Nevoeiro

90 Renesmee- Respostas


Meses se passaram desde que tudo finalmente ficou para trás. Alex morrera no acidente, e Katherine fora destruída, deixando para trás um capítulo sombrio que, por fim, não mais a assombrava. Eu finalmente vivia em paz, uma paz que nunca pensei que seria possível. A vida havia tomado um novo ritmo, centrada em meu pequeno Will, agora com nove meses, e em momentos simples, como as manhãs em que brincávamos juntos.

Naquela tarde, eu estava sentada no chão com Will em meus braços e a pequena Sarah ao nosso lado, observando-os rirem e se encantarem com cada pequena descoberta. Ayla entrou em casa com um sorriso largo, se juntando a nós no momento em que me viu.

— Demorei? — ela perguntou, se sentando ao nosso lado e fazendo caretas para Will, que respondeu com uma gargalhada.

— Não, mas Jake ligou — expliquei, rindo enquanto tentava manter o bebê em meus braços enquanto ele estendia as mãozinhas para a irmã. — Ele disse que quer me ver na praia, parece que tem algo importante.

Ayla deu uma risadinha divertida.

— Então é melhor você ir. Não se preocupe, Seth já está chegando pra me ajudar com os pequenos.

Assenti, olhando para Will, que agora observava o rosto da irmã com um fascínio tão doce que me fez sorrir. Apertei-o contra mim, beijando sua testa com carinho antes de entregá-lo a Ayla.

— Mamãe já volta, tá bom? — sussurrei para ele, vendo seus olhos me seguirem enquanto ele voltava a se aconchegar no colo da irmã.

Com um último sorriso para eles, saí de casa e entrei na caminhonete. Respirei fundo ao fechar a porta, perguntando a mim mesma o que Jake estaria planejando com tanta expectativa. Liguei o motor e dirigi por alguns minutos até a praia. As ondas suaves se quebravam ao longe, e uma leve brisa soprava, trazendo um frescor agradável.

Jake estava lá, encostado em sua moto, com um sorriso que sempre conseguia me desarmar. Ao me ver, ele se aproximou, e eu desci da caminhonete, com um sorriso que ele respondeu de imediato. Ele envolveu meus ombros, me puxando para perto e beijando-me com ternura, como se fôssemos os únicos no mundo.

— Estava com saudades — ele murmurou, olhando fundo nos meus olhos, e por um instante, senti o tempo parar.

— Jake... o que é tão importante pra me chamar assim, de repente? — perguntei, divertida, mas curiosa.

Ele sorriu, aquele sorriso que eu sabia que escondia algo especial.

— Vem comigo.

Jake me conduziu pela trilha na floresta, e eu o segui em silêncio, tentando decifrar o que ele planejava. Paramos numa clareira que conhecia bem, iluminada pelo sol que atravessava as árvores. Olhei para ele com um sorriso leve, esperando alguma pista, mas percebi que seu rosto estava tenso, como se ele estivesse reunindo coragem.

— Jake... o que você quer me mostrar? — perguntei, tentando quebrar o clima de mistério que ele insistia em manter.

Antes que ele pudesse responder, ouvi passos vindo da trilha à minha esquerda. Quando virei o rosto, quase me engasguei de surpresa ao ver Riley. Um sorriso se espalhou pelo meu rosto — fazia meses que eu não o via, e tê-lo ali, ao meu lado, parecia uma surpresa perfeita.

— Riley! Então era essa a surpresa? — perguntei, achando graça, enquanto olhava de Jake para meu irmão.

Jake me olhou com seriedade, e então disse:

— Foi difícil convencer o Riley a finalmente te contar a verdade.

Franzi o cenho, sem entender o que ele queria dizer. A verdade? Eu olhei para Riley, esperando que ele explicasse.

— Sobre a morte dos nossos pais — Riley disse, sua voz calma mas carregada de algo mais. — Você procurou essa resposta por anos, não foi?

Meu coração deu um salto. Sim, esse era um assunto que me acompanhava desde a infância, a falta de respostas sempre me corroendo. Me virei para Jake, e depois para Riley, buscando uma explicação.

— Sim... — murmurei, sentindo uma confusão crescente. — Mas ainda não entendo.

Foi quando ouvi o som de passos se aproximando. Os demais membros da matilha surgiram das sombras da floresta, um a um, formando um semicírculo em torno de nós, o olhar deles fixo em algo além de mim. Aquilo só me deixou ainda mais confusa. E então, Riley desviou o olhar para a floresta, e eu segui seu olhar.

Da neblina que parecia se formar ao redor das árvores, duas figuras surgiram. Meus olhos se arregalaram, e o ar me escapou dos pulmões enquanto eu tentava processar o que estava vendo. Ali, parados à minha frente, estavam dois rostos que eu jamais pensara ver novamente.

— Pai... mãe... — murmurei, quase sem voz, enquanto a realidade se chocava com minha incredulidade.

Eles estavam ali, em carne e osso, como se o tempo não tivesse passado, como se o destino tivesse me preparado para este momento. Fiquei paralisada, incapaz de avançar, incapaz de recuar, presa entre a alegria e o choque.

Observei meus pais com uma mistura de alegria e confusão, mas algo neles estava diferente. Suas peles tinham um brilho suave, quase como o de Riley, e seus olhos... não eram os mesmos olhos humanos que eu lembrava. Foi então que a verdade me atingiu. Meu olhar passou de Riley para eles, e então para os lobos da matilha ao nosso redor, prontos para defendê-la.

Sem hesitar, me aproximei. Jake estendeu a mão, tentando me deter, mas Riley interveio:

— Eles não vão machucar você, Nessie. Confie em mim.

Ainda hesitante, dei mais alguns passos e parei bem à frente dos dois. Meus pais estavam exatamente como eu me lembrava, e ao mesmo tempo tão diferentes. Engoli em seco, mas precisei perguntar:

— Vocês... Vocês são vampiros, não são? Assim como o Riley.

Meu pai assentiu, o olhar cheio de algo entre tristeza e alívio.

— Sim, querida. Fizemos tudo o que fizemos para proteger você. A decisão de desaparecer, de nos afastar... foi para garantir que você tivesse uma vida segura.

Minha mãe me observou com carinho, os olhos brilhando.

— Nessie, saber que você está segura e é amada é tudo o que sempre desejamos. Nunca quisemos te causar dor, mas também não podíamos estar presentes.

Eu mal conseguia acreditar. O peso da verdade e a explicação me deixavam sem fôlego. Olhei para Riley, que parecia estar lutando com as palavras.

— Eu os transformei, Nessie. — Riley finalmente confessou, desviando o olhar. — Depois do acidente... me senti responsável, e foi a única forma que vi de salvá-los.

Aquelas palavras giraram na minha mente. Anos de dúvidas, de perguntas sem resposta... e agora, finalmente, eu entendia tudo.

— Eu os veria de novo? — perguntei, a esperança vacilando na minha voz.

Riley suspirou, os olhos suavizando ao se encontrarem com os meus.

— É contra as leis. Eles precisam ir. Mas eu queria que você soubesse a verdade, que soubesse o quanto eles te amam.

Minha mãe tocou meu rosto, o gesto tão suave que me fez fechar os olhos por um segundo.

— Amo você, minha filha. Esteja bem. E sempre que pensar em nós, saiba que estamos ao seu lado, de alguma forma.

Soltei um suspiro trêmulo e sussurrei:

— Também amo vocês. E amo você, Riley.

Os três se despediram com olhares profundos, e então se afastaram, desaparecendo entre as árvores envoltas em névoa.

Quando me virei, Jake já estava ali, seus braços me acolhendo enquanto o peso de tudo o que havia acontecido caía sobre mim.

— Finalmente, as respostas que eu tanto queria — murmurei, sentindo uma paz que nunca pensei alcançar.

Jake me segurou firme, como se soubesse que aquele momento era tudo o que eu precisava.