Nevoeiro

56 Renesmee - Duras verdades


Ao ver Riley, uma torrente de memórias inundou minha mente. Eu me lembrei do último dia que o vi, uma lembrança gravada a fogo na minha memória.

Era tarde, e chovia em Seattle. Eu estava na porta de casa, chamando por ele, minha voz de menininha se misturando ao som da chuva. Ele se virou para mim, com aquele sorriso carinhoso que sempre me dava.

— Baixinha — ele disse, aproximando-se para me beijar na testa. O toque era cálido, seguro.

— Eu te amo, Riley — murmurei, segurando o tecido da sua camisa com as mãozinhas.

— Também te amo, baixinha — ele respondeu, bagunçando meu cabelo. — E vou trazer um presente quando voltar.

— O que é? — Perguntei, os olhos brilhando de curiosidade.

— É surpresa. — Ele sorriu, me fazendo sorrir de volta.

Eu acenei para ele enquanto ele entrava no carro, ainda acenando para mim enquanto se afastava pela estrada. A última imagem que tive dele era a daquele sorriso, antes de ele desaparecer na chuva.

Mas agora, de volta à realidade, o homem parado diante de mim não era o mesmo Riley. Havia algo de terrivelmente errado com ele. Seus olhos vermelhos, sua pele pálida, as olheiras profundas. Ele não parecia mais vivo. A dor e a angústia se misturavam com a tristeza e a alegria. Eu havia procurado por ele durante toda a minha vida, mas não era esse Riley que eu queria encontrar.

— Você... você não pode ser meu irmão. — Minha voz tremia, uma mistura de confusão e desespero. — Riley morreu quando eu tinha três anos!

Ele me olhou, a mesma expressão carinhosa que eu me lembrava, mas havia algo diferente, algo sombrio. — Você sempre soube que eu não estava morto, não de verdade.

Aquelas palavras eram como uma faca atravessando meu peito. Isso tudo parecia um pesadelo, um grande pesadelo. Mas por que Rebecca e Ayla pareciam tão tranquilas? Eu tentei entender, mas minha mente estava em caos, incapaz de processar. Eu mal ouvi as palavras delas enquanto tentavam me explicar, tudo parecia um borrão. Só a voz de Riley conseguia penetrar minha confusão.

— Precisamos conversar, Nessie. — Ele disse, a voz suave, mas com um tom de urgência.

Eu estava perdida, tão perdida que nem sabia mais no que acreditar. E a confusão só aumentou quando vi Eliot, Bella, Edward, e uma mulher que eu não conhecia aparecerem ao longe. Eliot sabia sobre Riley? Isso explicava o que vi no meu aniversário, aquele colar... Era de Riley? Meus pensamentos eram como uma tempestade dentro de mim, até que a voz grave de Jacob cortou o ar.

— Ela não vai a lugar nenhum! — Jacob rosnou, sua postura protetora e ameaçadora ao mesmo tempo.

Uma onda de raiva subiu dentro de mim, uma raiva que eu mal conseguia controlar. — Eu não estou no meu trabalho, Jacob, pra você me dar ordens! — Explodi, minhas palavras carregadas de frustração e dor.

Eu o encarei, meu coração batendo rápido, sem saber se podia confiar em alguém naquele momento, nem mesmo em Jacob.

Jacob manteve o olhar fixo em mim, sua voz se suavizando, tentando romper o caos dentro da minha cabeça.

— Nessie — ele começou, sua voz firme mas cheia de uma calma que contrastava com o meu grito. — Se você for com eles, eu não vou poder te proteger.

Essas palavras atravessaram minhas defesas, derrubando a barreira que eu havia erguido em meio ao medo e à confusão. Eu olhei para Eliot e para Riley, meus pensamentos se embaralhando ainda mais. Eu já havia estado sozinha com Eliot antes, e ele nunca me feriu, ao menos não fisicamente. Mas agora eu sabia a verdade, ou parte dela. Eles eram uma ameaça, mesmo que meu coração relutasse em aceitar completamente.

Eu olhei para Jacob novamente, e naquele momento, a única pessoa em quem eu consegui confiar foi ele. Havia algo nos seus olhos, uma promessa silenciosa de que ele faria qualquer coisa para me manter segura. Eu sabia que, apesar de tudo, ele estava do meu lado.

— Eu vou... — Comecei, hesitante, sentindo o peso da decisão que estava prestes a tomar. — Se Jacob for junto.

Eliot deu um passo à frente, a preocupação evidente em sua expressão. — Nessie, você não precisa fazer isso. Eu posso explicar tudo, mas precisa ser só entre nós...

Eu o interrompi, minha voz mais firme agora. — Eu vou com vocês, se todos os outros lobos forem também.

Riley e Eliot trocaram um olhar, claramente desconfortáveis com minha condição. Mas eu não cederia. Eles não tinham outra opção, e sabiam disso. Riley finalmente assentiu, os olhos vermelhos ainda fixos em mim.

— Está bem — ele disse, resignado. — Mas saiba que isso não vai ser fácil, baixinha.

Eu o encarei, meu coração ainda pesado, mas agora com uma decisão tomada. Eu não sabia o que esperar, mas se tinha que atravessar essa tempestade, queria Jacob e os lobos ao meu lado. Era o único jeito de me sentir minimamente segura, mesmo que tudo ao meu redor estivesse desmoronando.

Enquanto seguíamos no carro de volta para La Push, eu me encolhia no banco, perdida em pensamentos e tentando processar tudo que havia acontecido. Jacob respeitou meu silêncio, e eu estava grata por isso. Não havia palavras suficientes para expressar o turbilhão de emoções que eu estava sentindo.

Quando ele finalmente estacionou diante da casa grande e cheia de janelas de vidro, meu coração começou a bater mais rápido. Eles já estavam lá, esperando por nós: Riley, Eliot, Bella, Edward, e a mulher linda e misteriosa que parecia se encaixar perfeitamente com eles. Algo nela, no jeito que ela olhava para mim e segurava a mão de Eliot, me fez sentir um aperto no estômago, como se mais uma parte do meu mundo estivesse desmoronando.

— Vou te esperar lá fora — Jacob disse, enquanto eu olhava para a casa.

Senti um medo irracional ao pensar em entrar sozinha. — Você não vai entrar comigo?

— Você precisa conversar com seu irmão a sós — ele explicou, sua voz calma. — E isso inclui os outros sanguessugas.

Eliot lançou um olhar afiado para Jacob, mas a mulher ao seu lado, segurando sua mão, o puxou suavemente. Eu os observei em silêncio, percebendo que havia algo entre eles, algo que me deu uma pontada no peito. Mas eu não podia deixar isso me distrair. Com o coração pesado, segui Riley e entrei na casa.

A sala de estar era impressionante, moderna e minimalista, com grandes janelas que deixavam a luz entrar, iluminando o espaço de forma quase surreal. O chão de madeira polida brilhava, e os móveis, de um branco impecável, contrastavam com o verde das árvores do lado de fora. Havia uma lareira elegante, embora estivesse apagada, e prateleiras cheias de livros que iam do chão ao teto. Tudo era impecável, sem uma única peça fora do lugar, mas para mim, parecia frio e distante, um reflexo da confusão que eu sentia.

— Sente-se — Riley sugeriu, gesticulando para um dos sofás.

— Estou bem em pé — respondi, minha voz mais firme do que eu esperava.

Ele suspirou, cruzando os braços e me olhando com um misto de preocupação e dor. — Eu entendo a sua confusão, Nessie. Tudo que fiz nos últimos anos foi para evitar que você sofresse e ficasse em perigo.

— Sofri da mesma forma — retruquei, sentindo a frustração crescer dentro de mim.

Riley começou a contar sua história, uma história que eu nunca imaginei ouvir. Ele falou sobre como Victoria, uma vampira vingativa, o transformou, como ele foi salvo pelos Cullen, e como nossos pais estavam buscando respostas quando sofreram o acidente. Ele descreveu como nossa mãe morreu em seus braços, fazendo-o jurar que eu nunca saberia a verdade.

— Tudo o que eu fiz foi por você, Nessie — ele disse, sua voz quebrando. — Eu queria te proteger.

Meus joelhos finalmente cederam, e eu me sentei no sofá, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Riley se aproximou, me puxando para um abraço. Eu me senti como uma criança de novo, mas ao mesmo tempo, tudo parecia errado. Este não era o irmão que eu conhecia, mas eu ainda o amava, e isso doía.

— Eu te amo — ele murmurou, apertando-me contra si.

— Nossos tios sabem? — Perguntei, minha voz trêmula.

— Sim. Eles estão sendo protegidos por Carlisle e Esme.

— Todos são vampiros?

— Sim, menos Eliot e Anna. Eles são híbridos, metade vampiros e metade humanos.

Nesse momento, Eliot entrou na sala de mãos dadas com a mulher que, até então, eu não conhecia. Ela se apresentou como Annastasia, namorada de Eliot.

— Ouvi muito falar de você por Riley — Anna disse, com um sorriso que parecia genuíno.

Eu encarei Eliot, sentindo-me ainda mais usada. Tudo fazia sentido agora, todas as mentiras, os segredos. A raiva cresceu dentro de mim, misturada com dor e decepção.

— Eu preciso de um tempo para digerir isso tudo — murmurei, minha voz quase falhando. — Mas por que os vampiros estão atrás de mim?

— Victoria tinha uma irmã, Katherine. Ela quer vingança pela morte de Victoria — Riley explicou, o peso da situação evidente em sua expressão.

Eliot tentou se aproximar, mas Riley o cortou, dizendo que eu estava confusa demais para outro tipo de conversa. Anna olhou para Eliot, questionando o porquê de ele querer falar comigo naquele momento.

— Não temos nada para conversar, Eliot — disse, minha voz carregada de mágoa. Antes que ele pudesse responder, eu me levantei e saí da casa, meu coração pesado, mas decidido.

Jacob estava lá fora, esperando por mim, como prometido. Sem olhar para trás, fui até ele e disse: — Eu quero ir embora.

Ignorando os olhares de todos, entrei no carro. Jacob veio logo depois e, antes de dar a partida, perguntou:

— Você está bem?

Eu assenti, embora soubesse que a resposta era mais complexa do que um simples "sim". — Só quero ir para casa.