Nevoeiro

57 Renesmee- Dividida


Nos últimos três dias, eu não saí de casa. Decidi que a melhor maneira de lidar com tudo que estava acontecendo era ocupar minha mente com o trabalho. Jacob estava atolado com as auditorias da empresa, devido às suspeitas de fraudes, e eu o auxiliava com os relatórios dos últimos três anos. Era uma forma de me manter distraída e, ao mesmo tempo, útil.

Eu estava trocando mensagens com Alex sobre alguns dados que precisava para os relatórios quando ele, como de costume, começou a flertar de forma sutil, mas inconfundível.

— *Nessie, você tem noção de que com esse nível de competência, qualquer empresa pagaria uma fortuna por você?* — ele digitou, seguido de um emoji de piscadela.

*Obrigada, Alexander, mas por enquanto, Jacob paga minhas contas.* — respondi, tentando manter o foco na conversa profissional.

— *Pena... porque eu adoraria te "contratar" para algo mais pessoal.* — veio a resposta, acompanhada de um emoji sugestivo.

Rolei os olhos, ignorando o comentário. Antes que eu pudesse responder, ouvi uma batida leve na porta e Rebecca entrou no quarto.

— *Alexander, tenho que encerrar agora. Nos falamos depois.* — escrevi rapidamente antes de desligar a chamada de vídeo.

Quando olhei para Ayla, vi que ela trazia uma bandeja com suco e sanduíches com um sorriso no rosto.

— Você não precisava se preocupar — eu disse, observando a atenção carinhosa delas.

— Estou com saudades da minha melhor amiga que agora mal conversa comigo — Ayla retrucou, colocando a bandeja na cama ao meu lado.

Suspirei, sentindo um peso no peito. — Eu só preciso ocupar a mente ou vou surtar.

Ayla se aproximou, sentando-se na cama ao meu lado. — Como você está se sentindo?

— Bem, eu acho — menti, pegando o copo de suco e tomando um gole.

Ela me olhou, como se pudesse ver através da minha fachada. — Você pode ser honesta comigo, sabe disso, né?

Sorri, apreciando a preocupação dela. Deixei o notebook de lado e me acomodei na cama, tentando me relaxar um pouco.

— Posso te fazer uma pergunta? — Perguntei, enquanto pegava um dos sanduíches.

— Claro, estava com saudades de fofocar — Ayla respondeu, rindo.

Acompanhei o riso dela, sentindo uma sensação de leveza pela primeira vez em dias. — Seu pai e Olivia ainda estão juntos?

Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa pela minha pergunta. — Por que o interesse?

— Porque me preocupo com ele, só isso — expliquei, tentando parecer casual.

Ayla deu um sorriso travesso. — Você está atrasada, Nessie. Meu pai fez o exame de DNA e está esperando o resultado. Eles não estão juntos e, se você quiser, pode investir.

Eu soltei uma gargalhada alta. — Jacob não me vê dessa forma.

— Ah, vê sim, mas não posso falar mais nada... — Ela brincou, piscando para mim.

Fiquei pensativa, mordendo um pedaço do sanduíche enquanto refletia sobre o que ela tinha acabado de dizer.

— E você... ainda gosta do Eliot? — Ayla perguntou, a voz cheia de curiosidade.

Suspirei, sentindo o peso da pergunta. — Não sei. Estou confusa. Descobri muitas coisas sobre ele, e uma delas é que ele é um grande mentiroso.

— Então, meu pai tem uma chance! — Ayla exclamou, cheia de entusiasmo.

— Você está sonhando, Ayla — respondi, rindo junto com ela.

A conversa leve me trouxe uma sensação de alívio, uma pausa do caos que minha vida tinha se tornado. Eu me deitei ao lado de Ayla, olhando para o teto, deixando o silêncio confortável se instalar entre nós por alguns segundos.

— Ayla, você pode me contar tudo sobre os lobos? — Perguntei, finalmente quebrando o silêncio.

Ela virou a cabeça para me olhar e sorriu, compreendendo a seriedade do pedido. — Claro, vou te contar tudo. Só espero que você esteja pronta para saber que as lendas... bem, não são apenas lendas.

Nós nos acomodamos lado a lado na cama, e enquanto Ayla começava a falar sobre as lendas dos lobos, as histórias antigas que agora eu sabia serem verdadeiras, senti que, talvez, pudesse finalmente começar a entender o mundo estranho e perigoso que me cercava.

Depois de algumas horas de conversa com Ayla, onde ela me contou sobre as lendas dos lobos e a história secreta de sua família, ela se levantou, dizendo que ia ajudar Rebecca com o jantar. Aproveitei a oportunidade para retornar aos relatórios da empresa. Mergulhei nos arquivos, concentrando-me nos números e gráficos que precisavam ser revisados. O trabalho estava quase concluído quando ouvi uma batida suave na porta.

— Pode entrar — disse, sem tirar os olhos da tela.

Jacob entrou, sua presença sempre sólida e tranquilizadora. Ele parecia estar em casa, como se aquele fosse seu lugar. — Estou atrapalhando? — Perguntou, sua voz grave, mas com um tom leve.

Olhei para ele e sorri. — Alguém precisa trabalhar na Black Motors, não é?

Ele puxou uma cadeira ao lado da minha e se sentou, cruzando os braços sobre a mesa. — É verdade, mas hoje à noite, você vai fazer uma pausa.

Ergui uma sobrancelha, surpresa. — Pausa para quê?

Jacob sorriu, aquele sorriso de quem já tinha tudo planejado. — Temos um jantar marcado.

Eu hesitei, o estômago já começando a se contorcer com a ideia. — Jacob, não vai dar... — comecei a dizer, mas ele segurou minha mão, me puxando gentilmente, determinado a não aceitar um "não" como resposta.

— É exatamente isso que vai acontecer, Nessie. Agora vá se arrumar, pois precisamos sair logo.

Fiz uma cara de dor, uma tentativa de resistir, mas ele apenas riu, divertido com minha relutância.

— Não tenho escolha, não é? — Resmunguei, levantando-me e me dirigindo ao banheiro.

— Nem um pouco — ele respondeu, ainda rindo.

Entrei no banheiro, fechei a porta e me olhei no espelho. Uma mistura de emoções borbulhava dentro de mim. Eu estava nervosa, sim, mas também havia uma certa expectativa, uma curiosidade sobre o que Jacob estava planejando. Ele sempre conseguia me surpreender de uma forma ou de outra.

Suspirei e comecei a me preparar para o jantar surpresa de Jacob Black, tentando ignorar as borboletas que agora dançavam em meu estômago. Afinal, o que quer que ele tivesse planejado, eu sabia que seria algo especial.

Minutos depois, me olhei no espelho novamente, analisando o resultado. Escolhi um vestido curto de cor preta, que abraçava meu corpo de maneira sutil, com um corte que deixava meus ombros à mostra. Combinei com uma jaqueta jeans e botas de cano médio, que adicionavam um toque mais descontraído e moderno. Completei o visual com uma bolsa pequena, pendurada de forma casual no ombro, e deixei meus cabelos soltos, caindo em ondas suaves.

Respirei fundo, tentando acalmar a ansiedade que se acumulava em meu peito, e saí do quarto, descendo as escadas em direção à sala. Quando cheguei lá, vi Jacob conversando com Seth, enquanto Rebecca e Ayla cuidavam das louças na cozinha. Assim que me viram, os olhos de Ayla brilharam de felicidade.

— Nessie, você está linda! — Exclamou Ayla, com um sorriso radiante.

Jacob se virou para me olhar e, por um momento, o tempo pareceu parar. Seus olhos percorreram meu corpo de maneira intensa, e eu senti meu rosto esquentar. A forma como ele me olhou me fez corar profundamente.

— Concordo com a Ayla — disse ele, sua voz cheia de aprovação.

Rebecca, Ayla e Seth nos desejaram um bom jantar, com Ayla ainda me lançando olhares animados. Jacob, com um gesto cavalheiresco, abriu a porta para mim, e eu saí da casa, sendo seguida por ele.

Entramos no carro, e Jacob se acomodou no banco do motorista. Ele me olhou de soslaio, um leve sorriso nos lábios.

— Pronta para uma noite diferente? — Perguntou ele, ligando o carro.

Eu o observei por um segundo, tentando entender o que ele queria dizer. — Acho que sim — respondi, ainda incerta, mas com uma curiosidade crescente.

Nossos olhares se encontraram novamente, e havia algo em seus olhos que me fez sentir uma mistura de nervosismo e excitação. Jacob deu partida no veículo, e eu suspirei, olhando para a estrada à nossa frente.

Enquanto ele dirigia, minha mente começou a girar em torno das perguntas que não paravam de ecoar em meus pensamentos. O que eu realmente sentia por Eliot? E o que significava o que eu estava sentindo agora, ao lado de Jacob? Meu coração estava dividido, e a confusão de sentimentos me deixava ainda mais perdida.

Tentei decifrar essas emoções enquanto a noite se desenrolava diante de nós, mas a única certeza que eu tinha era que algo estava mudando, e eu não sabia ao certo para onde essa mudança estava me levando.