Nevoeiro
14 Renesmee- Riscos
O dia na faculdade havia sido intenso. Foram quase seis horas imersa no mundo da Termoquímica, explorando conceitos complexos e fascinantes. A aula começou com a Lei Zero da Termodinâmica, uma introdução à ideia de equilíbrio térmico. Em seguida, mergulhamos na Primeira Lei, discutindo sistemas, calor, trabalho e energia. Foi um desafio entender como esses elementos se inter-relacionam, mas também foi incrivelmente gratificante.
Depois, passamos para a entalpia, um conceito que mede a energia total de um sistema termodinâmico. A Lei de Hess, que permite calcular a variação de entalpia de uma reação química, foi o próximo tópico. A complexidade desses conceitos exigiu toda a minha atenção, mas eu estava determinada a compreendê-los.
Em seguida, estudamos entropia, uma medida do grau de desordem de um sistema. Por fim, chegamos à energia livre de Gibbs, que combina entalpia e entropia para prever a espontaneidade de uma reação. Foi uma aula intensa, mas senti que estava expandindo meus horizontes e aprofundando meu conhecimento.
Após a aula, caminhei pelos corredores da luxuosa faculdade, absorvendo a atmosfera acadêmica. Foi quando recebi uma mensagem de Eliot. Ele avisou que precisou ir mais cedo, mas que viria me buscar mais tarde para sair. Senti uma pontada de frustração, mas entendi que imprevistos acontecem.
Respondi à mensagem, concordando com os planos. Apesar da pequena decepção, estava ansiosa para ver Eliot mais tarde. Afinal, depois de um dia tão intenso de estudos, eu merecia um pouco de diversão. E, quem sabe, talvez eu pudesse até ensinar a ele um pouco sobre Termoquímica.
Caminhando pelos corredores da faculdade, eu sentia o burburinho familiar do campus misturados com alguns nem tanto confortáveis “ Sabiam que a novata está com Eliot Cullen?” Tentei me concentrar no som de conversas animadas e risadas que preenchiam o ar enquanto eu seguia para o meu armário, embora a última “ Ava não deve estar gostando nada disso ” tivesse sido um pouco desmotivadora, Ava e Eliot? Decidi não pensar naquela possibilidade, não depois do que havia acontecido na noite anterior.
Ao virar a esquina, e segui até meu armário, o ultimo burburinho ainda ecoava em minha mente enquanto eu guardava meus materiais, fechei o armário me preparando para meus planos do restante do dia, talvez fosse bom passar umas horas em casa e ajudar Lily com a tarefas. Mas ao ver Ayla, com seu sorriso contagiante, acenando para mim percebi que talvez eu tivesse uma segunda opção.
—Ei, Nessie! Quais são seus planos para o resto da tarde?- Ela perguntou, curiosa.
Antes que eu pudesse responder, Aaron interveio com um sorriso travesso- Ah, com certeza ela tem planos com o Eliot!- Ele disse, provocando uma risada de Ayla.
Eu revirei os olhos, mas não pude evitar um sorriso ao mesmo tempo em que me perguntava de onde Aaron havia surgido- Na verdade, Eliot furou comigo hoje- eu admiti, tentando não parecer desapontada.
Aaron fez uma expressão de surpresa exagerada, colocando a mão no peito. — Nessie, sem Eliot? Isso é quase inédito! — Ele brincou, fazendo Ayla rir ainda mais.
Nós três continuamos a conversar e rir, aproveitando a tarde juntos. Mesmo com algumas dúvidas sobre o que eu havia escutado sobre Eliot, eu sabia que poderia ser apenas fofocas, ou não, decidi ignorar o assunto por algumas horas e me concentrar. Afinal, eu estava com meus amigos, coisa que eu nunca havia tido. E no final do dia, isso era tudo que realmente importava.
Percebi um brilho nos olhos de Ayla quando mencionei que Eliot havia furado. Ela tentou disfarçar, mas eu conhecia Ayla bem o suficiente para notar. — Ei, por que você não vem para minha casa hoje? Ela sugeriu, tentando parecer casual.
Eu aceitei sem hesitar. — Claro, adoraria! Respondi. Era a oportunidade perfeita para me aproximar mais da família de Ayla e descobrir o que estava acontecendo.
Ayla sempre foi reservada sobre sua vida familiar, especialmente sobre seu padrasto. Eu sabia que algo estava errado, mas ela nunca se abriu sobre isso. Eu tinha suspeitas de que ele estava chantageando Ayla de alguma forma, e a história que Ayla havia contado sobre o segredo de seu pai não havia me convencido.
A visita à casa de Ayla seria uma chance de descobrir mais. Eu estava decidida ajudá-la de alguma forma. Juntos seguimos para o estacionamento rindo das piadas de Aaron. A tarde prometia ser interessante, para dizer o mínimo.
— Eu vou no banco da frente – Disse Aaron como uma criança de oito anos, Ayla e eu rimos juntas – Você não se importa não é Nessie?
Neguei com a cabeça – Fique à vontade.
— Você é um amor? Aaron comemorou.
Nós seguimos por ruas movimentadas, passando por lojas e cafés, antes de entrar em uma estrada mais tranquila que levava ao bairro de Montlake. O caminho era lindo, com árvores altas de ambos os lados da estrada, suas folhas dançando ao vento. O sol se punha no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e rosa.
Ao chegarmos em Montlake, fiquei surpresa. O bairro era luxuoso, com casas grandes e bem cuidadas. Jardins bem cuidados e carros caros estacionados nas entradas. E então, avistei a casa de Ayla. Era uma mansão, maior e mais bonita do que eu poderia imaginar.
A casa era imponente, com uma fachada de pedra e grandes janelas. O jardim era meticulosamente cuidado, com flores coloridas e uma fonte borbulhante no centro. Eu não pude deixar de ficar impressionada. Ayla sempre foi modesta sobre sua vida em casa, nunca mencionando o quão rica sua família realmente era.
Ayla estacionou o carro e Aaron foi o primeiro a sair do veículo, ” Garota você mora nessa casa? ” Ele disse em um tom animado, sacudi a cabeça com o seu entusiasmo enquanto seguíamos Ayla até a entrada da casa, me perguntando o que mais a tarde me reservava. Eu estava determinada a descobrir o que estava acontecendo com Ayla e seu padrasto, não importava a quão luxuosa fosse a casa.
Ao entrarmos na casa, fomos recebidos por Rebeca, a mãe de Ayla. Ela era surpreendentemente jovem, com uma aparência quase da mesma idade que nós. Seu sorriso era caloroso e acolhedor, e ela nos cumprimentou com um abraço carinhoso.
— Sejam bem-vindos! — Ela disse, sua voz tão suave quanto sua aparência. — Estou tão feliz que vocês puderam vir, Ayla nunca traz amigos em casa.
— Mãe não exagera- Disse Ayla parecendo envergonhada.
— Fiquem a vontade, tem comida na geladeira, infelizmente tenho salão e estou atrasada – Disse a mulher loira pegando sua bolsa, Ayla rolou os olhos e concordou suspirando ao observar a mãe sair apressada.
Enquanto eu agradecia a hospitalidade de Rebeca, meus olhos se desviaram para a figura que se aproximava. Marco, o padrasto de Ayla. Ele tinha um sorriso no rosto, mas havia algo em seus olhos que me deixava desconfortável. Eu não gostava dele, e a cena dele com Ayla no estacionamento da faculdade só aumentava minhas suspeitas.
— Olá, Nessie, Aaron- Ele disse, sua voz suave. — É bom ver vocês.
Eu forcei um sorriso, tentando parecer educada. — Obrigada por nos receber, Marco- eu disse, minha voz firme.
A tarde estava apenas começando, e eu estava determinada a descobrir o que estava acontecendo. Por Ayla, eu faria o que fosse necessário. Mesmo que isso significasse passar a tarde na companhia de Marco.
Como não havíamos feito planos para a tarde deu a sugestão de jogar alguns jogos eletrônicos, Aaron e eu aceitamos, naquele momento parecíamos três alunos do ensino médio, mas como eu não tinha amigos no ensino médio eu não havia vivido aquilo.
Ligamos a TV e começamos a jogar, rindo e competindo um contra o outro. A sala estava repleta de risos e conversas animadas, criando uma atmosfera leve e divertida. Aaron e Ayla disputavam acirradamente enquanto eu apenas perdia, principalmente pelo fato de não estar focada no jogo, algo me incomodava. Marco estava na sala com a gente, e desde que chegamos, eu sentia seus olhos me seguindo. Ele não estava exatamente fazendo nada de errado, apenas sentado ali, mas sua presença me deixava desconfortável.
Eu tentava ignorar aquela sensação, me concentrando no jogo e nas conversas com Ayla e Aaron. No entanto, a cada vez que eu olhava na direção de Marco, lá estavam seus olhos, fixos em mim. Percebi que não era única que havia percebido isso, Ayla olhou para o padrasto e para mim com uma expressão de desgosto.
— O que acham de irmos para meu quarto, podemos ler alguns livros – Sugeriu Ayla, e comer alguma coisa.
De repente, o clima que era de descontração se tornou estranho, Aaron olhou para Marco e para Ayla e concordou com a cabeça.
— Se precisarem de alguma coisa, estarei por aqui. – Disse Marco olhando o aparelho celular.
Quando estávamos prestes a subir para o quarto de Ayla, percebi que Marco tinha deixado o celular sobre a mesa da sala de estar. Algo me dizia que precisava dar uma olhada naquele aparelho. Uma intuição, talvez.
Resolvi inventar uma desculpa para ficar para trás.
—Ah, esqueci meu casaco na cozinha. Já subo- Disse, tentando parecer casual.
Ayla e Aaron me olharam, um pouco confusos, mas Ayla concordou rapidamente. — Tudo bem, nos vemos lá em cima- Ella disse com um sorriso, puxando Aaron pela mão. Os dois subiram as escadas, enquanto eu ficava para trás, esperando o momento certo.
Olhei para Marco e sorri, tentando não parecer nervosa, eu jogaria um jogo perigoso, mas que com certeza o descarado cairia- Marco, você pode pegar um copo d'água para mim? Estou com muita sede.
Ele hesitou por um momento, mas depois sorriu de volta, claramente achando que eu estava sendo amigável. — Claro, volto já- Disse ele, indo em direção à cozinha.
Assim que ele saiu da sala, me aproximei da mesa e peguei o celular dele. Meu coração estava batendo rápido, mas eu sabia que tinha que ser rápida. Olhei em volta, procurando um lugar para esconder o aparelho. Decidi colocá-lo dentro do bolso interno do meu casaco, que estava pendurado na cadeira próxima.
Respirei fundo, tentando parecer tranquila, quando Marco voltou com o copo d'água.
— Aqui está, Nessie. Espero que esteja bem fresquinha — Disse ele, entregando o copo com um sorriso.
— Obrigada, Marco — Respondi, pegando o copo e dando um gole. Não deixando de perceber a malicia em suas palavras — Vou subir agora, obrigada mesmo.
Ele apenas acenou com a cabeça, voltando a se sentar no sofá. Subi as escadas rapidamente, sentindo o peso do celular no meu bolso, enquanto segui pelos corredores de cima olhei o celular buscando uma forma de desliga-lo, “ Pensa Nessie, pensa” falei com as mãos tremulas segurando o aparelho, após alguns segundos eu consegui silencia-lo e devolvi ao bolso.
O som das vozes de Ayla e Aaron me guiou até o quarto, abri a porta tentando disfarçar meu nervosismo- Achei que você não ia subir nunca- Brincou Ayla, rindo.
— Desculpa, só precisei pegar o casaco mesmo- Disse, tentando parecer casual – Mas o que houve com os livros?
Sentei no chão ao lado deles, tentei me concentrar no jogo, mas minha mente estava a mil, pensando no que faria a seguir. Eu corria sérios riscos com o celular de Marco em minhas mãos, mas era um risco necessário, eu precisava descobrir o segredo dele e de Ayla.
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