Nevoeiro

89 Renesmee- Obrigada Eliot


Acordei lentamente, meus olhos ainda pesados e desfocados. A primeira coisa que notei foi o som constante e suave de máquinas ao meu redor. Senti algo no meu rosto, algo estranho e incômodo em meu nariz. Olhei ao redor, tentando entender onde estava. O quarto era claro, com paredes de um tom pálido de azul, e cortinas brancas ondulavam levemente na janela. As luzes estavam apagadas, mas a claridade do sol lá fora iluminava o ambiente.

Minha cabeça doía levemente, e quando tentei mexer a mão para tirar o tubo do meu nariz, senti um toque suave, mas firme, que me impediu. Olhei para o lado e vi Jake segurando minha mão, seus olhos preocupados, mas aliviados, ao me ver acordada.

— Nessie... — ele murmurou, um sorriso surgindo em seu rosto. — Não mexa nisso. Você ainda precisa do oxigênio.

Tentei sorrir, mas o cansaço ainda me pesava.

— O que... aconteceu? — minha voz saiu baixa, quase um sussurro.

Jake suspirou, passando a mão no meu cabelo com carinho.

— Você sofreu um acidente, amor. Max... — ele hesitou, como se a simples menção do nome dele o incomodasse profundamente. — Ele te sequestrou. Estava levando você para La Push.

A lembrança surgiu em flashes, e senti um arrepio. As palavras de Jake, o som das máquinas, tudo ficou abafado por um momento enquanto aquelas imagens do sequestro voltavam. O rosto transtornado de Alex sua voz ameaçadora...

— Eu... eu me lembro agora. Alex... — murmurei, quase incrédula. — Ele me levou à força. Estava fora de si.

Jake assentiu, seu olhar cheio de uma dor silenciosa. Ele apertou minha mão, como se para reforçar que tudo já tinha passado.

— Mas acabou, Nessie. Está tudo bem agora. — Ele respirou fundo. — Você está segura.

Ainda um pouco confusa, me lembrei de algo mais, e meu coração acelerou.

— E o nosso filho? — perguntei, a voz quase quebrando de preocupação. — O Will... onde ele está?

Jake sorriu, tranquilizando-me com um olhar calmo.

— Ele está bem, Nessie. Está com a Ayla e a Lily. Eles estão cuidando dele. Não se preocupe.

Um alívio profundo me tomou, e senti lágrimas surgirem nos meus olhos, mas eram de felicidade.

Jake se inclinou e beijou minha testa, a pressão suave e protetora de seus lábios me trazendo uma paz que só ele conseguia.

— Vai ficar tudo bem agora. — Ele acariciou meu rosto, olhando nos meus olhos. — Você não tem mais nada com o que se preocupar. Está a salvo. Eu estou aqui.

Sorri, meu coração transbordando de amor.

— Eu te amo, Jake — sussurrei, deixando que ele visse o quanto ele significava para mim.

Ele segurou meu rosto com as duas mãos, seus olhos escuros se suavizando.

— Eu também te amo, Nessie. Mais do que você pode imaginar.

Jake se sentou ao meu lado na cama e, com cuidado, me puxou para perto, deitando minha cabeça em seu peito. Fechei os olhos, ouvindo as batidas firmes de seu coração, sentindo o calor de seu corpo. No meio de tudo aquilo, finalmente me sentia em paz.

Uma semana se passou, e finalmente o médico me deu alta. A ansiedade me consumia. Estava desesperada para ver o pequeno Will, sentir seu cheirinho, segurá-lo em meus braços. Desde o acidente com Max, a pediatra do hospital dissera que era arriscado trazer o bebê para o hospital, já que ele ainda era pequeno e vulnerável. Então, esses dias longe dele pareciam uma eternidade.

Enquanto eu me preparava para sair, Jake entrou no quarto e começou a pegar minhas bolsas, o rosto parecendo um pouco sério.

— Pronta pra ir pra casa? — ele perguntou, com um sorriso contido.

— Mais do que nunca — respondi, retribuindo o sorriso e sentindo a antecipação crescer em meu peito.

Jake hesitou, parecendo desconfortável, e deu uma leve coçada na nuca antes de falar.

— Antes de irmos... você tem uma visita.

Franzi a testa, surpresa. Se eu estava de alta, quem mais viria me ver aqui? Jake pareceu perceber minha surpresa e, quase como se precisasse explicar, acrescentou:

— Eu... bem, eu devia isso a ele. Vou esperar você lá fora, tudo bem?

Ele se inclinou para selar os lábios nos meus, em um toque gentil, e saiu, deixando a porta entreaberta. Logo depois, a porta se abriu por completo, e eu fiquei surpresa ao ver Eliot parado ali.

— Eliot... — murmurei, tentando processar a presença dele. Fazia tanto tempo, e ele parecia diferente, mais sereno, mas com aquele mesmo olhar intenso de sempre.

Ele deu um sorriso de lado, entrando no quarto.

— Oi, Nessie. — A voz era suave, quase melancólica. — Vim me despedir... e ver como você está.

— Eu soube que foi você quem me salvou... de Katherine. — Agradecimento era pouco para o que eu sentia, e meu olhar se fixou no dele, tentando expressar minha gratidão. — Obrigada, Eliot. Eu... não sei como agradecer.

Eliot suspirou, dando de ombros com um leve sorriso.

— Eu faria qualquer coisa por você, Nessie. Isso nunca vai mudar. — Ele fez uma pausa, o olhar se suavizando. — Mas fico feliz em ver que está bem, porque... eu jamais poderia te dar o que o lobo te dá. Ele... completa você de um jeito que eu jamais conseguiria.

Uma parte de mim queria confortá-lo, mas sabia que era uma verdade que ele já tinha aceitado. Toquei seu braço, sorrindo.

— O que mais quero é que você também seja feliz, Eliot. Merece isso.

Ele sorriu, embora seus olhos guardassem um brilho triste.

— Vou ser, Nessie. Vou encontrar meu caminho, em algum lugar por aí.

Um silêncio confortável pairou entre nós antes que eu decidisse perguntar:

— Acha que vou te ver logo de novo?

Ele me olhou, como se memorizasse cada detalhe, e assentiu.

— Ah, a gente se esbarra por aí, Nessie. Sempre tem um jeito.

Eu assenti, segurando as emoções que misturavam despedida e carinho. Ele sorriu uma última vez e saiu do quarto, deixando uma sensação estranha de encerramento. Respirei fundo e, após um último olhar ao quarto, deixei-o para trás.

Jake estava me esperando do lado de fora. Quando me viu, seus olhos se iluminaram, e ele não hesitou em me puxar para ele, me envolvendo em seus braços.

— Vamos para casa, amor?

Sorri, sentindo o coração se aquecer.

— Sim... não vejo a hora de ver nosso filho.