Nevoeiro
55 Renesmee- O inexplicável
Naquela manhã, acordei cedo, e o sol mal tinha começado a iluminar o céu quando Ayla e eu estávamos prontas para sair. O quarto de Jacob estava vazio, o que significava que ele não tinha voltado para casa à noite. Eu sabia que deveria estar acostumada com isso, considerando o quão complicado era a vida dele, mas, mesmo assim, a ideia de que ele pudesse estar com Olivia me incomodava mais do que eu queria admitir.
Dirigindo pela estrada que ligava Forks a Seattle, tentei afastar esses pensamentos, focando na música que tocava no rádio. Ayla estava ao meu lado, cantarolando, e logo comecei a acompanhá-la.
— "I love it when you call me señorita..." — cantamos juntas, rindo quando tentamos harmonizar como Camila Cabello e Shawn Mendes.
— "But every touch is ooh-la-la-la..." — Ayla continuou, esticando as notas e fazendo uma careta exagerada.
Eu ri alto, sentindo um alívio temporário das preocupações que pairavam sobre nós. Por um momento, éramos apenas duas garotas cantando no carro, sem nada no mundo para nos preocupar.
— Você tem uma voz terrível — brinquei, piscando para ela.
— Ah, como se a sua fosse melhor! — Ela retrucou, rindo. — Não acredito que pagamos esse mico juntas.
Mas enquanto a música continuava a tocar, Ayla pegou o celular e tentou ligar para Rebecca, sua mãe, novamente. Notei a expressão dela mudar, ficando um pouco mais séria.
— Ela não atende? — Perguntei, mantendo os olhos na estrada, mas sentindo a preocupação começar a crescer novamente.
— Desde ontem — Ayla respondeu, franzindo a testa. — Nem no celular, nem no telefone de casa.
Tentei acalmá-la, embora uma parte de mim também estivesse começando a se preocupar.
— Talvez o celular dela tenha descarregado ou algo assim. Pode não ser nada sério.
— Pode ser... mas ela sempre atende no residencial. É estranho.
— É, realmente é — concordei, mas forcei um sorriso. — Mas não vamos entrar em pânico ainda, certo?
Ayla assentiu, embora ainda parecesse inquieta. Uma nova música começou a tocar no rádio, e Ayla tentou relaxar, cantarolando novamente. Fiz o mesmo, tentando manter o ambiente leve, mesmo com aquela sensação incômoda de que algo não estava certo.
Quando finalmente chegamos a Seattle, vimos Rebecca na entrada de casa, colocando alguns objetos no porta-malas do carro. Estacionei e saí do carro junto com Ayla, que imediatamente correu para abraçar a mãe.
— Mãe! — Exclamou Ayla, surpresa, enquanto a abraçava. — Por que você não atendeu?
Rebecca parecia igualmente surpresa, mas logo sorriu e me cumprimentou.
— Nessie, querida! Não sabia que viriam. Por que não avisaram?
Ayla franziu o cenho, confusa.
— Como assim? Eu liguei para você várias vezes.
Rebecca balançou a cabeça, negando.
— Eu não recebi nenhuma ligação. Ia ligar para avisar que vou passar um tempo na Califórnia com sua avó.
Ayla recuou, confusão e preocupação cruzando seu rosto.
— Mas se você não atendeu... então quem ligou? Era sua voz...
Antes que Rebecca pudesse responder, nossos olhares foram atraídos para a entrada da casa, onde uma figura familiar estava de pé. Marco. Rebecca sussurrou o nome dele, como se não pudesse acreditar no que estava vendo, mas antes que qualquer uma de nós pudesse reagir, ele simplesmente desapareceu diante dos nossos olhos.
— Vocês viram isso? — Perguntei, o coração disparado, tentando processar o que acabara de acontecer.
Rebecca não hesitou.
— Entrem no carro, agora! — Sua voz era urgente, quase desesperada.
— Por quê? — Questionei, sentindo a adrenalina começar a correr nas minhas veias.
— Faz o que ela diz, Nessie! — Ayla insistiu, puxando-me em direção ao carro.
Obedeci, sentando no banco do passageiro enquanto Ayla se acomodava no banco traseiro. Rebecca entrou logo depois, dando partida no carro com pressa, suas mãos tremendas levemente ao segurar o volante.
— Tem algo muito errado... — murmurou Rebecca, acelerando o carro.
Quando saímos do condomínio, vimos Marco aparecer novamente, desta vez na esquina à nossa frente. Era impossível. Não havia como ele ter chegado lá tão rápido.
— Ai meu Deus... — Ayla sussurrou, o pânico evidente em sua voz.
— Como ele fez isso? — Perguntei, meu coração batendo tão rápido que eu podia sentir o sangue pulsando nas minhas têmporas. — Não tem como ele estar ali...
Rebecca lançou um olhar rápido para Ayla pelo retrovisor.
— Você acha que é o que estou pensando? — Sua voz estava cheia de medo.
— Se for... precisamos pegar a estrada para Forks agora. — A voz de Ayla estava tensa, quase sem ar.
— O que vocês estão pensando? — Perguntei, cada vez mais desesperada por respostas.
— Só vamos sair daqui rápido! — Ayla respondeu, sua voz firme, mas tingida de terror.
Rebecca acelerou, avançando sinais vermelhos enquanto o medo me consumia. O pânico tomava conta de mim, e as perguntas se acumulavam na minha mente. O que estava acontecendo? Quem ou o que era Marco, realmente?
Quando pegamos a estrada para Forks, meu pânico cresceu ainda mais ao ver Marco correndo pela floresta ao lado do veículo, acompanhando a velocidade do carro como se não fosse nada. Senti meu coração apertar no peito, e meu corpo começou a tremer incontrolavelmente.
— Isso não pode estar acontecendo... — murmurei, quase sem ar, enquanto as árvores passavam rapidamente pela janela, o mundo se tornando um borrão de medo e confusão.
O que estava acontecendo era real?
— Ai, meu Deus! — Gritei, meu coração disparando quando Rebecca acelerou o carro bruscamente. Minha mente estava em pânico, tentando processar tudo o que estava acontecendo. Como era possível? Marco estava correndo ao lado do carro, como se fosse uma espécie de predador brincando com sua presa. Não havia lógica, não havia como aquilo ser real.
— Nessie, calma! — Ayla tentou me acalmar, mas sua voz tremia de medo enquanto ela discava desesperadamente no celular. — Seth... por favor, atende! — Sussurrou, os dedos trêmulos enquanto aguardava uma resposta do outro lado da linha.
Rebecca olhou para mim pelo retrovisor, a tensão visível em seu rosto. — Renesmee, você precisa se acalmar, eu sei que isso é assustador e confuso, mas precisamos pensar com clareza.
— Como Marco está fazendo isso? — Perguntei, minha voz saindo como um grito histérico, o pânico crescendo dentro de mim. — Isso não é possível!
— Acho que ele virou um... — Ayla começou hesitando em dizer a palavra.
— Um sanguessuga — completou Rebecca, o rosto pálido enquanto mantinha os olhos na estrada.
— Um sangue o quê? — Perguntei, incapaz de entender.
— Vampiro, Nessie! — Rebecca corrigiu, sua voz firme, mas cheia de medo.
Olhei para Rebecca incrédula, e então comecei a rir, uma risada nervosa, desesperada. — Isso é um pesadelo... só pode ser.
— Essa é a parte que eu não te contei depois que descobriu sobre o Seth ser um lobo... — disse Ayla, sua voz quase um sussurro, como se a revelação fosse a coisa mais difícil de admitir.
Rebecca olhou rapidamente para Ayla antes de voltar a atenção para a estrada, acelerando ainda mais. — Como assim, Nessie sabe sobre os lobos?
— Marco descobriu — Ayla respondeu, a voz cheia de tensão.
— O quê?! — Rebecca exclamou, claramente em choque, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, sentimos um impacto repentino. Marco tinha batido no carro, como se fosse um jogo para ele, uma diversão sádica. Todas nós gritamos em uníssono, o terror tomando conta.
Do outro lado da estrada, vimos uma mulher ruiva correndo tão rápido quanto Marco. Meu coração quase parou. Havia outra. Mais um deles.
— Tem mais uma! — Gritou Ayla, o pânico em sua voz claro.
Rebecca, em um movimento rápido e desesperado, parou o carro abruptamente. — Saiam! Agora!
— Você está louca?! — Gritei, incrédula. Tudo em mim dizia que ficar no carro era a única coisa que me mantinha segura.
— Precisamos entrar na floresta! — Insistiu Ayla, a voz cheia de urgência.
— Eu não vou sair do carro! — Protestei, o medo me paralisando. Não fazia sentido sair para correr em direção ao perigo.
Rebecca se virou para mim, os olhos sérios. — Se você quer sobreviver, precisa sair do carro agora e correr! Eles vão aparecer.
— Eles quem?! — Minha voz estava cheia de desespero, meu coração batendo descontroladamente.
— Os lobos, Nessie! — Gritou Ayla, a voz carregada de certeza.
Mesmo perdida, com tudo à minha volta se desmoronando em uma realidade que eu não conseguia compreender, eu sabia que não havia outra escolha. Sair do carro era a única opção. Tremendo, destravei a porta e me juntei a Ayla e Rebecca enquanto corríamos para a floresta.
O som das nossas respirações ofegantes misturava-se com o farfalhar das folhas e o estalar dos galhos sob nossos pés. A escuridão da floresta parecia sufocante, mas logo fui tomada por uma nova onda de pânico quando vi, ao nosso lado, lobos gigantes correndo na mesma velocidade que nós. Meu coração disparou ainda mais, o choque e o medo misturando-se em uma confusão aterradora. Era um pesadelo, repetia para mim mesma, tentando desesperadamente acordar.
— Isso não pode estar acontecendo... — sussurrei, o pânico me dominando completamente.
De repente, Ayla parou, seus olhos se iluminando ao ver um lobo de pelagem dourada. — Seth! — Ela gritou, correndo em sua direção, como se tudo estivesse prestes a ficar bem.
Eu parei, congelada, incapaz de me mover. Meu olhar se fixou em um lobo maior que Seth, com uma pelagem acobreada que brilhava sob a luz do sol Ele estava me olhando, seus olhos fixos em mim, como se estivesse esperando por algo.
Meu coração disparou. Tudo dentro de mim gritava para fugir, mas minhas pernas não respondiam. O lobo era imenso, e seus olhos... havia algo familiar neles, algo que eu não conseguia compreender.
— Se aquele lobo é o Seth, quem é esse aqui? — Perguntei, minha voz mal conseguindo sair.
Ayla olhou para mim com hesitação antes de responder. — É... é meu pai.
Eu parei, meu corpo inteiro paralisado. Meu coração batia tão forte que eu achei que fosse explodir. Não consegui processar aquela informação, não consegui aceitar. Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, uma voz ecoou pela clareira, uma voz que fez meu coração parar por um segundo.
— Baixinha.
Meu corpo se virou automaticamente, tremendo. E ali estava ele, a pessoa que eu nunca imaginei que veria novamente.
— Riley.
O mundo pareceu se desfazer ao meu redor, e tudo o que consegui fazer foi encarar aquele rosto do meu passado, aquele rosto que eu pensei que nunca mais veria.
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