universidade, trocando olhares e sorrisos ocasionais. Após me despedir de Nessie próximo ao elevador, vi Edward e Bella sinalizando para que eu os seguisse. Em questão de segundos, Nós estavamos na floresta que rodeava o prédio, longe de olhares curiosos.

— Enfim, vocês vão me dizer o que está acontecendo? — perguntei, a irritação e a ansiedade na minha voz eram evidentes.

Bella olhou para Edward, hesitante, antes de finalmente falar.

— Não há nenhuma forma de continuar escondendo isso de você.

— O que estão tentando me dizer? — insisti.

Edward então falou, a voz carregada de uma gravidade que aumentou meu desconforto.

— Annastasia vai se casar em breve.

A expressão de tristeza tomou conta do meu rosto e eu me afastei, sentindo como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Meus pais tentaram se aproximar, mas eu ergui a mão para impedi-los.

— Eu preciso de um tempo.

Retornei ao estacionamento da faculdade e, com mãos trêmulas, enviei uma mensagem a Nessie. Em seguida, entrei no carro e saí cantando pneus. A garganta queimava e minhas mãos tremiam no volante do veículo. A quem eu estava tentando enganar? Eu ainda amava Anna, e aquela notícia havia me abalado mais do que eu imaginava.

Estacionei na Floresta Nacional Olímpica e desapareci em meio às árvores, buscando por algo que pudesse suprir a necessidade que eu tinha naquele momento. As sombras das árvores se alongavam à medida que a noite caía, o silêncio da floresta era quebrado apenas pelos meus passos rápidos e pela batida do meu coração.

Minha visão aguçada captou o movimento de um cervo. O animal parou ao perceber minha presença, mas era tarde demais. Em um movimento rápido e preciso, saltei sobre ele, mordendo profundamente seu pescoço. O sangue quente fluía, aliviando momentaneamente a dor em minha garganta.

Após algumas horas de caça, a sensação de vazio persistia, mas a sede havia sido saciada. Com o corpo e a mente ligeiramente mais calmos, entrei no carro e decidi que precisava ver Renesmee. Ela era a única coisa que fazia sentido em meio ao caos dos meus sentimentos.

Dirigi de volta à cidade, determinado a encontrar alguma forma de seguir em frente, mesmo com o peso da notícia sobre Annastasia ainda pressionando meu coração. Ao chegar à casa de Nessie, estacionei e caminhei até a porta, tentando reunir forças para enfrentar o que estava por vir, porém antes de bater não senti seu cheiro, ela não estava lá, retornei ao carro e decidi ir ao único lugar que provavelmente ela estaria.

O sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados quando estacionej diante da casa de Ayla, Nessie estava ma frente da casa ao lado de Aaron, baixei o vidro da janela do veículo e acenei para que eu entrasse. Nessie se despediu do amigo que soltou um "Acho que você não vai mais precisar da minha carona" enquanto Ayla tinha em sua mente pensamentos dignos de um filme de terror sobre o que eu poderia fazer com sua amiga, sorri timidamente e aguardei que Nessie entrasse no veículo.

— Onde se meteu o dia todo?Ela perguntou.

— Tive uns problemas! Respondi tentando me concentrar em nós.

—Está tudo bem? Ela insistiu.

Afirmei com a cabeça tentando mudar o rumo daquela conversa — Quero te mostrar um lugar.

Ela assentiu e ficamos em silêncio por alguns minutos enquanto eu decidia para onde iríamos, eu não queria ver ninguém além dela. Decidi que era hora de usar o apartamento que eu havia ganho do Emmett ano passado, lá seríamos somente ela e eu.

Dei um sorri ao estacionar o carro vendo a preocupação estampada no rosto dela, saímos do veículo e entramos de mãos dadas no prédio, pegamos o elevador e seguimos para meu apartamento.

— Primeiro as damas ! Falei ao abrir a aporta e ela entrou fazendo um pequeno tour e observando cada detalhe do imovel

— Gostou?— Perguntei tentando deixar o clima mais leve.

— É incrível, Eliot. De quem é esse apartamento?

Dei um sorriso ao ver sua animação —É meu. Eu não moro com meus pais.

Ela ficou surpresa. —Sério? Não sabia que você tinha um lugar assim.

—Sim. Respondi caminhando até a cozinha e peguei duas latinhas de refrigerante. —Achei que já era hora de ter meu próprio espaço- Respondi entregando uma latinha a ela.

—Então, que problemas você teve hoje? Ela perguntou ainda insatisfeita com meu sumiço repentino.

Olhei através da janela — Nada que você precise se preocupar agora. Quero que aproveite a noite. Só quero que tenhamos uma noite especial- Concluí me aproximando lentamente de Nessie e a beijei, ela retribuiu ao meu beijo , deslizei minhas mãos pela lateral do corpo dela até suas coxas e a puxei para meu colo caminhando com ela para o quarto.

Eu a observei dormir durante toda a madrugada, a luz suave da lua refletia em seu rosto tranquilo, alheio ao turbilhão que se passava dentro de mim. A culpa me consumia, o medo de tê-la machucado era insuportável. Eu não deveria ter perdido o controle, mas o desejo de estar dentro dela era mais forte do que eu podia suportar.

Lentamente, me levantei da cama e sentei na poltrona próxima à janela. Os primeiros raios de sol começavam a tingir o céu, mas meus pensamentos estavam mergulhados em sombras. As palavras de Nessie, dizendo que me amava, ecoavam na minha mente, mas eu não consegui responder. Como eu poderia? Meu coração ainda pertencia a outra, mesmo que essa outra estivesse prestes a se casar com outro homem.

Quando o dia amanheceu completamente, me levantei e fui até a cozinha, preparando o café da manhã. Deixei um bilhete sobre a mesa, me sentindo um covarde por fazer aquilo, mas eu precisava ir. Não conseguia encarar o que estava acontecendo entre nós dois. Saí do apartamento e peguei a estrada de volta para a mansão dos meus avós, tentando organizar os pensamentos caóticos que me atormentavam.

Ao chegar, mal tive tempo de sair do veículo antes de sentir o impacto violento contra meu corpo. Fui arremessado por metros até bater em uma árvore. A dor era intensa, mas a surpresa foi maior ao ver Riley, o irmão que Nessie acreditava estar morto, com um olhar cheio de fúria.

— Quero que fique longe da minha irmã, Cullen — disse ele, a voz carregada de ódio.

Levantei-me dos destroços das árvores, minha cabeça girando com a força do impacto. Meus olhos encontraram os dele, e eu fiz um tour em sua mente, revivendo memórias e emoções. E então, a verdade caiu sobre mim como um raio.

— Você... você é Anna? — perguntei, dando alguns passos à frente, o choque e a confusão tomando conta de mim.

Annastasia surgiu ao lado dos meus pais, se colocando entre nós dois. O olhar que trocamos estava carregado de ódio, de traição.

— Então era isso que estavam escondendo de mim — falei, o veneno escorrendo nas palavras. — Você e Riley... estão juntos?

Annastasia hesitou, seu olhar desviando por um breve momento antes de me encarar novamente.

— Eliot, não é o que você pensa — ela começou, mas eu a interrompi, incapaz de conter a raiva que borbulhava dentro de mim.

— Não é o que eu penso? — Eu ri amargamente. — Então, me diga, Anna, o que exatamente está acontecendo? Porque, para mim, parece que fui traído por todos que amo.

Ela não respondeu de imediato, e a dor no olhar dela só serviu para aumentar a minha raiva. Riley deu um passo à frente, mas eu ergui a mão, parando-o.

— Fique fora disso, Riley. Essa conversa é entre mim e Annastasia.

Ele recuou, mas o ódio em seus olhos não diminuiu. Annastasia, por outro lado, parecia mais dividida do que nunca. Mas eu não podia mais suportar isso. O que estava acontecendo entre nós dois? Eu ainda a amava, mas não podia negar a atração que sentia por Nessie. E agora, com essa revelação, tudo estava ainda mais confuso.

— Você me deve uma explicação, Annastasia — exigi, a voz firme, apesar do turbilhão que se passava dentro de mim.

— Eu sei, Eliot — ela respondeu suavemente, o olhar dela finalmente se fixando no meu. — E eu vou te dar, mas não aqui, não agora.

Eu a encarei por um longo momento, tentando decidir se podia confiar em suas palavras. Mas, no fundo, eu sabia que a confiança entre nós dois havia se quebrado, talvez para sempre.

— Então fale, Anna, porque eu não sei quanto tempo mais posso esperar.